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Mesas Girantes

Caros amigos,

Após assistir o filme sobre Allan Kardec, julguei que seria oportuno divulgar um artigo que submeti ao Reformador sobre a descrição de uma sessão espírita nos tempos de Kardec. Há uma cena no filme em que Kardec está participando de uma sessão e a tomada da câmera do alto focaliza os participantes com as mãos espalmadas sobre uma mesa tocando os dedos mínimos, exatamente como é descrito no artigo. Sds.

 

O papel das mesas girantes

Em 14 de junho de 1853, conforme efeméride publicada pela FEB para o mês de junho1, o Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, publicou matéria sobre as mesas girantes. Estavam estas literalmente, fazendo “girar as cabeças” dos desconcertados europeus e norte-americanos, desde as mais humildes até as mais coroadas da secular nobreza europeia.

Sabe-se ter sido uma verdadeira febre, reunir-se em torno das mesas e aguardar que elas se “pronunciassem”, despertando, deste inusitado fato, a acurada percepção do jornal carioca em divulgar, aqui em terras brasileiras, o fenômeno surgido no hemisfério norte.

O interesse na realização do fenômeno se intensificou a tal ponto que obras foram escritas, abordando a prática, inclusive manuais com métodos descrevendo como se obter sucesso na tentativa de fazê-las girar.

Um destes livros detalha por vários passos uma sugestão de como proceder. Segue o resumo: 2

 

  • O número de pessoas para produzir o movimento deve ser ímpar, de preferência, e não deve ficar abaixo de cinco. Este número pode ser aumentado de acordo com o tamanho da mesa;
  • Pessoas dos dois sexos são escolhidas, tomando-se homens de 18 a 20 anos, e senhoras de 16 a 40. As crianças parecem não ter ajudado efetivamente a experiência senão em casos excepcionais;
  • É bom colocar os experimentadores de tal maneira que pessoas ligadas por sangue ou amizade estejam próximas umas das outras. Assim, colocar casais, amigos de ambos os sexos, lado a lado;
  • A mesa deve ser de madeira, sem distinção da madeira ou forma. Experimentos feitos com mesas de mogno, pinheiro ou carvalho, redondas ou ovais, tiveram muito sucesso. Não é necessário que a mesa seja dobrável ou fixa. O peso é indiferente, no entanto, uma mesa muito pesada exigirá um número maior de pessoas e, consequentemente, maior necessidade de fluidos, bem como um tempo maior;
  • As mesas que até agora produziram o melhor efeito são as chamadas mesas de sala de estar, de tamanho médio e de forma oval, cujo tampo repousa sobre um eixo, terminando em si mesmo por três ou quatro ramos (pés) com rodas. As rodas ajudam a acelerar o resultado; as mesas com apenas um pé no meio são as melhores, é mais fácil evitar tocá-lo;
  • Não é necessário que a mesa esteja sobre um tapete. No entanto, a experiência mostrou que é melhor em um tapete;
  • A temperatura da sala deve ser média e seca.3 Correntes de ar repentinas suspendem a ação de fluidos;
  • Os experimentadores sentam-se ou ficam em pé ao redor da mesa, na ordem indicada em três, cuidando para que as cadeiras estejam longe o suficiente da mesa para que cada pessoa esteja isolada e não possa tocar seu vizinho ou a mesa com pés, braços ou roupas. A cadeia magnética é então formada da seguinte maneira: as mãos repousam sobre a mesa; os dedos estão espalhados de modo que o dedo mínimo da mão direita repouse sobre o dedo mínimo da mão esquerda do vizinho. As próprias mãos não devem se tocar;
  • A partir desta hora esperar. É bom que os assistentes não cheguem muito perto dos experimentadores, porque qualquer contato interromperia a transmissão do fluido. Uma mão estranha que se interponha entre a corrente e mesmo sem tocá-la, basta para interrompê-la. Quanto mais os operadores fixarem e concentrarem a sua vontade e a sua ideia na experiência, mais ela será favorável e rápida;
  • Os primeiros fenômenos que ocorrem são uma sensação de calor, como uma corrente através das mãos, braços e peito. Este sintoma é seguido por um formigamento nos braços e dedos. Agora a mão sobre a mesa sente uma sensação peculiar, como se o tampo da mesa se levantasse formando ondas, e logo depois o tampo começa fracamente primeiro, então cada vez mais visivelmente a oscilar e virar da esquerda para a direita. Sente-se perfeitamente o fluido saindo dos dedos e entrando na mesa. Se a cadeia continuar bem fechada, aumenta gradativamente a rotação da mesa;
  • Quando a mesa começa a se mover, as cadeiras são removidas pelos assistentes nas quais os experimentadores estavam sentados. Então, em pé, segue-se a mesa, tomando cuidado para manter a corrente de mãos. Se a corrente for interrompida, seja pelo deslizamento dos dedos, seja pelo contato das roupas entre eles ou contra a mesa, o movimento mágico cessa imediatamente. Para restaurá-la, basta refazer a cadeia;
  • O tempo necessário para o desenvolvimento do fluido quiro-elétrico varia de acordo com a maior ou menor suscetibilidade e atividade nervosa dos experimentadores. Em geral, são necessários quase 20, raramente mais de 60 minutos, e certamente não é demais sacrificar uma experiência tão surpreendente quanto empregar tão pouco tempo para produzi-la. Os efeitos produzidos nos próprios experimentadores também são muito variáveis. Alguns experimentam grande esgotamento e sonolência. Assim, vimos uma dama adormecer durante o experimento. Outros sentem um mal-estar geral e uma excitação nervosa tais, sendo obrigados a interromper a cadeia. Outros não experimentam absolutamente nada. Além disso, todos esses efeitos geralmente cessam assim que o experimento termina. No entanto, devemos dizer aqui que algumas pessoas nervosas preservaram, mesmo após o experimento, por um curto período de tempo, uma pequena sensibilidade.

 

Simultaneamente a ocorrência daqueles fenômenos, vivia na Europa um pedagogo francês, que, diante de acontecimentos tão insólitos, se propôs a estudá-los em profundidade, ainda mais ao ser informado estarem as mesas não apenas girando, mas, surpreendentemente, se tornando “mesas falantes!”.

E quanto tinham a dizer! Eram os rudimentares porta-vozes dos Espíritos habitantes do mundo imaterial, ao qual nós outros também um dia voltaremos, a promoverem, através das mesas, ruídos variados, escrevendo frases inteiras letra a letra, respondendo mil perguntas, para um público perplexo diante de evento tão incomum.

Como o Criador, por intermédio de Jesus, o nosso Governador planetário, transformou temporariamente uma peça de mobília tão básica em um instrumento para se conversar com os chamados mortos? Como uma simples mesa serviu de instrumento para fazer chegar aos homens uma multidão de ideias que iriam marcar indelevelmente a História desta Humanidade?

As mesas girantes foram os elementos catalizadores do surgimento de uma revolução de conceitos, provocando o despertar do amanhecer de uma Nova Era para o nosso pequenino planeta Terra.

Foram os instrumentos de que inicialmente se serviram os Espíritos para descortinarem leis e princípios divinos, desconhecidos ou mesmo esquecidos pela grande maioria como atesta a História, e, depois de revelados, foram materializados em escritos, que a genialidade de Allan Kardec soube muito bem consolidar por meio da observação, registro, comparação e análise, elaborando após estas etapas conclusões pertinentes, culminado com a publicação em livros, abordando detalhadamente questões variadas sobre o mundo imaterial e seus habitantes.

Mais do que explicar como e onde estavam estas entidades desencarnadas, os Espíritos, as obras espíritas reviveram a moral do Cristo, que havia sido esquecida e deturpada. Conseguimos a partir de então, recuperar em essência o entendimento dos preceitos e ensinos deixados por Jesus, possibilitando reviver aqueles gloriosos tempos, quando o Mestre de Nazaré por aqui esteve encarnado.

Os próprios Espíritos nos orientaram e explicaram como entrar seguramente em contato com eles. Consolidando estas orientações, Allan Kardec publicou o inigualável tratado sobre mediunidade: O livro dos médiuns. Nesta obra, o Mestre de Lyon, catalogou inúmeros depoimentos e elucidações das chamadas almas, nos deixando um legado incomparável sobre como deve se dar a interação entre os dois mundos. A excepcionalidade do artifício empregado na época, com as mesas girantes e falantes, é um procedimento totalmente superado e não mais recomendado na atualidade.

Quanto devemos a estas singelas peças do mobiliário de qualquer moradia, presentes desde a mais rudimentar choupana, ao mais reluzente salão dos resplandecentes castelos europeus!

Agradeçamos a Deus, a Jesus, e a Allan Kardec, esta dádiva oferecida, construída cuidadosamente, em seu início, por meio de grosseiros ruídos, toscas pancadas, primitivas batidas, que se transformaram no mais reluzente compêndio de livros constituindo a inigualável Doutrina dos Espíritos.

Honremos o esforço do Codificador, bem como de incontáveis e valorosos médiuns espalhados pelo mundo de então, todo o aparato construído para oferecer à Humanidade obras de incomparável valor, nos ensinando como funciona a vida, de onde viemos, por qual razão aqui ainda nos encontramos, para onde vamos, por qual razão e como nos salvaremos e, finalmente, o que Deus espera de cada um de nós.

Assim sendo, mais do que simplesmente ler, estudemos as obras espíritas, incansavelmente, ininterruptamente, até o final de nossos dias desta nossa atual e nova existência. É o mínimo que podemos fazer em agradecimento. Entretanto, mais do que apenas conhecer o Espiritismo, folheando os compêndios doutrinários, se pudermos começar a vivê-lo, mesmo timidamente, em toda sua grandiosidade, em todo o seu esplendor, esta será, não há dúvida, a melhor forma de dizer: Obrigado por tudo Allan Kardec!

REFERÊNCIAS:

1 Disponível em: http://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/efemerides-de-junho/ Acesso em: 26/04/2018.

2 Disponível em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5438709d/f1n34.texteBrut  Acesso em: 28/04/2018.

Autor: Rogério Miguez

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