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Tempos de Doutrina

Vivemos tempos de comemoração, de festa, de alegria, já se vão 200 anos do nascimento
do Codificador, então nada mais justo que este jubilo que a todos nos toma. Entretanto,
junto às comemorações, é tempo de reflexão, de exame firme de nossos posicionamentos.

Da proposta apresentada pelos luminares vem inserida em seu bojo a reeducação
íntima que todos devemos proceder através da análise constante de nossos atos, sejam
os externados ou não. Tempo para esta análise parece ser um dos problemas apontados
por aqueles que gravitam na esfera desta Doutrina abençoada, outro seriam as contradições
que sobre todos nós sopram seus ventos.

Então, dentro destes parâmetros, é hora de lançar olhar criterioso sobre estes
temas.  Quando ouvimos de confrades a “justificativa” da falta de tempo, logo
imaginamos tal antagonismo com a realidade que nos cerca.  Sem querer fazer
justiça de valores, em nosso tempo a mídia com variados aspectos, invade nossas
vidas com tamanha facilidade, gerando tal conformismo de nossa parte que chega a
estarrecer.

Partindo deste conformismo inicial, cria nossa mente uma justificativa aceitável,
e, inicialmente lógica.  Encontramos então os confrades que, a título de falta
de tempo para a dedicação da leitura ou exemplificação exposta pela Doutrina, se
dedicam ‘a exaustão da proposta materialista atual.  São novelas que se multiplicam
e se repetem, são a busca do “conhecimento” extra na Internet, são os programas
sociais exigidos por outros, são as “cobranças” dos companheiros de trabalho, são
as fugas alienadamente justificadas pelo stress da vida e acrescidas de um sem fim
de atividades extras.

Quando optamos por este comportamento diário, nossos compromissos com a causa
acabam por afrouxar, ficamos afastados dos compromissos da Casa onde deveríamos
estudar e laborar, para mais fortemente atuarmos decididos em nossas vidas em comum,
desviamos então nossa atenção do principal e focamos apenas a superficialidade.
Achamos então que a cobrança no meio espírita é muito forte, que não temos a atenção
desejada, que os confrades estão “radicais” e vamos então fazendo a “social” na
casa espírita, e nos encontros regionais, sem valorizarmos a transformação planejada
através do trabalho ainda no plano espiritual.

Encontramos assim no Cap.XX do Evangelho Segundo o Espiritismo, mensagem assinada
por Erasto quando fala da missão dos espíritas, “…A hora é chegada em que deveis
sacrificar ‘a sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações
fúteis. Ide e pregai…”, o tempo que tanto justificamos está sob nossa administração,
e seu uso deve apontar para caminhos onde esteja a seleção de nossos ideais maiores
e duradouros, já que asseverou Jesus que o reino oferecido não era deste Mundo.

Tema que também deve ser pensado é quanto as contradições dos trabalhadores da
Doutrina, a começar pela falta de fé.  Tendo como ponto basilar que a fé deva
ser raciocinada, todos propalamos esta verdade, mas quando trata de vivência, tudo
fica mais difícil.  Temos fé na sobrevivência do Espírito e temos medo de morrer,
muitos de “ver” os Espíritos, temos fé na evolução e conseqüente pacificação de
nosso planeta mas ficamos incertos diante do quadro atual, temos fé no auxílio dos
bons espíritos e praticamente não oramos.

Tais contradições e outras tantas encontram suas justificativas em vivências
passadas, que no formatar dos conhecimentos do Espírito imortal necessita vencer
passo a passo já que a natureza não dá saltos.  Mas isso não deve ser motivo
para acomodamento de nossa parte, já que a razão de tal estado está em nós, quando
deixamos passar as inúmeras chamadas de trabalho no campo do bem. Não basta apenas
conhecer a Doutrina para se estabelecer bem, é necessário “que se colocasse mais
interesse, mais fé nas leituras evangélicas; abandona-se esse livro, faz-se dele
uma palavra oca, carta fechada; deixa-se esse código admirável no esquecimento;
vossos males não provêm senão doe vosso abandono voluntário desse resumo das lei
divinas. Lede, pois, essas páginas ardentes do devotamento de Jesus, e meditai-as”,
mensagem inserida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII.

Diante dos desafios a enfrentar, esses apontados acima, devem ser trabalhados
por nós e em nós, para agilidade do processo em elaboração.  A Nova Era, inserida
no Cap.I do Evangelho Segundo o Espiritismo, é indicativo de esperança de nossos
esforços,  já desenhando um mundo renovado em sua Moral, desde que os componentes
deste mundo novo também a contenham.