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Implantação do trabalho de curas nas sociedades espíritas

Allan Kardec foi muito claro quando
da abordagem sobre a mediunidade de curas e sua importância nos trabalhos espíritas.
Escreveu vários ensaios sobre o assunto e enfatizou este tipo de mediunidade como
um dos importantes fatores na divulgação do Espiritismo, pois, como ele mesmo disse,
qualquer pessoa gostaria de ter seus males curados e buscaria os recursos necessários
para isso. Se a Doutrina Espírita pode oferecer meios de auxiliar nesse campo, não
há porque não fazê-lo.

Por tudo o que foi exposto no documento “Mediunidade Curadora”, entendemos que seria
de muito bom proveito se toda casa espírita se estruturasse de forma a atender a
essa grande massa de sofredores que portam problemas espirituais e orgânicos de
toda ordem. Sendo o Centro Espírita um pronto socorro da Espiritualidade, certamente
que os Espíritos superiores buscam socorrer as pessoas por todos os meios e nada
mais coerente que os centros espíritas se estruturem para colocar-se à disposição
deles, a fim de que a obra divina seja realizada.

Sem querer dar a última palavra sobre o assunto, divulgaremos um pequeno roteiro
como sugestão para implantação dessa atividade nos centros espíritas, com considerações
úteis em alguns pontos para melhor avaliação, incluindo normas necessárias a qualquer
trabalho.

1 – Das Normas

As sociedades espíritas organizadas já têm normas bem delineadas que orientam
seus trabalhos de uma forma geral, não sendo necessário que novas sejam criadas
para este mister. Convém lembrar que devem ser observados os critérios de admissão
comuns a qualquer trabalho da casa espírita, cuidando para que esta atividade não
se envolva em misticismo, fanatismo e nem se transforme numa panacéia que se propõe
a tudo resolver. Em uma casa bem orientada será apenas mais uma fonte de benefícios
para as criaturas necessitadas, não tendo evidentemente nenhuma figura central como
médium curador, ou coisa parecida. Mesmo que existam indivíduos na casa com esse
tipo de mediunidade, eles devem ser encarados como instrumentos para a realização
do trabalho do Bem, nada mais.

2 – Da escolha do dia do atendimento

Qualquer casa que tenha um público acima de cem pessoas por reunião pública pode
estruturar seus trabalhos de cura em dia específico para este fim, o que sem dúvida
dá condições para que os resultados sejam melhores, levando-se em consideração que
os Espíritos manipulam as energias do ambiente para operar as curas. Mas isso não
invalida que o trabalho possa funcionar também no dia das atividades públicas normais.
As casas que não tiverem condições de separar as atividades poderão fazer muito
no mesmo dia do atendimento comum já existente.

3 – Da entrevista

A entrevista será realizada normalmente no serviço de atendimento da casa. Tanto
pode ser nos dias das reuniões públicas, como em dias específicos para esse fim,
dependendo das atividades que a casa achar conveniente exercer. Na entrevista serão
identificados os casos que necessitem de assistência da mediunidade curadora. Geralmente
são pessoas que já trilharam pelos caminhos da medicina terrena e não encontraram
ali um resultado satisfatório. Não se deve dar ao trabalho de cura uma conotação
de “milagre”, mas de mais uma ajuda que Deus dá a seus filhos através dos Espíritos.
Sempre ressaltar a importância do tratamento médico concomitante.

4 – Da reunião pública

Em primeiro lugar, se for possível, é mais adequado estabelecer na casa espírita
um dia específico para o atendimento de enfermidades físicas. Estrutura-se o trabalho
com uma reunião pública convencional, com atendimento de entrevistas, palestras
de explanação do Evangelho e passes após o trabalho de explanação. O hábito de ministrar
o passe durante a palestra tem o inconveniente de tirar atenção dos ouvintes dos
ensinamentos necessários para a resolução ou alívio dos seus sofrimentos.

Na entrevista, se for detectado um problema obsessivo concomitante ao problema orgânico,
o assistido deverá ser encaminhado primeiro ao tratamento desobsessivo e depois,
então, submeter-se-á a fluidoterapia curadora. A razão disto é simples: um organismo
impregnado de fluidos deletérios oriundos dos processos obsessivos, oferecerão barreira
importante para a ação do magnetismo curador no campo perispiritual. É mais ou menos
como a assepsia realizada no campo das cirurgias orgânicas.

Pode-se questionar também a razão pela qual necessitaria que se criasse uma
reunião específica para essa atividade. Diremos que se compreendermos bem a
natureza dos fluidos e sua dinâmica e sendo ele o móvel de toda atividade
mediúnica, curativa ou não, pode-se entender facilmente que será muito mais
fácil para o mundo espiritual manipular os fluidos existentes no ambiente em
proveito aos sofredores, em dias destinados especificamente para esse fim,
estando todos os trabalhadores com esse objetivo em mente.

Entretanto, em casas onde for impossível tal procedimento, por razões de tempo disponível
ou espaço físico, pode-se estruturar o trabalho em um dia só de atendimento ao público,
havendo a especificação apenas na cabine de passes.

5 – Da cabine de passe

A cabine deverá ter uma cadeira e uma maca, para os casos em que o paciente necessite
deitar-se. Uma pequena mesa também é útil para realizar as anotações nas fichas,
necessárias a cada caso. Se for possível, adequar um recinto especificamente para
esse fim. O recolhimento é condição essencial para esta atividade.

6 – Dos passistas

Definir 2 ou 3 pessoas que já trabalham na cabine de passes para dedicar-se a
esse trabalho.

As condições exigidas são todas aquelas necessárias ao trabalho de passe comum,
porém antes instruir sobre o mecanismo dos processos de cura para que a ação se
efetive mais prontamente, estando o veículo do fluido (o magnetizador) consciente
do fato que por ele se opera.

Esta equipe funcionará paralelamente ao trabalho de passe normal da casa. Isto quer
dizer que terão duas equipes de passistas neste dia.

7 – Da preparação do ambiente

Antes dos trabalhos a equipe deverá fazer uma prece fervorosa e sincera, evocando
a presença dos médicos espirituais para secundá-los na tarefa. Colocar-se sempre
com muita humildade e conscientes da limitação de cada um.

Lembremo-nos: o auxílio virá na dependência da nossa sinceridade de propósitos.

8 – Dos passes

No início da magnetização, o passista deverá instruir a pessoa para postar-se
em condições de receber o auxílio, fazendo prece sincera de apelo a Jesus.

Só depois então iniciar o passe, que deve ter a duração de qualquer outro na medida
do bom senso. Claro que em alguns casos poderá durar um pouco mais, se o passista
intuitivamente achar necessário. Não nos esqueçamos que estamos em uma atividade
mediúnica, portanto sob ação dos Espíritos que pode nos intuir sobre esta ou aquela
necessidade do paciente.

O passe deverá ser ministrado por duas pessoas. Uma que fará a magnetização principal
e outro no auxílio a este. Uma terceira pessoa permanecerá na cabine para realizar
anotações, quando houver necessidade.

9 – Do paciente

Existindo na casa espírita um trabalho específico para este fim, as pessoas naturalmente
buscarão ser atendidas neste dia. Entretanto podem ser atendidas nos outros dias
e serem devidamente encaminhadas.

A pessoa será atendida pela primeira vez na sala de entrevistas, e o entrevistador,
detectando a necessidade, encaminhará o paciente para o tratamento, tendo o cuidado
de não prometer curas miraculosas. Lembremo-nos: todo o trabalho só se realiza por
vontade do Pai, sem o que nada poderia ser feito.

O tratamento consiste em assistir as reuniões de explanação do Evangelho e submeter-se
à fluidoterapia.

Será atendida pela primeira vez na cabine de passes para enfermidades físicas, e
mais quatro passes na cabine comum, nas semanas subseqüentes.

Deverá ser instruída para a necessidade de mudança de postura através do esforço
íntimo de renovação.

10 – Dos resultados

Após as 4 semanas de fluidoterapia, o paciente retornará à sala de entrevistas
para avaliação dos resultados.

Se houver melhora considerável, colocar em mais 4 semanas nos passes da cabine geral
e, depois de novo retorno, liberar com a orientação de permanecer observando o reaparecimento
ou não dos sintomas.

Se não houve melhora ou se ela foi insignificante, repetir todo o procedimento.

Se após isto não houver remissão dos sintomas, considerar como resultado negativo.

11 – Alternativas

Nas casas onde não for possível estabelecer um dia só para esta atividade, poderá
estruturar o trabalho de passe da seguinte forma:

Depois dos passes comuns e de desobsessão, a equipe fará uma prece evocando os médicos
espirituais, antes de iniciar os trabalhos, solicitando aos irmãos espirituais que
realizem a limpeza fluídica do ambiente, que pode estar impregnada dos fluidos insalubres
decorrentes dos trabalhos desobsessivos ali realizados.

Ministrará os passes normalmente naquelas pessoas que já fizeram a magnetização
inicial e já estão se submetendo aos passes subseqüentes.

Depois de encerrada esta parte, a equipe de 2 ou 3 que foram designados a esta tarefa,
se recolherá à prece novamente e o procedimento será o mesmo já explicado acima.
Neste caso, para dar assistência para os que serão submetidos à fluidoterapia pela
primeira vez.

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