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Infelicidade

Infelicidade

“Infelicidade é o desconhecimento da Justiça Divina, com permanência na
rebeldia”
– Joanna de Ângelis (1)

Tratando do mago problema da desdita, que aflige a tantas criaturas, mormente
num Planeta de Provas e Expiações como o nosso, François-Nicolas-Madeleine, o
Cardeal Morlot, assim escreveu, para nossas ilações, em uma de suas mais
expressivas páginas (2):

“(…) Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim!. Exclama
geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova,
melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do
Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a riqueza,
nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à
felicidade.

(…) Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja
conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la.
Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz
jamais foi encontrado.

O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que
não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de
satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e
decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que
são invejados pela multidão.

(…) Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada
para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos futuros e,
dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais melhoramentos advirão.
Esta a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos
revelaram
“.

Através da abençoada mediunidade de Divaldo Pereira Franco, Joanna de Ângelis
ensina-nos (1):

“Toda e qualquer aflição, é o processo de cobrança que chega ao tribunal
da consciência, impondo reparação”.

Embora sofrendo, “amputações emocionais”, nas injunções difíceis o
Espírito cresce, porque se libera dos problemas que amealhou e pediu para
solucioná-los, mediante as técnicas dolorosas da recuperação moral”.

Perguntado aos Espíritos Superiores por que na sociedade, as classes
sofredoras são as mais numerosas, Allan Kardec obteve deles a seguinte resposta
(3):

“Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade, oculta,
bastas vezes, pungentes aflições. Entretanto, para responder o teu pensamento,
direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra
lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do Bem e de Espíritos
bons, o homem deixará de ser infeliz ai, e ela será, então, o paraíso
terrestre”.

É ainda o Mestre Lionês que, com a sua lógica cerrada, contundente e
irrefutável, explica (4):

“Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um
estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades
físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada
houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o
Espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria, nem descobriria.
A dor é o aguilhão que o impede para a frente, na senda do progresso.

Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os
que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de
seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas
acarretam, das dissensões, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da
maior parte, afinal, das enfermidades…

Deus promulgou Leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em
si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A
consciência lhe traça a rota, a Lei Divina lhe está gravada no coração e, ao
demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de Seus messias e profetas
de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão
dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se
conformasse rigorosamente com as Leis Divinas, não há duvidar de que se pouparia
aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim não procede, é por
virtude de seu livre-arbítrio: sofre, então, as conseqüências do seu proceder.

Entretanto, Deus, todo bondade, pôs o medicamento ao lado do mal, isto é, faz
que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal
moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de Vida.
Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio,
sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando tomas melhor caminho, é por sua
vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o
constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o
constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência.

(…) Nunca te consideres infeliz.

(…) Na celeridade com que passam, na Vida, as manifestações orgânicas
libertar-te-ão, com rapidez, das dores e opressões, bendizendo as láureas que
lograste no testemunho das conjunturas difíceis”.

Atentemos, finalmente, para as oportunas ilações de Joanna de Ângelis (5),
com as quais a abençoada Mentora nos ensina a enfrentar nossas

Provas e expiações

Bendize as tuas provas e elege a ação do bem como a técnica de crescimento
para si mesmo.

Agradece as expiações, por mais ásperas se te apresentem, porquanto elas te
propiciam a conquista do equilíbrio perdido, auxiliando-te a recompor e a
reparar.

Seja qual for o capítulo das aflições em que estageies, reconforta-te com a
esperança, na certeza de que, suportando-as bem, amanhã elas te constituirão
títulos de luz encaminhados à contabilidade divina, que então te alforriará da
condição de precito e devedor, conduzindo-te à plenitude da paz, completamente
liberado”.

(1) – Joanna de Ângelis/Franco, D.P. in “Alerta” – Capítulo 32

(2) – Kardec, A. in “O Evangelho segundo o Espiritismo” – Capítulo V, item 20

(3) – Kardec, A. in “O Livro dos Espíritos”- Questão 931

(4) – Kardec, A. in “A Gênese) – Capítulo III, itens 5 a 7

(5) – Joanna de Ângelis/Franco, D.P. in “Alegria de Viver” – Capítulo 1

Toda e qualquer aflição, é o processo de cobrança que chega ao tribunal
da consciência, impondo reparação.

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1998)