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Quando as dificuldades podem vencer

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Enéas Canhadas

O significado da palavra dificuldade pode nos trazer lições importantes e interessantes pelas informações que nos transmitem. A palavra dificuldade  vem de “difficilis” do latim que, por sua vez é formada por duas outras: o adjetivo  que quer dizer rico, opulento, abundante, etc. mais a palavra facilis” que é um advérbio e quer dizer sem custo, certamente, sem dúvida, sem contradição, sem dificuldade e de boa vontade. Essas origens já nos soam bastante curiosas na medida em que a palavra dificuldade, na verdade tem a sua origem em dis + facilis. Então a gente pode pensar que seria algo como disfácil.

Bem, na nossa língua portuguesa ainda não existe a palavra disfácil, mas bem que poderia existir. Mas, reflitamos mais um pouco. Se a palavra dificuldade vem de dis + facilis” podemos compreendê-la como a facilidade ou o fácil que possuem uma riqueza intrínseca e que se perde quando retiramos tal riqueza de uma experiência que poderia ser fácil ou simples de ser vivida. Enfim, tirar a riqueza do que é fácil.

De certa forma, é isso mesmo que acontece. Muitas vezes julgamos algo difícil apenas porque não o vemos como fácil. Ou sofremos as conseqüências de algo que pode nos parecer muito difícil apenas porque não examinamos com mais atenção e cuidado e principalmente porque não estamos dispostos a facilitar as coisas para nós mesmos.

Isso acontece porque carecemos muito de auto confiança e mesmo da pura e simples confiança. As pessoas padecem do mal de possuírem baixa estima a respeito de si mesmas, curiosamente muitos de nós apresentamos uma certa inclinação para nos desprestigiarmos, para tirar os méritos de nós mesmos. Essa auto depreciação em geral resulta em falta de confiança em nós mesmos. Embora seja comum incentivarmos as pessoas dizendo “você pode!”, “seja você mesmo!”, “seja um vencedor!” etc., aliás as gôndolas de livros de auto ajuda nas livrarias estão abarrotadas de convites para sairmos vencedores nos nossos empreendimentos, na nossa vida pessoal, nos relacionamentos, no amor e até mesmo na vida como um todo, todos os dias e todos os minutos, nem por isso agirmos a altura de tais estímulos que até mesmo fazemos aos outros. Mas por quê tantas pessoas padecem de baixa estima e porque a depressão tem sido considerada como espécie de mal dos nossos tempos? O nosso coração e, portanto, os nossos sentimentos são vulneráveis e afetam diretamente a nossa confiança, tanto em nós mesmos como nas competências, habilidades e potencialidades que residem dentro de nós como inquilinos silenciosos, muitas vezes, dos quais não ouvimos falar como se tais potencialidades nem sequer existissem. Corremos o risco de passar muitos anos de nossas vidas esperando que os nossos sonhos se realizem por algo ou alguém que, de algum lugar, nos venha trazer tais conquistas e tais realizações.

O ser humano, geralmente, fica limitado na sua existência por algumas crenças que nele se instalam. Não só ao longo de nossas vidas e do nosso processo educativo, como também na nossa trajetória espiritual tanto de outras encarnações como dos intervalos entre vidas em que habitamos as dimensões celestes.

Primeiramente a crença de que eu não posso.

Essa crença toma conta de nós por impedimentos pessoais, desde os mais simples até os mais complexos e mais abrangentes. São muitas vezes impeditivos porque constituem a maneira como vemos as coisas, a vida, e como enxergamos tudo que está ao nosso redor. Visão que, se for limitada, intimidada por falta de ousadia ou por falta de clareza, limitam não só as nossas percepções como nos incapacita a desenvolver juízos de valores sobre nos mesmos, e com as lentes da nossa imaturidade emocional, mental, espiritual e mesmo física nos julgamos impossibilitados e dizemos “eu não posso” isto ou aquilo.

A imaturidade emocional geralmente é perceptível pelos desequilíbrios, quando, por exemplo, não somos capazes de esperar com paciência e moderação a nossa vez numa fila. A mental quando vivemos dizendo que a nossa cabeça não dá para isso ou para aquilo. Espiritual quando somos muito pequenos, pouco perseverantes e não temos combatividade para buscar dentro de nós a fé, ainda que seja pequenina como um grão de mostarda como se referiu Jesus. E fisicamente quando permitimos que a preguiça e as nossas comodidades suplantem muitos desejos ou muitas iniciativas.

Em segundo lugar a crença de que não é possível.

As coisas não são possíveis, quando não atentamos para o fato de que não estamos aptos ou nem sequer conseguimos ver, descobrir ou ficar sabendo que algo está ao nosso alcance. É como se estando com fome, não pudessemos nos alimentar por não saber que no armário que está em frente de nós existe comida em abundância. Não achar possível ou olhar em redor pensando que as coisas são impossíveis de serem suplantadas e que os desafios são impossíveis de serem vencidos é o que pode nos “matar de sede na beira do rio” como diz uma idéia chavão. Quando não adquirimos cultura, conhecimento, quando o nosso livre arbítrio ainda não atingiu certa maturidade, as coisas não são possíveis para nós simplesmente porque não sabemos que elas nos são possíveis e estão ao nosso alcance!

E por fim, a crença de que eu não mereço.

Não se sentir merecedor é ver ou sentir a vida preenchida com idéias limitadoras, impostas pelo nosso meio cultural, familiar, educacional e social e principalmente por experiências limitantes de vidas passadas em que o Espírito acumulou experiências limitantes e delas traz reflexos, como se fossem verdades profundamente arraigadas nas suas entranhas moleculares. O Espírito então, nem cogita as idéias de ter direito a esse ou aquele quinhão, ou objetivo ou realização. Não sentir-se merecedor é nem ter chegado ainda a idéia de poder receber quer seja por ter direito, quer seja por ser justo ou quer seja por ter conquistado alguma coisa. Não se sentir merecedor é tão limitante quanto uma paralisia cerebral que antes de tudo e em todas as circunstâncias diz a si mesmo: eu não mereço o que quer que seja que venha a conseguir e também não sou merecedor de alguma coisa boa que venha até mim.

Viver de maneria lúcida e possuir discernimento é viver atento para que nenhuma dessas três crenças limitem as nossas vidas impedindo o nosso progresso e, portanto, a nossa evolução.

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