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É o Espírito Santo o Consolador?

É o Espírito Santo o Consolador?

Se o Espírito Santo é Deus, é também eterno. Por que será, então, que não se
fala Nele no Velho Testamento? E por que, também, somente a partir do Século
III, é que Ele começa a ser conhecido entre os cristãos?

Quando se iniciou a divinização de Jesus, a partir do Concílio de Nicéia
(325), Ele também surgiu juntamente com a Santíssima Trindade.

No Velho Testamento, Ele é um espírito santo de alguém : “O Senhor suscitou o
Espírito Santo de um moço chamado Daniel” (Daniel 13, 45)

No Novo Testamento, encontramos no original “um” Espírito Santo (Pneuma
Hagion, em Grego) -, sem o artigo definido ho, “o”, e sem o indefinido “um”,
porque este não existe em Grego, o que, entretanto, não nos dispensa de
colocá-lo nas traduções para as línguas que o têm. Portanto, o correto é
dizermos “um” Espírito Santo. Já a Vulgata complicou mais, ainda, a questão,
pois o Latim não tem nenhum dos dois artigos.

Os gregos sempre estudaram a Bíblia em Grego, enquanto que a Igreja Romana
adotava-a em Latim, ou seja, a Vulgata.Isso pode ser um dos fatores causadores
das constantes divergências teológicas entre os teólogos de Roma e os gregos, e
que culminaram com a fundação da Igreja Ortodoxa Grega, em 1054.

Uma das polêmicas mais conhecidas entre ambas Igrejas é a do Filioque (e do
Filho). Isso, em síntese, quer dizer o seguinte. Para a Igreja Romana, o
Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Para a Igreja Ortodoxa Grega, procede
só do Pai, o que diminui a importância de Jesus

Se o Espírito Santo fosse Deus mesmo, falaria por si mesmo, não precisando
dizer o que ouvira de Jesus, como lemos em São João 16, 13 e 14, pois Deus já
sabe tudo, desde todas as eternidades. E quem envia é superior ao enviado. Como
poderia Jesus nos enviar Deus? E santo significa universal. Podemos dizer,
então, que o Espírito Santo é uma espécie de coletivo de todos os espíritos
encarnados e desencarnados, o que nos coloca fazendo parte da Santíssima
Trindade. E de fato, a frase “o Verbo se encarnou entre nós” deve ser, como está
nos originais, “o Verbo se encarnou em nós – en hemin (em Grego) e in nobis (em
Latim).

Se fosse sempre o tal de Espírito Santo que se manifestasse, para que São
Paulo e São João nos falam em discernimento dos espíritos que se manifestam em
profecias, como acontece com o tipo de profeta Nabi, em Hebraico, do Velho
Testamento?

São Paulo nos diz, igualmente, que somos templos de “um” Espírito Santo. Ora,
se um espírito for evoluído, sendo, portanto, um espírito da verdade, por que
ele não nos poderia ser enviado, depois que deixa o corpo, transmitindo-nos o
que ouviu e aprendeu do nosso Maior Mestre, se temos exemplos disso na Bíblia, e
se o espírito de Santa Mônica comunicou-se com seu filho Santo Agostinho, como
lemos na sua monumental obra “Confissões”?

Esse assunto é como um iceberg, e vimos apenas a sua ponta!

Autor do livro, entre outros, “A Face Oculta das Religiões”, Ed.Martin Claret,
SP. E-mail: escritorchaves

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