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A Paz Vem de Deus

A Paz Vem de Deus

Herança do primarismo, que ainda predomina em a natureza humana, a guerra é
vestígio de barbárie que necessita ser extirpada da Terra.

Quando acossado, esfaimado, ou atormentado pelo cio, que lhe faculta a
procriação, o animal ataca e mata. O ser humano, no entanto, preservando essa
herança ancestral, também se faz agressor do seu irmão, vitimado por fatores de
profunda perturbação emocional, mental, social, econômica, religiosa, étnica,
cultural, demonstrando que ainda não se identificou com Deus, ou se O conhece,
seu relacionamento é superficial ou fanático, não lhe havendo permitido uma
perfeita sintonia com a paz que dEle se irradia, e que deve estender-se por todo
o mundo. A paz é resultado da Lei natural – o amor – que vige em toda parte do
Universo. Quando o sentimento de amor, que se encontra na base e na estrutura de
todas as Doutrinas religiosas, se apossa dos sentimentos humanos, espalha-se e
dirige todas as formas de comportamento, gerando saudável intercâmbio entre as
criaturas, que se ajudam reciprocamente, contribuindo para a felicidade uma das
outras, evitando qualquer tipo de relacionamento agressivo ou belicoso.

No entanto, porque o desenvolvimento intelectual do ser humano não se fez
acompanhado daquele de ordem moral, homens e mulheres, grupos sociais e Nações,
ainda não conseguiram libertar-se da constrição do ego, que se lhes torna
verdadeiro algoz, propelindo-os para a alucinação preconceituosa de falsa
superioridade, que se destaca na conduta social, religiosa, econômica, racial,
patriótica e espiritual, impulsionando essas suas vítimas – do egotismo – na
direção das calamidades destrutivas, quais as perseguições inclementes que
culminam nas guerras hediondas. Esse egoísmo avassalador é responsável pelo
nascimento e crescimento do poder impiedoso que se apresenta na economia
pessoal, nacional e internacional, fomentando a miséria de outros indivíduos e
povos que lhe jazem sob o domínio insensato e perverso. Enquanto acumula
fortunas incalculáveis, que somente podem ser mensuradas através de equipamentos
de tecnologia avançada, centenas de milhões de outros indivíduos estorcegam na
miséria, sem a menor dignidade humana, experimentando a fome, a desolação, as
doenças pandêmicas e dilaceradoras variadas e a promiscuidade de toda natureza,
havendo perdido, inclusive, o direito de existir…

Esses bolsões de miséria econômica, que proliferam mesmo nos países
supercivilizados, constituem cânceres em desenvolvimento no organismo social,
que terminam por degenerar, mais cedo ou mais tarde, a sociedade como um todo,
ameaçando a própria vida inteligente na terra. Isto porque, os seus gritos de
dor e de angústia, mesmo que abafados pelo estardalhaço das paixões
desgovernadas naqueles que os oprimem, terminam por alcançar-lhes os ouvidos da
alma, atormentando-os e produzindo neles a consciência de culpa, pela
responsabilidade que lhes diz respeito nesse clamor resultante do desespero que
envolve o planeta que habitamos. Ninguém pode ser feliz a sós, ou apenas no seu
grupo de fantasia e prazer, porquanto, embora a fortuna em que se refestela, não
se pode evadir da presença interna de Deus, exteriorizando-se como libertação da
anestesia do desinteresse pelo próximo; das enfermidades, que fazem parte do
programa existencial do ser biológico e se encontram ínsitas na fragilidade
orgânica; dos conflitos de natureza psicológica; dos desvios do comportamento
mental; da solidão; da frustração e da falta de objetivo existencial, que se faz
reconhecido como um vazio interior.

O ser humano foi criado por Deus para a glória estelar. Transitando pelas
paisagens terrestres, onde desenvolve as potencialidades interiores que são
herança divina nele insculpidas, tem por missão melhorar o mundo, que lhe serve
de escola, promovê-lo, intercambiar valores morais, culturais, artísticos,
tecnológicos e espirituais, trabalhando para a aquisição da paz interna e da
plenitude, que deverá espalhar em volta dos passos, propiciando-as a todos os
que o seguem na retaguarda.

A Humanidade cresce, etapa a etapa, em razão das conquistas ancestrais, que
passam de uma a outra geração, sempre enriquecidas pelas experiências de
engrandecimento e de sabedoria. Nesse ministério incessante, muitos homens e
mulheres, se permitem sacrificar: uns na abnegação, outros na pesquisa
incessante, outros mais em holocaustos pelos ideais que esposam e são
prematuros, portanto, inaceitáveis nos seus dias, abrindo espaço para a sua
implantação no futuro… De Sócrates, incompreendido e sacrificado, a Jesus
Cristo, perseguido e assassinado, a Ghandi, a Martin Luther King Júnior,
vitimados pela loucura da perversidade, disfarçada de preconceitos e hediondez,
o fenômeno criminoso se repete, ameaçando as estruturas sociais e culturais, em
vãs tentativas de impedirem que sejam eliminados o sofrimento e a desgraça
social e econômica na Terra. Assim mesmo, lentamente embora, as criaturas vêm
crescendo espiritualmente e aprendendo a respeitar o pensamento e a ação dos
Missionários do Bem e do Amor, que se convertem em vexilários da paz e
fraternidade entre os povos, promovendo as criaturas humanas individualmente e a
sociedade como um todo. Dessa forma, quando todos os religiosos se unirem nos
fundamentos essenciais de suas diversas Doutrinas – Deus, imortalidade da alma,
justiça divina, amor, fraternidade, perdão e caridade em relação ao próximo –
esquecendo as pequenas diferenças, que decorrem das interpretações e exegeses,
haverá o desarmamento interior dos indivíduos e, conseqüentemente, o
entrosamento de todos, dando surgimento a um só bloco de seres humanos,
harmônico e compacto,

materializando o ensinamento de Jesus. Um só rebanho e um só Pastor, que será
Deus, não importando o nome que se Lhe atribua, ou a forma sob a qual seja
venerado.

Para que esse desiderato se faça alcançado, torna-se urgente a erradicação da
miséria moral e as suas conseqüências imediatas: a social, a econômica, que
vitimam e enlouquecem quase três quartas partes da Humanidade. Os governos
compreenderão, por fim, que se torna uma necessidade de emergência a elaboração
de programas de salvação, como a educação, a saúde, o saneamento de regiões
infestadas, o trabalho digno, sem a utilização de mão-de-obra escrava, a
recreação e os cuidados especiais com a criança, trabalhando-a moralmente, como
medida preventiva, para que se evite

o surgimento no futuro de cidadãos perversos e vingadores. Porquanto, tudo
aquilo que a sociedade no momento negar aos seus coevos, eles o tomarão logo
possam pela violência, quando as circunstâncias lhes permitirem. Educar,
portanto, as novas gerações, dignificando-as, é terapia moral que prevenirá o
porvir das calamidades que hoje assolam as ruas das pequenas e grandes cidades
do mundo, das aldeias ou das megalópoles que se tornam, a cada dia, mais vítimas
de insuportáveis agressividades e violências, transformadas como se encontram em
palcos de guerras urbanas, embora vicejando a paz…

Por outro lado, o trabalho de conscientização política dignificadora, que os
religiosos poderão empreender, evitará que personalidades psicopatas e
extravagantes, portadoras de programas de extermínio e de crueldade, se apossem
do poder e repitam as tragédias de canibalismo, de genocídio, de vandalismo, de
guerras cruéis e ininterruptas, conforme vêm acontecendo.

O indivíduo religioso e espiritual, tem o dever de descobrir que a sua vida
somente tem um sentido: servir à Humanidade. E nesse mister, é convidado a
empenhar-se para alterar o contexto da sociedade em que vive, mesmo que lhe seja
necessário o sacrifício como forma de extirpar do mundo o crime, as agressões, o
fanatismo de qualquer expressão, fomentadores das pequenas e grandes guerras que
espocam diariamente em toda a parte.

As tensões sociais e humanas, conseqüentemente, desaparecerão quando as
criaturas se desarmarem e se amarem, se derem as mãos e intercambiarem os
sentimentos de solidariedade e de amor, porquanto essa é a recomendação de
Krishna, de Moisés, de Buda, de Lao-Tse, de Jesus Cristo, de Mahomé, de Lutero,
de Allan Kardec, de Baha-ú-la e de todos aqueles que trouxeram para a Humanidade
a Mensagem libertadora do PAI CRIADOR, em favor de todos os Seus filhos,
portanto, irmãos entre si. Com esse propósito no imo dos sentimentos e da mente
racional e lúcida, desaparecerão os focos de atritos, de paixões religiosas, de
dominações políticas arbitrárias, de perseguições de todo jaez, e a paz
lentamente estenderá o seu psiquismo de harmonia nos indivíduos, nos grupos
sociais, nos povos e em todas as Nações da Terra.

Documento remetido pelo tribuno e médium Divaldo Pereira Franco ao
Secretário Geral do Encontro de Cúpula Mundial de Líderes Religiosos e
Espirituais pela Paz Mundial.

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