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Espíritas

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Amilcar Del Chiaro

    De 1857 a 2004 são 147 anos de Doutrina Espírita. Lá no longínquo 18 de abril de 1857, Paris se espanta com um livro intitulado “O Livro dos Espíritos” e mal pode crer que aquelas deduções filosóficas, equacionando grandes problemas do pensamento humano, nasceram das grotescas sessões de mesas girantes e falantes, fenômenos ridiculamente teimosos, que resistiam ao modismo de mais de duas temporadas de inverno dos salões festivos da sociedade de Paris.  Os tolos, como eram chamados os que viam algo mais sérios nas mesas dançarinas, foram chamados de loucos, e quando a ironia não foi capaz de vencê-los, começaram a ser caluniados e acusados de necromancia, de destruidores da família, da moral, pregadores do adultério e do aborto.  Entretanto, quando alguém mais lúcido resolvia examinar a questão mais de perto, e lia “O Livro dos Espíritos”, tornava-se espírita, à despeito dos anátemas vindo das cátedras religiosas e científicas, ou de um jornalismo estrábico, suscitador de escândalos.  Kardec, como não podia deixar de ser, ignorava os ataques raivosos e impotentes de adversários sem ética, mas respondia aos ataques de pessoas bem intencionadas que, mesmo discordando do Espiritismo, escreviam com urbanidade. Todavia a maior preocupação de Allan Kardec não era com os inimigos de fora e sim aqueles que, de dentro dos arraiais espíritas, solapavam as bases da sociedade nascente.  Não se passaram muitos anos e Kardec teve que responder àqueles que queriam um espiritismo independente. (Independente do quê ou de quem?). Apareceram também os que, já naquela época, queriam um Espiritismo sem os Espíritos, pois diziam que, sendo os espíritos as almas dos homens que viveram na Terra, não tinham nada a nos ensinar. E também os que queriam banir a prece das suas reuniões, dizendo que a prece não muda os desígnios de Deus, portanto, não adianta pedir e nem agradecer, pois o que recebemos é porque merecemos, obrigando Kardec a escrever um veemente artigo em defesa da prece.  Outra dificuldade era os que queriam tirar proveito da sua condição de espírita, ou tinham uma vida devassa, moralmente incoerente com o Evangelho, desacreditando com o seu comportamento a nova doutrina, mesmo tendo Kardec elegido a moral evangélica como a moral espírita.  Ao acreditar que o Espiritismo tomaria conta do mundo em 50 anos, isto devido ela ter dado a volta ao mundo em 10 anos, Kardec não mediu a maior dificuldade, que é o próprio espírita. Lá na velha Europa, como aqui no novíssimo Brasil, o espírita continua sendo a maior dificuldade para o movimento, pois, um grande número vive fascinado com guias e mentores, médiuns e fenômenos ou pessoas, esquecendo o conhecimento que pode conduzi-lo à liberdade.

Amilcar Del Chiaro

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