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Fantasmas do outro lado do mundo

Fantasmas do outro lado do mundo

Foi só o primeiro-ministro do Japão Junichiro Koizumi mudar de casa (a
residência oficial é um casarão construído há mais de 70 anos), e o povo japonês
já falava que as assombrações da mansão foram a causa da mudança, isto porque,
há dois anos, o antigo morador, o primeiro-ministro Yoshiro Mori, corajosamente
declarou que além de ouvir ruídos estranhos à noite, ainda tinha que ver as
portas e janelas se abrirem, como que por efeito de mãos invisíveis, isto é, sem
que ninguém as tocassem. Os jornais populares do Japão ironizavam, pois, afinal,
a dita residência era à prova de terremotos, mas, pelo visto não era imune aos
fantasmas dos ancestrais.

O povo japonês venera seus ancestrais, mas, o medo dos espíritos,
principalmente daqueles que morreram em circunstâncias violentas, é um traço
comum não só no Japão, mas visível em muitas outras culturais. No Japão a
modernidade anda de mãos dadas com a tradição, daí os temores costumeiros, pois,
vindos do passado, fantasmas famosos, principalmente o do marido assassinado que
volta para atormentar a esposa infiel, ainda estão presentes na memória popular
e ficou registrado em pintura pelo pincel de Shunkosai Hokuei, que pintou uma
variedade de cenas de inspiração fantasmagórica.

No Japão não é só a matemática, a ciência e a alta tecnologia que são
valorizadas. O jornal americano Los Angeles Times deixa bem claro isso,
quando registra que: “O exorcismo se tornou uma indústria multibilionária no
Japão”; são muitos os que anunciam seus poderes para exorcizar fantasmas e,
pasmem, prestam serviços para empresas de grande porte e tem mais: para famosos
como jogadores de futebol e artistas de televisão. Falta agora o principal: eles
cobram de 400 a 160.000 dólares para botar para correr os maus espíritos.

Mas isso ainda não é tudo, pois o fenômeno já é explorado turisticamente; há
uma “alta estação” para ver os fantasmas; isso mesmo, no mês de agosto,
acreditam eles, os espíritos dos ancestrais voltam à terra para uma visitinha
anual. Os alimentos, objetos e até mesmo dinheiro, são dados para aplacar a ira
dos espíritos atormentados. E por falar em dinheiro, saibam que a Sociedade de
Preservação da Memória de Tairano-Masakado (um samurai que desencarnou há mais
de 1000 anos, depois de uma batalha sangrenta), abriu uma conta bancária para
depositar as dádivas. O saldo chegava a poucos dias a quase 200.000 dólares.

Mas o que realmente nos interessa é que os Espíritos não são uma invenção de
Allan Kardec, mas sim uma realidade universal atestada por todos os povos do
planeta. Não há o que temer; nós também somos Espíritos! Não há nada de
sobrenatural no mundo espiritual!

Allan Kardec, sabedor de situações como esta que acabamos de relatar,
pergunta aos Espíritos superiores, na questão 87 de “O Livro dos Espíritos”:

“Ocupam os Espíritos uma região determinada e circunscrita no espaço?

– Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Tendes
muitos deles de contínuo a vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando, sem o
perceberdes, pois que os Espíritos são uma das potências da natureza e os
instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais.
Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas ao menos
adiantados.”

Bibliografia:

  • revista Veja, edição 1751, ano 35, Nº 19, 15 de maio de 2002.
  • O Livro dos Espíritos, 75ª edição, tradução de Guillon Ribeiro, 11/1994,
    FEB, pág. 83, questão 87.

(Publicado na REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO, Ano LXXVII, Nº 10, pág.
532, Novembro de 2002).

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