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Se Jesus Fosse Espírita

Se Jesus Fosse Espírita

Recebemos, via e-mail, um texto intitulado “Se Jesus fosse espírita!”, com
doze proposições para um questionamento sugerido pelo seu autor.

Iremos fazer algumas considerações sobre elas, para que fique claro que,
quase todos os que buscam combater o Espiritismo, nada sabem sobre ele, e mais,
não conseguem ter uma visão abrangente dos ensinamentos de Jesus, aceitando tudo
que consta da Bíblia, como sendo a mais pura verdade, sob o argumento de ser ela
totalmente de “inspiração divina”.

Nunca os vemos analisar a Bíblia sem uma forte dose de fanatismo, que, somado
a um sectarismo religioso, procuram buscar passagens isoladas para justificar os
seus pensamentos, esquecendo-se de que, se a Bíblia for totalmente de inspiração
divina, nela não poderá haver erro algum, sob pena de colocarmos Deus como
falível ou incoerente.

Como os fariseus de outrora, querem sempre se apresentar como seguidores de
Jesus. Entretanto, desafiamos a quem quer que seja a nos mostrar uma prova
bíblica sequer, em que Ele tenha combatido qualquer pensamento religioso de sua
época. Muito ao contrário, sempre demonstrou um respeito muito grande para com
todos. Veja que, mesmo diante de uma adúltera, não pronunciou nenhum julgamento,
indo até mesmo contra os preceitos religiosos vigentes, já que a legislação
mosaica ordenava que se apedrejasse aquela mulher até a morte.

E hoje, estamos às voltas com os fariseus modernos que, como os de outrora,
querem que se cumpra a Lei Mosaica, alegando “estar escrito”.

Vamos, agora, analisar os questionamentos:

1 – Em João 9, quando perguntado acerca de por que o homem nascera cego, ele
teria respondido “ele está pagando pecados de vidas passadas”.

Se as deformidades e doenças de nascença não forem por causa dos “pecados” de
vidas passadas, por qual motivo, dentro de um senso de justiça, as pessoas
nascem deformadas ou doentes? Qual a explicação lógica e racional para isso? Se
“a cada um segundo as suas obras” é a base da justiça divina, onde
estavam as obras destes deserdados, já que nasceram assim? Pecado original não
serve como resposta, pois a única coisa que ele poderia é ser, apenas, “muito
original”. A responsabilidade dos atos é de quem os pratica, ou seja, ela é
totalmente individual.

Narra João (5,1-18) um interessante episódio acontecido com Jesus. Diz ele
que junto à porta das ovelhas, chamado em Hebraico Betesda, existia uma multidão
de enfermos, cegos, coxos, paralíticos. Entre eles havia um homem que estava
enfermo há trinta e oito anos e que foi curado pela ação de Jesus.
Posteriormente, Jesus o encontra no templo e lhe disse: “Olha que já estás
curado, não peques mais, para que não te suceda cousa pior”
.

A afirmativa de Jesus não deixa nenhuma sombra de dúvida que a causa da
doença daquele homem foi conseqüência de seus “pecados”. Mesmo que, pelo texto,
não dê para saber se este homem era enfermo de nascença ou não, isso pouco
importa, já que é irrelevante, pois, em qualquer circunstância, todos nós
estamos sujeitos à lei de causa e efeito, ou vulgarmente chamada de carma.

Mas, voltando ao caso do cego de nascença, analisemos a pergunta feita a
Jesus: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?”
Ora, por lógica só podemos admitir uma pergunta desta para quem acredita que os
erros do passado podem influir no presente, e, no caso em questão, como ele
nasceu cego, os seus erros foram cometidos antes do seu nascimento, ou seja,
numa vida anterior. Se essa idéia estivesse errada Jesus teria dito
primeiramente que: Não existe nenhum pecado antes do nascimento, isso é
fantasia, pois nós temos uma só vida.

Bom, agora vejamos a resposta de Jesus à pergunta: “Nem ele pecou, nem
seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus”.
O que quer
dizer, no caso deste cego, que a deficiência não foi por causa de pecado
anterior, mas para que Ele, Jesus, o curasse, ou seja, manifestassem nele as
obras de Deus. Quem quiser compreender a missão desse cego, terá que ler os
acontecimentos subseqüentes à cura, narrados nos versículos 13 a 41, onde vemos
os fariseus (sempre eles, não importa a época) confrontar com aquele ex-cego
sobre quem lhe tinha feito a cura, principalmente por ela ter sido feita num
sábado.

2 – Ao invés de curar os leprosos, cegos, surdos e coxos, diria que é o “karma”
que eles têm que levar.

A missão de Jesus era trazer a mensagem de Deus aos homens E não tinha como
objetivo a cura de ninguém, nem de leprosos, cegos, surdos e coxos, até mesmo
porque não curou a todos, mas houve a necessidade de produzir alguns fenômenos,
cujo objetivo era despertar no povo o interesse para a mensagem que trazia.
Vejam que, mesmo apesar de fazer alguns prodígios, muitos ainda não acreditaram
nele. E já pensaram se não fizesse nada?

3 – Ao invés de dizer “vinde a mim os cansados e oprimidos e eu vos
aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo que é suave…”, ele teria dito “agüentai
com paciência o vosso karma”.

Quem realmente segue a Jesus, se conforma diante de seu exemplo, pois,
apesar, de sofrer sem merecer, Ele se resignou diante da vontade do Pai,
cumprindo tudo o que se havia predito sobre Ele.

Entretanto, Jesus não disse tudo claramente, até mesmo se justificou: “Por
isso lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem
entendem”
(Mt 13, 13). É o que realmente acontece com todos os fanáticos
religiosos, que ouvem mas não entendem nada.

Por outro lado, citamos o que Jesus disse em outra oportunidade:
“Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora;”
(Jo
16, 12). Significando que Ele não disse tudo que deveria dizer, pois não tinham
evolução espiritual para entender.

4 – A história do rico e Lázaro teria sido diferente. Abraão (talvez nem
fosse Abraão, uma vez que este estaria provavelmente reencarnado) teria dito ao
rico para esperar um pouquinho que ele teria outra chance.

Não adianta ficar pegando tudo ao pé da letra, lembrem-se de que Paulo, há
muito tempo atrás, já nos recomendava: …porque a letra mata, mas o espírito
vivifica
(2 Cor 3, 6). Esta passagem citada é uma parábola, não há como
tomá-la no sentido literal, caso contrário, teremos que admitir que Abraão é
Deus, pois Lázaro foi, depois de morto, para o seio dele. Também, teremos que
aceitar que todos os ricos irão para o “inferno” e todos os pobres, ou pelo
menos os cobertos de chagas e lambidos pelos cães, irão para o “céu”.
Entretanto, podemos concluir, com certeza, que todos nós seremos punidos ou
recompensados pelas ações que praticarmos (a cada um segundo as suas obras).

Quanto ao termo “inferno” este, se refere a um lugar no interior da Terra,
para onde supunham que iriam os mortos. Essa idéia estava associada à sepultura.
E pensavam que, quem iria para lá, não sairia jamais. Como não analisam o
significado da palavra à época das ocorrências bíblicas, interpretam erradamente
várias passagens. A idéia de um inferno eterno, por exemplo, não é mais aceita
hoje, a não ser como sendo um período longo, mas que tem fim.

Todavia, certos líderes religiosos ainda a mantêm, com o objetivo de
aprisionarem as pessoas mais simples, pois é mais conveniente a eles que elas
fiquem amedrontadas, e sejam, assim, mais facilmente manobradas por eles, em
defesa de seus interesses – entre eles os polpudos dízimos -, à moda do que
fazia a Igreja no passado, embora esta tenha tido uma certa razão, pois a
mentalidade das pessoas no passado era mais atrasada, o que a levava a agir
erradamente de boa fé. Em outras palavras, conhecia-se menos de Bíblia no
passado do que se conhece hoje.

Vejam a passagem: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a
eternidade, e todo o povo diga: Amém”
(Sl 106, 48). A eternidade, se não
fosse temporária, não poderia haver mais de uma só. E, no entanto, como estamos
vendo, o texto fala em mais de uma.

5 – Teria dito a Nicodemos “isto mesmo, você terá que voltar ao ventre
materno, mas em outra vida pela reencarnação”.

A resposta de Nicodemos a Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho?
Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”,
é o
perfeito entendimento de Nicodemos sobre a afirmação de Jesus da necessidade de
nascer de novo, ou seja, entendeu muito bem que seria nascer fisicamente de
novo. Entretanto, só não sabia como isso ocorreria. Se não fosse o nascer de
novo (ou seja, reencarnar) ele teria dito: não é disso que estou falando, mas ao
contrário, reafirma o fato acrescentando: “Não te admires de eu te dizer:
importa-vos nascer de novo”
. Para completar o raciocínio sobre a questão da
reencarnação, juntaremos a resposta dada por Jesus aos seus discípulos sobre a
pessoa de João Batista: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que
estava para vir. Quem tem ouvidos (para ouvir) ouça”
(Mt 11, 13-14). Como se
vê, Jesus afirma categoricamente que João Batista é mesmo o espírito Elias nele
reencarnado.

6 – A transfiguração teria sido com Moisés e João Batista (reencarnação de
Elias), e não com Moisés e o próprio Elias.

Para que se possa compreender a manifestação do Espírito Elias, é necessário
que se tenha estudado o Espiritismo com profundidade, não como acontece com a
maioria dos que querem nos combater, pois só lêem, nunca estudam. Assim, sabemos
que possuímos um outro corpo de matéria quintessenciada chamado perispírito,
identificado pelo apóstolo Paulo como o corpo espiritual. É através dele que um
espírito se manifesta. Entretanto, o que não sabem nossos opositores é que ele é
maleável, podendo tomar a forma que o espírito queira, desde que, para isso,
tenha conhecimento ou evolução para o fazer. Em vista disso, podemos manifestar
com qualquer um dos corpos que tivemos em outras vidas.

O que muitos ainda não entendem é que o nosso corpo, após a morte, é
espiritual e não material, embora possa ter a forma deste.

E, por que a maioria dos espíritos se manifesta geralmente no último corpo,
perguntamos? É justamente por não ter conhecimento de como funcionam as leis do
plano espiritual, e como sua mente está impregnada da imagem de seu último
corpo, inexoravelmente o perispírito tomará a forma dele. Mas esse não foi o
caso do espírito João Batista, que era já de alto nível, e pôde, pois, assim,
assumir, com seu perispírito, a aparência do seu corpo anterior, ou seja, o de
Elias. E assim aconteceu, porque o episódio envolveu um encontro entre
personalidades do Velho Testamento, representando a Lei Antiga, com as do Novo
Testamento, representando a Nova Lei: Jesus, Tiago, Pedro e João. E merece
destaque o fato de Jesus ter-se comunicado com espíritos de mortos, quebrando a
Lei de Moisés. E o mais importante da Transfiguração é justamente essa
comunicação, e não tanto o brilho das veste de Jesus, com o que tentam encobrir
tal comunicação, que é espírita.

7 – Ele não teria sido batizado, uma vez que não existe batismo no
espiritismo.

Perguntamos: Considerando que Jesus foi circuncidado no oitavo dia após
nascer, por que os meninos de hoje não o são? Se o batismo é algo importante,
por que Jesus não batizou ninguém? Será que o autor está falando em batismo da
água ou do fogo, do Espírito? Não vemos em quase todas as correntes religiosas
praticarem o batismo da água. Entretanto, João Batista fala que: “Eu vos
batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais
poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com
o Espírito Santo e com fogo”.
O batismo de fogo (dor e sofrimento)
representa a purificação do nosso espírito pela Lei de causa e efeito
intimamente ligada à Lei da reencarnação.

8 – Ele não teria contado a história das ovelhas e dos bodes em Mateus 25,
uma vez que não existe juízo eterno nem fim dos tempos na doutrina espírita.

Ora, nessa passagem existe o prêmio para os que praticaram a caridade,
representada pela assistência prestada aos necessitados, o castigo para os que
não a fizeram. Assim, concluímos que a “salvação” não está em dizer que crê que
Jesus é o Senhor e Salvador, ou que só pelo fato de uma pessoa pertencer a
determinada corrente religiosa, está na prática do amor ao semelhante. Quando
nós conseguirmos praticar o amor profundo ao nosso próximo, espontaneamente, aí
sim, já estaremos evoluídos, podendo passar pela “Porta Estreita”, onde não é
fácil passar, e recebemos o prêmio merecido. E será que esses tais difamadores
nossos já passaram por essa “Porta Estreita”, dando pouca importância para a
prática da vontade do Pai, em que tanto insistiu Jesus?

Não dizemos que não haverá juízo. Existe sim, pelo menos em dois momentos. O
primeiro ocorre toda vez que, pela morte, retornamos ao mundo espiritual, quando
o nosso Juiz é a nossa própria consciência. O segundo, de tempos em tempos,
quando o planeta Terra estiver para ascender à uma categoria superior. Nessa
ocasião, os espíritos encarnados e desencarnados, no dizer do Evangelho, vivos e
mortos, que não se tiverem sintonia vibratória com essa nova categoria, serão
lançados “nas trevas exteriores”, ou seja, em mundos primitivos, “onde
haverá choro e ranger de dentes”.

Quanto a questão do castigo eterno já falamos. Entretanto, podemos
acrescentar: é vontade de Deus que todos sejam salvos ou não? (Mt 18, 14).

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos,
quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas cousas aos que lhe pedirem?”

(Mt 7, 11). Gostaríamos de que você, meu caro leitor, pensasse um pouco e
respondesse: Você daria um lugar de sofrimento eterno irremediável, para seu
filho? Não? Imagine, então, se Deus o daria? E será que os amigos do mal, da
maldade, terão uma vontade superior à do Pai, que quer que todos sejam salvos?

9 – Ele não teria dito que é Deus tantas vezes e teria repreendido Tomé,
quando este disse “meus Senhor e meu Deus”, dizendo “não Tomé, não me chame de
Deus, eu sou apenas um espírito de luz”.

Um absurdo deste só pode ter sido dito por quem não tem o menor conhecimento
do que Jesus disse, pois em nenhuma ocasião Ele disse que era Deus, mas apenas,
Filho de deus, o que nós também somos. Jesus não disse na oração que nos ensinou
Pai – Meu, mas, Pai-Nosso. E sempre se colocou em situação de inferioridade,
afirmando que veio cumprir a vontade daquele que o enviou. Por outro lado,
queria ver onde está na Bíblia a profecia que diz que Deus viria à Terra? Todas
as profecias atribuídas a Jesus, dizem que Ele seria um Messias, ou seja,
mensageiro, portanto sendo um mensageiro de Deus, não poderia ser o próprio
Deus. Ademais, a palavra Senhor é polêmica na Bíblia, sendo juntamente isso uma
das causas das confusões sobre Jesus e Deus.

Entretanto, existe uma passagem interpretada incorretamente onde Ele afirma:
“Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30), significando que comungava a mesmas
idéias de Deus, até mesmo porque não cansou de afirmar que estava cumprindo a
vontade de Deus. Outra passagem deverá ser levada em conta, para um melhor
entendimento desta, vejamos: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens
dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que
sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e
os amaste como também amaste a mim”
(Jo 17, 22-23). Poderemos dizer então
que, se pela passagem anterior afirmamos que Jesus é Deus, por essa poderemos
aceitar que também nós o somos, pois que, igualmente, devemos ser um só com
Jesus e o Pai.

Quanto à passagem onde Tomé diz: Senhor meu e Deus meu! Duas explicações
possíveis de se fazerem, ainda. Uma, que como não tinham até então nenhuma prova
contundente de que alguém voltara do “mundo dos mortos”, ao ver Jesus ali, isso
lhe causou uma forte impressão, e, na sua opinião, pensou que esse fato só
poderia ocorrer com um Deus. Outra, a mais provável é que é apenas uma
exclamação, como acontece normalmente, quando estamos diante de um fato
extraordinário e dizemos: Meu Deus!

10 – Ele teria dito ao malfeitor na cruz em Lucas 23.42-43 “posso até me
lembrar de você no meu Reino, mas você vai ter que reencarnar para pagar seus
pecados”.

Faremos aqui três colocações.

A primeira é que se tomam tudo que consta da Bíblia como verdadeiro, como
explicar as narrativas a respeito do “bom ladrão”: Mateus (27, 44) diz: “E os
mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com
ele
”, fato confirmado por Marcos (15, 22): “Também os que foram com ele
crucificados o insultavam
”, mas estranhamente, João, que estava ao pé da
cruz, portanto uma testemunha ocular, nada disse sobre isso, apenas cita que
dois outros foram crucificados junto com Jesus. Lucas, diferente de Mateus e
Marcos, diz sobre o diálogo de Jesus com o ladrão.

A segunda é que se nós lermos atentamente essa passagem, veremos que o tal de
“bom ladrão” nem sequer se arrependeu dos crimes que praticou, somente
reconheceu que ele e o outro, por justiça, mereciam a condenação, e que Jesus
não merecia ser condenado. E, então perguntamos qual a justificativa para o
“prêmio”? Por outro lado, onde fica o “a cada um segundo suas obras”?
Jesus foi alguma vez contraditório com algo que disse anteriormente? Ademais,
Ele disse que ninguém deixará de pagar até o último centavo, e o tal de bom
ladrão não deveria pagar o que fez? E será que existe mesmo bom ladrão, bom
pecador?

A terceira, é que poderia bem ser uma questão de pontuação. Vejamos a
resposta de Jesus da seguinte forma: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no
paraíso”, de sentido muito bem diferente da que consta normalmente nas Bíblias:
“Em verdade te digo, (que) hoje estarás comigo no paraíso”. E sobre isso,
também, perguntamos se Jesus foi para o paraíso naquele mesmo dia?

11 – Ele não freqüentaria as sinagogas dos judeus, mas os muitos médiuns dos
povos pagãos ao redor de Israel.

Jesus era judeu, por isso é que freqüentava as sinagogas. O autor estará
aceitando a mediunidade como uma realidade, já que diz que os povos pagãos
tinham médiuns? Mas, dizemos mais ainda que em todos os povos e em todas as
religiões os encontramos. Só tiveram nomes diferentes, foram chamados de
profetas ou reveladores. Vejam a narrativa em 1 Sm 9, 9, quando Saul, ao
procurar a jumentas que seu pai, Quis (algumas traduções dizem Cis), tinha
perdido, aceita a sugestão de um servo para buscar “um homem de Deus”,
justificando que tudo o que ele prediz acontece: (Antigamente em Israel, indo
alguém consultar a Deus, dizia: Vinde, vamos ter com o vidente; porque ao
profeta de hoje, antigamente se chamava vidente.)
E só acrescentarmos que,
hoje, chamamos os videntes e os profetas de médiuns, palavra criada por Kardec,
justamente, para designar essas pessoas.

Moisés não aprovava a o uso da mediunidade indiscriminadamente, mas apenas
para os que a utilizavam para coisas elevadas, pois em relação a Eldade e Medade,
ele afirma: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta”, isso
após um dedo-duro, sempre aparece um, dizer que os dois estavam profetizando
fora do acampamento.

12 – Os ensinamentos dele estariam repletos de exortações a fazermos
contatos mediúnicos.

Anteriormente foi citada a passagem da transfiguração, onde se questionava a
respeito da reencarnação. Mas uma coisa muito importante, como dissemos, evitam
falar, ou seja, o contato de Jesus e seus três discípulos médiuns especiais
entre os Apóstolo, Tiago, Pedro e João com dois espíritos: Moisés e Elias.
Passam a passos largos dela. De fato este episódio é um dos que mais provam os
contatos mediúnicos, pois Jesus em pessoa entra em comunicação com os espíritos
Moisés e Elias, junto ao monte Tabor. Como Jesus disse: “Em verdade, em
verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e
outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”
(Jo 14, 12). E, assim,
estamos com Jesus, não fazendo nada mais do que Ele, também, fez. E lembrem-se
de que ele pediu aos três discípulos que guardassem silêncio provisório sobre
aquela transgressão da Lei de Moisés!

Algumas vezes, argumentam, nesta passagem, que Elias não teria morrido, que
ele foi arrebatado ao céu, mesmo apesar das citações: “a carne e o sangue não
podem herdar o reino de Deus”
(1 Cor 15, 50) e “ninguém subiu ao céu,
senão quem de lá desceu, a saber, o Filho do homem”
(Jo 3, 13)., e “todos
voltarão ao pó”
do Livro de Gênesis. Mas ao concentrarem suas vistas em
Elias, se esquecem que com ele apareceu também Moisés, com quem, ao que nos
consta, não aconteceu nada disso, morreu e foi enterrado, normalmente. Assim,
quem aparece é o espírito que animou a personalidade conhecida como Moisés.
Ademais, a Bíblia não diz em nenhuma parte que Elias não morreu. Mas, podemos
concluir que morreu, sim, depois daquele episódio, tomando por base aquelas
outras afirmações bíblicas acima citadas.

Concluindo, achamos interessante como algumas pessoas pensam que os Espíritas
são um bando de idiotas que não sabem interpretar a Bíblia. Estima-se que a
maior concentração de pessoas que possuem curso superior está no meio Espírita,
não que o Espiritismo tenha preferência, se podemos nos expressar assim, por
elas, mas porque, normalmente, é nelas que se encontram os indivíduos que pensam
pelas próprias cabeças, e de modo racional estuda a Bíblia, e não aceitando
imposição de idéias bestas de pessoas que se julgam infalíveis (que pretensão!)
e donas da verdade. Os Espíritas são, pois, os que buscam a verdade, pouco se
importando de qual lado ela se encontra. E, por isso mesmo, lêem tudo, já que
não temem nada, principalmente se tiverem, pela Ciência, lógica e bom senso, que
mudar de opinião a respeito de qualquer coisa que seja, pois não estão sujeitos
a dogmas, mas à verdade.

Mas respondendo ao questionamento inicial, podemos afirmar, ainda, que:

Se ser espírita é acreditar na lei de causa e efeito (carma), como Jesus,
também, acreditou nela, podemos afirmar que Ele era um Espírita.

Se ser espírita é acreditar na reencarnação, podemos afirmar que Jesus era um
Espírita, pois nunca a condenou, mas afirmou de modo contundente, além de
proferir muitas idéias que a sugestionam.

Se ser espírita é acreditar na comunicação com os mortos, sem sombra de
dúvidas, podemos aceitar que Jesus era um Espírita, já que Se comunicou com
eles.

Se ser espírita é acreditar na mediunidade, podemos afirmar que Jesus, ao
participar dum episódio mediúnico, provou ser um Espírita.

Se ser espírita é acreditar no progresso do Espírito, podemos afirmar que
Jesus era um espírita, pois foi ele que recomendou “Sede perfeitos como é
perfeito o Pai Celestial”.

Assim, meu caro leitor, tire as suas próprias conclusões sobre essa questão,
pois a nossa você acabou de ler.

Fev/2002

Bibliografia

  • Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible/Texto bíblico: Versão
    Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e
    notas por Charles Caldwell Ryrie; Tradução de Carlos Oswaldo Cardoso Pinto,
    São Paulo: Mundo Cristão -, 1994.
  • A Face Oculta das Religiões, José Reis Chaves, Ed. Martin Claret,
    SP, 2001.
  • A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, José Reis Chaves, Ed.
    Martin Claret, SP, 2001.

 

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