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Como Organizar o nosso Pensamento numa Sala de Aula

Como Organizar o nosso Pensamento numa Sala de Aula

5) Lembre-se de q a finalidade do desenvolvimento retórico da aula é
convencer o ouvinte com argumentos, aquelas boas OS. E esse objetivo tem
que ser atingido. Não perca de vista, portanto, o objetivo da aula;

6) Fale bem, fale alto, fale claro e compassadamente,
utilizando corretamente a Gramática – todo Expositor deve ter, também, um léxico
para lhe tirar as dúvidas. Não confie na sua memória e nem nos seus
“achismos”
, consulte sempre um dicionário;

7) Evite usar gírias e brincar em demasia – tais recursos, em excesso,
desorganizam o pensamento, baixam o nível da aula e, em conseqüência, o assunto
tratado também será rebaixado, não lhe dando os Alunos a importância que ele
merece e, o que é pior, desmerecendo a DE;

8) Tenha sempre, como bem sabido, os conceitos básicos da DE,
tal como os Espíritos Superiores nô-los passaram, como os conceitos de: Deus,
Alma, Espírito, Matéria, Anjo, Escala Espírita, Perispírito, Fluido Universal,
Fluido Vital, relação Espírito-Matéria, Leis Morais (saiba o que significa
Moral); Livre-Arbítrio; consciência (saiba o q é consciência); etc..

9) Por um estranho motivo que ainda não pude identificar, os
Expositores da DE, paradoxalmente, não conhecem totalmente o Livro
dos Espíritos (LE)
e nem toda a Codificação
. Se muito, leram-na
apenas uma vez, quando tal leitura é para ser feita durante toda a vida.

Assim sendo, por um insuficiente conhecimento doutrinário, o Expositor nem
sempre consegue encaixar um tema filosófico, religioso ou científico nos
fundamentos da DE, ou seja, correlacioná-lo com o LE. A falta de
um sólido conhecimento do LE também ajuda a desorganizar o pensamento
numa sala de aula espírita;

10) Leia e, depois, estude a Bíblia, você irá se admirar do que
ela contém. De uma maneira quase que geral, posso afirmar que os Expositores não
a conhecem porque a consideram um livro superado. Pois saibam que não é, saibam
que os Espíritos não a desqualificam, antes afirmam que toda a DE está
nela sob uma outra forma, a forma figurada que conduz a uma má interpretação:
Comunicação espiritual; Obsessão; Mediunidade; Leis Morais; exemplos de fé;
Perispírito; Reencarnação; Md espiritual; Materialização; Psicofonia;
Visões/Clarividência; Curas; Aparições; etc..

Se as suas aulas forem sobre a Bíblia, sirva-se então de um bom Dicionário
da Bíblia
, ele o auxiliará fortemente e lhe dará maior segurança. A falta de
compreensão dos conceitos nela exarados também desorganizam o pensamento;

11) Também considero importante saber porque a DE é uma
filosofia
e porque ela é uma Filosofia Espiritualista. É preciso
conhecer bem os neologismos “espírita” e “Espiritismo” para
diferenciá-los do Espiritualismo tradicional. Voltem e releiam a INTRODUÇÃO
AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA
;

12) É preciso saber quais são os problemas que a DE levanta,
discute e apresenta soluções; e, também, a lógica dessas soluções, os seus
“porquês”
, os seus motivo, a sua razões;

13) O Expositor deve buscar conhecer qual era o cenário histórico e
intelectual do mundo europeu quando a DE surgiu em 1857
, combatendo o
Positivismo-materialista-naturalista. Lembrem-se: AK era um positivista,
portanto, era um seguidor do filósofo AUGUSTE COMTE – e a DE é uma
doutrina positivista-espiritualista, uma vez q os fenômenos medianímicos podem
ser, todos, observados e experimentados. E deles, dedutivamente, retira-se uma
lei, a Lei das Comunicações Espirituais com os defuntos, que é o inédito que a
DE trouxe ao mundo;

14) Busque conhecer a relação existente entre os fenômenos das
mesas-rotantes com o Magnetismo e o Espiritismo
;

15) Busque fazer Cursos e assistir palestras espíritas, sempre
levando papel e caneta para anotar tudo o que lhe chamar a atenção, senão
esquecerá o que viu porque a memória é fraca por não ser bem treinada. Se um
Curso é bom, então faça-o.

Não pense nunca que você já sabe tudo. Você se surpreenderá ao descobrir que
sabe muito pouco, mas muito pouco mesmo;

16) Lembre-se: conhecimento é sedimentação de conhecimento, é
leitura, é reflexão. Sabe mais quem leu mais, quem viu a mesma idéia sob
diversas perspectivas. Não ler os “clássicos” ajuda a não ter o
pensamento organizado, porque os pensadores clássicos escrevem organizadamente
e, por isso, servem-nos como modelos de clareza;

17) Após feita a sua aula em casa, leia-a, releia-a e torne a
relê-la
. A cada leitura você irá corrigindo-a aqui e ali, aperfeiçoando-a
até dominar, completa e perfeitamente, os conceitos emitidos em torno daquela
QC/tema da aula;

18) Evite dar opiniões porque a opinião não é o campo da
verdade, é o campo do que pode e do que não pode ser. Será a sua opinião contra
as verdades da DE, elaborada pelos Espíritos Superiores, logo, por
Espíritos que se encontram muito acima dos Espíritos Sábios. Portanto, não emita
conceitos duvidosos sem, antes, conhecê-los bem. A opinião, por não ser algo
verdadeiro, dispersa, desorganizando, o pensamento.

Uma vez achei um “furo” na DE e falei com o meu Mentor sobre
isso. Então ele me respondeu: “a DE não tem ‘furo’, é perfeita”. Dias
mais tarde verifiquei, abatendo o meu “ego”, que o erro era meu – por
efeito de uma má leitura – e que o velho e bom Mentor tinha razão, novamente;

19) Seja humilde, a humildade fica bem em qualquer lugar. Ouça
o que os Alunos têm a lhe perguntar. Aprendemos muito com eles;

20) O lazer do Expositor espírita é pesquisar, é encontrar as
“pontes” as “passagens” que interconectam a teoria espírita com a
realidade. Encontrar tais conexões nos ajuda a manter o pensamento organizado;

21) Não basta ler e reler sem compreender. É preciso
compreender, senão nada fará sentido. Ao compreender, o Expositor deverá ser
capaz de reproduzir o texto com as suas próprias palavras, fazendo a sua
releitura.

Este é o segredo: compreender. Se o Expositor não for capaz de fazer a
interpretação do texto, então o seu pensamento se desorganizará;

22) Menos ANDRÉ LUIZ, menos EMMANUEL, menos JOANNA DE
ÂNGELIS
– eu disse “menos”, não disse “eliminar” – e mais ALLAN KARDEC,
muito mais ALLAN KARDEC
, pois os Espíritos Superiores e todos os demais
espíritos da Escala Espírita vêm aprender na Codificação.

Ainda não sabemos direito quem era, em seu estatuto espiritual, o ínclito
Prof. HIPOLYTE LÉON DÉNIZARD RIVAIL. Sua inteligência era respeitada por PAULO
DE TARDO, FÉNELON, SWEDENBORG, TOMÁS DE AQUINO, AGOSTINHO, SÓCRATES, JOÃO
EVANGELISTA, SÃO LUÍS, entre outros Espíritos Superiores que elaboraram a DE;

23) Anotem toda e qualquer intuição que lhes chegar: na rua; no
trabalho; na condução; em casa. São instruções dos seus Mentores que irão
auxiliá-lo na organização do seu pensamento, corrigindo conceitos mal formados;

24) Jamais creia que os Alunos não terão a compreensão para qualquer
tema; tudo depende de como você o apresentará. Alguns Alunos nos são
superiores em conhecimento e em espiritualidade
;

25) Dê a sua aula para você mesmo. COMO FAZER ISTO?

R= Imagine-se, por um lado, como um Aluno de 4 anos q nada sabe sobre
o assunto a ser dado e, a partir disto, agora imagine-se, por outro lado, como
sendo você mesmo, adulto, o Expositor do tema e pergunte-se: COMO EU, ALUNO,
GOSTARIA QUE EU MESMO, EXPOSITOR, EXPLICASSE, PARA MIM MESMO, ESSE ASSUNTO?

26) Preste atenção ao que lhe é perguntado e só responda ao que
lhe for perguntado, sem se estender, porque isso consome o tempo e dispersa o
pensamento do Aluno e o seu também. Seja breve nas respostas. Quando o Expositor
conhece o tema ele sabe ser sucinto. E COMO ENTENDER BEM UMA PERGUNTA?

R= Encontrando o núcleo da sua QC. E COMO ENCONTRAR TAL NÚCLEO?

R= Normalmente ele é o primeiro substantivo ou pronome da OP da
pergunta do Aluno – e o verbo ao qual ele se liga nos dirá qual é a
ação/intenção deste núcleo, i e, que função ele está desempenhando;

24) Finalmente, criem entre si Grupos de Estudo acerca de um
determinado tema problemático e desenvolvam-no. Sem estudo, a inteligência, que
é uma faculdade como todas as outras e também precisa ser desenvolvida, se
atrofiará, conforme disse-me o Mentor.

B- O CONCEITO DE “PENSAMENTO”

– Já aprendemos o que é “organizar” e agora nos falta aprender o que é
“pensamento”. Então perguntemos logo: O QUE É O PENSAMENTO? QUE COISA
É ESSA, O PENSAMENTO?

R= Digamos, antes de o definir, que o substantivo “pensamento”
está ligado ao verbo “pensar” e vice-versa. E POR QUE AMBOS ESTÃO
LIGADOS?

R= Porque ambos são substantivos, pois quando digo “o pensar”,
estou usando o verbo pensar em sua modalidade participial. Ora, quem pensa
exerce a ação verbal de pensar e quem pensa alguma coisa pensa pensamentos. Isto
posto, podemos dizer que se entende por “pensamento” aquilo que se tem
“em mente”
quando se reflete com o propósito de se conhecer algo, entender
algo. O pensamento, portanto, é o que temos em nossa mente. E O Q É A MENTE?

R= Esta palavra vem do substantivo latino “mens, -tis” que
significa “a mente; o espírito; a inteligência; o intelecto; o entendimento
depois dele ter entendido ou compreendido algo, ao contrário da própria
faculdade de entender (tudo isto por estar a mente em oposição ao corpo)”.

Resumindo: a mente é um órgão abstrato equivalente ao espírito, à
inteligência, e pela qual entendemos o que dentro dela se encontra (o que nos
leva a crer q a mente pensante pode ser ativa ou passiva). E O QUE É O
PENSAMENTO?

R= É o que se encontra no interior da mente sob a forma de idéia, de
conceito, de representação. Entendemos por pensamento, portanto, o que está
contido na mente e para o qual está apontando o ato intelectual de pensar de um
sujeito que pensa. Logo, quem pensa é o sujeito, é a mente, é o espírito.

O ato de pensar não se confunde com o pensamento, porque o pensamento é a
“coisa” pensada, a qual pode ser uma imagem, um objeto, um conceito, uma
entidade abstrata como a “diferença”, etc., enquanto que o ato de pensar,
ou o pensar, é uma faculdade. Pois bem, os pensamentos se sucedem, encadeando os
fenômenos sob a Lei de Causa e Efeito, procurando, sempre, reproduzi-los
logicamente mediante uma linguagem.

Disto deduzimos que: pensar e falar são a mesma coisa, pois só podemos falar
do que pensamos, e do que não se pode pensar também não se pode falar. QUAL É
O PROBLEMA AQUI?

R= É que o ato de pensar, por ser um ato imaterial, puramentete
espiritual, escapa à linguagem porque a linguagem é o instrumento de que
dispomos para falar só das coisas materiais. JÁ PERCEBERAM QUE PARA FALAR DO
MUNDO ESPIRITUAL OS ESPÍRITOS SEMPRE EMPREGAM ANALOGIAS E METÁFORAS DO MUNDO
FÍSICO?

Ora, se o pensamento não se subordina ao tempo (e nem ao espaço), surge aqui
uma dificuldade: COMO CONGELÁ-LO NUMA LINGUAGEM? COMO ORGANIZAR NO TEMPO O
QUE ESTÁ ORGANIZADO FORA DO TEMPO?

R= Por aquilo que o pensamento tem como objeto: as coisas, digo, as
idéias das coisas (idéia é, sempre, idéia de alguma coisa – o termo “idéia”
é um substantivo que pede um complemento nominal, logo, idéia só pode ser
idéia de algo). Agora sim, posso congelar e organizar o pensamento numa
linguagem igual à dele pois, mesmo estando fora do tempo, ele pensa idéias, e
pensar e falar são a mesma coisa, pois quando falo falo de algo.

O pensamento é sempre reflexivo, i e, o pensamento é o pensamento do
pensamento, e os Expositores não têm o hábito da “reflexão”, da
introspecção. A falta da reflexão, quando se vai tratar de temas delicados,
também desorganiza o pensamento.

3- O MÉTODO

Ente o método dedutivo e o indutivo, use, preferencialmente, o método
dedutivo por ser o mais intuitivo. Ele lhe permitirá organizar o pensamento a
partir de um princípio universalmente conhecido e, daí em diante, sempre ligado
a ele, o Expositor poderá fazer, com segurança, as suas deduções. Se todas as
deduções (eu disse “todas”) estiverem amarradas nele, sua aula será uma aula
considerada lógica e você não correrá o risco de se equivocar por falta de
clareza.

Procure sempre fazer deduções do tipo:

Todos os homens são mortais

SÓCRATES é homem

SÓCRATES é mortal.

QUAL É O SEGREDO DA DEDUÇÃO SER INTUITIVA?

R= É q os conceitos deduzidos já se encontravam contidos na
premissa maior
, como, P. Ex., 9-1=8 (o 8 já estava contido no 9, senão,
DE ONDE APARECERIA O 8?
). E se a premissa maior é um postulado (o que não
necessita de demonstração porque é evidente por si mesmo), então as deduções
serão todas lógicas e verdadeiras.

Conclusão: só há um modo de não se desorganizar o pensamento, é
colocá-lo nos trilhos da razão, da lógica, da linguagem, obedecendo, sempre, à
lei da causalidade. Certamente, fazendo isto, o Expositor não se desorganizará.
Mas isto requer esforço, que é o estudo, e perseverança, que é a garantia do
sucesso.

4- INSTRUÇÕES GERAIS

Aparência: bem barbeado; roupas limpas; cabelo penteado; sapatos
limpos. Nenhum Aluno respeita um Expositor com má aparência, pois o Aluno julga
que ele, Aluno, merece uma coisa melhor. Um Expositor, assim, dispersa,
desorganizando, os pensamentos dos Alunos;

Dicção: não grite – o grito prejudica o pensamento porque causa medo
e o medo é paralisante; dimensione a sua voz de tal maneira que o Aluno que
estiver sentado na última fileira o ouça. Se ele não o ouvir o pensamento dele
se dispersará;

– Fale pronunciando todas as letras de cada palavra. Quando se fala
rápido demais, esteja certo, os Alunos não conseguem digerir o que foi dito
porque não entenderam as palavras, muito menos os seus significados/conceitos
que, ao final, é só o que interessa a todos;

Não fale sozinho, pergunte sempre, no desenvolvimento da aula, se os
Alunos estão entendendo. PARA QUE PERGUNTAR?

R= Para que os seus pensamentos não se dispersem.

Cobrem dos Alunos as anotações do que pensaram durante a aula.
Peça-lhes, sempre, uma redação, em uma página, da aula dada. Será um bom
termômetro para o trabalho do Expositor, para ele saber se o seu pensamento foi
claro, organizado, e, o que é melhor, ele ir se corrigindo ao mesmo tempo em que
os Alunos irão treinando a boa redação, i e, colocando numa linguagem escrita os
seus pensamentos de forma organizada;

Elogie em público e critique em particular. Jamais inverta esta
ordem;

Combine com o seu Mentor o melhor dia, a melhor hora, o melhor local
e o tempo necessário de estudo – e não falhe –, obtendo, assim, a
respeitabilidade dele. Seja perseverante nos estudos. Ele comparecerá. Seu
Mentor ajudar-lhe-á a organizar o seu pensamento.

– É só.

Desculpem-me se os assustei com tanta Gramática e tanta filosofia, mas não há
outro jeito: o pensamento só será organizado numa sala de aula – ou fora dela –
se o colocarmos nos trilhos da Gramática e da ordem das razões.

Que DEUS, Nosso-Pai, nos abençoe a todos.

Graças a DEUS.

São Paulo, 27 Abr 02.

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