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Quem não tem medo de nada levante a mão parte 4

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Enéas Canhadas

Falando em medo, o que são as fobias? Podemos dizer que as fobias, no estudo dos medos, constituem um caso especial, porque aos olhos de quem não sofre de tais medos, os comportamentos fóbicos são vistos como absurdos e incompreensíveis.

O objeto da fobia pode ser absurdamente banal como um gato, um tipo especial de livro ou de cor, ou ainda um cheiro qualquer. Medos inexplicáveis de pássaros, de insetos e outros, que levam a pessoa a perder por completo o controle da situação. É claro que essas pessoas passam boa parte de suas vidas buscando superar os medos, o que nem sempre conseguem. Certa pessoa que tem medo de pisar em ralos de banheiros, precisa tomar banho de chinelos. É um exemplo. Existem ainda, pessoas que sentem medo de adormecer, de ser anestesiados, de ter febre, de ruídos monótonos como o tique taque do relógio e outros, desde os aparentemente mais comuns até os mais bizarros.

A fobia específica, é também conhecida como fobia simples ou histeria de angústia, e evidencia-se por medos excessivos, persistentes ou irracionais. Podem se manifestar na presença ou pela ideia de antecipação de um objeto ou situação temível. A antecipação ocorre quando o sujeito teme situações que “poderiam” lhe causar transtornos ou um estado desagradável.

A exposição ao estímulo fóbico, que podem estar baseados em significados simbólicos, leva o sujeito a experimentar desmaios, fadiga, palpitações, sudorese, náuseas, tremores. O ego fica perturbado pelo mundo externo, que constitui uma projeção do interno. A fobia detona um medo incontrolável, diferente do medo comum que, apesar de ser forte, pode ser controlado polidamente. Quando a exposição é intensa, ele pode chegar facilmente ao estado de pânico, o que pode interferir seriamente na rotina diária ou na vida social. A regressão a um estado infantil é comum na fobia, onde o indivíduo pode tentar recuperar alguma proteção ou situação favorável de que dispunha. A pessoa fóbica permite modificações em si mesmo, ao invés de modificar o mundo externo através de enfrentamento ou compreensão do mundo onde existem objetos geradores desses sentimentos fóbicos.

Quem sofre de fobia passa mal até que o objeto fóbico seja retirado da cena e do alcance dos seus olhos. Esta é, portanto, uma doença de cunho psicológico que pode ser tratada, e que tem suas raízes na vida inconsciente. Os tipos de fobias são muitas. Numa relação bastante completa podemos ter perto de trinta tipos diferentes.Para que servem os medos? Será útil ter medo de algo?

Os medos têm funções importantes nas nossas vidas. Constituem fatores necessários ao nosso desenvolvimento emocional e nos colocam frente a situações que devemos enfrentar de qualquer jeito. Isso contribui para uma consciência mais aguçada de quem somos e como somos. Do que somos capazes e dos nossos limites. De quanto ainda nos falta em conhecimento, amadurecimento e competência perante situações ameaçadoras.

O medo é o sentimento que prepara o ser humano para reagir. Nas palavras de Paulo Gaudêncio, “o corpo sofre uma verdadeira revolução metabólica que visa prepará-lo para a luta ou para a fuga.(…) São estimulantes, é o sal da vida.” É a ideia de um certo tempero para a nossa consciência. Os medos são pedagógicos, podem nos ensinar. É precioso encarar os medos como uma coisa até benéfica na nossa vida. Pelo menos, útil. O medo nos faz ver que ainda não somos seres iluminados. Você não acha que seria muito estranho um espírito iluminado com medos a serem superados? O medo pode ser comparado ao nosso lado sombrio e como espíritos em busca da iluminação, precisamos iluminar as nossas sombras interiores. O medo é a escuridão. Somos espíritos que aos poucos vamos nos iluminando através da evolução. Assim construiremos um halo de claridade para invadir as sombras do desconhecido, portanto, dos medos.

Superar os medos significa aprendizagem. Os atos inconseqüentes e a falta de objetivos poderão nos assaltar facilmente se não houver o medo como algo a ser compreendido e superado. Os medos podem ser experiências ruins quando usados como instrumento de coerção, controle e exercício do poder e da autoridade sobre os outros. É quando professores e pais usam os medos e ameaças para limitarem seus alunos e filhos. Contos e histórias infantis que podem ser usados como armas para amedrontar e controlar as crianças, estão ajudando a realizar a tarefa da antipedagogia. É o antiensino. É a deseducação.

 

 

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