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Materializações

Materializações

Os desconhecedores dos fenômenos se limitam a negar esses fatos, mas, apesar
de todas as negações, eles são verdadeiros.

Noutra sessão e com outro médium, o controle era mais severo. A poltrona do
médium estava aparafusada ao soalho e ele algemado e fortemente ligado a ela.

Materializou-se um índio gigantesco, com uma força hercúlea. Com sua mão
enorme pegou-me na cabeça e a torceu, quase a deslocando do pescoço. Tomou de
cima da mesa uma estatueta de gesso duríssimo, recoberta de uma substância
fosforescente, para ser vista no escuro, e quebrou-a toda entre os dedos, como
se fosse casca de pão.

Depois de outras demonstrações de força, arrancou do soalho a poltrona com o
médium e colocou-a brutalmente em cima da mesa, fora da cabina. Nem dois ou três
homens fortes poderiam realizar essa proeza, tão idiota e sem gosto.

Os pesquisadores de fraudes podem negar à vontade, porque o fato é verdadeiro
e de certa forma inexplicável.

Ao lado desses fatos grosseiros, assistimos a outros de grande beleza.

Cecília era um Espírito de belíssima jovem que aparecia ricamente iluminada,
vestida de noiva, com um belo ramalhete de flores no braço esquerdo.

A uma sessão compareceu um assistente cego, guiado pela esposa. Quando
Cecília se aproximou do casal, a Senhora exclamou

“Que pena você não poder vê-Ia! Não é uma noiva, é um anjo descido do céu!”

Nesse momento – coisa incrível! – o ramalhete de flores desapareceu, e
Cecília, com as duas mãos livres, tomou as mãos do cego e levou-as ao seu
próprio rosto, depois à cabeleira, fazendo que ele pelo tato lhe percebesse as
formas.

O cego exclamou, comovido

“Obrigado, Cecília! O cego vê pelo tato: tua bondade me permite ver-te! Deus
te pague!”

Depois, ela lhe aplicou passes magnéticos sobre os olhos e nós víamos
partirem de suas mãos centelhas de luz azul.

Nosso grupo de estudiosos não procurava fraudes, só procurava fatos positivos
para estudar e aprender, e obtivemos os mais variegados fenômenos. Mas houve
igualmente sessões negativas, sem nenhum fenômeno e sem explicação alguma do
insucesso.

Há também quem não procura fenômenos, só procura fraudes, e estes igualmente
recebem o que procuram: fraudes por toda à parte, reais ou imaginárias!

Sua má fé os sintoniza com Espíritos que sentem prazer em decepcioná-los e em
fazê-los ver mistificações e fraudes em todas as sessões.

Os semelhantes se atraem mutuamente: quem busca a verdade, com humildade e
paciência, termina por encontrá-la; mas quem só imagina mistificação e fraude,
em seus irmãos, encontra o que procura: sofre mistificações e fraudes.

Os fenômenos inteligentes são mais convincentes do que os físicos.

Um livro cheio de sabedoria, escrito harmoniosamente por um só Espírito e
pelas mãos de dois médiuns, como “Sexo e Destino”, ou um livro de belos versos,
escritos por cento e dez poetas espirituais, em seus estilos próprios, e pelas
mãos de dois médiuns de graus de cultura muito diferentes, como “Antologia dos
Imortais”, tem muito mais força de convencer do que uma longa série de sessões
de efeitos físicos.

No Brasil já temos uma rica literatura mediúnica à disposição dos estudiosos.
Quem realmente deseje aprender, deve estudar nossa literatura, começando de
Allan Kardec até chegar aos nossos dias.

Essa multidão de espíritas que existe hoje no Brasil e que vão realizando uma
obra social digna de todos os louvores, foi, toda ela, convencida pelos
fenômenos inteligentes, não por efeitos físicos.

Esperemos que esta ampla discussão das materializações desperte maior atenção
para nossa literatura, para algumas centenas de bons livros que existem em nossa
língua e que o Espiritismo faça novas conquistas.

A discussão será benéfica para muitos.

(Reformador de Março de 1964)