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Orai e Vigiai

Orai e Vigiai

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico. 4. Adoração. 5.
Prece: 5.1. Perguntas e Respostas; 5.2. Tipos de Prece; 5.3. Eficácia da Prece;
5.4. Crise na Oração. 6. Oração e Vigilância: 6.1. Passado Delituoso; 6.2. A
Proposta de Emmanuel. 7. Conclusão. 8. Bibliografia.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é buscar e manter o equilíbrio espiritual. Para tanto
devemos fazer uso dos verbos no imperativo, que se traduzem por uma ordem na
mudança de nossas atitudes e comportamentos.

2. CONCEITO

Prece / oração – É o ato de comunicação do homem com o sagrado: Deus,
os deuses, a realidade transcendental ou o poder sobrenatural. No início parece
uma queixa, uma angústia, um sofrimento, mas depois pode englobar uma adoração
ou um agradecimento. Para os panteístas é absorção no todo universal. No meio
espírita encontramos algumas frases, tais como, “ato de caridade”, “apoio para a
alma”, “uma invocação”, “uma evocação”, “uma conversa com Deus”, “transporte do
coração”, “vibração”, “explosão da fé”, “irradiação protetora” e “caminho de
luz”. (Equipe da FEB, 1995)

Vigilância – Precaução, cuidado, prevenção.

3. HISTÓRICO

Na busca de subsídios, através do tempo, a Bíblia oferece-nos informações
valiosas.

No Velho Testamento, Abraão, Moisés, Samuel, David e Salomão são
considerados os expoentes de 1.ª grandeza em termos de oração. O tabernáculo e o
templo, consagrados à santidade e glória de Iavé, são os lugares por excelência,
a certa altura quase exclusivos, da oração.

No Novo Testamento, Jesus Cristo tornou-se o grande modelo e mestre da
oração, pois esta era para ele imperativo de Sua natureza humana e resposta à
Sua condição de Filho de Deus. A profundidade e eloquência da oração de Jesus
impressionaram vivamente os discípulos, aos quais, a seu pedido, ensinou o Pai
Nosso, oração de conteúdo riquíssimo e esquematização modelar, pois aí se
conjugam e hierarquizam harmoniosamente os interesses do Reino e as necessidades
espirituais dos filhos de Deus. Além do conteúdo e do modo, Cristo incutiu
também repetidamente a necessidade da oração assídua, humilde, sincera, filial.

Os apóstolos foram os fiéis propagadores da oração: Santo Agostinho, S. J.
Damasceno, Santo Tomás de Aquino e outros. No entanto todos convergem em
considerar a oração uma elevação da mente para Deus, um colóquio ou diálogo com
Deus, um pedido das coisas convenientes ao homem dirigido a Deus. (Enciclopédia
Luso-Brasileira de Cultura)

4. ADORAÇÃO

A lei de adoração é a primeira das Leis Naturais estudas por Allan Kardec em
O Livro dos Espíritos. Diz-nos o Codificador, através do auxílio dos
Espíritos superiores, que a adoração é natural e pertence à espécie humana.

Em virtude da ignorância das verdades religiosas, os homens acabaram adotando
diversas formas míticas e místicas de adoração, desviando o pensamento da
essência fundamental do ato de adorar. Assim sendo, a maioria das pessoas
liga-se a uma religião, a uma seita, a uma corrente espiritualista, muito mais
para resolver o seu problema material do que para a busca da verdadeira
espiritualização do ser. É por isso que se sugere, no meio espirita, a
substituição do termo adoração por reverência, no sentido de se
eliminar o ranço pejorativo que o termo adorar agrega.

A adoração, sendo uma ligação com o sagrado, permite-nos abrir um parêntese e
introduzir a noção de hierofania. Por hierofania, Mircea Elíade entende o ato de
manifestação do sagrado. A história das religiões tem um número considerável de
hierofanias, ou seja, todas as manifestações das realidades religiosas. É isso o
que explica o sagrado manifestando-se em pedras, animais, árvores etc. Não são
as pedras, as árvores, os animais, os objetos que são adorados, mas sim o que
eles representam para a coletividade. Observe, por exemplo, uma cruz: ela é um
pedaço de madeira como tantas outras peças feitas da mesma madeira. Contudo, no
processo de hierofanização, a cruz adquire valor sagrado, ou seja, serve para
exorcizar espíritos maléficos. Nessa mesma linha de raciocínio podemos incluir a
adoração das vacas na Índia. (Eliade, 1957, p. 25)

Os cientistas sociais, na tentativa de separar o sagrado do profano, acabam
tendo pouco êxito, pois o que se vê é o caráter ambíguo do termo predominar. O
direito, a moral, a ética, o casamento e outros temas trazem em si um
considerável peso de sagrado. Em Direito — uma ciência — a arquitetura dos
tribunais, a toga do juiz, o ritual das sessões dos tribunais, mesmo o uso de
símbolos religiosos para o juramento, por exemplo, apontam certos aspectos da
instituição do direito que têm pelo menos certo sabor de sagrado. (Boulding,
1974, p. 4)

5. PRECE

5.1. PERGUNTAS E RESPOSTAS

Pergunta. O que é a prece?

R = A prece é um ato de adoração ao Criador.

Pergunta. Como se deve orar?

R = Não é preciso ficar de joelho, sentado ou de pé. A postura física é o que
menos conta.

Pergunta. Por que devemos orar?

R = Porque a prece é um lenitivo para as nossas preocupações.

Pergunta. Onde se deve orar?

R = Em qualquer lugar. Observe que a citação bíblica que prescreve entrar no
quarto, fechar a porta e perdoar os inimigos, pode ser entendida como entrar no
quarto “íntimo”. E no quarto íntimo, podemos entrar estando em qualquer lugar:
no ônibus, no metrô, na praia etc.

Pergunta. Quando devemos orar?

R = Também não há prescrição, contudo O Evangelho Segundo o Espiritismo
orienta-nos a orar pela manhã e à noite.

5.2. TIPOS DE PRECE

Devido à conexão e à intermitência entre os vários tipos de prece, é difícil
concebê-los em termos de uma classificação rígida. De qualquer forma, podemos
enumerar alguns desses tipos:

Súplica – Solicitação de vida longa, obtenção de bens materiais e
prosperidade financeira são os seus ingredientes favoritos. Como para obtenção
de tais objetivos, o ser humano vale-se da invocação mágica, este tipo de prece
pode tornar-se um desvio da verdadeira prece, principalmente quando feita para
obter recompensas ou troca de pagamento com Deus.

Confissão – o termo confissão expressa ao mesmo tempo uma afirmação da
fé e o reconhecimento do estado de “pecado”.

Intercessão – é a prece feita em favor de outrem. Em algumas
sociedades primitivas, o chefe de família ora para os outros membros da família,
mas estas preces são também extensivas à tribo inteira. (Encyclopaedia
Brittannica)

Allan Kardec, na P. 659 de O Livro dos Espíritos, diz-nos que
pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.

5.3. EFICÁCIA DA PRECE

É pelo pensamento que nos colocamos em sintonia com outros seres, tanto
encarnados como desencarnados. Por intermédio de nossas ondas mentais, podemos
auxiliar e sermos auxiliados pelas outras mentes que entram em contato conosco.
Atuando sobre esse fluxo energético curamos e somos curados de algumas doenças,
até aquelas catalogadas pela medicina como incuráveis. A cura do incurável dá
origem ao milagre. Mas, para o Espiritismo, o milagre não existe, pois não
podemos derrogar as leis da natureza. O que há é uma extrema aceleração dos
processos de cura. (Kardec, 1984, cap. XXVII)

5.4. CRISE NA ORAÇÃO

A crise da oração que se verifica na sociedade contemporânea pode ser devido
a:

Ateísmo em suas diversas formas;

Afrouxamento da fé e a esterilidade moral do culto de muitos cristãos;

Incapacidade de conciliar racionalmente a imutabilidade de Deus com a
liberdade do homem imiscuída na oração de súplica.

O êxito do progresso técnico e cientifico que outorga ao homem bens de
conforto e consumo outrora pedidos a Deus como seu único senhor e distribuidor;

Redução da prática e, às vezes, do próprio conceito de oração, à oração de
súplica, com prejuízo dos aspectos imanentes e essenciais da oração.

6. ORAÇÃO E VIGILÂNCIA

O texto evangélico nos diz que devemos orar e vigiar para não cairmos em
tentação. Por que?

6.1. PASSADO DELITUOSO

O Espírito Emmanuel alerta-nos que as mais terríveis tentações encontram-se
no fundo sombrio de nossa individualidade. E o que vem isto significar? É que
quando reencarnamos trazemos conosco, impregnados em nosso subconsciente, todos
os erros e mazelas cometidas em outras épocas. Como temos o esquecimento do
passado, a sua manifestação dá-se pela intuição e pelo sentimento. A simples
presença do adversário de outras épocas faz ecoar dentro de nós o ódio, a
vingança, o repúdio. Por isso a vigilância. Tomando-se consciência da situação,
proceder à prece silenciosa em favor da harmonia.

6.2. A PROPOSTA DE EMMANUEL

“Em nós mesmos podemos exercitar o bom ânimo e a paciência, a fé a humildade
… Não te proponhas, desse modo, atravessar a mundo, sem tentações. Elas nascem
contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates,
dedicadamente, qual o lavrador sempre disposto a cooperar com a terra da qual
precisa extrair as boas sementes … Entretanto, lembremo-nos do ensinamento do
Mestre, vigiando e orando, para não sucumbirmos às tentações, de vez que mais
vale chorar sob os aguilhões da resistência que sorrir sob os narcóticos da
queda”. (Fonte Viva, 110)

7. CONCLUSÃO

Embora as preces que fazemos não irão desviar-nos de nossos problemas e
desilusões, elas são um bálsamo reconfortante para a nossa alma enfermiça, pois
faz-nos penetrar em estados de suave sossego e gozos que somente aquele que ora
é capaz de decifrar.

8. BIBLIOGRAFIA

  • BOULDING, K. E. O Impacto das Ciências Sociais. Rio de Janeiro,
    Zahar, 1974.
  • ELIADE, M. O Sagrado e o Profano: A Essência das Religiões. Lisboa,
    Livros do Brasil, 1957?
  • ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa, Verbo, s. d. p.
  • ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA.
  • EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
  • KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo,
    IDE, 1984.
  • KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
  • XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro,
    FEB, s.d.p.

 

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