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O gerenciamento do Centro Espírita

O gerenciamento do Centro Espírita

Além da presença constante dos Espíritos desencarnados inimigos do Evangelho,
um outro fator é causa de perturbação na vida administrativa das sociedades.

São as pessoas encarnadas. É comum encontrarmos casas que acabaram desfeitas,
por causa de elementos dotados de personalidade sistemática e causadores de
intrigas. Por isso, faz-se necessário criarmos normas para a admissão e
selecionarmos candidatos interessados em ingressar no grupo.

Se já houver pessoas problemáticas no centro, devemos solicitar que se
enquadrem no sistema da casa, ou que busquem um outro lugar para frequentarem.

A carência de colaboradores é um fator presente em toda a parte. Poucos se
dispõem a deixarem hábitos diários para se dedicarem ao serviço espírita. A
maioria gosta de servir quando tem tempo para tanto. Vem daí, o fato de se
aceitar o primeiro que aparece querendo trabalhar. Às vezes, admitimos uma
pessoa problemática, por falta de opções. O cuidado com o ingresso de novos
colaboradores no centro é fundamental. Nesta situação, é melhor estar só do que
mal acompanhado.

Observação: Pessoas não consideradas aptas ao quadro de serviços devem
ser orientadas a frequentar as reuniões públicas da sociedade. Com o tempo,
poderão adquirir as condições mínimas exigidas.

Falta de Caridade

Por causa da má interpretação do que seja a caridade, algumas pessoas
acreditam que não devemos impedir a entrada de elementos despreparados no centro
espírita, ou mesmo repreender aqueles que se transformarem em motivo de
desordem. Dizem que agir assim é faltar com a caridade. Ainda aqui, o problema
só toma vulto devido ao pouco conhecimento que se tem da Doutrina Espírita e dos
conselhos deixados pelo Codificador.

Os trechos que vamos comentar abaixo são citações de Allan Kardec.
Acreditamos que essas colocações poderão servir de elementos importantíssimos na
criação de um sistema administrativo e no gerenciamento do centro espírita.

Normas de Segurança

A boa administração do centro espírita deve observar algumas normas de
segurança para que o sociedade não corra risco de se desfazer. Vamos falar de
alguns itens e cada dirigente poderá desenvolver as medidas que acharem
necessárias ao grupo sob sua responsabilidade:

  1. As pessoas são cercadas por Espíritos
  2. Não assumir compromissos indissolúveis
  3. Características dos indivíduos-problemas
  4. O Espiritismo tem inimigos ocultos
  5. Afastar elementos provocadores
  6. O Centro Espírita e seus inimigos invisíveis

As pessoas são cercadas por Espíritos

“É necessário representar cada indivíduo como cercado por um certo número de
companheiros invisíveis que se identificam com o seu caráter, os seus gostos e
as suas tendências. Assim, toda pessoa que entre numa reunião leva consigo os
Espíritos que lhes são simpáticos. Segundo o seu número e a sua natureza, esses
companheiros podem exercer sobre uma reunião e sobre as comunicações uma
influência boa ou má.

Uma reunião perfeita seria aquela em que todos os membros, animados do mesmo
amor pelo bem, só levassem consigo Espíritos bons. Na falta da perfeição, a
melhor reunião será aquela em que o bem supere o mal. Tudo isso é muito lógico
para que seja necessário insistir” (O Livro dos Médiuns – item 330).

Esta instrução de Allan Kardec já nos dá razão suficiente para nos
preocuparmos com o ingresso de novatos na sociedade. Há que se levar em
consideração a influência espiritual que cada criatura carrega consigo. Uma
pessoa malfazeja vibra com entidades da mesma natureza e, se for indevidamente
colocada no quadro de serviço, poderá trazer a desarmonia para os outros. Seria
prudente acautelarmo-nos contra a tendência que temos, de querer receber todos
os que nos procuram como membros da casa. Em vez de colaboração, nós poderemos
estar dando ingresso à perturbação na casa espírita.

Não é tarefa simples identificarmos as criaturas maldosas. As más tendências
costumam alojar-se sob o manto da aparência. Convém que a casa espírita disponha
de mecanismos que permitam observar os candidatos a trabalhadores por um certo
tempo, antes de admiti-los. Um período de tratamento ou o próprio Curso Básico
servirão a este intento.

Não assumir compromissos indissolúveis

“…os próprios compromissos que ligam os membros de uma sociedade criam
obstáculos para isso (o afastamento de elementos perturbadores). Eis porque é
conveniente evitar as formas de compromissos indissolúveis: os homens de bem
sempre se ligam de maneira conveniente; os mal intencionados sempre o fazem de
maneira excessiva” (O Livro dos Médiuns – item 337).

O Codificador nos alerta contra uma prática muito comum nos centros
espíritas, que é a de se assumir compromissos indissolúveis com os que chegam.
Tudo acaba se passando como se eles fossem ficar definitivamente no centro. Se,
depois de algum tempo, descobrir-se que uma pessoa é um agente provocador, não
haverá como afastá-la sem causar profundo mal-estar.

É conveniente agirmos com prudência. Sempre que uma pessoa se mostrar
interessada em tornar-se membro da sociedade, que o compromisso assumido com ela
seja relativo. Será submetida a uma experiência de avaliação, por alguns meses.

Esclareça o candidato: “Se a experiência for positiva, vai fazer parte do
quadro de servidores. Caso contrário, será orientado a freqüentar a casa como
público, até que tenha condições para tentar novamente o ingresso como
trabalhador”.

Características dos indivíduos-problemas

“Além das pessoas notoriamente malévolas que se infiltram nas reuniões há as
que, por temperamento, levam perturbação onde comparecem.

Dessa maneira, nunca será demasiado o cuidado na admissão de novos elementos.
Os mais prejudiciais, nesse caso, não são os ignorantes da matéria, nem mesmo os
descrentes. A convicção só se adquire através da experiência, e há pessoas que
de boa fé querem se esclarecer. Aqueles contra os quais particularmente se devem
acautelar são as pessoas dotadas de idéias preconcebidas, os incrédulos
sistemáticos que duvidam de tudo, mesmo da evidência, os orgulhosos que
pretendem ter o privilégio da verdade e procuram impor sempre a sua opinião
olhando com desdém os que não pensam como eles. Não vos enganeis com o seu
pretenso desejo de esclarecimento”( O Livro dos Médiuns – item 338).

Neste item de “O Livro dos Médiuns”, observamos a seriedade dos conselhos do
mestre Allan Kardec, acerca da administração dos centros espíritas. Ele nos dá
as características básicas dos elementos capazes de trazerem perturbações às
sociedades. A princípio, fala das personalidades sistemáticas, dotadas de
temperamento forte, que levam a desarmonia onde comparecem. Depois, ensina que
as pessoas mais problemáticas nem sempre estão entre as ignorantes da matéria.
Na maioria das vezes, elas se encontram justamente entre os que já possuem
conhecimento da Doutrina. Trazem idéias preconcebidas a respeito das coisas e
não gostam de ser contrariadas. Há as que crê em que os Espíritos tudo devam
fazer para demonstrar-lhes a verdade. Por fim, chama-nos a atenção para os
orgulhosos, que estão sempre olhando os outros como se estivessem por cima. O
administrador do centro espírita, valendo-se do bom senso, deve limitar a
entrada de elementos com essas características no quadro de servidores. Ainda
que peque por excesso de cuidados, a sobrevivência da sociedade é mais
importante do que os interesses das pessoas.

O Espiritismo tem inimigos ocultos

“Os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem nas
sombras, os que o acariciam com uma das mãos e o apunhalam com a outra. Esses
seres malfazejos se infiltram por toda a parte onde possam fazer mal. Sabendo
que a união é uma força, tratam de destruí-la, semeando a discórdia. Quem poderá
então dizer que os que provoquem perturbação nas reuniões não sejam agentes
provocadores, interessados na desordem?

Seguramente não são verdadeiros nem bons espíritas, pois não podem fazer o
bem e sim muito mal.

Compreende-se que tenham muito mais facilidades de se infiltrar nas reuniões
numerosas do que nos pequenos grupos em que todos se conhecem. Graças a manobras
escusas, que passam despercebidas, semeiam a dúvida, a desconfiança e a
inimizade. Sob a aparência do interesse pela causa criticam tudo, formam
grupinhos que logo rompem a harmonia do conjunto. (…) Essa situação,
prejudicial a todas as sociedades, o é ainda mais às sociedades espíritas, pois
senão levar a uma ruptura provocará preocupações incompatíveis com o
recolhimento exigido pelos trabalhos” (O Livro dos Médiuns – item 336).

Essas palavras do Codificador se referem claramente à presença dos falsos
espíritas nas sociedades.

Quantas casas são prejudicadas pela formação de grupinhos que aparecem para
criticar o que se faz em termos de trabalho. Quantas pessoas, valendo-se da
passividade administrativa, semeiam a discórdia e a desconfiança, destruindo e
perturbando os grupos.

Todos estes males podem ser minimizados com a criação de um sistema
administrativo ativo e moderno. Basta que os administradores façam sua
advertência contra essas pessoas, de maneira conveniente e benévola,
abertamente, evitando subterfúgios, diria Kardec.

Afastar elementos provocadores – “Pode-se estabelecer que todo aquele
que numa reunião provoca desordem ou desunião, ostensivamente ou por meios
escusos, é um agente provocador ou pelo menos um mau espírita de que se deve
desembaraçar o quanto antes” (O Livro dos Médiuns – item 337).

Se afastar alguém do centro espírita for faltar com a caridade, Allan Kardec
estaria dando um conselho ruim aos seus seguidores. Nas palavras ditas acima,
vemos a maneira séria e objetiva como ele encarava a administração das
sociedades, sem pieguices. Ele não só aconselha que os responsáveis afastem da
casa os agentes perturbadores, como recomenda que o façam o mais rápido
possível.

O Centro Espírita e seus inimigos invisíveis – “As sociedades,
pequenas ou grandes e todas as reuniões, seja qual for a sua importância, têm
ainda de lutar contra outra dificuldade. Os fatores de perturbação não se
encontram somente entre os seus membros, mas também no mundo invisível. Assim
como há Espíritos protetores para as instituições, as cidades e os povos, os
Espíritos malfeitores também se ligam aos grupos e aos indivíduos. Ligam-se
primeiro aos mais fracos, aos mais acessíveis, procurando transformá-los em seus
instrumentos, e pouco a pouco vão envolvendo a todos, porque sua alegria maligna
é tanto maior quanto maior o número dos que tenham subjugado. Todas as vezes,
pois, que num grupo uma pessoa tenha caído na armadilha é necessário dizer que
se tem um inimigo no campo, um lobo no redil e que se deve ter cautela porque o
mais provável é que aumente as suas tentativas. Se não se desencorajar esse
elemento por uma resistência enérgica, a obsessão se torna um mal contagioso que
se manifestará entre os médiuns pela perturbação da mediunidade e entre os
demais pela hostilidade recíproca, a perversão do senso moral e a destruição da
harmonia. Como o mais poderoso antídoto desse veneno é a caridade, é ela que
eles procuram abafar. Não se deve, pois, esperar que o mal se torne incurável
para lhe aplicar o remédio. Nem mesmo se deve esperar os primeiros sintomas,
pois é sobretudo necessário preveni-lo. Para isso, há dois meios eficazes: a
prece feita de coração e o estudo atento dos menores sintomas que revelem a
presença de Espíritos mistificadores” (O Livro dos Médiuns, – item 340).

Para encerrarmos o trabalho, escolhemos este trecho das instruções dadas por
Kardec em “O Livro do Médiuns”, pois nos pareceu suficiente para deixar à mostra
as causas de tantas dificuldades vividas pelos centros espíritas neste final de
século.

Entre nós, o mal sempre foi subestimado. Por isso, encontrou campo aberto
para desenvolver-se.

Condenando a crítica, lançando anátema sobre qualquer tipo de repreensão, os
Espíritos inimigos do Evangelho criaram a passividade no movimento. Pior que
isso, deram-lhe a aparência do bem.

Nas palavras ditas pelo Codificador, vemos um alerta contra as trevas,
demonstrando que os Espíritos maus agridem os grupos espíritas, independente de
seus membros terem qualquer ligação com eles em outras encarnações. Mostra a
delicada artimanha do mal, explorando a personalidade dos mais fracos, criando
condições para atingir toda a sociedade. Esclarece que quando a obsessão cai
sobre uma sociedade, a atividade mediúnica fica perturbada e a vida moral dos
trabalhadores pode ser pervertida.

Atualmente, é significativo o número de grupos que estão em estado de
conflito, porque não criaram mecanismos protetores para suas atividades. O
mestre lionês desaconselha a paciência com o mal, dizendo que é preciso
extirpá-lo ao menor sinal. Fala, inclusive, que é necessário preveni-lo,
apontado dois medicamentos eficazes: a prece, feita de coração, e uma vigilância
capaz de apontar o menor sinal da presença dos Espíritos embusteiros.

O Grupo Espírita Bezerra de Menezes vem divulgando as primeiras idéias de um
programa de reformas para o centro espírita. A intenção de seus idealizadores é
a modernização do sistema administrativo das casas, tomando como base a
Codificação.

Todo processo de renovação é difícil de ser implementado. Isto acontece
porque o espírito de sistema vigente no movimento é extremamente conservador e
somos todos envolvidos por ele. Cremos, no entanto, que se os administradores
permitirem um arejamento de idéias, será possível melhorar vários setores do
trabalho espírita.

As propostas de melhorias não são novidades. Fundamentam-se exclusivamente na
teoria doutrinária recebida do Codificador. Não se pretende criar nada de novo,
porém, fazer cumprir certas normas que ficaram esquecidas pelos adeptos do
Espiritismo.

O Grupo Bezerra de Menezes desenvolveu alguns trabalhos no campo do
atendimento público e da assistência espiritual. Promoveu durante os Entrades,
estudos direcionados para a vida do centro espírita. Estes debates e trabalhos
estão disponíveis em filmes de vídeo. Se quiser conhecê-los, telefone para
(0172) 247081 que lhe serão dadas todas as informações.

Temos ainda, um Curso Básico para iniciantes. Este cursinho de oito aulas tem
sido muito bem recebido pelo público e se tornou a principal fonte de
colaboradores da sociedade.

Oferecemos também, uma revista sobre “Diagnóstico e Tratamento das
Perturbações Espirituais”. Ela é um resumo das atividades de atendimento e
desobsessão no Grupo. São idéias que gostaríamos que examinasse. Elas poderão
contribuir para melhorar alguns aspectos do gerenciamento de sua casa espírita.

 

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