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Escolas: Precisa-se!!!

Já nos dizia o poeta António Aleixo, noutras palavras, que este mundo
só caminhará para melhor quando fizermos das prisões e das igrejas verdadeiras
escolas.

Precisamente no dia 29 de Abril do corrente ano, dia em que Divaldo Pereira
Franco palestrou em Coimbra, meditávamos sobre a realidade que nos cerca.

Isto porque ao ter nas mãos o jornal «A Capital», adquirido no intuito de
apanhar um artigo sobre o grande orador, nos tocou profundamente ler as
atrocidades que alguns elementos da sociedade de que todos nós fazemos parte
ainda se envolvem.

O caso em questão consistiu em 8 jovens cometerem uma violação, roubo e
humilhação a um jovem casal de namorados. Mas enquanto lia com algum
constrangimento a indesejada notícia, o comboio avançava em direção a Coimbra,
com toda a velocidade e segurança que o conhecimento e capacidade do homem
atual logrou alcançar.

Pensava então em como conseguimos movimentar-nos rapidamente, deslocar-nos em
pouco tempo aonde queremos, fazer boas fotografias, boas filmagens, boas
reportagens de rádio e de televisão, etc., isto sem falar nas altas tecnologias.

Mas… e o resto? Tanta dor, tanta humilhação, tanta miséria moral. Que fazemos
nós dentro da sociedade de que somos parte integrante. Ouvimos muitas vezes
dizer, e em tempos também o pensávamos que só se resolve à força, enfim, com as
mais tristes expressões de linguagem e de falta de condescendência para com os
semelhantes.

Mas raramente procuramos assumir as responsabilidades que nos cabem
esquecendo-nos de que somos frutos desta grande árvore que é a nossa sociedade.
Se são maus é porque a árvore que os tem criado não é grande coisa, e como
estamos fartos de ouvir, árvore ruim não pode dar bons frutos.

Então será necessário cuidarmos da árvore rapidamente mas não da maneira como
temos feito, porém sim com consciência e sentido de responsabilidade. Já nos
dizia o poeta António Aleixo, noutras palavras, que este mundo só caminhará para
melhor quando fizermos das prisões e das igrejas escolas. Então estaremos no
caminho de cativar as criaturas para uma verdadeira reforma íntima.

Mas embora muitos não dêem valor, o centro espírita representa no fundo as
igrejas a transformarem-se em escolas. Daí a nossa responsabilidade como
espíritas de prepararmos essas escolas de forma a poder ser dado o contributo
que se espera. É urgente o esclarecimento para alteração do pensamento humano.

É necessário não nos julgar-mos donos do conhecimento, que tudo está bem no
centro onde militamos, que nada temos a aprender ou alterar para melhor.
Tentemos conhecer e conversar com as associações inseridas no movimento, porque
isso será a prova inequívoca de que estamos compreendendo Kardec, de que estamos
vivendo Kardec.

E as prisões? Será que se estão a aproximar de verdadeiras escolas?

Parece já haver pelo menos entendimento de que é necessário a instrução das
criaturas que vão parar a essas instituições. Será o melhor antídoto contra as
respectivas fraquezas morais. Mas, atenção, o conhecimento académico é
importante mas o que mais está em causa é formação moral, é reconhecimento e
reforma da sua maneira de ver e entender a vida. Para isso é necessário
encontrar a força criadora da vida, no intuito de evoluirmos.

Para isso também a imprensa terá de crescer para reconhecer e valorizar o que
é positivo na vida, de forma a criar o optimismo, o altruísmo, a força e a
vontade de viver com alegria e harmonia.

No meio de pensamentos e leituras cheguei a Coimbra, desci e apanhei a
direcção da Associação dos Comerciantes e Industriais daquela cidade. Aí,
cheguei e deparei com uma sala superlotada de pessoas que já descobriram como
cimentar os tais verdadeiros valores que as traças não roem e a ferrugem não
corrói. Como sempre, este grande instrutor da Humanidade falou e encantou,
esclareceu, elucidou e fez vibrar corações. Com muita vontade de continuar, mas
fazendo-se tarde, tive de regressar ao Porto. Em viagem continuava a meditar
como levar ao conhecimento das pessoas tão grandes verdades, como as acordar. E
continuei a chegar à conclusão: é necessário prosseguir a trabalhar a nível
nacional, não pode ser só quando cá vem esse grande orador, é necessário que os
residentes continuem a trabalhar, a trazer à luz do dia os valores morais e as
verdades eternas. Em conjunto com toda a imprensa que até já vai admitindo e
abrindo as suas páginas, às vezes ainda fugindo ao ângulo certo, possamos todos
revitalizar as nossas mentes de forma a que as criaturas jamais se envolvam em
situações que nos trazem «choro e ranger de dentes» desnecessariamente.
Entraremos num mundo de regeneração quando nos jornais jamais aparecerem
notícias das que mencionamos porque violados e violadores terão entendido que
perdoando e pedindo perdão é a única forma de alcançarmos paz.