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Vocações

Vocações

É comprovado pela observação que a pessoa que trabalha, segundo sua vocação,
é mais feliz, mais segura, independente do grau de dificuldade existente no trabalho.

Pessoalmente, chego até a ousadia de afirmar que, geralmente, uma das causas
da infelicidade do homem é sentir-se obrigado a trabalhar em algo que não lhe proporciona
prazer interiormente.

Muitas e muitas vezes porém, o homem, embora não goste do que faz, sente prazer
pela recompensa em forma do dinheiro ou da importância social ou do poder que seu
trabalho pode oferecer. Todavia, quando a ilusão dessas satisfações se desfaz, por
fastio ou maturação espiritual, ele percebe ter-se violentado em seus ideais vocacionais,
pelo vazio que sente dentro de si.

Vocação é: “Tendência, propensão ou inclinação para qualquer estado, profissão,
ofício, etc.” Disposição natural do espírito, índole.”

Segundo o espiritismo, essa vocação natural é fruto do desenvolvimento espiritual,
nas diversas experiências vividas, em muitas e muitas reencarnações, pelo Espírito
imortal.

Como o Espírito é destinado a alcançar a perfeição possível, pelo desenvolvimento
de todo o seu potencial, sempre pelo uso do seu livre arbítrio, que o faz interessar-se
por isso ou aquilo, segundo sua estrutura, sua capacidade de raciocínio e sensibilidade,
as vocações apresentadas, em determinada existência, representam o campo de ação
que lhe é mais favorável ao seu grau evolutivo e às suas necessidades atuais.

Violentá-las, sejam quais forem os motivos ou as estimulações, é
tornar mais difícil a caminhada nesta existência. Evidentemente, que a pessoa que
assim faz, também está seguindo o seu livre arbítrio nesse momento, mas será que
está fazendo a escolha certa, a escolha que vai auxiliá-la a sentir-se mais feliz
nesta vida? Pode até ser competente e eficiente, se for inteligente e disciplinada,
mas sentirá prazer e amor no que faz? Entrega-se com alegria nas suas atividades
profissionais? Enfim, sente-se realizada, interiormente?

Quando se faz o que se gosta, esquece-se de outras preocupações também necessárias,
pelo interesse, pela entrega ao que se está realizando. Esta é uma felicidade que
podemos ter e sentir, aqui na Terra.

Existem, é verdade, muitas pessoas que, impedidas por motivos diversos, são levadas
a trabalhar em profissões que não lhe satisfazem. Estariam elas condenadas a ser
infelizes nesta existência? É claro que não. Ninguém nasce para ser infeliz. Todos
temos a chance de gozarmos de uma felicidade relativa na Terra, desde que, consigamos
perceber que felicidade é um estado interior, que depende da maneira como encaramos
as situações e os acontecimentos e, consequentemente, como reagimos a eles.

Aqueles que não conseguem realizar seus sonhos, originados nas suas inclinações
naturais, por circunstâncias alheias à sua vontade, podem, pelo seu livre arbítrio,
sentir-se frustrados, amargurados e, viverem o resto da vida sentindo-se vítimas,
sofrendo todas as conseqüências desse estado ou, podem também, usando a razão, compreender
os motivos impeditivos, e procurar tirar das novas experiências toda a satisfação
possível para satisfazer suas necessidades materiais e espirituais. Muita vezes,
renunciar ou adiar sonhos, pode ser o início de novas experiências gratificantes
e renovadoras!

Sempre que possível, busquemos auxiliar o jovem na percepção de suas vocações,
sem desejos de influenciá-los através dos nossos sonhos frustrados ou dos nossos
ideais, que podem não ser os deles. Mostremos a eles que, geralmente, quem faz o
que gosta, consegue sucesso e realização pessoal. Sentir-se realizado na profissão,
é uma das felicidades possíveis no mundo no qual vivemos.

Sempre que estivermos em dúvida quanto ao caminho a ser seguido, lembremo-nos
de Jesus, que não se deixou influenciar por nada que o desviasse de sua missão,
de sua tarefa sublime e lembremo-nos de quantas pessoas, que tendo inteligência
e sensibilidade para atividades nobres, desviam-se para outras, iludidas pela facilidade
de obter vantagens materiais, de forma mais rápida e, supostamente, mais fácil.

(Jornal Verdade e Luz Nº 190 de Novembro de 2001)

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