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Os Codificadores

“Quando vier o Espírito da Verdade, que procede do Pai, dará testemunho de
mim, e vós também dareis porque estais comigo desde o começo”.

(João XV, 26-27.).

Assim como não existem duas “leis” em vigor uma, em oposição à outra, também
não podem existir dois “testamentos” em validade, ambos contradizendo-se,
defraudando-se, aniquilando-se.

Existe a lei, existem os profetas; existiram os profetas e existiram a lei e
os profetas. Jesus não veio revogar a lei e os profetas, mas cumprir; lembrar o
cumprimento da lei, trabalhar pelo cumprimento da lei, ensinar o cumprimento da
lei, impor o cumprimento da lei. Jesus é a luz do mundo: essa luz ilumina a lei,
distingue-a do que não é lei, orientando todas as almas de um modo racional,
inteligível, para cumprirem a lei, obedecerem à lei, praticarem as ordenações da
lei. Jesus é o caminho, a verdade e a vida: sendo sua principal missão cumprir a
lei, a lei deve, forçosamente, limitar-se, circunscrever-se ao caminho que ele
personificou, à verdade de que ele foi o paradigma, a vida de que deu o mais
vivo exemplo.

A lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade da
compreensão da lei foi dada por Jesus Cristo; ele é a luz e a verdade. A lei não
é de Moisés: se fosse, passaria com Moisés, como a lei de Moisés do dente por
dente, olho por olho passou, para não mais voltar; não só desapareceram dela o i
e o til, como também todo valor, toda potência, todos os caracteres.

Todo o mundo admira a moral evangélica; todos proclamam a sua sublimidade e a
sua necessidade; mas muitos o fazem confiando naquilo que ouviram, ou apoiados
em algumas máximas que se tornaram proverbiais, pois poucos a conhecem a fundo,
e menos ainda a compreendem e sabem tirar-lhe as conseqüências. A razão disso
está, em grande parte, nas dificuldades apresentadas pela leitura dos
Evangelhos, ininteligível para a maioria. A forma alegórica, o misticismo
intencional da linguagem, faz que a maioria o leia por desencargo de consciência
e por obrigação, como lê as preces sem as compreender, o que vale dizer sem
proveito.

Os preceitos de moral espalhado no texto, misturado com as narrativas, passam
desapercebidos. Torna-se impossível aprender o conjunto e fazê-lo objeto de
leitura e meditação separadas.

Diante de belos ensinamentos de nosso Mestre Jesus Cristo, tentaremos agora,
na nossa simplicidade e talvez ignorância, falar alguns fatos relacionados, com
os Codificadores da Doutrina Espírita surgida em 18 de abril de 1857 com o
lançamento do Livro dos Espíritos, por Allan Kardec. Ao publicar “O Livro dos
espíritos”, Allan Kardec estava com 53 anos de idade, pois nasceu em Lyon, na
França, às 19 horas do dia 03 de outubro de 1804.

Seu pai, Jean-Baptista Rivail, que era juiz, e sua mãe Jeanne-Louise Duhamel,
prendada senhora lionesa, o educaram dentro das melhores possibilidades da
época. Aos dez anos, já era aluno do Instituto de Yverdon, famoso educandário da
Suíça, onde foi discípulo do extraordinário pedagogo Johannes Heinrich
Pestalozzi, considerado por muitos como o “educador da humanidade”. Esta
experiência pedagógica foi de alta valia para a elaboração dos livros da
Codificação. Casou-se com Amélie –Gabriel Boudet, parisiense, professora de
Letras e Belas Artes, a quem o Espiritismo muito deve, pois colaborou com Kardec
e o apoiou em sua bela missão. Nela se aplicaria o jargão popular de que: “Atrás
de um grande homem sempre existe uma grande mulher”. Em 08 de maio de 1852,
publicou-se, em Nova York, o primeiro periódico espírita: o “Spiritual
Telegraph”. Em 1853, já existiam nos Estados Unidos centenas de publicações de
diferentes orientações, algumas com edições de mais de dez mil exemplares. Foi
também em Nova York que se constituiu a primeira sociedade espírita, em 10 de
junho de 1854, da qual faziam parte, entre outros personagens, o juiz da Suprema
Corte daquele estado, John W. Edmonds, e o Governador Tallmadge, de Wisconsin.
Essa sociedade foi a responsável pela edição do jornal “The Cristian
Spiritualist”.

Falar de Fénelon, Erasto, Santo Agostinho, São Luiz, Lacordaire,
François-Nicolas-Madalaine, Sansão, Delphine de Giardin, François de Genêve, Um
anjo da Guarda, Bernadim, Espírito da Verdade, Adolfo-Bispo de Alger,
Ferdinando-Bourdeaux, João Evangelista, Um Espírito Protetor, Vianey (Cura
D’Ars), Lázaro, Um Espírito Amigo, Hahnemann, Simeon, Paulo, João (Bispo de
Bordeaux), José-Espírito Protetor (Indulgência), Dufétre – Bispo de Ners,
Emmanuel, Pascal, Espírito Protetor, Elisabeth de Françe, Lamennais, Jules de
Oliveira, Adolfo-bispo de Alger, Francisco Xavier -Bordeaux, Irmã Rosália, São
Vicente de Paula, Cáritas, Michel (A piedade), Guia Protetor, M. Espírito
Protetor, Cheverus, Georges, Simeão, Constantino, Henré Heine, Luis, V. Monod,
Sócrates, Platão, Franklin, Emmanuel Suwenderborg, Zéfiro entre outros.

Como podemos notar pela descrição alguns espíritos fizeram questão de se
identificar, outros não. Não poderemos jamais esquecer a figura de Jackie
Andrews Davis, grande médium americano, que quatro anos antes de Kardec lançar a
primeira obra da Codificação, ele prediz dizendo: Isto em 1854, que quatro anos
depois surgiria no mundo uma doutrina que iria revolucionar, e esta doutrina
receberia o nome de “Espiritismo”. Kardec ou Hippolyte-Leon Denizard Rivail
lançou o Livro dos espíritos em 18 de abril de 1857, o Livro dos Médiuns em 15
de janeiro de 1861, O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 29 de abril de 1864, O
Céu e o Inferno, em primeiro de agosto de 1865, Gênesis em seis de janeiro de
1868.

A Revista Espírita em primeiro de janeiro de 1858, Obras Póstumas lançada
depois de seu desencarne, em 1890. Rivail, aconselhado por um amigo espiritual,
usou o pseudônimo de Allan Kardec, seu nome de encarnação vivida na Gália, onde
foi um sacerdote Druida, para publicar esse livro e o adotou em suas obras
espirituais.

Kardec trabalhou na Codificação e na implantação do Espiritismo desde maio de
1855, quando viu pela primeira vez a realização de fenômenos extraordinários,
até sua desencarnação, no dia 31 de março de 1869, aos 65 anos, em conseqüência
de um aneurisma cerebral. Seu sepultamento, realizado no dia dois de abril, no
Cemitério Montmarte, o mais antigo de Paris, acompanhado por mais de duas mil
pessoas.

Seus restos mortais foram transferidos para o Cemitério de Père Lachaise,
onde repousam até hoje, num túmulo em forma de dólmem, três pedras
perpendiculares sobre a qual repousa uma quarta, de seis toneladas, que serve de
teto, onde, no bordo frontal está gravada a frase: “Nascer, Morrer, Renascer
Ainda e Progredir Sempre-Tal é a Lei”, que retrata muito bem, a síntese da
filosofia da encarnação. Os franceses enveredaram pelo chamado Espiritismo
Científico; abandonaram, negaram os aspectos filosóficos e religiosos da
Doutrina e distanciou-se dos caminhos propostos pelos espíritos na Codificação.
Outro fato que merece destaque: O Livro dos espíritos em seu lançamento continha
apenas 501 questionamentos e respostas, a 30 de março de 1860 ele ficou pronto
com 1.018 perguntas e respostas; quando da sua tradução para o português com
aquele jeitinho brasileiro, aumentaram para 1.019 questões. Será que Kardec onde
estava ou está concordou com esta alteração? Quem teria sido o autor intelectual
dessa façanha, em livro ditados por espíritos Superiores e que é à base da
sustentação de uma doutrina, não deve ser alterado de forma alguma. Na minha
opinião achei esta atitude de um mau gosto sem precedentes.

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