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O Céu e Inferno Sob a Visão Espírita

O Céu e Inferno Sob a Visão Espírita

A definição sintética de “Céu e Inferno” sob os parâmetros da Doutrina
Espírita explica: “Céu e Inferno são estados de consciência“. Esta tese
foi desenvolvida pelos Espíritos Reveladores do Espiritismo, respondendo a Allan
Kardec – O Codificador da Doutrina -, na questão 1.012 de “O Livro dos
Espíritos
“(1).

  • Haverá no Universo lugares circunscritos para as penas e gozos dos
    Espíritos, segundo seus merecimentos?

“Já respondemos a esta pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau
de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua
felicidade ou de sua desgraça. E como eles estão pôr toda a parte, nenhum lugar
circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa.
Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme
é mais ou menos adiantado o mundo em que habitam.”

  • De acordo, então, com o que vindes de dizer, o inferno e o paraíso não
    existem, tais como o homem os imagina?

“São simples alegorias: pôr toda parte há Espíritos ditosos e inditosos.
Entretanto, conforme também já dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se
reúnem pôr simpatia; mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos.”.
Allan Kardec, a seguir, complementa este assunto dizendo que a localização
absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem
existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja
essência infinita não lhe é possível compreender.

Contrapomos, agora, a tese das penas eternas, com trechos extraídos da Bíblia
(Antigo e Novo Testamento)Salmo (22:27) : “Toda a terra se converterá ao
senhor e todas as nações adorarão a sua face.”;

  • Jeremias (31:34) : “Porque todos me conhecerão, desde o menor até o
    maior, perdoarei a maldade de todos e não me lembrarei mais dos seus
    pecados.”;
  • Ezequiel (33:11) : “Juro pela minha vida, diz o senhor, que não quero a
    morte do ímpio, mas que ele se converta e viva.”;
  • Joel (2:32) : “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será
    salvo.”;
  • Mateus (18:24) : “Não é da vontade do vosso Pai que nenhum destes
    pequeninos se perca.”;
  • Lucas (15:7 e 10) : “Digo-vos que haverá mais alegria no céu pôr um
    pecador que se arrepende, do que pôr noventa e nove justos que não
    necessitavam de arrependimento.”;
  • 1o Timóteo (2:4) : “Deus quer que todos os homens se salvem
    e venham ao conhecimento da verdade. O que Deus quer se cumpre. Sua vontade é
    soberana!”;
  • Tito (2:11): “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo a
    salvação a todos os homens.”;
  • 2o Pedro (3:9) : “Ele (o Senhor) é longânimo para convosco,
    não querendo que nenhum se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento.”

Continuando, deixamos à meditação dos leitores interessados na busca da
verdade, que segundo Jesus, liberta, algumas indagações que servirão para fixar
os aspectos que o confrade Jayme Andrade, em o livro “O Espiritismo e as
Igrejas
reformadas“(2) apresenta, argumentando e refutando a teoria
das penas eterna .
1-Se Deus é infinito em todas as suas perfeições, é também infinitamente justo.
Então, porque predestina Ele algumas almas à eterna bem-aventurança e outras à
eterna condenação? Onde a infinita justiça? Se Ele é infinito em todas as suas
perfeições, como onisciente tem conhecimento prévio do destino das almas que vai
criando, e como presciente sabe que a maior parte delas será condenada à
perdição eterna. Pôr que mesmo assim, Ele continua criando? Onde a infinita
bondade?

2-Se ele é infinito em todas as suas perfeições, é também onipresente. Logo,
tanto está no céu, contemplando a felicidade dos eleitos, como no inferno,
contemplando o sofrimento dos condenados. E como pode ficar insensível a esse
sofrimento pôr toda a eternidade? Onde fica a infinita misericórdia?

3-Se um pecador pode se arrepender dos seus erros durante a vida terrena, pôr
que não poderá faze-lo após a morte? Não vemos nenhuma razão lógica para que não
o possa. Então, pôr que Deus, que mandou que perdoemos indefinidamente aos que
nos ofendem, e que é tão compassivo para com os que ainda se encontram no plano
físico, é tão inflexível com os que já deixaram a Terra? Será a justiça humana
mais equânime do que a justiça divina?

4-Como explicar a condenação da humanidade inteira pelo erro de um só homem,
se Deus disse pôr Ezequiel, (18:20) : “O filho não pagará pela maldade do
pai, nem o
pai pela maldade do filho; a alma que pecar, essa morrerá”?
E como pode o sangue de um justo apagar os pecados de todo o gênero humano?

5-Que adianta ter fé, se a fé independe da vontade do homem, e não resulta
das obras, pôr ser “um dom de Deus“, e se nem sequer é necessária, uma
vez que a salvação é privilégio exclusivo da alguns “eleitos”?

6-Se as almas salvas na beatitude do céu conservam a lembrança dos que foram
seus parentes e amigos na existência terrena, como poderão ter felicidade plena
sabendo que entes queridos estão sofrendo tormentos sem fim no inferno? Como
pode uma mãe carinhosa, que se sacrificou pôr um filho rebelde, desfrutar a
bem-aventurança eterna, sabendo que um filho estremecido se consome em
sofrimentos pôr toda a eternidade???

O Espírito André Luiz, no livro “Libertação“(3) contribui com esta
colocação:

“A rigor, não temos círculos infernais, de acordo com os figurinos da
antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as
épocas e, sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na
ignorância, cristalizados no ócio reprovável ou confundidas no eclipse
temporário da razão. Desesperadas e insubmissas, criam zonas de tormentos
reparadores. Semelhantes criaturas, no entanto, não se regeneram à força de
palavras. Necessitam de amparo eficiente que lhes modifique o tom vibratório,
elevando-lhes o modo de sentir e pensar.”.

Com Emmanuel (Espírito) do livro “Renúncia“(4) concluímos, definindo
as regiões de sofrimento no mundo espiritual:

“Inferno ou purgatório são estados de espírito em tribulação pôr faltas
graves, ou em vias de penitência regeneradora.”

Bibliografia:

  1. Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”, 74a edição da FEB,
    1994, Rio de Janeiro – RJ;
  2. Andrade, Jayme – “O Espiritismo e as Igrejas Reformadas”, 1a
    edição, 1993, Ed. Gráf. “ABC do Interior”, Conchas – SP;
  3. Xavier, Francisco Cândido/André Luiz, livro “Libertação”, edição
    FEB;
  4. Xavier, Francisco Cândido/Emmanuel, livro “Renúncia”, edição
    FEB.

Obs.

Artigo publicado em Manaus, no jornal A Crítica de 26.06.1989; em O
Mensageiro(FEA) de Dezembro de 1989; no jornal Folha Popular de 03.03.1995. No
Rio de Janeiro, em O Reformador de Setembro de 1995.

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