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Ectoplasma

Ectoplasma

Resumo: – Este pequeno ensaio sobre Ectoplasmia faz referências
iniciais sobre o significado do título e os pesquisadores que contribuíram na
elucidação do processo. Procura mostrar o que é ectoplasma e o resultado de
algumas análises realizadas. Apresenta o conceito bioquímico que pode responder
pelo processo, onde o ATP, elemento bastante difundido no metabolismo celular e
resultante do ciclo de Krebs, seria uma das unidades chaves na formação da
substância ectoplásmica.

Na moldagem de objetos ou seres humanos, com propósitos bem definidos, terá
de existir o campo de energias responsável pela congregação e orientação das
moléculas do ectoplasma, traduzido num verdadeiro campo-organizador, consciente
e inteligente pelo que demonstra, representando o agente Psi-Theta (Espírito) ou
campo espiritual.

A ectoplasmia, conhecida de modo mais popular como fenômeno de
materialização, pelos estudos realizados e experiências criteriosas há um século
aproximadamente, ainda em despertando o mais expressivo interesse da área
cientifica. Foi Charles Richet quem utilizou a denominação diante das pesquisas
realizadas em sua época.

A Parapsicologia, com os conhecimentos dos dias atuais, tem por obrigação
fazer a abordagem da temática, no capítulo dos fenômenos Psi-Theta. Devido à
existência de inúmeros fatos a ectoplasmia não pode ser relegada ao
desconhecimento ou mesmo falta de interesse como desejam algumas posições
sectaristas.

A ciência avalia os fenômenos de ectoplasmia com desconfiança. Como todo
fenômenos Psi-Theta, não pode ser controlado de acordo com as diretrizes e
vontade do pesquisador. Essa fenomenologia, em que os agentes Psi-Theta
(Espíritos) participam, é quase sempre fugaz, de difícil abordagem e controle,
pela presença de inúmeros fatores que se desenvolvem em dimensão diversa daquela
que a metodologia cientifica pode avaliar e controlar.

Laboram nestes fatos inúmeros pesquisadores dos quais lembramos: Albert Coste
em 1895;Alexandre Aksakof em 1895; Paul Gibier em 1898;Williams Crookes em 1899
e 1923;Gabriel Delanne em 1909 e 1911 e muitos outros.

Os autores são categóricos em afirmar a inconteste existência dessa mecânica,
onde dois elementos entram, indiscutivelmente, no processo: o ectoplasma e o
agente orientador para que a moldagem se observe. De um lado, a matéria
ectoplásmica, fugaz e vaporosa e, do outro, o campo organizador da forma ( campo
espiritual) às expensas do qual o ectoplasma se distribui em adequada moldagem.

Ektós ( do grego) – por fora; plasseinforma. O vocábulo ectoplasmia passa a
definir, com mais precisão do que o termo materialização, a formação de objetos
e pessoas, em ambiente apropriado, às expensas da substância especifica doada
pelos sensíveis ou médiuns (ectoplasma).Devemos fazer diferença do termo
ectoplasma empregado em biologia para designar a região mais externa do
protoplasma celular, do significado parapsicológico do presente escrito.

O ectoplasma é substância amorfa, vaporosa, com tendência a solidificação
pela evolução do fenômeno, tomando forma por influencia de um campo-organizador
especifico. Facilmente fotografado; de cor branco acinzentado; vai desde a névoa
transparente à forma tangível; de aspecto semelhante aos tecidos vivos
oferecendo sensação de viscosidade e frieza.

O ectoplasma foi analisado por vários pesquisadores dos quais destacamos as
seguintes conclusões:

  1. Dr.V. Dombrowsky (Varsóvia) – “O ectoplasma está constituído de matéria
    albuminóide, acompanhado de gordura e de células tipicamente orgânicas. Não
    foram encontrados amiláceos e açúcares”.
  2. Dr. Francês ( Munich) – “Substância constituída de inúmeras células
    epiteliais, leucócitos e glóbulos de gordura”.
  3. Dr. Albert Scherenk-Notzing citado por Charles Richet – “O ectoplasma está
    constituído por restos de tecido epitelial e gorduras”.
  4. Dr. Hernani G. Andrade – “O ectoplasma é Substância formada com recursos
    da natureza originando-se dos tecidos vegetais (ectofiloplasma) e de origem
    animal (ectozooplasma) e de origem mineral (ectomineroplasma)”.

Muitos autores que analisaram a substância encontram células anucleadas em
sua constituição. O ectoplasma seria substância originária no protoplasma das
usinas celulares, onde o ATP( trifosfato de adenosina) teria expressiva
participação, ao lado de outros elementos. Dessa forma, não podemos deixar de
considerar a importância do fósforo nas atividades bioquímicas orgânicas e,
consequentemente, no desenvolvimento do processo ectoplásmico em suas
especificas dosagens. No dizer do professor Aldemar Brasil: ” Em síntese, o ATP,
que eqüivale por cada ligação piro-fosfática desgarrada de sua molécula, a mais
ou menos 7.500 kcal, é a unidade usada em biologia para expressar a
transferência de energia oriunda do ciclo de Krebs, e de outras fontes. No ciclo
de Krebs, também denominado de ciclo dos ácidos tri-carboxílicos, a energia é
libertada pela transferência de elétrons para a cadeia respiratória, provindos
de substratos em que o hidrogênio é ativado, desgarrado e transportado com seu
elétron até o oxigênio, também ativado ao receber esses elétrons, formando-se,
então, a água. Para tanto, no ciclo de Krebs há processos de descarbolização,
desidrogenação, etc., operados por enzimas especificas ativadas por coenzimas
determinadas”.

Qual o mecanismo criativo do ectoplasma na organização do agente doador
(sensível ou médium)?Claro que seria uma condensação energética apropriada
transformando-se em matéria. A informação de André Luíz, em “Mecanismos da
Mediunidade”, é bastante lógica e sensata: “O ectoplasma resulta de um processo
de desagregação molecular formado por forças desconhecidas, ao mesmo tempo que o
fenômeno fica sob controle de campos de forças organizadoras capazes de
reagrupar as moléculas segundo um modelo determinado. “O fenômeno de
ectoplasmia, é preciso que se diga, é fenômeno de plasmagem e não de criação de
matéria. A plasmagem se dará às expensas da substância (energia) fornecida pelo
médium que, a pouco e pouco, atingirá o processo de condensação, voltando à sua
fonte por mecanismo inverso. Temos como certo, também, que o ectoplasma é
substância que, além de fornecida pela organização humana (médium), será
plenamente enriquecida (completada) com outros elementos da natureza provindos
dos vegetais e de outras matérias orgânicas, de origem animal, numa especifica
arregimentação.

Os chamados processos de ectoplasmia investem complexa mecânica, de difícil
avaliação pelos atuais métodos que a ciência pode oferecer. Para que o fenômeno
se observe e seja bem equacionado, haverá necessidade de lembrarmos o conceito
de Claude Bernard de que na usina celular opera-se a totalidade dos fenômenos
vitais, muitos dos quais transcendem a avaliação pelos nossos sentidos. A
maioria desses fenômenos bioquímicos, mormente da esfera da ectoplasmia,
estariam ligados aos compostos fosforados e suas correlações com as enzimas e
hormônios.

No núcleo celular existiriam fontes especificas de energia, ligadas ao ADN e
ARN (ácido desoxirribonucleico e ribonucleico), a comandarem os processos
metabólicos mais expressivos no soalho protoplasmático. O elemento participante
ativo desse processo de formação de energias no corpo celular seria o ATP (
trifosfato de adenosina), resultante do ciclo de Krebs.O ATP, sendo a primordial
fonte de energia nos processos celulares, estaria comprometido na formação do
ectoplasma. Esse processo de doação do ATP traduziria uma “qualidade especifica”
do médium na manifestação da fenomenologia paranormal de efeitos físicos.
Haveria, neste caso, por intermédio das organizações celulares, uma maior
irradiação dessas energias, que se tornariam mais expressivas nas reuniões
destinadas a esse tipo de trabalho. Isto mostraria a influência dos
participantes da equipe (encarnados e desencarnados) concorrendo no maior
fornecimento da substância ectoplasmática por parte dos que apresentam essa
possibilidade. Quando a quantidade de substância irradiativa fosse bem
expressiva, já fora da fonte de origem, poderia mostrar-se sob forma gasosa
visível (nuvem), por um processo de condensação, constituindo material
especializado e com possibilidades de aproveitamento nos mecanismos em pauta.

No denominado passe energético, muito utilizado nas casas espíritas sob forma
de fluidoterapia, acreditamos que esses elementos de irradiação, devidamente
elaborados pelo psiquismo, carregam em seu bojo quase que especificamente
energias originárias no ATP da usina celular. Ainda mais, este material de
doação energética, passando à dimensão física por condensação, poderá ser
aproveitado pelas Entidades Espirituais na vestidura de seus campos de forças
nos trabalhos especializados da ectoplasmia.

Assim, essa substância, o ATP, deverá fazer parte do ectoplasma e, na medida
que o processo se desenvolve por condensação, vai oferecendo as naturais
modificações químicas pela queima da molécula fosfórica que permitirá a
ectoplasmia luminosa; por tudo, podemos avaliar a importância do fósforo, em
suas múltiplas combinações, no mecanismo da ectoplasmia.

Esclarecemos que o processo da ectoplasmia revelando o aparecimento de um ser
humano (Espírito envolto no ectoplasma) não representa exclusivamente a
vestidura com ATP. Haveria, na massa ectoplásmica, em sua constituição, pelo
alto teor de energias que carrega consigo, outros elementos orgânicos das
próprias células ou mesmo substâncias arrecadadas na Natureza, em especificas
reações químicas, às expensas de equipes espirituais que participem do processo.

Chepelle, descobriu que o mecanismo de emissão de luz dos pirilampos
(vagalumes) estaria ligado a uma enzima, a luciferase, quando oxidada pela
luciferina. Neste mecanismo não haveria participação ativa do ATP celular? Não
existiria, neste processo, uma correlação, pelas reações afins, de doação de
energias embora em degrau bioquímico diverso, com a mecânica da ectoplasmia?

Na ectoplasmia a bioquímica seria mais avançada e onde deverá existir uma
participação toda especial das camadas profundas do psiquismo do doador, sem que
a vontade e o raciocínio da zona superficial ou consciente possam interferir.
Isto não quer dizer que a zona do inconsciente ou espiritual do doador ou médium
seja a responsável pelo processo ectoplásmico, mas uma zona orientadora dos
mecanismos psicológicos e parapsicológicos. Só haverá ectoplasmia de um ser
humano quando o campo inteligente do agente Psi-Theta, ou campo espiritual,
comandar o processo. O inconsciente ou psiquismo de profundidade do médium
dirige o seu próprio metabolismo e quimismo, mas, nunca a moldagem externa do
objeto. A substância ectoplásmica, ao definir a morfologia humana, terá que
sofrer a influência orientadora dos vórtices inteligentes do agente modelador
que, de acordo com a necessidade e possibilidade, traduzirá o processo de modo
parcial ou total, a fim de atingir a sua finalidade.

As variedades de ectoplasmia são inúmeras e com tonalidades especificas.
Existem moldagens tão marcantes da parte do doador (médium), que o campo
modelador não consegue efetivar com precisão as suas próprias características,
mostrando semelhança com o corpo do médium; é como se o médium reforçasse o
mecanismo com substância pré-moldada, isto é, o seu corpo astral (matéria
orgânica especifica irradiante) fosse projetado na massa ectoplásmica em
processamento. Isto tem criado muita celeuma quanto à validade do processo. Aqui
não cabe a discussão do problema.

Além das variedades parciais ou totais, a ectoplasmia poderá ser opaca ou
luminosa. Neste último caso, pela iluminação da forma em exposição, devido à
queima do fósforo, será apreciado, com detalhes, pela nossa visão, a aparição.
Sabemos que os processos da ectoplasmia, em sua maioria, necessitam da ausência
de luz branca para a sua realização; esta como que desorganiza o processo, o que
não acontece com a faixa luminosa do vermelho, até recomendado nas câmaras de
ectoplasmia.

Concluindo: a ectoplasmia encontraria no ATP das células uma das substâncias
especificas para as próprias moldagens. E, estas, só seriam possíveis com a
presença do campo-organizador-orientador do agente Psi-Theta ou Campo
Espiritual.

Revista Presença Espirita, nov. de 1980.

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