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Paranormalidade no Fantástico

Prezados Senhores,

Ref. à reportagem sobre paranormalidade do Fantástico de 15-3-2002

Parabenizo-os pela matéria, embora eu tenha algumas considerações a faze-lhes a respeito do assunto.

Não se sabe se o responsável por ela agiu de má fé ou foi, simplesmente, um pouco ingênuo na abordagem do assunto. Estaria ele querendo lembrar o infeliz Quevedo?

Lamento por ele não ter apresentado o assunto com clareza. Suspeita-se de que ele tenha querido prejudicar o Espiritismo, não obstante, no final, tenha deixado também dúvidas no ar quanto à descabida afirmação do mágico de que não existe paranormalidade, mas, tão-somente truques.

Primeiramente é bom que se diga que paranormalidade é um fenômeno estudado e comprovado pelas grandes universidades do mundo moderno. Um mágico pode criar muitos truques que imitam fenômenos paranormais, mas não podemos confundir esses truques com os fenômenos paranormais propriamente ditos, e, muito menos querer negar a realidade destes, porque um prestidigitador consegue realizá-los, artificialmente.Foi nisso que consistiu o fracasso do Quevedo, embora tenha consagrado toda a sua vida para querer convencer as pessoas que fenômeno espírita é truque ou mágica.

E há, ainda, que se considerar que paranormalidade é uma coisa, enquanto que mediunidade é outra. O paranormal tem poderes para realizar prodígios que outras pessoas não conseguem fazê-lo. Já o médium possui o dom de ser instrumento de comunicação entre o nosso mundo físico e o mundo espiritual.

Destarte, todo médium é um paranormal, pois tem o poder

O dom espiritual – de intermediar os dois planos , isto é, o espiritual e o físico. Mas nem todo paranormal é médium, pois sua paranormalidade pode estar relacionada, simplesmente, com outros tipos de poderes que não o de intermediar contatos entre o mundo em que vivemos e o em que vivem os espíritos.

Espero que o Fantástico não cometa mais esse tipo de falhas que deixam subjacentes às suas reportagens idéias duvidosas que denigrem princípios doutrinários do Espiritismo, bem como de qualquer outra religião, pois temos que cultivar a consciência de alteridade, ou seja, o respeito ao modo de pensar do outro, mormente em se tratando de questões religiosas.

Com meus agradecimentos pela sua atenção, subscrevo-me, atenciosamente.

José Reis Chaves – escritor, teósofo e biblista, autor do livro, entre outros, “A Face Oculta das Religiões”, adotado para trabalho pela USP. E-mail: escritorchaves@ig.com.br

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