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O Reino de Deus

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Notícias Históricas. 4. Fundação do
Reino de Deus. 5. Alguns Textos Evangélicos. 6. Ter ou Ser?: 6.1. A Importância
da Diferença entre Ter e Ser; 6.2. Ensinamento dos Grandes Pensadores; 6.3.
Experiência Cotidiana. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com a Teologia, o Reino de Deus é tema central da pregação de
Jesus. Ele ocupa lugar de destaque em várias de suas parábolas – principalmente
o grão de mostarda – , a menor das sementes que, depois de plantada, dará a
maior das árvores. Assim, o objetivo deste estudo, à semelhança do grão de
mostarda, é enaltecer o desenvolvimento das potencialidades interiores de cada
um de nós, a fim de que nos tornemos árvores frondosas em virtude e sabedoria.

2. CONCEITO

Reino – 1) Nação ou Estado governado por um rei ou uma rainha. 2)
Domínio longínquo pertencente ao rei.

Reino dos Céus/Deus

Catolicismo: realidade misteriosa cuja natureza só Jesus pode dar a
conhecer.

Espiritismo: estado de felicidade proporcional ao grau de perfeição
adquirida; materialização da felicidade dos bem-aventurados; obra divina no
coração dos homens; estado de sublimação da alma, criado por ela própria,
através de reencarnações incessantes. (Espiritismo de A a Z, FEB)

3. NOTÍCIAS HISTÓRICAS

O conceito de Reino de Deus vem do Antigo Testamento:

  1. desde a época da instalação de Israel em Canaã, Iavé é reconhecido como
    seu Rei e mais tarde como rei de todas as nações;
  2. dado o regime monárquico de Israel, a realeza humana passa a ser
    considerada como uma participação da de Iavé, o rei davídico, sentado no trono
    régio do Senhor, como seu representante;
  3. as infidelidades dos reis denunciados pelos profetas e sobretudo a queda
    da monarquia favoreceram a espiritualização do tema e contribuíram para que se
    pensasse na realização do reino de deus nos fins dos tempos. (Enciclopédia
    Luso-Brasileira de Cultura)

No Novo Testamento, observamos:

  1. os judeus nos tempos de Cristo entenderam-no como um reino messiânico,
    isto é, uma nova era em que Iavé, Deus de Israel e Deus do mundo, tendo
    triunfado dos seus inimigos que eram também os do povo eleito, havia de
    implantar o seu reinado no universo graças ao estabelecimento da supremacia
    política e religiosa desse povo.
  2. Jesus, porém, interpretou-o de forma diferente, ou seja, sem o caráter de
    nacionalismo, reservado somente aos descendentes de Abraão. Evocava, por assim
    dizer, a grande esperança na vida futura e a transcendência pelo qual
    importava sacrificar tudo na terra, inclusive a própria vida. Para ele, não é
    apenas esse reino futuro de justiça definitiva, mas posto ao alcance de todas
    as boas vontades no combate ao mal. Isento de seitas, referia-se à construção
    do reino de Deus dentro dos próprios corações. (Grande Enciclopédia Portuguesa
    e Brasileira)

4. FUNDAÇÃO DO REINO DE DEUS

João Batista, o precursor do mestre, dizia: “Arrependei-vos porque está
próximo o reino dos céus”… “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas
aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou
digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”. (Mateus, 3,
2 a 11)
O Espírito Irmão X, no capítulo 3, do livro Boa Nova, dá-nos uma idéia da
implantação do reino de Deus feita por Jesus.

Estando Jesus sentado nas adjacências do Templo, em Jerusalém, Hanã,
sacerdote, dirigiu-se a ele e lhe perguntou:

– “Galileu, que fazes na cidade?

– Passo por Jerusalém, buscando a fundação do Reino de Deus! – exclamou o
Cristo, com modesta nobreza.

– Reino de Deus? – tornou o sacerdote com acentuada ironia. – E que pensas tu
venha a ser isso?

– Esse Reino é obra divina no coração dos homens! – esclareceu Jesus, com
grande serenidade.

– Obra divina em tuas mãos? – revidou Hanã, com uma gargalhada de desprezo”.

Continuando a conversa, perguntou-lhe sobre quem os ajudaria e como levaria a
cabo tamanho empreendimento. Jesus sempre respondia com firmeza e tranqüilidade.

Daí a algum tempo, na cercanias de Cafarnaum, dirigiu-se a um grupo de
alegres pescadores, convidando-os a pescar homens.

5. ALGUNS TEXTOS EVANGÉLICOS

“Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça.” (Mateus, 6, 33)

Muitos procuram o evangelho para a realização dos próprios caprichos: mandar
e fazer-se obedecer, ter privilégios… Raros aceitam a condição do discipulado.
Querem ser favoritos de Deus. Busquemos, sim, em primeiro lugar a vontade Deus.
(Vinha de Luz, 18)

“O reino de Deus não vem com aparência exterior.” (Lucas, 17, 20)

Lembremo-nos de que a prática do proselitismo é, muitas vezes, prejudicial
aos elevados projetos de realização. Por que apresentar pompas e números
vaidosamente, nos grupos de fé? A realização divina começará no íntimo de cada
um. No corpo que se vai, a maioria pode ver apenas a carne. Por que
constrangê-lo a ver o Espírito se ainda não é a sua hora? (Caminho Verdade e
Vida, 107)

“O Reino de Deus está no meio de Vós.” (Lucas, 17, 21)

Nem nas obras sem fé que se reduzem a pedra e pó. Nem na fé sem obras que é
estagnação da alma. Nem no movimento sem ideal de elevação que é cansaço vazio.
Nem no ideal de elevação sem movimento que é ociosidade brilhante. Nem exigência
a todo o instante. Nem desculpa sem fim. A edificação do Reino Divino é obra de
aprimoramento, de ordem, esforço, aplicação aos desígnios do Mestre, com bases
no trabalho metódico e na harmonia necessária. (Vinha de Luz,177)

“Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João,
3, 3)

Conservemos do passado apenas o que for bom e justo, belo e nobre. Cada hora
na atualidade pode ser o reajustamento de uma atitude. Alguém nos magoa?
Reiniciemos o esforço da boa compreensão. Alguém não nos entende? Perseveremos
em demonstrar os nossos intuitos mais nobres. (Fonte Viva, 56)

“Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum
entrareis no Reino dos Céus.”
(Mateus, 5, 20)

Os escribas e fariseus não eram criminosos, cumpriam os seus deveres,
respeitavam as leis, jejuavam, pagavam impostos… Adoravam o eterno Pai, mas
não vacilavam em humilhar o irmão de jornada. O cristão não surgiu na Terra para
circunscrever-se à casinhola da personalidade, mas para transformar vidas e
aperfeiçoá-las com a própria existência. (Vinha de Luz, 161)

“E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é
apto para o reino de Deus.”
(Lucas, 9, 62)

Por que Jesus usou o símbolo do arado? É pesado, demanda esforços, provoca
suor, fere a terra… Contudo, depois chegam semeaduras e colheitas, pães e
pratos e celeiros guarnecidos. (Pão Nosso, 3)

6. TER OU SER?

6.1. A IMPORTÂNCIA DA DIFERENÇA ENTRE TER E SER

Ter é uma função normal de nossa vida: ter casa, ter parentes,
consumir etc. Como, porém, descortinar uma alternativa entre ter e ser,
se temos a impressão de que a própria essência de ser é ter: de que se alguém
nada tem, não é?

6.2. ENSINAMENTO DOS GRANDES PENSADORES

Buda ensinava que, para chegarmos ao mais elevado estádio do
desenvolvimento humano, não devemos ansiar pelas posses.

Jesus ensinava que devíamos perder a própria vida para salvá-la.

Mestre Eckhart ensinava que ter nada e tornar-se aberto e “vazio”, e
não colocar o eu no centro, é condição para conseguir riqueza e robustez
espiritual.

Marx ensinava que o luxo é tanto um mal como a miséria, e que nosso
ideal deve consistir em ser muito, e não ter muito.

6.3. EXPERIÊNCIA COTIDIANA

Estudante – No modo ter é memorizar e passar de ano: no modo ser, é
raciocinar junto com o professor.

– No modo ter é a posse de uma resposta àquilo para o que não se
tem qualquer prova racional; no modo ser, é uma orientação íntima, uma atitude.
Seria preferível dizer estar na fé em vez de ter fé.

Amor – No modo ter implica confinamento, aprisionamento ou controle do
objeto que se “ama”; no modo ser, liberdade, ajuda mútua, crescimento. O namoro
geralmente é modo ser, enquanto o casamento pode tornar-se modo ter, pois se
cada um pode querer exercer domínio sobre o outro. Observe que a palavra “cair
de amor” é de uso incorreto, porque amar é uma atividade criativa, pois só se
poder estar em amor ou andar no amor; não se pode cair no amor, porque cair
denota passividade. (Fromm, 1977)

7. CONCLUSÃO

O reino de Deus não é um lugar circunscrito, mas “obra divina no coração dos
homens”, ou seja, a edificação da sabedoria e a conquista do amor, através do
trabalho incessante na prática do bem. É o desapego aos bens materiais, o perdão
às ofensas dos inimigos, enfim, é a lembrança das Leis Divinas ou Naturais,
gravadas por Deus em nossa consciência. Nesse sentido, todo o esforço despendido
em auxiliar o próximo, em silenciar uma crítica, em pensar duas vezes antes de
querelar com o vizinho assume papel relevante na prática da perfeição.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.
  • EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
  • FROMM, E. Ter ou Ser? Rio de Janeiro, Zahar, 1977.
  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro,
    Editorial Enciclopédia, s.d. p.
  • XAVIER, F. C. Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos. 11. ed.,
    Rio de Janeiro, FEB, 1977.
  • XAVIER, F. C. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. 6.
    ed., Rio de Janeiro, FEB, 1973.
  • XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro,
    FEB, s.d.p.
  • XAVIER, F. C. Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel. 5. ed., Rio de
    Janeiro, FEB, 1977
  • XAVIER, F. C. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 3. ed., Rio de
    Janeiro, FEB, 1971.

 

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