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Reencarnação

Reencarnação

A doutrina dos renascimentos, pregada pelo espiritismo, não é nova;
encontra-se em todas as religiões e filosofias dos povos antigos.

Não é, pois uma criação do Espiritismo.

A ansiedade dessas idéias é mais uma prova importante a apresentar para
assegurar a veracidade da doutrina. Os sábios e filósofos do passado estudaram e
investigaram bastante o assunto de modo que ofereceram à presente geração um
patrimônio considerável de princípios palingenésicos que encontraram abrigo em
todos os corações ao tempo em que o orgulho, o interesse e os prejuízos eram
esmagados pelo desejo de conhecer a verdade.

Passaram-se os séculos, passaram os homens e as suas obras, mas se transmitiu
de geração em geração a idéia vencedora transferindo-se, por assim dizer, de uma
filosofia a outra de uma a outra religião em virtude dos ensinos velados ou
explícitos dos profetas e dos grandes Instrutores da humanidade.

Os Vedas considerados pelos brâmanes como o livro sagrado por excelência, em
que se contem a ciência das ciências, ostentando o código, da ensinam a
necessidade dos renascimentos, através de uma linguagem, ora simbólica, ora
positiva. Os hinos védicos feitos há cerca de 60.000 anos, falam-nos na lei da
reencarnação e afirmam que é preciso reencarnar e fazer o bem para estar “novos
laços com outros corpos em outros mundos”.

Eduardo Schure no seu maravilhoso livro “Grandes iniciados”, aludindo a Rama,
a sua doutrina e aos seus contemporâneos, escreve: “Os poetas védicos não se
preocupam somente com o destino da alma; inquietam-se também com sua origem.
Onde nasceu a alma? Ela existe nos que vem para nós e regressa nos que regressam
e tornam a voltar”.

Eis, em duas palavras, a reencarnação, que desempenhara mais tarde, um papel
capital no bramanismo e no budismo, entre os egípcios e os orficos na filosofia
de Pitágoras e de Platão, o mistério dos mistérios, o arcano dos arcanos.

Nada mais simples e maior que a religião védica onde um profundo naturalismo
se mistura a um espiritualismo transcendente. Se lermos os princípios do
Bhagavadgita, maravilhoso fragmento interpolado no grande poema de Mahabharata,
considerado pelos brâmanes um dos mais sagrados livros, veremos que eles se
referem em muitas partes a essa doutrina. “Tu trazes em ti mesmo, – diz o
Bhagavadgita – um amigo que desconheces”.

Porque Deus reside no Intimo de cada ser, mas poucos sabem, que o trazem lá.
0 homem que sacrifica os seus desejos, e as suas obras ao Ser de que procedem
aos princípios de todas as cousas e por Quem o universo foi formado, obtém por
esse sacrifício a perfeição. Aquele que encontra em si mesmo a sua felicidade,
sua alegria e, em si mesmo também, a sua luz, identifica-se com Deus. “Ora;
sabei-o, a alma, que encontrou Deus, libertou-se do renascimento e da morte, da
velhice e da dor, e bebe a água da imortalidade”.

Na verdade a alma que encontrar Deus, que se purificar, que as culminâncias
de espiritualidade, não sofrerá mais a encarnação material. Liberar-se-á do
aguilhão da morte, não mais envelhecerá por não ter mais corpo físico, já não
sentirá a dor e, por tudo isso, terá vida eterna. Buda dizia: “Se não
nascêssemos e renascêssemos, não estaríamos sujeitos à dor, à doença à miséria,
à velhice à morte”.

Krisma, o inspirado de Mahadeva, numa linguagem de um simbolismo oriental,
doutrinando, sobre o destino da alma, depois da morte, ensina que ela não foge à
ação da lei universal da transformação, mas obedece sempre ao plano divino.
“Como ao raiar das estrelas se abrem às profundezas do céu, assim as profundezas
da vida se alumbram ao raiar desta verdade”.

Quando o corpo está dissolvido, logo que Sativa (a sabedoria) domina, a alma
evola-se as regiões desses seres puros que têm conhecimento do Todo Poderoso.

Quando, o corpo se desfaz, enquanto Raga (a paixão) o domina, a alma vem
habitar de novo entre aqueles que estão apegados às cousas da terra.

Pela leitura desse trecho, compreende-se que ele ensina que a alma muito
evoluída sobe aos mundos mais elevados, onde se pode conhecer a felicidade e ter
de Deus melhor concepção, ao passo que a que pouco progrediu volta novamente a
renascer, entre os homens naturalmente até que se purifique e adquira a
necessária sabedoria.

João Pessoa, Janeiro de 1971.

(Jornal o Clarim – 15/Junho/1971)

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