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Aos Jovens Espíritas

Aos Jovens Espíritas

Um amigo declarou-nos, recentemente, que pela primeira vez na história da
Humanidade os jovens dedicados às lides religiosas e espirituais têm ensejo de
projetar os próprios talentos filosóficos, graças à instituição das chamadas
“Juventudes Espíritas”. Não fora isso e se perderiam preciosos cabedais trazidos
pela juventude ao reencarnar, porque esses jovens espíritas não seriam jamais
conhecidos, nem aproveitados os seus valores pessoais a benefício da Doutrina
Espírita e da coletividade humana. E que, por isso, era pela amplitude da
instituição, que de verá crescer sempre mais.

Também aplaudimos a instituição disciplinada das Juventudes e Mocidades
Espíritas, pois sinceramente entendemos que ela é um bem e muito auxiliará os
moços a se firmarem para os gloriosos destinos espirituais, que muitos
certamente alcançarão em breve etapa. Todavia é bom raciocinar que essa
instituição existiu desde os primeiros dias do Cristianismo e do Espiritismo,
senão com a feição hoje apreciada em nossa Doutrina, pelo menos muito
significativamente estabelecida pela própria legislação celeste.

Partindo do Cristianismo, observaremos que o seu fundador, Jesus de Nazaré,
ao ser crucificado, era um jovem que contaria trinta e três anos de idade,
talvez menos, segundo os funda­mentos históricos de ilustres investigadores e
historiadores. Igualmente jovem seria João Batista, o seu grande precursor, cuja
idade orçaria pela do Mestre. Dos doze apóstolos por ele, o Mestre, escolhidos,
apenas dois teriam sido de idade madura, segundo os mesmos historiadores e as
afirmativas das obras mediúnicas: — Si­mão, o zelote, e Tiago, filho de Alfeu,
porque o próprio Simão Barjonas (Pedro) seria homem de apenas quarenta anos de
idade por ocasião da morte do Mestre, segundo os mesmos historiadores e a
observação em torno dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos. Os demais, Judas
Iscariotes inclusive, seriam personalidades de vinte e tantos e trinta e poucos
anos de idade, enquanto João Evangelista contaria vinte anos, por ocasião do
Calvário, um adolescente, por­tanto, que se iniciou no apostolado com menos de
vinte.

João Marcos, por sua vez, outro evangelista, era um rapazote ao tempo de
Jesus, adolescente quando se iniciou nos serviços do Cristo com seu amigo e
instrutor Simão Pedro. Estevão, a mais doce e comovente figura daqueles dias
difíceis, o primeiro mártir do Cristianismo, depois do próprio Jesus, era pouco
mais que adolescente ao ser lapidado. Jovem também era o grande Paulo de Tarso,
ao se dedicar à causa de Jesus para todo o sempre: — “… e as testemunhas (da
morte de Estevão), tomando-lhe as vestes, as puseram aos pés de um mancebo
chamado Saulo”, esclarecem os versículos 55 a 58 de Atos dos Apóstolos. Muito
moço ainda, senão propriamente jovem, seria o evangelista Lucas, a julgar pela
intensidade de suas lides.

O Cristianismo primitivo, nos dias de trabalho, de testemunhos, de difusão e
de martírio está repleto de referências a pessoas jovens convertidas ao
apostolado cristão, jovens que não fraquejaram na fé pelo seu ideal nem mesmo à
frente das feras, nos Circos de Roma. As obras mediúnicas que se reportam a
esses tempos são incansáveis nas referências a jovens cristãos possuídos do
ideal sublime da renovação pelo Amor, cujo desempenho heróico é oferecido à
Humanidade hodierna como padrão de honradez, fidelidade e nobreza moral.

Igualmente jovens foram, ao se projetarem no mundo como exemplos de virtudes
inesquecíveis, Francisco de Assis, chamado “O Cristo da Idade Média”, o qual
contava vinte anos de idade quando vozes espirituais o advertiram, lembrando-lhe
os compromissos firmados com o Senhor, ao reencarnar; e Antônio de Pádua, aquele
angelical “Fernando de Bulhões”, que aos dezesseis anos deixou os braços
maternos para se iniciar na Ciência Celeste e se tornar o poderoso médium de
transporte em corpo astral, o paladino da oratória religiosa numa época de
cavalaria e guerras, e cuja ternura pelas crianças ainda hoje inspira corações
delicados ao mesmo afã, sete séculos depois da sua passagem pelo mundo. Jovem de
dezoito primaveras foi Joana d’Arc, figura inconfundível do início da
Renascença, médium passivo por excelência, cuja vida singular atrai nossa
atenção como a luz de uma es­trela que não se apagou ainda… E também Vicente
de Paulo, iniciando seu inesquecível apostolado aos vinte e quatro anos de
idade, e, se rebuscássemos as páginas da História, com vagar, outros
encontraríamos para reforçar a nossa exposição.

A história do Espiritismo não é menos significativa, com a impressionante
falange de juventude e mocidade convocada para os misteres da Revelação Celeste,
que caminha sempre:

— Jovens de catorze e quinze anos de idade foram as irmãs Fox, as célebres
médiuns de Hydesville, ao iniciarem compromissos mediúnicos com o Alto,
compromissos que abalaram os alicerces de uma civilização e marcaram a aurora de
etapa nova para a Humanidade. Jovens também, alguns dos principais instrumentos
mediúnicos de Allan Kardec, e cuja missão singular muitos espíritas esqueceram:
— Mlle. Japhet, Mlle. Aline, Mlle. Boudin… Jovem de vinte e poucos anos era o
médium norte-americano James, citado por Aksakof, o qual prosseguiu o romance “O
Mistério de Edwin Drood”, de Char­les Dickens, deixado inacabado pelo autor, que
falecera, fato único na história da mediunidade, até hoje. Jovem, a célebre
médium de Alexandre Aksakof, Elizabeth d’Esperance, que desde me­nina falava com
os desencarnados e que se tornou, posteriormente, ainda na juventude, um dos
maiores médiuns de efeitos físicos e materializações de Espíritos, de todos os
tempos. Jovem também e não menos célebre médium de William Crookes, que
materializava o Espírito de Katie King, Florence Cook, que, com a sua
extraordinária faculdade, ofertou ao Espiritismo e ao mundo páginas fulgurantes
e inesquecíveis com aquelas materializações, tão jovem que só mais tarde
contraiu matrimônio. Também desfrutando plena mocidade foi que a lúcida
intérprete do Espírito do Conde Rochester, Condessa W. Krijanovsky, obteve os
romances brilhantes, que arrebanharam para o Espiritismo tantos adeptos. Jovem
de vinte e uma primaveras era Léon Denis, o grande pensador espírita, que tanto
enalteceu a causa, ao iniciar seu labor no seio da Doutrina dos Espíritos, e
também Ca­milo Flammarion, o astrônomo poeta, outro médium de Allan Kardec.

No Brasil, não menos jovem, de vinte e uma primaveras, ao se iniciar no
intercâmbio com o Invisível, foi o médium Frederico Júnior, cujo apostolado
quase sublime é desconhecido da ge­ração espírita da atualidade. Muito moços
ainda, se não propriamente jovens, eram Fernando de Lacerda, o psicógrafo
mecânico, que escrevia com as duas mãos páginas de clássicos portugueses,
enquanto conversava com amigos ou despachava papéis na repartição em que
trabalhava, e Carlos Mirabelli, produtor dos mais significativos casos de
materialização de Espíritos em nossa pátria, pois que ambos nem mesmo esperaram
a velhice para desencarnar. E jovem também era Zilda Gama, ao se projetar, em
1920, com o seu primeiro livro mediúnico, “Na Sombra e na Luz”.

Jovem de vinte e um anos de idade era Francisco Cândido Xavier ao se revelar
ao mundo com o livro “Parnaso de Além-Túmulo”, para prosseguir numa ascensão
mediúnica apostolar, que não findou ainda. E, finalmente, jovem também era
Yvonne A. Pereira, que aos doze anos de idade escrevia mediunizada sem o saber,
que aos quinze recebia páginas de literatura profana sob o controle mediúnico da
entidade espiritual “Roberto de Canalejas”, que a acompanhava desde a infância,
e que antes dos vinte tinha a seu cargo a tremenda responsabilidade de um “Posto
Mediúnico” para receituário e curas de obsessão, e já esboçados três dos livros
que posteriormente publicaria. Ambos, Francisco Cândido Xavier e Yvonne A.
Pereira, já aos cinco anos de idade viam os Espíritos desencarnados e com eles
falavam, supondo-os seres humanos, tal como Elizabeth d’Esperance. Daí para cá,
então, os jovens espíritas começaram a ser preparados através das “Juventudes” e
“Mocidades” espíritas constituídas dentro dos Centros como seus departamentos
infanto-juvenis, orientados e assistidos por confrades esclarecidos, experientes
e idôneos, exercendo as funções de mentores.

Entre inúmeros jovens outros que poderíamos ainda citar, temos Leopoldo Cirne
que, aos 21 anos de idade, foi eleito vice-presidente e aos 31 presidente da
maior organização espiritista do mundo — a Federação Espírita Brasileira.

Como vemos, pois, Cristianismo e Espiritismo são doutrinas também facultadas
a jovens.., e, mercê de Deus, parece que todos eles, pelo menos os acima
citados, não negligenciaram na multiplicação dos talentos pelo Senhor confiados
aos seus cuidados. Acreditamos que as instituições denominadas “Juventudes e
Mo­cidades Espíritas” facilitarão, sim, muitíssimo, as tarefas dos jovens da
atualidade e do futuro, tarefas, que, para os do passado, foram cercadas de
espinhos e sacrifícios, de dramas e até de tragédias.

Que Deus vos abençoe, pois, jovens espíritas! Tende a mão no arado para
lavrar os múltiplos campos da Seara Espírita. Elevai bem alto esse farol
imortal, que recebestes imaculado das mãos dos vossos predecessores! Sede fiéis
guardiães dessa Doutrina que tudo possui para tornar sábia e feliz a Humanidade!
O futuro vos espera, fremente de esperanças! E o passado vos contempla, animado
pela confiança!

Reformador – maio de 1964

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