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Cleptomania: De Onde Vem

Cleptomania: De Onde Vem

Reencarnação é nascer de novo, tomar um novo corpo, pouco a pouco, a partir do momento da fecundação que o espermatozóide opera no óvulo. A palavra reencarnação nasceu do francês, com a codificação do espiritismo que, como a história ensina, foi elaborada por Allan Kardec. Este conceito de pluralidade das existências não é metempsicose, um mito com origem no Antigo Egipto, que defendia que, como castigo, um humano poderia. depois da sua morte, renascer em qualquer animal.

Posto isto, o facto de este conceito ser utilizado pelo menos como hipótese de trabalho terapêutico por médicos e psicólogos, trazendo bons resultados, só por causas estranhas pode ser desinteressante para alguém. Tanto mais isto ganha significado quanto mais verdadeiro é que a ideia de reencarnação lhe está subjacente, dando-lhe corpo, estrutura, sentido.

Nesse sentido, vejamos um exemplo. Ele surge de uma entrevista que fizemos em tempos ao doutor Júlio Peres, um jovem psicólogo, aquando da sua presença no significativo evento que foi o Simpósio realizado em auditórios da Universidade do Porto, sob o tema “Aquém e Além do Cérebro”, há um par de anos.

Apesar da sua juventude, Júlio é um terapeuta experiente em Terapia Regressiva a Vivências Passadas. Na altura, conversámos sobre uma estranha doença: a cleptomania. De memória, Júlio relembrou um caso que tinha tratado há alguns anos. O doente era um cirurgião afamado. A segurança das suas mãos com o bisturi relevava. Contudo, entristecia-se pelo impulso recorrente e intenso de furtar objectos no quotidiano.

«Eu tive um paciente — diz o entrevistado — que regrediu a uma situação não muito remota no Egipto, onde havia uma alta incidência de roubos e de pessoas que se assaltavam umas às outras, principalmente nas feiras, nos mercados. Esse paciente regrediu então a uma comunidade egípcia em que era muito reforçado o estímulo de roubar, como se fosse uma qualidade muito boa. Ele cresceu e destacou-se no meio com essa habilidade manual, e ninguém percebia que ele levava objectos. Esse caso foi interessante..

Então qual foi o tema mais traumático, o principal facto nessa vivência? A única maneira pela qual ele era reconhecido como uma pessoa bem vista pelo meio era pela habilidade que tinha de roubar. Depois, ele veio a morrer numa situação durante uma fuga de um grande assalto, que não era propriamente ele que o tinha realizado, mas em que estava envolvido. Morreu aí, nessa vida, e no momento da morte ele imprimiu no inconsciente: “Só sou reconhecido por esta qualidade: ser um bom assaltante”.

Então, na vida actual, que foi a segunda depois da vivência no Egipto, ele não tinha necessidade de roubar, mas tinha uma atracção muito forte por isso porque era uma qualidade que havia sido reforçada, como também uma possibilidade de usar os seus dotes manuais. E começou nesta vida, no Brasil, a desenvolver um importante conflito, porque esse dote já não era reforçado, mas era o dote que ele sabia que poderia receber atenção. Por isso houve um conflito, e por isso ele veio buscar a terapia regressiva a vivências passadas. Caso contrário, eu acredito que ele estaria usando o mesmo dote normalmente.

Agora, o que chama a atenção neste caso foi essa habilidade do passado, que foi reforçada. Hoje, na vida actual, esse paciente é um médico cirurgião e tem fama pela sua habilidade com as mãos: uma leveza e precisão absolutas. Na terapia, ele redecidiu empregar a mesma habilidade, que desenvolveu no passado, e hoje na sua profissão, reforçando essa mesma habilidade como uma qualidade positiva.

E ele procurou a terapia porquê? Porque a tendência para roubar objectos o perturbava? Buscou-a porque existia um conflito: ele queria fazer, ficava muito atraído quando via coisas, muito interessado em roubar sem que ninguém percebesse; mas, por outro lado, sabia que isso não era certo. Isso gerava o conflito. Sabia que não era correcto pela condição em que ele vivia hoje. Agora, no Egipto, no passado, era certo».

E, de modo a retirar algum do sumo da experiência, conclui Júlio Peres: «Acho interessante o aprendizado parcial que o ser espiritual vai desenvolvendo. Muitas vezes ele desenvolve uma fatia desse aprendizado que mais tarde vai integrando de uma maneira equilibrada, como se estivesse trabalhando com polaridades. Inicialmente ele está num pólo, vai para o outro para buscar o equilíbrio entre os extremos».

O psiquismo é um baú de casos, de pulsões, de universos pessoais incríveis. Os espíritos esclarecidos descrevem a importância de nos conhecermos a nós próprios, um caminho de muita quilometragem, onde todas as luzes podem ajudar a aclarar recantos obscuros.

Mas a satisfação avulta ao verificarmos que há médicos e psicólogos que enfrentam estes fenómenos, os estudam e mobilizam, dentro das indicações terapêuticas estudadas, para ajudar a arquivar essas experiências do passado remoto, muitas vezes reforçadas quase sempre na primeira infância.

Tivemos, entretanto, notícia de que poderá haver um novo Curso de Formação e Especialização em TRVP apenas para médicos e psicólogos licenciados há já no mínimo um ano, no segundo semestre de 1998. Isto se houver pelo menos 25 inscritos. O Curso será composto de 16 módulos, ministrados em cada três meses. Mais informações — Instituto Nacional de Terapia de Vivências Passadas, e-mail: trvperes@usway.com.

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