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O que é PSI?

O que é PSI?

Depois da conquista dos segredos atómicos, a ciência ainda não encontrou
os limites do conhecimento acerca dos fenómenos naturais. Abrem-se agora novas
perspectivas em direcção aos mistérios do mundo da mente. O que é PSI? Eis a
nova indagação deste atribulado fim-de-século.

Acredita em fantasmas? Não?!

Pois eles existem! Sim, existem, e alguns até já foram fotografados, não
apenas em situações naturais, ocasionalmente, como em condições de rigoroso
controlo de laboratório. O jovem fotógrafo amador Gordon Carrol, em Junho de
1966, procurava fotografar os detalhes da igreja normanda de Santa Maria, em
Woodford, Northamptonshire. Qual não foi a sua surpresa ao deparar, numa das
suas fotos, com uma estranha figura toda de branco — um fantasma — ajoelhada
diante do altar! Na ocasião, a igreja estava vazia e, caso fosse uma pessoa real
que lá estivesse, Carrol tê-la-ia percebido antes de tirar a foto. Em 1960, o
vigário da igreja de Newby, a norte de Yorkshire, reverendo K. F. Lord, tirou
uma fotografia do altar deste seu templo. Como no caso anterior ocorrido com o
jovem Gordon Carrol, o sacerdote também colheu com a sua máquina fotográfica a
imagem de um fantasma postado defronte ao altar, um pouco à direita do mesmo. Na
ocasião não havia mais ninguém no interior da igreja, a não ser o reverendo Lord.
Os fantasmas aparecem não apenas em igrejas. Eles podem ser vistos — alguns
foram ocasionalmente também fotografados — nos mais variados locais. Assim, por
exemplo, em Março de 1979, a médium londrina Gladys Hayter tirou uma foto da sua
filha Dawn, quando esta estava ao volante de um belo carro estacionado no jardim
de sua casa. No carro não havia mais ninguém a não ser a Dawn. Revelada e
copiada a foto, esta mostrou a nítida figura de uma moça loira sentada no banco
traseiro do automóvel. Estavam em pleno dia ensolarado e a fisionomia da
referida jovem loira era desconhecida de ambas. São famosas as fotografias
tiradas por «sir» William Crookes, renomado investigador contemporâneo de Connan
Doyle (criador de Sherlock Holmes). Em Março de 1874, ele obteve 40 fotos de um
fantasma produzido no seu laboratório particular. Tratava-se da materialização (ectoplasmia)
do espírito da falecida Annie Owen Morgan, que se apresentava sob o pseudónimo
de Katie King. Servia de médium a jovem Florence Cook. Em São Paulo, no Brasil,
entre 1920 e 1935, foram produzidas e fotografadas inúmeras materializações
realizadas graças à mediunidade de Carmine Mirabelli. Ocuparíamos todo o espaço
reservado a este artigo se fôssemos enumerar a enorme quantidade de aparições de
fantasmas cuja autenticidade se apoia em dados seguros: grande número de
testemunhas, sinais de comprovação como marcas de combustão, fotografias, avisos
de tragédia, morte, etc.. É natural que não se creia em fantasmas… mas que
eles existem, disso não existe a menor dúvida.

A precognição

A que se devem atribuir tais fenómenos insólitos? A resposta parece fácil.
Para alguns, tudo não passa de puro engano, casos mal contados, truques, fraudes
e toda uma série de factos naturais mal interpretados. Mas o rol dos
acontecimentos inexplicáveis não se limita apenas a histórias de fantasmas.
Estes representam até uma parcela modesta. Há, por exemplo, casos incríveis de
precognição devidamente comprovados. E se formos fazer uma avaliação criteriosa,
verificaremos que a precognição é o acontecimento deveras impossível. Conhecer
precisamente um facto que irá ocorrer no futuro, por pura adivinhação, sem que
se apoie a precognição em dados estatísticos ou equivalentes, é um absurdo que
contraria o mais fundamental dos princípios: o “princípio da causalidade”. Como
é possível um efeito (o conhecimento do facto) ocorrer antes que ocorra a sua
causa? Pense bem. E, no entanto, a precognição está solidamente estabelecida não
só através de factos bem comprovados, como através de rigorosos testes em
laboratório. Entre 1930 e 1940 o laboratório de parapsicologia da Universidade
de Duke achava-se em intensa actividade. Nesta ocasião, o doutor Joseph Banks
Rhine e sua esposa doutora Louisa E. Rhine solicitaram pela imprensa a
colaboração do público norte-americano no sentido de lhes serem enviados
relatórios de casos paranormais espontâneos. Milhares de pessoas atenderam esse
pedido e dirigiram cartas ao laboratório a relatar as suas experiências. Em
1948, a doutora Louisa E. Rhine começou o estudo sistemático destes casos. Em
1961, ela publicou um livro sobre o resultado da sua pesquisa a respeito desse
vasto material informativo: Hidden Channels of the Mind. Há uma versão em
português com o título Canais Ocultos do Espírito, São Paulo: bestseller, 1966.
A referida obra contém impressionante número de casos de premonição, telepatia,
avisos de morte, aparições, etc., escolhidos de entre os milhares de relatos
enviados em atenção ao apelo feito. Entre os eventos, 40% são de precognição,
68% dos quais ocorreram durante o sono sob a forma de sonhos. Como é possível
explicar o facto incontestável da nossa mente, em certas ocasiões, atravessar as
barreiras do espaço e do próprio tempo para, muito além do alcance dos sentidos,
colher informações precisas de ocorrências distantes e futuras?

A tragédia de Aberfan

Aberfan fica no País de Gales. Em 21 de Outubro de 1966, um volumoso depósito
de carvão acumulado no alto de uma colina rolou pela encosta abaixo e soterrou
parte da vila dos mineiros. O balanço do tétrico acidente resultou na morte de
118 crianças de uma escola primária, mais 16 adultos; ao todo 134 mortos.
Impressionado com a extensão da tragédia, o psiquiatra J. C. Barker solicitou
por intermédio de seu amigo Peter Farley, correspondente científico do jornal
londrino Evening Star, relatórios de pessoas que eventualmente tivessem tido
sonhos precognitivos, pressentimentos ou avisos antecipados em estado de
vigília, relativos à catástrofe de Aberfan. O doutor Barker recebeu 76
respostas. Destas, 60 mereceram estudos posteriores. Das 16 restantes, apenas
três não mereceram consideração e as outras 13 não foram investigadas. Das 60
que mereceram atenção, 36 foram sonhos e as 24 restantes agrupavam visões ou
pressentimentos em estado de vigília, associados a sensações de grande
mal-estar. Todas previam a catástrofe de Aberfan. Actualmente tem-se dado
especial importância às precognições. Em 1968 foi fundada uma “central de
premonições” em Nova Iorque, EUA, pelo jornalista Robert Nelson. Este colaborou
com Stanley Krippner, no laboratório de Sonhos Precognitivos, do Hospital de
Maimonides em Brooklyn (Lessa, A. P. — Paragnose do Futuro: A Predição
Parapsicológica Documentada, São Paulo: Ibrasa, 1978).

A função PSI

Seria o homem exclusivamente material? Como se explicam então os sonhos
premonitórios, os casos de avisos de morte, os de transmissão de pensamento, de
influências à distância, de percepção extra-sensorial de alguns factos que
ocorrem a grandes distâncias? Sem responder à indagação de podermos nós ser
seres exclusivamente materiais ou não, a ciência, cautelosamente, já está a
admitir a realidade dos factos estranhos a que aludimos. São hoje classificados,
ainda que provisoriamente, na categoria de “fenómenos paranormais”. Mais
precisamente, tais ocorrências foram baptizadas por Robert Thouless e B. P.
Wiesner, de fenómenos PSI. Pressupondo-se que tais factos estão na dependência
de certas faculdades humanas ainda pouco conhecidas, deu-se-lhes a designação de
função PSI. Esta foi subdividida em duas classes: 1 — Função psi-gamma:
responsável pelos fenómenos de natureza subjectiva como a telepatia,
clarividência, precognição e pós-cognição. Em geral, usa-se a nomenclatura de
Rhine: ESP (de “extrasensory perception” — percepção extra-sensorial). 2 —
Função psi-kappa: responsável pelos fenómenos de natureza objectiva, nos quais
se observam movimento, alteração, modificação ou quaisquer outras operações
sobre os objectos materiais. Em geral, usa-se a nomenclatura de Rhine: PK (de “psychokinesis”
= psicocinesia). A ciência, embora se mostre aparentemente aberta aos factos
novos, mantém rigorosa cautela a respeito de questões que parecem envolver
problemas ligados à natureza espiritual do homem. Foi exactamente por este
motivo, que Thouless e Wiesner propuseram, no 1º. Congresso Internacional de
Parapsicologia, na cidade de Utrecht, em 1953, a nomenclatura citada no
subtítulo anterior.

A natureza de PSI

Thouless, particularmente, percebeu que as palavras que usamos para designar
os fenómenos por nós experimentados podem influir na maneira de pensar acerca
dos mesmos. Isto ocorre em muitos sectores do conhecimento humano. Na Física
Quântica e na Relativística pode observar-se tal facto. Ele acontece com igual
frequência no caso dos fenómenos paranormais. Assim, quando se fala em ESP —
percepção extra-sensorial — pensa-se logo em percepções idênticas às sensoriais:
ver, ouvir, sentir o paladar ou o cheiro, etc., tal qual o fazemos com os nossos
sentidos e de maneira discriminada. Entretanto, a ESP tem uma significação mais
genérica: “é a resposta a um estímulo exterior, sem o concurso dos sentidos
normais”. Do mesmo modo se dá semelhante confusão relativamente ao termo
PK-psicocinesia. Esta palavra conduz-nos a imaginar uma “mente” imaterial capaz
de agir directa e mecanicamente sobre os objectos materiais. Como é muito cedo
ainda para se estabelecer tais identidades, Thouless e Wiesner sugeriram manter
o nome de “função PSI” para englobar a estranha faculdade de provocar os
fenómenos paranormais. Escolheram a vigésima terceira letra do alfabeto grego,
PSI, que é também a letra inicial da palavra grega “psykhê”, que significa alma.
Completando a sua nomenclatura, Thouless e Wiesner formularam uma hipótese de
trabalho acerca da origem da “função PSI”. Admitiram a existência de uma
entidade psíquica que opera não só nas actividades cognitivas, normais e
paranormais, como também é capaz de interagir tanto com os objectos e cérebros
externos como com o cérebro e o sistema nervoso do indivíduo em cujo corpo ela
se situa. Deram a essa curiosa entidade o nome de “shin”, o qual corresponde à
vigésima primeira letra do alfabeto hebraico (Berger, A. – Robert Thouless, “The
Man Who Invented Psi” – The Unexplained, London, vol.13, nº. 147, Outubro 1983,
pp.2938 – 2940). Trocando em termos mais simples, “shin” seria a causa de todas
as funções psíquicas normais e paranormais. A “função PSI” designa o conjunto
das funções paranormais apenas, a saber: Psi-gamma — função subjectiva a
responder pela telepatia, clarividência, precognição e pós-cognição, etc. — (ESP).
Psi-kappa — função objectiva a responder pela psicocinesia, poltergeists,
ectoplasmias, apports, etc. — (PK).

Conclusão

No decorrer desta série de artigos, iremos abordar de maneira mais explícita
este aspecto da “função PSI” e da hipótese “shin” formulada por Thouless e
Wiesner. Iremos ver que, afinal de contas, se tem tratado, de certa forma, de
contornar o velho problema do espírito, cuja conotação religiosa e metafísica
constitui o maior percalço para a sua aceitação na ciência oficial.

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