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O que é o Espiritismo?

O espiritismo já foi definido como o grande desconhecido, por Herculano
Pires. Mas a evidência é tanta que isso extrapolou o autor e hoje é património
universal. Por isso o próximo Congresso Espírita tem esse mote. Dificilmente
encontramos palavra tão conhecida e de significado tão ignorado.

Antes de mais, apuremos os factos.

Perante as opiniões, são eles que norteiam quem se deseja aproximar do que é
verdadeiro. E o facto é consagrado pela mestra dos mestres: a própria História.
A cronologia do tempo é irreversível, por muito que a ficção o desdiga, e o que
aconteceu consumado está.

Esse neologismo – espiritismo – foi criado por Allan Kardec, em meados do
século XIX, quando deparou com o edifício doutrinário que entreviu através das
manifestações mediúnicas, qualquer que fosse a maturidade dos espíritos
desencarnados comunicantes. Assim ele atribuía uma palavra nova, extremamente
útil, a uma doutrina nova.

Mas o fulgor da mediunidade – um instrumento e não a finalidade – ofuscou
muitos espíritas pouco sensatos. E passou esta doutrina a ser reduzida às
manifestações mediúnicas, que, aliás, existem em religiões que, de modo algum,
nem por isso são ou se tornam espiritistas.

Quando a doutrina espírita – ou espiritismo – começou a ser estudada por
alguns espíritas, estes redescobriram as obras de Kardec, o seu codificador.
Elas, mais do que qualquer tempo histórico, falam por si, vertendo, para quem se
quiser informar bem, a realidade daquilo de que trata e é o espiritismo. A
História consumou-se. Quem quiser fazer misturas, distorcê-lo em interpretações
personalizadas, por muito que queira aproveitar-se dessa palavra – espiritismo
-, seja honesto: crie outro nome novo para designar essa nova formulação ou
chame-lhe apenas espiritualismo, mediunismo ou qualquer coisa assim ajustada.
Mas espiritismo, isso não.

Fato histórico – definição

O espiritismo é uma doutrina filosófica de consequências morais. É ciência, é
filosofia e é ética (ciência do bem).

Este corpo doutrinário foi codificado por Allan Kardec, que compilou «O Livro
dos Espíritos», «O Livro dos Médiuns», «O Evangelho Segundo o Espiritismo», «A
Génese», «O Céu e o Inferno». «Obras Póstumas» também é de considerar, assim
como a «Revue Spirite» (Revista Espírita). Este conjunto de obras é a
codificação espírita.

O conceito de codificação é o constante da Biologia – código genético – e do
Direito.

Kardec foi um grande pedagogo, homem notável, de cultura até mesmo acima da
sua época. Viveu em Paris, na França, em meados do século passado. O seu papel
foi tão importante que é impossível falar de espiritismo sem nos reportarmos à
sua obra (por estranho que pareça, ainda tão desconhecida dos próprios
espíritas).

Ele mesmo, Allan Kardec, no seu livro «O que é o espiritismo», elucida-nos,
sinteticamente: «O espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e
uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se
estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as
consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.

Podemos defini-lo assim: o espiritismo é uma ciência que trata da origem e
destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal».

Este, afinal, o objecto desta doutrina.

Os seus pontos estruturais essencialmente são a existência de Deus,
imortalidade da alma, a comunicabilidade dos espíritos desencarnados (estes são
pessoas que deixaram o corpo pelo fenômeno da morte), as vidas sucessivas, a lei
de ação e reação (responsabilizamo-nos pelo que fazemos, devendo repará-lo na
presente ou em futuras vidas, físicas ou não), a pluralidade dos mundos
habitados.

Pesquisa sem fim

Muito ainda desconhece o esforço de pesquisa humana. E fora do movimento
espírita também encontramos extraordinários reforços dos seus pontos
estruturais. Questões como a continuidade da vida após a morte do corpo, ou até
a reencarnação, continuam a ser estudadas, hodiernamente, por cientistas
audaciosos. Apenas dois ou três exemplos dos mais conhecidos: Dr. Raymond Moody
Jr. (licenciado em Filosofia e em Medicina, EUA) que tem um dos seus livros
editado em Portugal pela Livraria Bertrand («Vida Após a Vida»); Drª. Edith
Fiore, licenciada em Psicologia, com o seu livro («Já Vivemos Antes») editado
pelas Publicações Europa-América. O Dr. Ian Stevenson, da Universidade de
Virgínia, EUA, seleccionou de um dos seus arquivos de pesquisa só (!) 20 casos e
publicou um livro, ainda não editado em Portugal, intitulado «20 Casos
Sugestivos de Reencarnação». O engenheiro Hernani Guimarães de Andrade e sua
equipa, possui hoje um arquivo excelente, desde os fenômenos que sugerem
intervenção de espíritos desencarnados a casos de «poltergheist» e sugestivos de
reencarnação. E muitos, muitos mais…

Mediunidade… não é espiritismo

Há confusões absurdas que estão a ser desfeitas, graças ao maior estudo deste
assunto. É bem o caso de espiritismo não ser mediunidade. Ele é doutrina. Ela é
fenômeno – que está bem longe de só existir ligado aos espíritas. Tanto a
diferença é notória que, em referência concreta da doutrina e do fenômeno às
pessoas, foram criados por Kardec os neologismos ESPÍRITA e MÉDIUM, naturalmente
com significados bem distintos. O primeiro é o adepto da ideia. O segundo é a
pessoa que tem faculdades mediúnicas (a mediunidade é o que se chama percepção
paranormal; o médium é o intermediário entre duas dimensões: a espiritual e a
material).

O espiritismo não só em nada se assemelha a bruxarias, superstição ou
crendice, como não é (já o dissemos!), também, mediunidade.

A mediunidade, enquanto fenômeno paranormal não utilizado, é neutra, serve
para o bem ou não. O espiritismo aponta sempre a edificação do bem.

Mas, na prática, há sempre uma utilização do fenômeno mediúnico! Aqui devemos
falar de MEDIUNISMO: é o já dito fenômeno praticado de acordo com as ideias
próprias de quem o pratica, quaisquer que sejam.

Existem, por exemplo, os chamados sincretismos afro-religiosos (como a
umbanda e outros) e existem também pessoas habituadas às religiões tradicionais
que, talvez por se sentirem insatisfeitas, verificando a existência concreta do
fenômeno mediúnico, passam a praticá-lo, juntando-lhe as suas ideias pessoais.

Mas isso pouquíssimo tem a ver com espiritismo. E porquê «pouquíssimo»?
Simplesmente porque o elo comum, único e singular é a mediunidade. Mediunidade
que é neutra, não tem valores próprios, ou seja, ela depende dos valores e dos
fins com que é utilizada.

Assuntos claros tantas confusões

Razões históricas explicam tudo isso. Numerosos personagens, muito distintos,
no princípio do nosso século, foram espíritas confessos: médicos (Dr. Sousa
Martins, Dr. J. Freire, Drª. Amélia Cardia), advogados (Dr. Martins Velho),
militares (general Passaláqua, coronel Faure da Rosa), artistas, entre outros.

O regime ditatorial, derrubado em 1974, algumas décadas depois do seu
advento, por repressão, dissolveu as associações espíritas existentes,
apropriando-se injustamente de considerável património, fruto de doações por
falecimento de espíritas endinheirados que por idealismo ofertavam parte do seu
património.

Importa esclarecer aqui que todo e qualquer serviço espírita não admite, em
qualquer circunstância, remuneração. É imperioso dar de graça o que de graça se
recebeu (e a ideia espírita e até a faculdade mediúnica são paradigmas dessa
situação).

Por isso todo o espírita tem a sua profissão e só nos tempos livres colabora
em tarefas próprias do seu ideal de fraternidade. Nem tão-pouco coloca anúncios
a oferecer serviços!…

Retirado o direito de reunião, de associação e a própria liberdade de
consciência, um só caminho restou – reuniões restritas aos lares, que se
prolongaram durante os anos possíveis. Já não havia mais estudo participado por
um maior número de pessoas, e, a breve prazo, o que continuou a existir
transformou-se num mediunismo caseiro – pessoas que se reuniam à volta de uma
mesa, com aquele cenário trôpego e desfasado.

Enfim, algo que prosseguiu e se fez sentir, de algum modo, mesmo após o 25 de
Abril de 1974 E QUE NADA TEM A VER COM ESPIRITISMO!

O papel do espiritismo

A natureza do espiritismo é eminentemente cultural. Liga-se muito à arte,
particularmente à arte mediúnica, nas suas expressões poéticas, pictóricas e
musicais, sobretudo.

Vários filósofos – distingue-se o caso do professor J. Herculano Pires – o
têm desenvolvido apoiando-se nele como plataforma de reflexão. E também, por sua
natureza, ainda, evolucionista, ou então não existiria a sua codificação.

Ora, a cultura espírita é o que, a nível nacional, a Federação Espírita
Portuguesa vem fazendo por implementar. Promovendo ou apoiando para tanto
encontros nacionais, inclusive de jovens, que são um êxito, estabelecendo
programas de conferências, concretizando contactos interassociativos, realizando
cursos. Já em 8, 9 e 10 de Dezembro de 1994 organiza o II CONGRESSO NACIONAL DE
ESPIRITISMO, que poderá ser mais um acto de ligação com o imenso valor do
passado do movimento espírita reprimido por Salazar, para projecção num futuro
de mais amplas actividades e informações.

Entretanto, como sempre, o movimento espírita será aquilo que dele os
espíritas fizerem.

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