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Fluidos

Fluidos

 

35.XAYIER, Francisco Cândido. psicofonia sonambúlica. Ia “Nos Domínios da
Mediunidade”, cap. 8, p. 49.

1.5 – Propriedades Físicas

Retomando a “A Gênese”, de Allan Kardec, ficamos sabendo que os Espíritos
atuam sobre os fluidos espirituais, que são os fluidos etéreos, não
manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando, sobremaneira,
o pensamento e a vontade. Por estes, e aqui relembramos a plasticidade dos
fluidos etéreos, imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, aglomerando-os,
combinando-os, dispersando-os, organizando com eles conjuntos que constituem uma
aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades,
como um químico muda a dos gases e de outros corpos e substâncias, fazendo-os
agirem e interagirem segundo certas leis.

Os fluidos não possuem qualidades “sui-generis”; as adquirem no meio onde se
elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio. Portanto, dizendo-se que tal
fluido é bom ou mal, nos referimos ao “produto final” e não a sua generalidade.
O fluido cósmico é puro e suas derivações são produto das “manipulações”, em
níveis e padrões variados ao infinito. Os fluidos derivados são mais ou menos
úteis, para tais ou quais casos, sendo excelentes para certos usos e sofríveis
para outros. O uso e a assimilação que se tenha dos fluidos é que também podem
repercutir. Podemos ter um fluido “fino”, bastante rarefeito, proveniente de uma
fonte “elevada”, mas que, para determinado tratamento, seria preferível um
fluido mais material, mais denso, pelo que aquele se tornaria menos eficiente
que este. De outra forma, seríamos levados a crer que os fluidos teriam
personalidades próprias; não as tem, são fluidos, são matéria. Suas qualidades
são produtos das “manipulações” mentais, psíquicas, espirituais, ainda que com
profundas repercussões físicas.

Do ponto de vista moral, os fluidos trarão impressos em si mesmos, pelas
vibrações especiais que se lhes agregam, o cunho dos sentimentos de ódio,
inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade, benevolência,
amor, caridade, humildade, doçura, afeto e carinho, com que venham a ser
laborados.

No caso do fluido magnético, conforme nos assevera Michaelus, sabemos que
ele, “Por si só, não apresenta nenhuma propriedade terapêutica, mas age
principalmente como elemento de equilíbrio. De sorte que o desequilíbrio (…)
dos fluidos magnéticos que envolvem todos os órgãos do corpo humano acarreta a
desordem nas funções desses órgãos e, daí, a caracterização do que chamamos
doença. Todas as vezes, portanto, que se rompe o equilíbrio, quer por excessiva
condensação ou concentração, quer por excessiva dispersão de fluidos, cumpre
restabelecê-lo e, daí, a cura”36.

Com esta colocação Michaelus desmistifica o fluído, mesmo o magnético. Sua
propriedade básica no fenômeno das curas é o do restabelecimento do equilíbrio
fluídico, através da mudança fluídica que está a gerar o fator doença.

1.6 – Os Fluidos no Magnetismo

Vamos, sucintamente, registrar as observações feitas por Michaelus, a partir
de diversos magnetizadores (Deleuze, Aubin Gauthier, Du Potet e Ed. Bertholet,
entre outros), e que importam ao magnetismo. Para não nos estendermos
demasiadamente, aditaremos alguns breves comentários, colocando-os entre
parênteses.

“1. – O fluido magnético, que se nos escapa continuamente, forma em torno do
nosso corpo uma atmosfera. Não sendo impulsionado pela nossa vontade, não age
sensivelmente sobre os indivíduos que nos cercam (…) (Observemos como a
vontade tem um valor preponderante nas chamadas fluidificações ou influências
fluídicas. Por outro lado, como toda regra tem exceção – diz a regra -, casos há
em que pela excessiva sensibilidade alguém pode sentir e registrar as emanações
fluídicas de uma outra pessoa, sem que seja necessariamente acionado o
dispositivo da vontade do emissor; são os sensitivos em ação.)

“2. – O fluido penetra todos os corpos animados e inanimados.

“3. – O fluido possui um odor, que varia segundo o estado de saúde física do
indivíduo, dos seus dotes morais e espirituais, e do seu grau de evolução e
pureza. (…) O odor e a coloração do fluido estão na razão direta do estado de
evolução da alma ou do Espírito (…) (Portanto, nada de se pensar que apenas as
condições físicas interessam à economia fluídica do indivíduo.)

“4. – O fluido é visto pelos sonâmbulos como um vapor luminoso, mais ou menos
brilhante (…) (Regra geral mas não única.)

“Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus
fluidos (…)

“5. – O fluido magnético não é o fluido elétrico (…)

“6. – O fluido se propaga a grandes distâncias, o que depende, entretanto, da
qualidade e da força do magnetizador, e igualmente da maior ou menor
sensibilidade magnética do paciente. (Por “força do magnetizador” entenda-se
“força fluídica” e não física.)

“7. – O fluido está também sujeito às leis de atração, repulsão e afinidade
(…) (Isto explica muitos problemas verificados nas aplicações de passes e nas
fluidoterapias em geral.)

“8. – Precisamente porque o fluido varia de indivíduo a indivíduo, é de
notar-se que certos magnetizadores têm mais facilidade em curar determinadas
moléstias do que outras. (…) Convém não esquecer que, além do fluido
propriamente humano, outros fluidos, dotados de diferentes propriedades, que
ainda não conhecemos, poderão intervir na ação magnética (…) (Parece que os
magnetizadores queriam falar na ação dos Espíritos. Constatamos que certos
médiuns não têm grande força ou impulsão magnética de per si, mas, passam
a produzir com fartura quando submetidos à assistência Espiritual evocada e
consentida, confirmando como a ação da parte dos Espíritos não só é de grande
proveito, mas, diríamos, indispensável.)

“9. – O estado atmosférico pode de certo modo aumentar ou diminuir a
intensidade do fluido e, portanto, a eficácia da magnetização (…) (Esta
observação não faz muito sentido por dois motivos: quando lidamos com fluidos
espirituais, estes não se comportam exatamente como os magnéticos, nem quando
aplicados em sua forma mista; por outro lado, magnetizadores contemporâneos
comprovaram que tais estados atmosféricos não influem no magnetismo animal, como
o evidencia a ação da fluidoterapia a distância.)

“10. – A quantidade de fluido não é igual em todos os seres orgânicos,
variando segundo as espécies, e não é constante, quer em cada indivíduo, quer
nos indivíduos de uma espécie (…)

“11. – São extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os
doentes, de acordo com as circunstâncias. Algumas vezes é lenta e reclama
tratamento prolongado; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. (…)
Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas
alteradas.

“12. – A ligação entre o fluido magnético e os corpos que o recebem é tão
íntima que nenhuma força física ou química pode destruí-lo. Os reativos químicos
e o fogo nenhum efeito têm sobre ele (…) (Mas o efeito da moralidade ou da
falta dela são incontestáveis.)

“Donde se conclui que há muito pouca analogia entre os fluidos imponderáveis
que os físicos conhecem e o fluido magnético.

“13. – Por último, não é demais repetir que o magnetismo ensaia os seus
primeiros passos e que muito pouco sabemos sobre o seu principal veículo do
fluido, e que só o estudo e a experimentação poderão um dia descortinar o vasto
e ilimitado caminho a percorrer”37. (Esta é a parte mais óbvia disso
tudo, mas, infelizmente, poucos têm dado a atenção que é devida a tão fascinante
estudo.)

Ao final, queremos ressalvar que nem tudo o que é bom e certo para o
Magnetismo, como Ciência, o é igualmente para os passes, como prática espírita,
pelo que vale termos em mente o cuidado para não tomarmos a especificidade
daquele pelo geral das Leis deste, ou a generalidade do Magnetismo pelas
particularidades do passe Espírita.

36. MICHAELUS. 1. “Magnetismo Espiritual”, cap. 10, p. 80.

37. MICHAELUS. IR “Magnetismo Espiritual”, cap. 6, pp. 46 a 50.

O Passe. Seu estudo, suas técnicas, sua prática. – FEB

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