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Religiões Afro e Espiritismo: uma confusão frequente

Novamente o Jornal Extra de 23 de maio de 2000 publicou em primeira página: “Espíritas
ouvidos pelo EXTRA disseram que o baixinho (Romário) foi vítima de olho
grande. Jair de Ogum, um dos mais famosos pais-de-santo do Rio, é taxativo: Ele
(Romário) também tem culpa nisso, porque renegou o Espiritismo”.

Ora, meus amigos, depois de tudo isso podemos concluir um fato: nossos
jornalistas desconhecem por completo o assunto religião, principalmente, quando
se referem às religiões Afro e a Doutrina Espírita.

Vale a pena lembrar que o Espiritismo surgiu na França, a partir da
publicação de “O livro dos Espíritos” em 18 de abril de 1857, sem nenhuma
ligação com qualquer culto de origem africana. Além disso, o Espiritismo não
possui nenhuma forma de culto material, nem adota nenhuma espécie de ritual,
tais como: oferendas em encruzilhadas, danças, batuques, riscadura de pontos,
fumo, etc. Tudo isso são com coisas absolutamente estranhas ao Espiritismo, este
que não possui nenhuma forma de culto exterior.

Já as religiões Afro-brasileiras tiveram seu início no século XVI com a vinda
dos escravos africanos para o Brasil colonial. A Umbanda, particularmente,
sofreu forte sincretismo com o Catolicismo. Isso aconteceu, porque os escravos
foram obrigados a trocarem suas Entidades cultuadas na África pelos Santos da
Igreja Católica. Por isso, é que nos Centros Umbandista, as imagens de São Jorge
são cultuadas como Ogum, as de São Sebastião como Oxossi, e por aí adiante…

Entretanto, não são somente os nossos jornalistas que fazem confusão entre o
Espiritismo e as Religiões Afro. Os próprios umbandistas e candomblecistas
também o fazem. Esses nossos irmãos se autoclassificam como
“espírita-umbandista” ou “espírita-candomblecista”. Isto é o mesmo que dizer:
sou “católico-protestante” ou sou “judeu-cristão”. Espiritismo é Espiritismo,
Umbanda é Umbanda, Candomblé é Candomblé, Protestantismo é Protestantismo,
Catolicismo é Catolicismo, Judaísmo é Judaísmo. As religiões Afro-brasileiras
são respeitáveis, sim. Mas não são Espiritismo conforme aprendemos nos livros de
Allan Kardec. É importante ressaltar que o nosso objetivo é esclarecer
conceitos. Sabemos que o Espiritismo é ecumênico por excelência, não estamos
enaltecendo a Doutrina Espírita, nem denegrindo a imagem de nossos irmãos
umbandistas e candomblecistas. Deus na Sua infinita bondade e misericórdia
permite as diversas religiões, pois sabe que diversos são os graus de
entendimento humano. Dá-nos, desta forma, a oportunidade de encontrarmos aquela
que esteja de acordo com o nosso grau evolutivo. Repetimos para deixar bem
claro, o nosso objetivo é esclarecer conceitos.

Os nossos irmãos espíritas também possuem uma parcela de culpa nesta confusão
que fazem em torno da Doutrina. Quem nunca ouviu até mesmo dentro do Centro
Espírita, o termo “espírita-kardecista”? Kardec não fundou Doutrina alguma. A
Doutrina é dos Espíritos, por isso, o termo Espiritismo. Portanto, quando se diz
“espírita-kardecista”, logo vem a pergunta: existe o “espírita-não kardecista”?
Ora, meus irmãos, dizer por aí: sou “espírita-kardecista” é o mesmo que dizer
“estou subindo para cima” ou “entrando para dentro”. É um pleonasmo
desnecessário. O Espiritismo não possui ramificações. Portanto, não existe
“alto” ou “baixo” Espiritismo, Espiritismo “elevado”, Espiritismo de mesa; muito
menos, o termo “kardecismo”. Sabemos que muitos espíritas falam desta forma para
não serem confundidos com outras Doutrinas. Porém, esquecem-se que para o leigo
se existe um “Espiritismo-kardecista”, deve também existir um “Espiritismo-não
kardecista”, talvez um “Espiritismo-umbandista” ou um
“Espiritismo-candomblecista”, quando sabemos que o Espiritismo é um só: o
codificado por Allan Kardec.

Dessa forma, meus amigos espíritas, quando indagados por alguém sobre sua
religião ou filosofia, digam por favor: sou espírita! E se esta pessoa esboçar
qualquer dúvida, você está com a chance de esclarecê-la e estará colaborando
para a divulgação do único Espiritismo: o dos Espíritos Superiores que foi
codificado por Allan Kardec.

Autor: Anderson Luiz da Silva
Membro da União Espírita Beneficente Jesus, Maria e José.

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