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Jesus e o Espírito da Verdade

“O Espírito Santo é a falange dos Emissários da Previdência que superintende
os grandes movimentos da Humanidade na Terra e no Plano Espiritual.”(Francisco
Cândido Xavier, Valdo Vieira: O Espírito da Verdade; p/ vários Espíritos; FEB, 8
ª Ed..

Pg. 386, nº 37: “Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade,
Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de
lembrar o que ele dissera.(…) prevê não só que ficaria esquecido, como
também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de
Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias,
restabelecer todas a coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro
pensamento de seus ensinos.”

pg. 387, n º 38 e 39;

“…indício seguro de que o Enviado ainda não aparecera. Qual deverá ser esse
enviado? Dizendo: “Pedirei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador”, Jesus
claramente indica que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário
dissera: “Voltarei a completar o que vos tenho ensinado.” Não só tal não disse,
como acrescentou: Afim de que fique eternamente convosco e ele estará em vos.
Esta proposição não poderia referir-se a uma individualidade encarnada (…)
O Consolador
é pois segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma
doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o
Espírito de Verdade.”

As palavras, “Jesus claramente indica que esse Consolador não seria ele“,
são de Allan Kardec, são do codificador.

pg 387; n º 40: “O Espiritismo realiza, como ficou demonstrado(cap. I, n º
30), todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina
individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto
do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade.
Nada suprime do Evangelho: antes o completa e elucida
.”(grifo nosso)

Em Prolegômeros (L.E. pg 50): “Este livro é o repositório de seus ensinos(dos
Espíritos). Foi escrito por ordem e mediante o ditado dos Espíritos
superiores(…):mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se
confundirão num só sentimento o do amor, do bem(…)” “São João Evangelista,
Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade(o
grifo é nosso), Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, etc., etc.” Seria o mesmo
que dizer: “Sigam os princípios de Jesus! (assinado) Jesus.”

Das Obras Básicas participam, com comunicações, mais de cinqüenta Espíritos
com mais de cem mensagens. O Espírito de S. Luís colabora com dezesseis; o de
Espírito Santo Agostinho, com onze ; o Espírito Protetor com oito e assim por
diante; o Espírito de Verdade com oito mensagens, usando as denominações:
Espírito da Verdade, Espírito-Verdade ou na grande maioria das vezes, Espírito
de Verdade.

Sobre a mensagem publicada no L.M.: cap. XXXI, pg 450 (publicado em 1861),
diz Kardec (Nota):

“Esta comunicação (…) foi assinada com um nome que o respeito nos não
permite reproduzir, senão sob todas as reservas. (…) esse nome é o de
Jesus de Nazaré. (…) Como já dissemos, quanto mais elevados são os Espíritos
na hierarquia, com tanto mais desconfiança devem seus nomes serem
acolhidos nos ditados.(…)

Na comunicação acima apenas uma coisa reconhecemos: é a superioridade
incontestável da linguagem e das idéias, deixando que cada um julgue por si
mesmo
se aquele de quem ele traz o nome não a renegaria.”(os grifos são
nossos).

Vamos repetir as palavras de Kardec: “Na comunicação acima apenas uma
coisa reconhecemos: é a superioridade incontestável da linguagem e das idéias
.”

Em que pese a linguagem e as idéias, no E.S.E. ; cap. VI: pg 129 (publicada
em 1864 e revista, corrigida e modificada pelo autor em 1866), Kardec faz alguns
reparos e suprime os seguintes trechos;

“Venho, eu, vosso Salvador e vosso juiz: ”

“Crede nas vozes que vos respondem: são as próprias almas dos que evocais. Só
muito raramente me comunico. Meus amigos, os que hão assistido a minha vida e à
minha morte são os intérpretes divinos da vontade do meu Pai.”

“Em verdade vos digo: crede na diversidade, na multiplicidade dos
Espíritos que vos cercam.”

Modifica ainda, a assinatura da mensagem, com efeito retroativo: “O
Espírito da Verdade
, (Bordéus, 1861.)”

Apesar da incontestável beleza da mensagem, reconhecida por todos, a
supressão desses segmentos, retira algumas afirmações , entre as quais a de que,
Jesus nunca se disse nosso juiz, nem estabeleceu nenhuma justiça crística,
reconhecendo uma única justiça divina. Caso Kardec estivesse convencido, o que
duvido, que a mensagem era mesmo de Jesus, que autoridade teria para suprimir
trechos e mudar ou esconder sua autoria?

Além disso, continuando a análise da mensagem, a conclamação: “Espíritas!
amai-vos, eis o primeiro ensino; instrui-vos, eis o segundo”, demonstraria a
natureza doméstica da mensagem, dirigida a um grupo de espíritas reunidos, ou em
caso contrário conceder-nos-ia um privilégio, que nenhum Espírito de
conscientização universal o faria, pois direcionaria a Terceira Revelação só
para os espíritas. Porque, “(…) toda doutrina que tiver por efeito estabelecer
uma linha de separação entre os filhos de Deus, não pode deixar de ser falsa e
perniciosa.”(L.E. parte 2 ª: cap. X; pg 287, perg.842). Além do mais não faria o
menor sentido, seria totalmente incoerente, a mesma representatividade, ora se
assinar como Jesus e outras vezes como Espírito de Verdade, isto é, ser
incógnito e declarado ao mesmo tempo.

Talvez tenha havido a interferência de algum problema mediúnico, ao fim da
comunicação, como aconteceu nas duas mensagens ditas de Jesus e publicadas no L.
M. (cap. XXXI: pg 474). Mais ainda, comparando em seqüência a mensagem
supracitada com a do L.M. (cap. XXXI; pg 456: n º XV), por exemplo, fica difícil
acreditar que se trate do mesmo Espírito.

Nas Pegadas do Mestre(Vinícius; 7 ª Ed.: FEB 1989, pág. 130-134 ) Vinícius
esclarece; “Tal é a imagem do coração humano antes e depois de ser visitado pelo
Espírito Santo, ou Consolador prometido por Jesus Cristo.(…) Espírito Santo,
Consolador, Paracleto, Espírito da Verdade que significam tais denominações?
Representam uma só entidade? Ou tantas entidades quantas enunciam?

No meio dessa aparente confusão há sabedoria. Se Jesus se reportasse a uma
determinada individualidade (…) referir-se-ia a essa entidade sob uma única
designação. Como porém o Mestre aludia a plêiade dos “Espíritos do Senhor que
são as virtudes do Céu”, usou de várias expressões dando assim a entender
tratar-se de uma coletividade e não de uma individualidade. Jesus empregou
quatro designações no singular, ao invés duma só no plural, para nos ensinar
também que entre os Espíritos do Senhor reina perfeita comunhão de sentimentos e
de idéias, de modo que o conjunto deles forma uma unidade.”

Assim o Espírito Santo, embora figurando uma coletividade, bem pode se
afirmar tratar-se de uma entidade individual, tal a identidade entre as
grandezas espirituais que os Espíritos apresentam.

Em “Preces Espíritas” (“O Clarim”; abril-95), Cairbar Schutel assim se
expressa: “(…) influi para que os mensageiros de Deus e com especialidade a
plêiade de Espíritos que constituem o Espírito de Verdade, o Espírito
Consolador
(grifos nossos ), oriente-nos no Caminho do Bem (…)”

Completa ainda Herculano Pires: “O que o Espiritismo busca é a verdade
cristã, cumprindo na Terra a promessa de Jesus, que através de Kardec, e seu
guia Espiritual, o Espírito superior que deu a Kardec, quando este perguntou
quem era, esta resposta simples: “Para você eu sou A Verdade.”(Herculano Pires;
O Centro Espírita.). Distingue ele, pois, Jesus, Kardec e o seu Espírito
protetor, o Espírito de Verdade.

Diz ainda Kardec (Obras Póstumas; pág. 276 ) “A proteção desse Espírito cuja
elevação bem longe estava então de avaliar, nunca me faltou.” E ainda à pág. 275
Kardec pergunta: “Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?”

R.- Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti,
quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito.” (o último grifo é
nosso)

Nota-se aí a nítida intenção de Kardec e do Espírito superior em não revelar
a identidade do Espírito.

Ora se Jesus, Kardec e seu protetor, o Espírito de Verdade, não tiveram este
propósito, quem poderá fazê-lo?

Enfim, dar identidade aos Espíritos, querendo suplantar-lhes o desejo de
permanecer incógnitos é mergulhar num processo de adivinhação, quase
sempre fadado ao erro, desrespeitando-os. O mais valioso da Terceira Revelação
não foi colocar em evidência o revelador, mas a REVELAÇÃO, que é de origem
divina.; o importante não foi revelar o Espírito, mas a VERDADE, e o Espírito da
Verdade está presente em toda a obra da Codificação.

Publicado na Revista Internacional de Espiritismo, jan./2000.

(Publicado no Boletim GEAE Número 414 de 3 de abril de 2001)

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