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O trabalho visto como força viva do progresso

O Calendário assinala para nós o mês de maio de 2001. O mês em que o mundo comemora
duas efemérides importantes: O “Dia do Trabalho” e o “Dia das Mães”. Hoje quero
me concentrar na primeira delas. É no mínimo curioso vermos que o “Dia do Trabalho”
é comemorado com festança, passeios e protestos. O que não se vê por aqui é alguém
comemorando essa data trabalhando. É claro que não devo esquecer dos médicos, enfermeiros,
enfermeiras, seguranças e outros profissionais que por dever de ofício permanecem
no batente mesmo no “Dia do Trabalho”.

O ser humano é mesmo complicado. No “Dia do Trabalho” só quer mesmo é sombra
e água fresca. Claro que não desconheço o direito de lazer do homem. Todos nós precisamos
mesmo de um descanso de vez em quando, afinal, como dizem, ninguém é de ferro.

Não levanto essa temática para criticar as boas conquistas do operariado mundial.
O que me interessa é analisar com você, caro leitor, o trabalho como força viva
do progresso material, intelectual, moral e espiritual.

O homem, de uma maneira geral, encara o trabalho como um fardo muito pesado e
muito mal remunerado. Na maioria dos casos essa verdade encaixa mesmo como luva
perfeita. São raros mesmo os profissionais que recebem o soldo justo ou acima do
que merecem. Esse desencontro é que tem lançado no mundo as refregas entre o Capital
e o Trabalho. O primeiro sempre procurando esfolar o segundo. E o segundo buscando
falsear para não corresponder aos interesses do primeiro. Essa é uma briga ideológica
que vem se arrastando pelos milênios e só terminará quando o Capital e o Trabalho
raciocinarem que um não existe sem o outro e aí se tornarem parceiros, de fato.

No centro dessa discussão está o trabalho como ação física e intelectual, que
passou a ser sinônimo de sacrifício, de castigo. Aliás esse conceito errôneo tem
origem na Gênesis bíblica (cap. 3, v. 19) quando Deus, descontente com a desobediência
de Adão e Eva, expulsou-os do Paraíso e lhes disse:

– “Daqui para frente só comerão o pão que conquistarem com o suor do próprio
rosto”.

Essa reprimenda, por osmose, ficou retida em nosso subconsciente e é por isso
que reagimos negativamente diante de qualquer trabalho. O mundo e a humanidade poderiam
ter alcançado maior progresso se o homem houvesse encarado o trabalho como benção
e não como castigo, pois as produções teriam se multiplicado por muitas vezes.

Não está concordando comigo? Dou-te razão, hábitos são difíceis de ser estirpados.
Conceda-me, entretanto, mais um minuto de sua preciosa atenção que tentarei provar-lhe
que o trabalho é uma benção e não um castigo. Acompanhe, por favor, meu raciocínio.

– Você certamente já viu uma casa que ficou vazia por algum tempo e deve ter
se deparado com insetos e até roedores passeando em seu interior, assim como deve
ter visto o acúmulo de poeira e teias de aranha. Com certeza deve ter visto uma
ferramenta, uma tesoura por exemplo, há tempo sem uso. Verificou, que a mesma se
tornou imprestável por causa da sujeira e ferrugem.

Pois bem, assim como a casa vazia é tomada por animais daninhos e poeira e a
ferramenta parada acaba se estragando, a mente ociosa também é atacada por caraminholas
e até pelas energias daninhas e a esclerose.

Da mesma forma o nosso corpo físico quando não é submetido a exercícios constantes
e controlados, torna-se obeso, atrofiando-se e acaba numa cama ou cadeira de rodas.
E como progredir intelectualmente, sem o exercício metódico e perseverante? Ambos,
progresso material e intelectual, provém do trabalho. Por conseguinte progresso
moral e espiritual só podem efetivar-se pelo esforço constante do agente humano.
Compreende, agora, porque afirmo que o trabalho é benção e não castigo? O Pai jamais
colocaria em nossas mãos uma ferramenta se não fosse para o nosso bem geral.

Trabalhemos sempre com amor e mudaremos nossa vida e o mundo para melhor. Desculpe-me
pela intromissão no seu feriadão…

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 364 de Maio de 2001)

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