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São Paulo 450 Anos – O Espiritismo na Imprensa Paulistana

São Paulo 450 Anos – O Espiritismo na Imprensa Paulistana

Dentre as curiosidades encontradas no Arquivo do Estado está um artigo sobre
Camille Flammarion, publicado na “Folha da Manhã” de 19 de agosto de 1925, que
transcrevemos abaixo:

FENÔMENOS MISTERIOSOS

CASAS ASSOMBRADAS

Como Camillo Flammarion encarava os Fanstasmas
que vivem a meter medo nas pessoas

 

Camillo Flammarion, o famoso astrônomo francês cuja morte a pouco se
registrou, tratou no seu livro “Casas Encantadas”, de interessantes fenômenos
aparentemente fantásticos, mas que estão fora de toda dúvida.

As “Casas Encantadas”, para Flammarion, não são um mito e sim uma realidade.

O leitor vai ler uma das manifestações mais notáveis que ele descreve no seu
livro em que se evidencia o desejo de uma esposa querida de mostrar-se ao seu
marido e aos seus amigos aqui da Terra.

Acompanhe o leitor conosco a leitura de Flammarion:

“O caso ocorreu na noite de 26 para 27 de abril de 1918, na casa nº13 da rua
La Palle, em Cheburgo. A casa é de propriedade do Dr. Bonnefoy que era então
médico chefe do hospital da Marinha. Eu estive lá em setembro de 1914, com minha
esposa, minha secretária, senhorinha Renaudot, e nossa fiel cozinheira, a
convite da senhora Bonnefoy.

A senhora Bonnefoy tinha para comigo uma verdadeira idolatria: chegou a
colocar em sua casa uma placa comemorativa da minha estada.

Ao regressar ali em 1918, em nova temporada, a senhorinha Renaudot e a
cozinheira viram coisas tão extraordinárias que lhes pedi que me descrevessem.

Devo fazer notar que minha secretária é uma mulher de grande instrução e
cultura, que não é nada impressionável. A cozinheira que não possue o mesmo
nivel intelectual, também sentiu os mesmo fenômenos.

Eis aqui a narração:

“Quando cheguei pela segunda vez a casa que havia sido a residência da
senhora Bennefoy, foi-me designado o quarto onde ela tinha morrido e onde o Dr.
Colecionava todas as recordações da sua primeira esposa. Na primeira noite não
pude dormir. Passei a pensar em minha amiga defunta e a contemplar o seu retrato
que pendia diante da cama numa parede.

A segunda noite, ou seja a 26 de abril, pensei em dormir bem, não me
preocupando com as recordações.

Mas apenas havia dormido uma hora quando uma batida na porta me despertou.
Fui abri-la e não encontrei ninguém. Depois as batidas continuaram na janela,
nas paredes, bem distintas, inconfundíveis com os barulhos de ratos, gatos e
quaisquer outros noturnos.

Acendi a luz e continuaram os ruídos, que agora assemelhavam passos dentro do
quarto. Logo depois, ouvi o ruído de uma pessoa que tira seus sapatos e o
movimento da cama provocado por uma pessoa que nela se encosta. Levantei-me não
mais podendo dormir.

No dia seguinte levei a cozinheira para o meu quarto. E as duas da madrugada
repetiram-se os barulhos, com maior intensidade, precisamente atras do retrato
da senhora Bonnefoy. Parecia que alguém se agitava dentro dele. Logo se ouviu o
ruído de uma pessoa que salta do alto.

Parece pois que a senhora Bonnefoy usou do seu retrato como porta de entrada
a residência do seu esposo, aonde se manifestava a amigos queridos.”

Eis aqui outro caso contado por Elen Webler, intima de Flammarion:

“No verão de 1874, mudamo-nos para a residência onde até hoje vivemos, 106,
High Street, Oxford. Escolhemos um quarto do andar térreo para o dormitório. Na
primeira noite não pudemos dormir: uma sensação de terror, de algo invisível que
caia do teto, se apoderou de mim de tal sorte que as duas da madrugada tive que
levantar-me e não mais deitei.

A mesma sensação repetiu-se nas noites posteriores, fiquei doente com a falta
de dormir. Transladada para Cambridge, prontamente recuperei a saúde enquanto me
chegava a notícia de que logo após minha saída, o teto do quarto desmoronou
esmagando-me a cama. E então fiquei certa de que tudo foi um aviso para minha
salvação.”

O referido livro de Flammarion esta cheio de narrações como essas. Como homem
da ciência e investigador psíquico, o grande francês tinha a convicção de que os
fantasmas não são mais do que materializações de eflúvios individuais que se
impregnam nos lugares e as coisas que vivem em contato conosco.

Como a voz registrada num gramofone perdura e sobrevive à morte do seu autor,
tais pensamentos também ficam em tudo que nos rodeia e quando uma pessoa sutil e
sensitiva os interpreta surge o fenômeno. A doutrina de Paracello e Jacob Bohne
já nos diz que “aonde quer que passemos algo de nosso deixamos”.

E Flammarion indica, como Bozzano, que a analogia é completa e que nenhuma
consideração cientifica pode opor-se a teoria de que a matéria inerte possua
propriedades idênticas às da substancias vivas.

DOCUMENTO: Folha da Manhã – 19 de agosto de 1925.

CÓDIGO: 04/244 – Folha da Manhã – 1925

ARQUIVO DO ESTADO DE SÃO PAULO

(Publicado no Boletim GEAE Número 473 de 6 de abril de 2004)

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