Tamanho
do Texto

Em Torno da Mediunidade

Em Torno da Mediunidade

O processo mediúnico sofrendo, como referimos, influências de acordo com a
idade do ser, mostrar-se-á, também, com tonalidades e coloridos de muitos
matizes. Podemos asseverar que não existe uma manifestação igual a outra, embora
o processamento se assemelhe e se mostre dentro de condições aparentemente
idênticas.

A energética psíquica que participa do processo investe a condição de
afinidade e sintonia, levando-se em consideração o grau qualitativo do fenômeno
e que estará relacionado com o grau evolutivo do comunicante e do médium.

O fenômeno mediúnico, ao desenvolver-se na organização material ( encarnado),
necessita de telas psíquicas adequadas e, por serem materiais, sofrem
influências do sistema nervoso vegetativo, do sistema cérebro-espinhal e da
cadeia glandular; portanto, do arcabouço neuro-endócrino que o médium carrega.
Ainda não sabemos o modo como essa estrutura neuro-endócrino poderá influir na
fenomenologia mediúnica, mas, pelo conhecimento que já possuímos a respeito dos
biótipos psicológicos, podemos tirar as necessárias ilações dessas influências.

As glândulas endócrinas, por intermédio de suas elaborações hormonais,
regularizam e ordenam as manifestações do psiquismo. Essa influência é de tal
ordem que, hoje, os cientistas estão no encalço de certas manifestações
psicológicas diretamente ligadas à glândula pineal. Acham mesmo, que a epífise
ou pineal representa um relógio biológico e, como tal, os fenômenos psicológicos
estariam coligados em suas telas específicas.

André Luiz nos tem fornecido, pela mediunidade de F. Xavier, informações
dignas de registro, em que a pineal estaria comprometida com as manifestações
mediúnicas e, de tal forma, que seria responsável, no nosso entender, pela
orientação e respectiva transmutação dos dados espirituais, em dados
intelectivos, na zona nobre talâmica da base cerebral e, daí, partindo para os
respectivos centros nervosos da córtex, onde as informações alcançarão o
entendimento da comunicação.

As mensagens mediúnicas variarão em suas expressões e manifestações, e serão
tanto mais sérias e qualitativas quanto maior for o estofo moral do médium;
este, qualitativamente situado, só sintonizará com forças psíquicas construtivas
e ordeiras.

As estruturas profundas do psiquismo humano, diante dos exercícios
mediúnicos, vão, como que, no dia-a-dia, abrindo comportas e absorvendo aptidões
que o processo em pauta pode determinar. A absorção dessas aptidões,
sedimentando-se nas íntimas estruturas do Espírito, vão criando zonas
específicas que responderão como fontes ativas e sempre facilmente despertadas
pelas influências espirituais externas; seriam campos-energéticos encravados no
psiquismo de profundidade e despertados por influências especiais e na mesma
gama vibratória em que o médium se situa. Reforçando a idéia, poderíamos dizer
que estes campos, assim construídos, responderiam por autênticos
reflexos-condicionados do Espírito.

Precisamos entender, também, que as manifestações mediúnicas inundam a
organização do médium, ficando com ele a essência que o processo propicia.
Quando o mediunismo é sério, obedecendo as regras de um mediunato, absorve o
trabalho construtivo e avança na evolução. Não acontecendo o mesmo com o
trabalho mediúnico desordenado e comandado pelas mentes em desalinho, em que o
médium será palco de forças vampirizantes e obsessivas.

Com a mediunidade mal conduzida, o médium propicia uma série de reflexos em
sua organização física, onde podemos salientar grupos de sintomas bem
caracterizados a desembocarem nos diversos graus de obsessão:

  1. perda de vitalidade, desgaste físico com depressão;
  2. distúrbios neuro-vegetativos, mostrando as tão conhecidas reações
    psicossomáticas, assunto de profundo interesse científico;
  3. excitações constantes, a desenvolverem os múltiplos e extensos quadros de
    ansiedade;
  4. pontos máximos de obsessão a manifestar-se nos quadros histéricos,
    epilépticos e, posteriormente, nas severas psicoses.

Revista “Presença Espírita”.