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O Espírita e a Ciência

O Espírita e a Ciência

Este o primeiro objetivo deste artigo, o de eliminar o preconceito que ainda
existe contra a Ciência. Como segundo objetivo podemos colocar a questão de se a
Ciência está apta a julgar a existência ou não da alma. Como vimos nas duas
primeiras citações acima, tanto os espíritas quanto os cientistas estão de
acordo que não é da competência da Ciência falar desses assuntos. Significa isso
mais um motivo para o espiritismo se afastar da Ciência? É claro que não, e
Kardec já dizia isso em A Gênese2 (pág. 20):

“O Espiritismo e a ciência se complementam um pelo outro. A ciência sem o
Espiritismo se encontra na impossibilidade de explicar certos fenômenos
unicamente pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a ciência lhe faltaria
apoio e controle. O estudo das leis da matéria deveria preceder ao da
espiritualidade, porque é a matéria que fere, primeiramente, os sentidos. O
Espiritismo, vindo antes das descobertas científicas, teria sido obra abortada,
como tudo o que vem antes de seu tempo”.

E assim também Einstein3 em sua famosa frase:

A ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é
cega”. (pág.144)

Mas o que dizer de um livro como “A Estrutura da Matéria segundo os
Espíritos
”? Estaria tentando provar a existência da alma? Considero este
livro não como uma teoria científica, mas como uma notícia do plano espiritual
sobre estudos científicos que estão sendo realizados por um grupo de Espíritos,
(demonstrando o adiantamento de seus estudos, é verdade) mas que ao invés de
provar a existência da alma está, principalmente, contribuindo para trazer novos
argumentos para silenciar os detratores do Espiritismo que se valem da Ciência
para conseguir seus objetivos.

E consegue isso ao demonstrar cientificamente a possibilidade de outros
planos da existência além do plano material qual seja, o da antimatéria ou o
plano virtual, onde os Espíritos ainda vestem seus perispírito. Os planos
superiores da Mente e do Amor Divino, onde os Espíritos puros não mais
necessitam de seus corpos perispirituais, terão ainda muito que esperar para
serem tratados pela ciência terrestre. Mas mesmo o plano virtual ainda terá que
esperar algumas décadas até que novos fenômenos astronômicos, que ainda irão ser
descobertos, não possam ser explicados pelas teorias atuais, exigindo uma
reformulação. Esse livro será então de grande valia por se constituir numa fonte
de inspiração para a elaboração de uma nova teoria física.

E o que dizer dos progressos científicos, poderão um dia tornar o Espiritismo
obsoleto? É Kardec ainda que responde em A Gênese2
(pág.40):

“O último caráter da revelação espírita, e que ressalta das próprias
condições nas quais está feita, é que, apoiando-se sobre fatos, não pode ser
senão essencialmente progressiva como todas as ciências de observação. Por sua
essência, contrai aliança com a Ciência que, sendo a exposição das leis da
natureza em certa ordem de fatos, não pode ser contrária à vontade de Deus,
autor dessas leis. As descobertas da ciência glorificam Deus em lugar de
diminuí-lo; elas não destroem senão o que os homens estabeleceram sobre idéias
falsas que fizeram de Deus. (…) O Espiritismo, caminhando com o progresso, não
será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está
em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se
revela, ele a aceita”.

Finalmente um último objetivo deste trabalho é responder à questão: – Deve um
espírita se preocupar com estudos científicos? Vejamos de novo o que nos falam
os espíritos a respeito no Livro dos Espíritos1,
na descrição da Escala Espírita, Segunda Ordem – Bons Espíritos:

“109. Quarta classe. ESPÍRITOS SÁBIOS. O que os distingue é,
especialmente, a extensão dos conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões
morais do que com as científicas, para as quais têm mais aptidão; mas só encaram
a Ciência do ponto de vista de sua utilidade e não misturam com qualquer das
paixões características dos Espíritos imperfeitos.”

“111. Segunda classe. ESPÍRITOS SUPERIORES. Reúnem Ciência, sabedoria e
bondade. Sua linguagem só transpira benevolência: é sempre digna, elevada, por
vezes sublime. Sua superioridade os torna, mais que os outros, aptos a nos darem
as mais justas noções sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites de
conhecimento permissíveis ao homem. Comunicam-se de boa vontade com os que de
boa fé buscam a verdade e cuja alma seja bastante desprendida dos laços terrenos
para a compreender; mas afastam-se dos que são movidos pela curiosidade ou que,
por influência da matéria, se desviam da prática do bem.”

Assim no meu entender, se todos vamos chegar à perfeição, todos teremos um
dia que estudar Ciência. Alguns o fazem antes de progredir na parte moral,
outros começam pela evolução moral para em vidas futuras evoluir na Ciência, mas
todos devem atingir um nível elevado de moral, sabedoria e conhecimento
científico. Portanto, não há razão para discriminarmos agora os cientistas.
Muitos cientistas são ateus, materialistas, e empregam seu conhecimento para o
mal desenvolvendo armamentos, vírus mortais, agrotóxicos, poluentes, clones e
toda sorte de tecnologias que de alguma forma são contra a ética e a moral como
a entendemos. Porém muitos se dedicam à pesquisa de medicamentos, vacinas,
seleção de sementes, materiais substitutos biodegradáveis, e tecnologias que
facilitam o trabalho humano, aumentam a produção de alimentos e permitirão no
futuro um controle ainda maior sobre as doenças. Alguns poucos já são espíritas,
tendo abandonado aquele tipo de pesquisa antiética, como condição indispensável
para continuar sua evolução espiritual, e hoje podem estar se dedicando à
divulgação do Espiritismo.

Entretanto esta conclusão não deve nos levar a outra, de que o Espiritismo
como doutrina, deva se ocupar dos estudos científicos. As teorias científicas
são sempre transitórias e se tornam obsoletas, sendo substituídas por outras
mais avançadas. Isto é válido mesmo quando um ensinamento nos for transferido
por comunicação espírita, como se pode constatar nesta afirmação em A Gênese2
(pág. 43):

“Os Espíritos não vêm para livrar o homem do trabalho do estudo e das
pesquisas; não lhe trazem nenhuma ciência pronta; o que pode encontrar, ele
mesmo, deixam-no às suas próprias forças; é o que os Espíritas sabem
perfeitamente hoje. Desde muito tempo, a experiência demonstrou o erro da
opinião que atribuía, aos Espíritos, todo o saber e toda a sabedoria, e que
bastava dirigir-se ao primeiro Espírito que chegasse para conhecer todas as
coisas. Saídos da Humanidade, os Espíritos lhe são uma das faces; como sobre a
Terra os há
superiores e vulgares; muitos deles sabem, pois, científica
e filosoficamente, menos do que certos homens; dizem o que sabem, nem mais nem
menos; como entre os homens, os mais avançados podem nos informar sobre mais
coisas, dar-nos conselhos mais judiciosos do que os atrasados. Pedir conselho
aos Espíritos não é dirigir-se às forças sobrenaturais, mas aos semelhantes,
àqueles mesmos a quem nos teríamos dirigido em seu viver: aos parentes, aos
amigos, ou aos indivíduos mais esclarecidos do que nós”.

A respeito disso, podemos dizer que o livro “Estrutura da Matéria segundo
os Espíritos
” é muito peculiar por nos trazer mais uma vez a cooperação dos
espíritos em favor de nosso progresso científico; pelo esforço no sentido de
unificação do ideal religioso e da Ciência visando à formação da religião
científica do futuro; pela racionalização de diversos fenômenos espíritas à luz
da Nova Física; por ter trazido vida nova e nova compreensão aos trechos do
Livros dos Espíritos, citados no início de cada capítulo, e que já pareciam
estar ultrapassados pelos avanços da Ciência; pela visão do Universo Dual em
que, espíritos encarnados e desencarnados coabitamos; pela confirmação de um
mundo espiritual tão concreto quanto o nosso conforme descrito nas obras de
André Luiz; pela possibilidade de observação futura dos novos fatos científicos
que são apresentados; pelas novas hipóteses que poderão gerar novas teorias
científicas; e por ter demonstrado que não só a Ciência (do futuro) pode
perfeitamente abordar também os fenômenos Espíritas, mas também que os Espíritos
podem nos ajudar, como aliás o têm feito sempre (pela inspiração), no
desenvolvimento científico terrestre. A história contém inúmeros casos de
teorias que não foram aceitas de início, mas que provaram estar corretas mais
tarde. E se fizermos uma comparação com muitas teorias científicas atuais que
são puro contra-senso, a deste livro se torna uma teoria séria que merece ser
examinada. Se existem alguns erros, com certeza se devem ao receptor das
mensagens que, por não ser Físico, perdeu pontos importantes e pode ter
involuntariamente alterado outros. Mas basta fazer os ajustes necessários e
teremos aí um fértil campo de pesquisa teórica.

Analisando agora sob outro ponto de vista, o do progresso material trazido
pela ciência, podemos constatar que as nações mais adiantadas, onde a qualidade
de vida permite que todos tenham oportunidades iguais, são coincidentemente
aquelas que mais investem em educação e pesquisa tecnológica, o mesmo ocorrendo
com suas empresas multinacionais. O inverso ocorre nos países subdesenvolvidos
onde a injustiça social, a violência e a miséria estão abaixo do nível
tolerável, e que são justamente as que menos investem em educação e pesquisa,
não havendo uma massa crítica de doutores que permitam um funcionamento
eficiente do setor. Haja visto o grande impulso econômico dos dias de hoje nas
nações de primeiro mundo, que são conseqüência direta do investimento em
pesquisa de tecnologia da informação que está rendendo agora seus frutos, numa
demonstração de visão empresarial das empresas e dos governos dessas nações.

Podemos contestar dizendo que isso é competição, porém devemos também
reconhecer que esta é a realidade atual e que o erro está no mau uso que se faz
dos avanços tecnológicos. A Internet, por exemplo, pode ser usada para a
pornografia e a pedofilia, mas também está permitindo o aparecimento das páginas
Espíritas. Podemos argumentar que o progresso tecnológico não está sendo
acompanhado pelo progresso moral, é certo, mas não podemos culpar a Ciência por
esse fato mas apenas aos maus cientistas, aos maus governantes, aos maus
religiosos e às más pessoas em geral, que nada mais são que espíritos em
processo de evolução neste planeta, ainda em estágio de expiação e provas; como
também não podemos culpar o Espiritismo pelos desvios dos maus espíritas e dos
charlatões que usam o Espiritismo para angariar vantagens pessoais.

É importante observar que a maioria das conclusões apresentadas acima não são
meras opiniões pessoais e não devem ser consideradas como querelas e celeumas
mas sim como argumentos lógicos calcados nas palavras de Kardec e dos Espíritos.
Aliás querelas e celeumas nunca foram solução para nada, desde tempos
imemoriais:

“Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o
trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr
atrás do vento, e que nada de novo havia debaixo do Sol.” (Eclesiastes, 1-11)

O que nos resta? A Caridade, o estudo e a nossa Reforma Íntima. Sigamos pois
Kardec4 (Cap. VI, item 5, Advento do Espírito
de Verdade):

“Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o
segundo”.

Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 1999.


Referências:

1 – ”O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec – FEB.

2 – “A Gênese” – Allan Kardec – FEB.

3 – “Einstein viveu aqui” – Abraham Pais – Ed. Nova Fronteira,
1997.

4 -“O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec – FEB

Este artigo e outros do autor podem ser encontrados na Internet no endereço
http://users.bmrio.com.br/unidual

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