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Resignação e Conformismo

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Amilcar Del Chiaro

    Os espíritas são conformistas? A pergunta tem a sua razão de ser, porque muitos confundem, “resignação, pelo consenso do coração”, com o conformismo religioso. A ideia da reencarnação, que nos dá o entendimento da lei de causa e efeito, não é nova, não foi criada pelo espiritismo. Ela existe há milênios no oriente. O que o Espiritismo fez, foi lhe dar uma nova roupagem, despindo-a dos aparatos e fantasias do pensamento oriental.Na questão da resignação, temos de compreender que não se trata de uma sujeição mística a um destino incontrolável e inevitável. Não se trata, também, de medo de uma autoridade superior, que seria Deus, pois, aprendemos com o Espiritismo que devemos amar, e não temer a Deus. Trata-se da aceitação da realidade cósmica de semeadura e colheita. Contudo, enganam-se os que pensam que os espíritas atribuem tudo ao Carma oriental. A vida é um processo de crescimento. Ao aceitar as conseqüências dos seus atos, o espírita age assim para vencer os determinismos da vida. Nenhum destino está fixado irrevogavelmente, a não ser a predestinação à perfeição. Herculano Pires, numa crônica intitulada: A Resignação Espírita, escreveu: “Acaso não é assim que fazemos todos, espíritas e não espíritas, em nossa vida diária? O leitor inconformado não é também obrigado, diariamente, a aceitar uma porção de coisas a que gostaria de furtar-se? Mas a diferença entre resignação ou aceitação, de um lado, e conformismo, de outro, é que a primeira atitude é ativa e consciente, enquanto a segunda é passiva e inconsciente. O Espiritismo nos ensina a aceitar a realidade para vencê-la”. Não tem razão aqueles que pensam que a Doutrina Espírita despersonaliza o homem. Temos razões ponderáveis para aceitar a dor sem revolta. Não consideramos um fatalismo cármico, a doença ou a morte de um ente querido. Muitos dizem que não choramos os nossos mortos. Enganam-se; choramos sim a saudade, mas sem desesperos ou angústias insuperáveis. Tentamos sim, perdoar o amigo que nos trai, e o inimigo que nos esbofeteia. Porém, tudo isso está no Evangelho de Jesus de Nazaré. Não se trata, porém, de despersonalização, e sim, de sublimação. Esforçamo-nos para despir-nos do homem velho, e vestirmos as vestes de luz do homem novo, espiritualizado. Repetimos: o Espiritismo não é uma doutrina conformista, mas sim, de luta. Luta contínua para a auto-superação. O Espiritismo não vende a felicidade, porque sabe que ela deverá ser construída por cada um. Não vendemos uma hallo-salvação, porque ensinamos a superação das inferioridades, e a iluminação. Amamos o Evangelho, porque aprendemos com Allan Kardec, que o Cristianismo, tal qual saiu da boca do Cristo, é imbatível. É este cristianismo que procuramos. É ele que nos dá a capacidade da resignação, como consenso do coração, quando não podemos evitar o sofrimento.

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