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Um Conceito Diferente de Unificação do Movimento Espírita

Um Conceito Diferente de Unificação do Movimento Espírita

O grande propósito da Doutrina Espírita não é outro senão o de edificar a melhoria
moral da humanidade centrado na proposta de desenvolvimento da capacidade de amar
das pessoas. Todo o resto, a investigação científica dos fenômenos espirituais,
a especulação filosófica do conteúdo espírita e a própria existência do movimento
espírita não terá sentido se não for para se buscar a convergência a este princípio
maior.

A tarefa de unificação do movimento espírita passa necessariamente, portanto,
pela criação de mecanismos salutares de relacionamento e pela vivência prática do
ato de amar entre os seus participantes e adeptos. Se não conseguirmos efetivamente
nos amar – ou ao menos sinceramente tentar – não poderemos conceber qualquer idéia
unificacionista. Eis a premissa fundamental.

Não é admissível que queiramos falar de amor para todos aqueles que procuram
alento para seus sofrimentos nas nossas casas de auxílio se o exemplo não é dado,
sobretudo, por nós mesmos. Falar sem agir nos insere no mesmo patamar dos “sepulcros
caiados
” classificados por Jesus.

Nos dias de hoje, a concepção básica sobre o tema unificação começa pela convivência
fraternal
.

Conviver de maneira fraterna não deveria significar um objetivo para os espíritas,
pois está no cerne do relacionamento cristão que tanto pregamos, principalmente
quando nos tratamos informalmente na qualidade de irmãos que verdadeiramente somos.
Mais uma vez a prática difere da teoria, mas compreendamos que faz parte do atual
estágio evolutivo que todos vivemos e que devemos superar.

A convivência fraternal, porém, requer que seja acompanhada de uma série de ações
concretas como o tratamento igualitário, a liberdade de pensar e expressar,
o respeito às diferenças, o relacionamento afetivo e o compromisso
de união
.

O tratamento entre irmãos, se realmente são irmãos, não pode acontecer num clima
de superioridade ou inferioridade entre as partes envolvidas. Irmãos são iguais
por natureza, pois somente assim poderá se travar um diálogo construtivo e respeitoso,
sem subserviência ou timidez na colocação de seus pontos de vista, uma vez que “valeria”
menos o seu do que o do outro.

Em conseqüência da relação igualitária é que surge a possibilidade efetiva da
liberdade de pensar e de se expressar, sem o receio de ver constrangido ou vetado
o seu posicionamento. Como as diferenças são inevitáveis, há que se ter entre irmãos
o respeito à opinião do outro. A convivência fraterna tem como uma das vigas de
sustentação a prática da alteridade. Compreender o pensamento diferente do seu,
sem que seja preciso a assimilação automática ou a imposição do outro.

O exercício alteritário possibilitará a convergência de formas de pensar, mas
também haverá alguns pontos que temporariamente ficarão no impasse, o que é natural.
Por isso é que irmãos necessitam desenvolver a afetividade entre si. Poderá haver
a divergência de idéias, mas nunca do ideal fraterno
. Passados os embates ideológicos,
o sorriso largo, o forte aperto de mãos, o abraço caloroso e a conversa descontraída
de amigos devem ser o comportamento obrigatório, porque o mais importante é estarem
e continuarem juntos, já que temos a consciência que as diferenças são minoritárias
comparadas com aquilo que nos une.

União entre os espíritas, este sim é o conceito verdadeiro de unificação.

A união é um ato espontâneo e informal e, portanto, mais consistente e duradouro.
Este deve ser o caminho a ser perseguido, em oposição a um paradigma predominante
e equivocado, por enquanto, que é o da unidade institucional. O que mais importa:
estarmos formalmente juntos numa mesma Casa, e distantes, ou estarmos informalmente
unidos numa mesma Causa, e próximos
? Foi exatamente para combater as aparências
que o Cristo se fez presente entre nós e que o Espiritismo veio resgatar esta proposta
original.

O conceito diferente que se propõe é o da unificação ética.

Ética para romper com equilíbrio ao tradicionalismo que desagrega; ao apego
a rótulos que escraviza; às convenções que aprisionam; ao exclusivismo que separa;
ao orgulho que ainda impera na maioria de nossos corações
.

A unificação ética tem igualmente como parâmetro a casa espírita e a exata compreensão
de seu papel na sociedade que se pretende construir. A casa espírita deve ser a
“célula áurea” da unificação, de onde ocorrerá naturalmente a aproximação de irmãos,
o compartilhamento de experiências, a criação de novas metodologias de trabalho
e a realização conjunta de iniciativas. Tudo isso para fazer frente às crescentes
demandas individuais e sociais, num mundo que passa por uma crise de valores e por
uma profunda perturbação espiritual em decorrência da transição que nele se opera,
exigindo da casa espírita uma ação rápida de resposta transformando-se num centro
de reeducação e formação de homens de bem.

Não haverá outra saída senão a descentralização e a conseqüente delegação de
atribuições como fez Jesus com os seus apóstolos e discípulos. A dinâmica que naturalmente
será criada neste intercâmbio produtivo é que proporcionará a união tão desejada.
Conjugando-se a este processo de integração e complementaridade surgem como bases
de apoio as entidades de atuação específica que facilitarão a propagação da boa
nova renovada à sociedade.

A meta inicial não é a unidade institucional, mas a unidade sentimental que
se junta à unidade de propósito e à unidade de trabalho.

Não fixemos tempo nem precondições, a não ser o desejo sincero de estarmos juntos
e unidos.

Mais do que nunca o lema do mestre Kardec se faz oportuno entre os espíritas:
trabalho, tolerância e solidariedade
.

Lembrando novamente Jesus, neste instante de reaproximação de irmãos, não custa
orar e vigiar para que não se caia na tentação da crítica destrutiva, nem que se
dê cabo aos inimigos espirituais que irão aturdir as mentes imprevidentes e refratárias
a mudança.

É imprescindível a formulação de uma nova agenda de ações, construída em parceria,
aliando objetivos comuns a planos comuns. Sem pressa, mas firmemente. Que tal seguir
a estratégia dos cinco Cs: conversar, conviver, convergir, compartilhar e
confraternizar
?

Como proclama Bezerra de Menezes, “estamos em campanha. Campanha pela unificação
com amor. Campanha pela renovação de atitudes
”.

A unificação ética proposta, em suma, é a unificação pelo Evangelho. Por
esta razão, a inspiração que deve reunir os espíritas é aquela já conhecida, mas
ainda pouco vivenciada: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos,
se vos amardes uns aos outros
”.

Que assim seja!

Raciocínio inspirado tendo como referência o livro SEARA BENDITA, por espíritos
diversos, pela psicografia de Maria José Soares de Oliveira e Wanderley Soares
de Oliveira.

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