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Filhos Adotivos

Filhos Adotivos

O casal aguarda ansiosamente um filho. Todavia , embora os médicos garantam
que não há nenhum problema físico, o desejo não se concretiza. Sucedem-se alguns
meses…Finalmente, admitindo que o filho não virá, marido e mulher resolvem
adotar uma criança. Consumada a adotar uma criança. Consumada a adoção, semanas
mais tarde a esposa constata,feliz e surpresa, que está grávida. Em breve o lar
é enriquecido com mais um filho.

Afirmam os médicos que este fenômeno é freqüente a incapacidade do casal em
gerar filhos é motivada pela tensão desenvolvida em vista do desejo extremado de
alcançar a paternidade, o que inibe o mecanismo biológico da reprodução. Ao
adotar a criança, os cônjuges relaxam a tensão, sucedendo-se, normalmente, a
concepção.

Sob o ponto de vista espírita, não há aqui a mera influência de fatores
determinados casais assumem perante a Espiritualidade o compromisso de cuidar de
um filho adotivo, além dos nascidos de sua união. Se estes surgem primeiro,
haverá a tendência para o casal sentir-se realizado nos seus ideais de
paternidade, deixando de cumprir o planejamento feito. Então, mentores
espirituais retardam por algum tempo os processos reencarnatórios marcados para
aquele lar, até que se dê a adoção.

Há Espíritos que reencarnam para serem filhos adotivos. Esta situação faz
parte de suas provações, geralmente porque no passado comportaram-se de forma
indigna em relação aos deveres familiares. Voltam ao convívio dos companheiros
do pretérito sem laços de consangüinidade, o que para os Espíritos de mediana
evolução representa sempre uma provação difícil, destinada a ensiná-los a
valorizar a vida familiar.

Harmoniza-se, assim, a situação de um grupo reunido no lar para serviços de
resgate e reajuste, competindo aos pais o máximo de cuidado em favor daquele
familiar que ressurge na condição de filho adotivo. Este, mais do que os outros,
é alguém necessitado de muita compreensão e carinho, a fim de que, superando o
trauma que fatalmente experimentará ao ter conhecimento de sua condição,
aproveite integralmente os benefícios da experiência, sem marcas negativas em
sua personalidade.

A incapacidade de gerar filhos pode ter outras motivações. O casal, por
exemplo, que em existências anteriores furtou-se às emoções de reter junto ao
coração um rebento de sua carne, por não desejar problemas, orientando suas
ações em termos de egoísmo a dois, preocupado apenas com prazeres e sensações,
segurança e conforto, poderá experimentar a angústia da esterilidade.

Em tais circunstâncias, os valores da abnegação e do amor podem ensejar
perspectivas mais felizes. Seria o caso do casal sem filhos que se dedicasse de
coração aos órfãos, quer trazendo-os carinhosamente ao convívio do próprio lar,
que participando de instituições destinadas a dar-lhes amparo e assistência. Por
terem abraçado filhos de lares alheios, ambos acabariam compensados com a
alegria de abraçar seus próprios filhos.

Não pretendemos sugerir que todo casal sem filhos os terá, desde que parta
para a adoção, seja porque deve receber primeiro o adotivo, seja porque o
adotivo lhe dará méritos necessários.

Cada caso tem suas particularidades e ninguém pode avaliar a extensão dos
compromissos assumidos por aqueles que experimentam a frustração de seus anseios
de paternidade.

O que se pode afirmar é que o filho adotivo constitui sempre um treino dos
mais nobres no campo da fraternidade, Nada mais meritório aos olhos de Deus, e
talvez raros serviços na Terra sejam tão compensadores em termos de Vida Eterna.

Quando os homens compreenderem isso, não teremos mais orfanatos, porque toda
criança sem pais encontrará corações generosos dispostos a dar-lhe carinho e
amparo no próprio lar, semeando Amor para um mudo melhor.

Brasil Espírita, Fevereiro de 1972