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A morte existe ou não?

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder
seja de Deus, e não da nossa parte. Em tudo somos atribulados, mas não
angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados;
abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para
que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos; pois nós, que vivemos,
estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de
Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que em nós opera a morte, mas
em vós a vida. Ora, temos o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: Cri,
por isso falei; também nós cremos, por isso também falamos, sabendo que aquele
que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará a nós com Jesus, e nos
apresentará convosco. Pois tudo é por amor de vós, para que a graça,
multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de
Deus. Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja
consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e
momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno
peso de glória; não atentando nós nas coisas que se veem, mas sim nas que se não
vêem; porque as que se veem são temporais, enquanto as que se não veem são
eternas.” (Paulo aos Coríntios II, Cap. IV, 4-18)

Que meditemos profundamente nos ensinamentos de Paulo de Tarso no texto
acima, mas destacaremos principalmente, que ele nos mostra com clareza que, o
que morre é o corpo físico, e que o Espírito jamais morre. Apesar disso, existem
entre os homens várias concepções para a morte, vejamos algumas.

Para as pessoas que são materialistas, a morte é o fim de tudo, pois a vida
se resume entre o nascer e o morrer, não acreditam que algo sobreviva após a
morte, não acreditam em alma ou Espírito e até em Deus, e por conseqüência
acreditam que extinguindo a vida material tudo se acaba para eles. Os
materialistas são pessoas orgulhosas que não admitem a possibilidade de existir
alguém superior a elas, daí a causa de não acreditarem em Deus.

Mas se só existe a matéria, e tudo se originou dela, como foi que surgiu todo
o universo, com leis imutáveis, perfeitas e organizadas? Se o homem não criou
tudo que está na Natureza, o céu, as estrelas e tudo o mais com extrema
perfeição, conseqüentemente nos leva a acreditar em Deus. Reconhece-se o criador
pela sua obra.

Se cremos em Deus, por que Ele nós criaria para depois nos aniquilar? Você
que é pai ou mãe gostaria que seu filho morresse para sempre? Nós que ainda
somos seres imperfeitos, é evidente que não queremos que nossos filhos morram,
agora imagine Deus que é infinitamente perfeito, justo e bom, Ele com certeza
também não vai querer isso para nós.

Os espiritualistas acreditam que existe uma alma ou espírito e que sobrevive
após a morte do corpo físico, mas o seu destino é definido pela sua conduta de
vida em uma única existência. Há duas possibilidades, o inferno eterno, para
aqueles que fizeram o mal, o céu eterno, para aqueles que fizeram o bem. Eles
não acreditam que os mortos possam se comunicar com os vivos, por que Moisés o
proibiu. Ora, se Moisés proibiu é porque era possível, ninguém proíbe algo que
seja impossível. E se os mortos, ou estão no céu ou no inferno, porque então
vamos ao cemitério lembrá-los e fazer uma oração por eles, se eles não nos ouvem
mais, ou não podemos interceder por eles, visto que a sorte deles está
irremediavelmente definida? Jesus nos exemplificou ser possível o intercâmbio
entre vivos e mortos, conversando com Elias e o próprio Moisés no monte Tabor.

Para os que acreditam em céu e inferno eternos, analisemos esta questão: você
pai ou mãe, não perdoaria seus filhos por errarem neste mundo? Vemos muitas mães
de criminosos, chorarem por seus filhos que estão presos, querendo que eles se
regenerem. E se Jesus nos ensinou que devemos perdoar sempre, por que Deus, que
é mais perfeito e bom que nós não perdoaria os nossos erros? Deus nos perdoa
sempre. Se caminho no erro, com certeza iremos para as zonas de sofrimento, mas
sairemos de lá, assim que nos arrependermos e reparamos o mal que praticamos.
Estaremos no “inferno”, ou se quiserem, nos umbrais da vida. Não é porque Deus
nos julgou e nos castigou, é porque transgredimos as Leis de Deus, e esta lei,
como todas as outras, dá uma reação para cada ação que praticamos. Enfim, se
existisse as penas eternas, isto contrariaria os atributos da Divindade, que são
bondade, perfeição e justiça infinitas.

A Igreja resolveu consertar em parte os equívocos das penas eternas, no ano
de 593, quando criou o chamado purgatório, onde as pessoas que tinham pecados
leves, podiam ser salvos pelas preces pagas. Na época da Inquisição, existiam as
chamadas indulgências, onde para cada pecado, tinha um preço. Por essa teoria,
só os ricos que estavam no purgatório podiam ser “salvos”, pois os pobres não
tinham dinheiro para comprar os seus pecados.

Deus, na verdade, não pegou um centavo sequer. O dinheiro todo foi utilizado
para construir o império da Igreja Católica, e onde se encontra hoje o Vaticano.
Lutero, no século XVI, que era católico, percebeu tais disparates e desencadeou
o movimento chamado Reforma Protestante, e acabou criando uma nova religião,
porque o Catolicismo se afastava em muito do verdadeiro Cristianismo. Aboliu as
imagens, as indulgências e procurou seguir a Bíblia ao pé da letra. Por causa
disso, Lutero foi excomungado na época.

Nós, que somos espíritas, sabemos que a morte não existe, nossos Espíritos
são imortais, viverão para todo o sempre, e quando deixarmos a vida física,
apenas mudaremos de plano, retornaremos a nossa pátria espiritual, a verdadeira
vida. Não existe um céu ou um inferno propriamente ditos, mas sim estados de
consciência. Isto é, para aqueles que procuram se melhorar e são bons, terão a
consciência tranqüila e viverão em paz, mas para aqueles que persistem no
caminho do erro e do mal, sofrerão penas morais pelos seus atos praticados, e
somente sairão deste estado, quando se arrependerem e repararem o mal que
fizeram.

Acontece com freqüência um fato interessante: o Espírito, quando reencarna,
fica triste pois perde a sua liberdade de espírito e sofrerá as vicissitudes da
vida material através das provas e expiações, e enquanto isso, seus novos pais e
parentes, ficam cheios de alegria com a chegada de um novo membro da família. E
na morte física deste Espírito, acontece o inverso. Para ele, pelo menos para os
voltados ao bem, é a suprema alegria, pois recuperam sua liberdade de Espírito,
largam a roupa pesada do corpo físico e reencontram os seus amigos de além
túmulo. Por contra partida, seus familiares e amigos que ficaram na Terra choram
pela sua ausência.

Temos várias provas da existência da vida após a morte, através das mensagens
mediúnicas que nos chegaram através dos colaboradores de Kardec e que nos chegam
até hoje, através dos médiuns, como exemplo, Francisco Cândido Xavier, que em
seus vários livros, trouxeram mensagens dos que se foram, contando que eles
ainda vivem e sua situação no mundo espiritual.

Que possamos enfim , além do dia destinado aos “mortos”, o dia de finados,
nos lembremos sempre dos nossos amigos de além-túmulo com alegria e saudade. E
também, que não nos esqueçamos de nos preparar para a nossa partida deste mundo,
procurando não nos apegar em demasia aos bens terrenos, e que procuremos
melhorar a nossa conduta moral perante o próximo, para que quando estivermos do
lado de lá, possamos estar com a nossa consciência tranqüila.

E para os que acreditam que a morte do Espírito não existe, terminamos com o
texto de Paulo de Tarso, seguidor dos ensinamentos de Jesus, no qual afirmava
que a morte não existe: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte,
o teu aguilhão?” (I Coríntios, Cap. XV, 55).

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