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Como Kardec Obteve as Comunicações?

Como Kardec Obteve as Comunicações?

Orson Peter Carrara

Método de seleção seguiu critérios científicos

Eis aí uma pergunta interessante. Como foram obtidas as comunicações, objeto de O LIVRO DOS ESPÍRITOS? Deixemos que o próprio Kardec responda. Basta uma consulta à REVISTA ESPÍRITA (tomo I, ano 1858, 2ª edição IDE – 1993, página 36) para meditarmos nas próprias palavras do Codificador:

“Freqüentemente, se nos dirigem perguntas sobre a maneira pela qual obtivemos as comunicações que são objeto de O Livro dos Espíritos. Resumimos, aqui, tanto mais voluntariamente, as perguntas que nos fizeram a esse respeito, pois isso nos dará ocasião de cumprir um dever de gratidão para com as pessoas que quiseram nos prestar seu concurso.

Como explicamos, as comunicações por pancadas, dito de outro modo, pela tiptologia, são muito lentas e muito incompletas para um trabalho de longo fôlego; também não empregamos, jamais, esse meio; tudo foi obtido pela escrita e por intermédio de vários médiuns psicógrafos. Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são, textualmente, as que nos foram dadas pelos Espíritos; a maioria foi escrita sob nossos olhos, algumas foram tomadas de comunicações que nos foram dirigidas por correspondentes, ou que recolhemos, por toda parte onde estivemos, para estudá-las: os Espíritos parecem, para esse efeito, multiplicar, aos nossos olhos, os sujeitos de observação.

Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram: a senhorita B***, cuja complacência nunca nos faltou; o livro foi escrito, quase por inteiro, por seu intermédio e na presença de um numeroso auditório que assistia às sessões e nelas tomavam o mais vivo interesse. Mais tarde, os Espíritos prescreveram-lhe a revisão completa em conversas particulares, para fazerem todas as adições e correções que julgaram necessárias. Essa parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, que se prestou, com a maior complacência e o mais completo desinteresse, a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que determinavam os dias e as horas de suas lições. O desinteresse não seria, aqui, um mérito particular, uma vez que os Espíritos reprovam todo o tráfico que se possa fazer com sua presença; a senhorita Japhet, que é, igualmente, sonâmbula muito notável, tinha seu tempo utilmente empregado; mas compreendeu que era, igualmente, dele fazer um emprego aproveitável, consagrando-o à propagação da Doutrina. Quanto a nós, declaramos, desde o princípio, e nos apraz confirmar aqui, que jamais entendemos fazer, de O Livro dos Espíritos, objeto de uma especulação, devendo os produtos serem aplicados em coisas de utilidade geral; é, por isso, que seremos, sempre, reconhecidos para com aqueles que se associaram, de coração, e por amor ao bem, à obra à qual nos consagramos.

ALLAN KARDEC”.

A página transcrita encontra-se inserida após transcrição de duas cartas selecionadas por Kardec e recebidas por ele desde a publicação de O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Ambas as cartas destacam e resumem a impressão que a publicação do livro causou, principalmente no fim essencialmente moral dos princípios da obra. Remeto o leitor à leitura das duas cartas, às páginas 35 e 36 da citada Revista. A leitura dessas cartas selecionadas pelo Codificador levará o estudioso das letras espíritas à constatação do que já percebemos por nós mesmos em nossas vidas: a vibrante e forte mensagem espírita que orienta a evolução humana, trazendo coragem, consolação e verdadeiro roteiro de vida. Entusiasmando-nos com a perspectiva de evolução ou com os ideais de fraternidade, sentimo-nos todos fortalecidos e mais felizes !

Cabe-nos divulgar O LIVRO DOS ESPÍRITOS, estudando-o amplamente e incentivando mais ampla valorização desse estudo em nossas Casas Espíritas, para que todo o trabalho de Allan Kardec, de seus colaboradores e dos Espíritos Codificadores, continue a iluminar o caminho humano.

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