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Educação e Desenvolvimento da Mediunidade – III

Educação e Desenvolvimento da Mediunidade

Valdomiro Halvei Barcellos

(continuação)

XXI – COMUNICABILIDADE DOS ESPÍRITOS

“A comunicabilidade dos espíritos com os encarnados não é um fato recente, mas antiquíssimo, com a única diferença que no passado era apanágio dos chamados iniciados e na atualidade, com o advento do Espiritismo, tornou-se fenômeno generalizado a todas as camadas sociais”.

“A possibilidade dos Espíritos se comunicarem é uma questão muita bem estabelecida, resultante de observações e experiências rigorosamente realizadas por eminentes pesquisadores. Os espíritas não têm duvidas a esse respeito; porém, determinados companheiros que abraçam correntes religiosas diferentes da Doutrina Espírita, procuram criticá-la, chamando a atenção, entre outras coisas, sobre a proibição mosaica de evocar os mortos”.

Na lei mosaica esta escrito: “… não vos virareis para adivinhações e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles; Eu sou o Senhor vosso Deus”.

“… Quando pois algum homem ou mulher em si tiver um espírito adivinho, ou for encantador, certamente morrerão: com pedras serão apedrejados; o seu sangue é sobre eles”.

“… Não achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro. Nem encantador de encantamentos, nem quem consultem um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o senhor teu Deus as lança fora de diante dele”.

“A lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força é que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e não mais em outras de suas partes? Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a nossa época e costume, em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de que tratamos.

Demais, é preciso explicar os motivos que justificavam essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos…”.

“A proibição de Moisés foi mais para conter um comércio grosseiro e prejudicial com os desencarnados. Os israelitas necessitavam de uma ação mais disciplinadora porque, além do mais… a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição.

Naquela época, aliada à prática pura e simples de evocar os mortos, havia um verdadeiro comércio com os adivinhadores… associadas às práticas da magia e do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios humanos…”. “A proibição, tinha, pois, razão de ser. Nos dias atuais o ser humano adquiriu novas conquistas, o progresso se fez pelo predomínio da razão e a prática de intercâmbio espiritual ou mediúnica, defendida pelo Espiritismo tem outras finalidades: moralizadora, consoladora e religiosa”.

“A verdade é que o Espiritismo condena tudo que motivou a interdição de Moisés… Os Espíritas não fazem sacrifícios humanos, de animais ou plantas, não interrogam os astros, adivinhos e magos para informarem-se de alguma coisa, não usam medalhas, talismãs, fórmulas sacramentais ou cabalísticas para atrair ou afastar Espíritos”.

O Espírita sincero sabe que “… o futuro é vedado ao homem por princípio, e só em casos raríssimos e excepcionais é que Deus faculta a sua revelação. Se o homem conhecesse o futuro, por certo negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade…

“A evocação dos espíritos exercidas na prática espírita tem o fito de receber conselhos dos espíritos superiores, de moralizar aqueles voltados para o mal e continuar com as relações de amizades e amor entre entes queridos que partilharam, ou não a vivência reencarnatória.”

“Pelas orientações instrutivas e altamente moralizadoras fornecidas pelos benfeitores espirituais, pelo valioso aprendizado oferecido pelos desencarnados sofredores, conclui-se que a prática mediúnica, é um fator de progresso humano, pelos benefícios que acarreta”.

“… Sem dúvida, poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso.

Não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do médium libera-o da influência dos espíritos inferiores e perversos, que se sentem, então, impossibilitados de maior predomínio par faltarem os vínculos para a necessária sintonia”.

“Repelir as comunicações do além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interditar as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar…”

COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS

Toda manifestação que revela uma intenção ou uma vontade é inteligente em menor ou maior grau. O aperfeiçoamento dessa inteligência permite uma troca recíproca e contínua de pensamentos, obtém-se comunicações regulares, cujo caráter permite julgar o Espírito que se manifesta, sendo classificados como:

FRÍVOLAS: Emanam, de Espíritos levianos, zombeteiros, antes maliciosos do que maus, e que nenhuma importância ligam ao que dizem.

GROSSEIRAS: São as concebidas em termos que chocam o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixa estofa, ainda cobertos de todas as impurezas da matéria e em nada diferem das que provenham de homens viciosos e grosseiros.

SÉRIAS OU INSTRUTIVAS: São objetivas quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. Toda comunicação que isenta de frivolidade e de grosseria, objetiva um fim útil, ainda que de caráter particular, é, por esse simples fato uma comunicação séria. Nem todos os Espíritos sérios são igualmente esclarecidos; há muita coisa que eles ignoram e sobre o que podem enganar-se de boa fé. Por isso é que os espíritos superiores nos recomendam de contínuo que submetamos ao crivo da razão e da mais rigorosa lógica.

INSTRUTIVAS: São as comunicações sérias cujo principal objeto consiste num ensinamento qualquer dado pelos espíritos, sobre as ciências, a moral, a filosofia.(Cap.X do Livro dos Médiuns).

A linguagem dos espíritos está sempre na razão do grau de sua elevação.

A dos espíritos superiores é constantemente grave, digna, nobre. Faz-se sublime quando o assunto o exige. Eles exprimem pensamentos da mais alta elevação e empregam uma linguagem que exclui da maneira mais absoluta toda a trivialidade.

A bondade e a benevolência são atributos essenciais dos espíritos purificados. Há espíritos que em certos assuntos parecem esclarecidos, ao passo que em outros acusam a mais absoluta ignorância, não hesitando em defender as heresias científicas mais absurdas.

Para julgar os Espíritos como para julgar os homens, é preciso, em primeiro lugar, sabermos julgar a nós mesmos.

Há infelizmente, muitas pessoas que tomam sua opinião pessoal como medida exclusiva do bom e do mau, do falso e do verdadeiro. Tudo quanto contradiz a maneira de ver, as idéias, as teorias que conceberam e adotaram, é mau a seus filhos. A tais pessoas falta, evidentemente, a primeira qualidade para uma só apreciação: a retidão de julgamento. Elas entretanto não o percebem. É o defeito em razão do qual mais nos iludimos.

Acredita-se geralmente que interrogando o Espírito de um homem que foi sábio em uma certa especialização, quando na terra, mais seguramente se obterá a verdade. Isto é lógico, todavia, nem sempre é assim. A experiência demonstra que os sábios tanto quanto os homens, sobretudo aqueles que deixaram a terra há pouco tempo, estão ainda sob o império dos preconceitos da vida corpórea. Eles não se libertam imediatamente da sistematização, conseqüentemente, a ciência humana de que estão dotados não é sempre uma garantia da sua infalibilidade como Espíritos.

Aqueles que, como acontece muitas vezes, condenam no estado de Espírito, as doutrinas que haviam sustentado como homens, dão sempre, com isso, uma prova de elevação, regra geral: o espírito é tanto menos perfeito quanto menos desprendido da matéria. Todas às vezes pois, que se reconhece nele à persistência das idéias falsas que o preocupam durante a vida, pertença elas à ordem física ou moral, é isto um sinal infalível de que não está completamente descentralizado.

A obstinação nas idéias terrestres é tanto maior quanto mais recente é a morte. NO MOMENTO DA MORTE A ALMA ESTÁ SEMPRE EM UM ESTADO DE PERTURBAÇÃO DURANTE O QUAL MAL SE RECONHECE: É UM DESPERTAR QUE NÃO É COMPLETO. Muitos não acreditam estarem mortos, principalmente os supliciados, os suicidas, e, em geral os que morrem de morte violenta. Eles vêm o próprio corpo, sabem que esse corpo lhe pertence e não compreendem porque estão separados dele. Isto deixa-os cheios de espanto; é-lhes preciso algum tempo para captar sua nova situação. A evocação não pode ser feita nesse momento senão com o objetivo de estudos psicológicos, mas não adianta pedir-lhes mais informações. Este estado de confusão, que se pode comparar ao estado transitório do sono à vigília, persiste por um tempo mais ou menos longo.

Uma vez desprendida dos restos de suas vestes corporais, a alma se acha em seu estado normal de espírito. É somente então que se pode julgá-la, porque se revela verdadeiramente como é. Suas qualidades e seus defeitos, suas imperfeições, seus preconceitos, suas idéias falsas, mesquinhas ou ridículas, persistem sem modificação durante toda a duração de sua vida errante, ainda que esta seja de mil anos. É-lhes preciso passar de novo pelo crivo da vida corporal, para nele deixar algumas de suas impurezas e elevar-se mais alguns degraus. Muitas depois de 200 anos de vida errante, têm ainda as manias e mesquinharias que as caracterizavam em vida, enquanto outras desenvolvem quase que imediatamente uma grande superioridade.

Para aqueles cuja consciência está carregada de malefícios, para o homem materializado, que pôs todas as suas alegrias na satisfação do corpo, para o que malbaratou os favores que a Providência lhe havia outorgado, o despertar é terrível, e, ele pode perdurar tanto quanto sua vida errante.

Podemos auxiliá-los e orientá-los e para isto, entrar em relação com eles, importa conhecê-los bem, a fim de ficar em condições de apreciar-lhe a situação e melhor compreender-lhes a linguagem que, sem isto, poderia, algumas vezes parecer contraditória.

XXII – MEDIUNIDADE

Acena-nos a antiguidade terrestre com brilhantes manifestações mediúnicas, a reportarem da História.

Discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito, ao amigo invisível que o acompanhava constantemente.

Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um dos seus perseguidores desencarnados, a visitá-lo em pleno campo.

Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, monodeizado na revolta em que se alucinava, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo.

Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo.

Os Espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os restos nos jardins de Lâmia, eram ali vistos, freqüentemente, até que lhe exumaram os despojos para a incineração.

Todavia, onde a mediunidade atinge culminâncias é justamente no Cristianismo nasciturno.

Toda a passagem do Mestre inesquecível, entre os homens, é um cântico de luz e amor, externando-lhe a condição de Medianeiro da Sabedoria Divina.

E, continuando-lhe o ministério, os apóstolos que se lhe mantiveram leais converteram-se em médiuns notáveis, no dia de Pentecostes ( Atos, 2:1 – 13 ), quando, associadas as suas forças, por se acharem “todos reunidos”, os emissários espirituais do Senhor, através deles produziram fenômenos físicos em grande cópia, como sinais luminosos e vozes diretas, inclusive fatos de psicofonia e xenoglossia, em que os ensinamentos do Evangelho foram ditados em várias línguas, simultaneamente, para os israelitas de procedências diversas.

Desde então, os eventos mediúnicos para eles se tornaram habituais.

Espíritos materializados libertavam-nos da prisão injusta (Atos, 5:18 – 20).

O magnetismo curativo era vastamente praticado pelo olhar (Atos, 3:4 – 6) e pela imposição das mãos (Atos,9:17).

Espíritos sofredores eram retirados de pobres obsessos, aos quais vampirizavam (Atos 8:7).

Um homem objetivo e teimoso, quanto Saulo de Tarso, desenvolve a clarividência, de um momento para outro, vê o próprio Cristo, às portas de Damasco, e lhe recolhe as instruções (Atos,9:3 – 7). E porque Saulo, embora corajoso, experimente enorme abalo moral, Jesus, condoído, procura Ananias, médium clarividente na aludida cidade, e pede-lhe socorro para o companheiro que encetava a tarefa (Atos, 9:10 – 11).

Não somente na casa dos apóstolos em Jerusalém mensageiros espirituais prestam contínua assistência aos semeadores do Evangelho; igualmente no lar dos cristãos, em Antioquia, a mediunidade opera serviços valiosos e incessantes. Dentre os médiuns aí reunidos, um deles, de nome Agabo (Atos,11:28), incorpora um espírito benfeitor que realiza importante premonição. E nessa mesma igreja, vários instrumentos mediúnicos aglutinados favorecem a produção da voz direta, consignando expressiva incumbência a Paulo e Barnabé. (Atos,13:1 – 4).

Em Tróade, o apóstolo da gentilidade recebe a visita de um varão, em Espírito, a pedir-lhe concurso fraterno (Atos,16:9 – 10).

E, tanto quanto acontece hoje, os médiuns de ontem, apesar de guardarem consigo a Bênção Divina, experimentavam injustiça e perseguição. Quase por toda à parte, padeciam inquéritos e sarcasmos, vilipêndios e tentações.

Logo no início das atividades mediúnicas que lhes diziam respeito, vêm-se Pedro e João segregados no cárcere. Estevão é lapidado. Tiago, filho de Zebedeu, é morto a golpes de espada. Paulo de Tarso é preso e açoitado várias vezes.

A mediunidade, que prossegue fulgindo entre os mártires cristãos, sacrificados nas festas circenses, não se eclipsa, ainda mesmo quando o ensinamento de Jesus passa a sofrer estagnação por impositivos de ordem política. Apenas há alguns séculos, vimos Francisco de Assis exalçando-a em luminosos acontecimentos; Lutero transitando entre visões; Tereza d´Ávila em admiráveis desdobramentos; José de Copertino levitando ante a espantada observação do papa Urbano VIII, e Swedenborg recolhendo, afastado do corpo físico, anotações de vários planos espirituais que ele próprio filtra para o conhecimento humano, segundo as concepções de sua época.


EMMANUEL. (Livro Mecanismos da mediunidade, Francisco Xavier e Waldo Vieira/André Luis).

MEDIUNIDADE: CONCEITOS E TIPOS

É a faculdade que possibilita o intercâmbio entre os espíritos dos dois planos: Físico e Espiritual.

“E todo aquele que sente, num grau, qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilegio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”.

Diz Herculano Pires que: “assim como nosso Espírito anima o nosso corpo através do PERISPÍRITO, constituindo em vida o que chamamos ALMA, os demais espíritos, de mortos e de vivos, podem influenciá-lo. Em sintonia com o nosso Espírito podem mesmo utilizar-se de nosso corpo para suas manifestações. Dessa maneira, a mediunidade é uma condição natural do homem, uma faculdade geral da espécie humana, que se revela em dois campos paralelos de fenômenos: os anímicos, decorrentes das atividades do nosso próprio Espírito fora do condicionamento orgânico; e os espíritas, decorrentes das relações naturais de nosso Espírito com outros Espíritos”.

Fala Edgard Armond que a teoria espírita considera médiuns aquelas pessoas que “possuem uma aptidão especial para servirem de intermedíarias entre os mundos físico e espiritual”.

Emmanuel, no livro “Estude e Viva”, lição 31(Mediunidade e Psicoterapia), informa: “os médiuns, como elementos de ligação entre a vida espiritual e o plano físico, serão sempre solicitados a dar uma palavra orientadora nas questões multiformes que afetam as pessoas que os procuram”.

Num conceito amplo, mediunidade é a faculdade que tem um indivíduo de servir de intermediário entre as esferas do mundo físico e do mundo espiritual.

Fenômeno Anímico: Fenômeno mediúnico, quando há maior influência do Médium na relação entre as duas esferas, como em eventuais casos de vidência, precognição, etc.

Fenômeno Espírita: Fenômeno mediúnico, quando, na relação há uma atuação direta do Espírito desencarnado sobre o encarnado, como ocorre na audiência, na psicografia, etc.

Nos fenômenos mediúnicos, em sentido amplo, não importa se aparentemente, há ou não intervenção de Espíritos na relação. Diz em O Livro dos Médiuns, cap. VI, item 100, 26, que a vidência de Espíritos, em estado de vigília, depende do organismo do homem, da facilidade maior ou menor do fluido do vidente combinar com o do Espírito. Assim não basta o Espírito querer mostrar-se; é também necessário que a pessoa a quem se quer mostrar tenha aptidão para vê-lo.

Nas duas categorias de fenômenos, o homem está sendo o intermediário entre as esferas físicas e extrafísica; daí, ser chamado de médium, independentemente da maior ou menor, ou, praticamente, de nenhuma influência de Espíritos.

TIPOS DE MÉDIUNS

MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS: Os que têm o poder de provocar efeitos materiais ou manifestações ostensivas:

MÉDIUNS TIPTÓLOGOS: Aqueles pelos quais são produzidos ruídos, pancadas. É uma variedade muito comum, sejam conscientes ou inconscientes.

MÉDIUNS MOTORES: Os que produzem o movimento dos corpos inertes; muito comuns.

MÉDIUNS DE TRANSLAÇÕES E DE SUSPENSÕES: Os que produzem a translação aérea e a suspensão dos corpos, deixando-os inertes no espaço, sem ponto de apoio. Entre eles há os que podem elevar-se a si mesmos (fenômenos de levitação). São mais ou menos raros no primeiro caso e raríssimos no último caso.

MÉDIUNS DE EFEITOS MUSICAIS: Provocam a execução de composições, em certos instrumentos de música, sem contato físico com os instrumentos. São muito raros.

MÉDIUNS DE APARIÇÕES E DE MATERIALIZAÇÕES: Os que podem provocar aparições fluídicas e as aparições tangíveis. Não são muito comuns.

MÉDIUNS DE TRANSPORTE: Os que podem servir de auxiliares aos espíritos para o transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translações. Não são muito comuns.

MÉDIUNS PNEUMATÓGRAFOS: Os que obtêm a escrita direta. Muito raros.

MÉDIUNS CURADORES: Os que servem como instrumento da espiritualidade maior para promover curas, seja pela imposição das mãos, seja pelo manuseio de instrumentos, seja só pela prece.

MÉDIUNS EXCITADORES OU FACILITADORES: Os que têm o poder de influenciar outros médiuns em potencial, ajudando-os a desenvolver suas mediunidades.

MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS: São aqueles mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.

MÉDIUNS AUDIENTES: Os que ouvem os Espíritos. Muito comuns.

MÉDIUNS FALANTES: Os que falam sob a influência dos Espíritos (intuitivos) e principalmente, aqueles que emprestam o aparelho fonador (incorporação) para que os Espíritos falem por si mesmos.

MÉDIUNS VIDENTES: Os que, em estado de vigília, vêm os espíritos. A visão acidental e fortuita de um espírito, numa circunstância especial, é muito freqüente; mas, a visão habitual, ou facultativa dos espíritos, sem distinção, é pouco comum.

MÉDIUNS INSPIRADOS: Aqueles a quem, quase sempre independente da vontade do médium, os espíritos sugerem idéias, que relativas aos atos ordinários da vida, quer em relação aos grandes trabalhos de inteligência.

MÉDIUNS DE PRESSENTIMENTOS: Pessoas que, em dadas circunstâncias, têm uma intuição vaga de coisas que ocorrerão no futuro, relevantes ou não.

MÉDIUNS PROFÉTICOS: Variedade de médiuns inspirados ou de pressentimentos. Recebem, permitindo-o Deus, com mais precisão do que os médiuns de pressentimentos, a revelação de futuras coisas de interesse geral e são incumbidos de dá-las a conhecer aos homens, para instrução destes.

MÉDIUNS SONÂMBULOS: Os que, em estado de êxtase, recebem revelações da parte dos espíritos. Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos zombeteiros que se aproveitam da exaltação de são possuídos. São raríssimos os que merecem confiança irrestrita.

MÉDIUNS PINTORES OU DEDSENHISTAS: Os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos.

MÉDIUNS MÚSICOS: Como os há para as comunicações literárias.

MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS: Os que têm a faculdade de escrever por si mesmos sob a influência dos espíritos. Podem ser: Mecânicos, semimecânicos, intuitivos, polígrafos, poliglótas e iletrados.

ANTE A MEDIUNIDADE

Depois de um século de mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, com inequívocas provas da sobrevivência, nas quais a abnegação dos Mensageiros Divinos e a tolerância de muitos sensitivos foram colocadas à prova, temo-la, ainda hoje, incompreendida e ridicularizada.

Os intelectuais, vinculados ao ateísmo prático, desprezam-na até agora, enquanto os cientistas que a experimentaram se recolhem, quase todos, aos palanques da Metapsíquica, observando-a com reserva. Junto deles, porém , os espíritas sustentam-lhe a bandeira de trabalho e revelação, conscientes de sua presença e significado perante a vida. Tachados, muitas vezes, de fanáticos, prosseguem eles, à feição de pioneiros, desbravando, sofrendo, ajudando e construindo, atentos aos princípios enfaixados por Allan Kardec em sua Codificação Basilar.

Alguém disse que “os espíritas pretenderam misturar, no Espiritismo, ciência e religião, o que resultou em grande prejuízo para a sua parte científica”. E acentuou que “um historiador, ao analisar as ordenações de Carlos Magno, não pensa em Além-Túmulo; que um fisiologista, assinalando as contrações musculares de uma rã, não fala em esferas ultraterrestres; e que um químico, ao dosar o azoto da lecitina, não se deixa impressionar por nenhuma fraseologia da sobrevivência humana”, acrescentando que, em metapsíquica, é necessário proceder de igual modo, abstendo-se o pesquisador de sonhar com mundos etéreos ou emanações anímicas, de maneira a permanecer no terra-a-terra, acima de qualquer teoria, para somente indagar, muito humildemente, se tal ou tal fenômeno é verdadeiro, sem o propósito de desvendar os mistérios de nossas vidas pregressas ou vindouras”.

Os espíritas, contudo, apesar do respeito que consagram à pesquisa dos sábios, não podem abdicar do senso religioso que lhes define o trabalho. Julgam lícito reverenciá-los, aproveitando-lhes estudos e equações,…

Consideram os espíritas que o historiador, o fisiologista e o químico podem não pensar em Além-Túmulo, mas não conseguem avançar desprovidos de senso moral, porquanto o historiador, sem dignidade, é veículo da imprudência; o fisiologista, sem respeito para consigo próprio, quase sempre se transforma em carrasco da vida humana, e o químico, desalmado, facilmente se converte em agente da morte.

Se caminham atentos à mensagem das Esferas Espirituais, isso não que dizer se enquistem na visão de “mundos etéreos”, para enternecimento beatífico e esterilizante, mas para se fazerem elementos úteis na edificação do mundo melhor. Se analisam as emanações anímicas é porque desejam cooperar no aperfeiçoamento da vida espiritual no Planeta, assim como na solução dos problemas do destino e da dor, junto da Humanidade, de modo a se esvaziarem penitenciárias e hospícios, e, se algo procuram, acima do “terra-a-terra”, esse algo é a educação de si mesmos, através do bem puro aos semelhantes, com o que aspiram, sem pretensão, a orientar o fenômeno a serviço dos homens, para que o fenômeno não se reduza a simples curiosidade da inteligência.

Quanto mais investiga a Natureza, mais se convence o homem de que vive num reino de ondas transfiguradas em luz, eletricidade, calor ou matéria, segundo o padrão vibratório em que se exprimam.

Existem, no entanto, outras manifestações da luz, da eletricidade, do calor e da matéria, desconhecidas nas faixas da evolução humana, das quais, por enquanto, somente podemos recolher informações pelas vias do espírito.


Não podemos esquecer a obrigação de cultuar a mediunidade e acrisolá-la, aparelhando-nos com os recursos preciosos ao conhecimento de nós mesmos.

A Parapsicologia nas Universidades e o estudo dos mecanismos do cérebro e do sonho, do magnetismo e do pensamento nas instituições ligadas à Psiquiatria chegarão igualmente à verdade, mas, antes que se integrem conscientemente no plano da redenção humana, burilemos, por nossa vez, a mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, que revive a Doutrina de Jesus, no reconhecimento de que não basta a observação dos fatos em si, mas também que se não fazem indispensáveis à disciplina e a iluminação dos ingredientes morais que os constituem, a fim de que se tornem fatores de aprimoramento e felicidade, a benefício da criatura em trânsito para a realidade maior. ANDRÉ LUIS.(Livro Mecanismos da Mediunidade. Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira/André Luis).

A educação e desenvolvimento mediúnico a Luz da Doutrina espírita impõe sólidos conhecimentos deste Grande Pensamento. Assim, essencial se torna inicialmente entender que experiências mediúnicas sem embasamento teórico mínimo induzem, via de regra, a resultados pouco satisfatórios, quando não levam a processos obsessivos.

Faculdade parafísica que todos nós temos, em maior ou menor grau, de transmitir as mensagens dos Espíritos. Médium é aquele que transmite mensagens. Vejamos o que diz o Livro dos Médiuns: Nº159.Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem, uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As primeiras são:médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos.

Qual a finalidade da mediunidade na face da Terra? Nos dá a certeza da nossa Vida Futura – Espiritual.

Quais os requisitos necessários àqueles que trabalham na mediunidade? Exercício da humildade; disposição para servir e aprender.

Quais seriam as etapas a serem percorridas pelo candidato, na sua educação mediúnica? Assistir reuniões doutrinárias públicas – Palestras; estudo sistematizado da Doutrina Espírita; participar de trabalhos assistenciais; fazer tratamento de desobsessão; tratamento com passes; fazer curso de médium.

Que benefícios trazem os estudos evangélico-doutrinários para o médium? Educação, o candidato à médium fica sabendo quem ele é, moralização entende a importância do “dar de graça”. Fé.

O que é um Grupo Mediúnico e qual o número adequado de pessoas que devem constitui-lo? Grupo de pessoas que têm conhecimento, se dedicam ao estudo da Doutrina Espírita e praticam a Caridade. O número adequado varia de 6 a 20 membros, todos simpáticos e afins entre si.

Qual o objetivo da sessão mediúnica? Auto-reforma.

TÉCNICAS EMPREGADAS PARA ADAPTAÇÃO PSÍQUICA AO LABOR MEDIÚNICO

Devem os participantes da assembléia preparar-se para o trabalho mediúnico:

Manter pensamentos elevados, objetivos e sadios e conversação construtiva.

Evitar alimentação excessiva e pesada, bebidas alcoólicas e outras drogas.

Fazer reforma íntima evangelizando-se e mantendo alto padrão vibratório.

Manter fidelidade aos compromissos assumidos.

Observadas essas condições, os serviços mediúnicos serão sempre protegidos pelos Bons Espíritos em nome de Jesus, e, a influenciação será sempre boa, pois “a prece, a meditação elevada, o pensamento edificante, refundem a atmosfera, purificando-a”.(Missionários da LUZ, cap.V).

Equilíbrio e harmonização mento-psíquica, meditação 15 minutos antes no mínimo, entrar em prece, concentração, leitura pertinente, luz baixa, música relaxante harmoniosa (opcional); jejum.

INTERCÂMBIO MEDIÚNICO

Na pauta dos compromissos espirituais que o trabalhador consciente da Doutrina Espírita assuma, destaca-se o intercâmbio mediúnico, na condição de muito valioso. Graças a ele, a observação do fato robustece a fé; a oportunidade de informar-se a respeito da vida além da morte, faculta-lhe dados preciosos; o estudo das comunicações aguça-lhe a percepção sobre a erraticidade; o ensejo de esclarecer os que se encontram equivocados, no além, luz abençoado; proporciona-lhe recurso eficaz, para o concurso antiobsessivo ou desobsessivo; o hábito da conscentração se lhe torna mais natural e produtivo; pode conferir os ensinamentos hauridos na Codificação com a realidade da vida moral, além do corpo somático; o ministério da aprendizagem viva oferece exemplos irrefutáveis; a ação da caridade sem saber a quem se dirige, torna-se mais oportuna e propicia-lhe dar passos mais largos…

O intercâmbio mediúnico de forma consciente, conforme as seguras diretrizes da Doutrina Espírita, é capítulo dos mais belos da vida, preparando os homens para que possam manter com equilíbrio e ampliar as incursões entre o plano físico e o espiritual.

Efeito do estudo cuidadoso do Espiritismo, o intercâmbio mediúnico salutar, é estímulo e convite ao aprimoramento interior de que se candidata à edificação de um futuro mundo melhor caracterizado por uma sociedade mais feliz……(Joanna de Angelis)

CONSCIENTIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE MEDIÚNICA

O médium é sempre instrumento precioso colocado pela vida para o relevante serviço de interfônio entre o mundo do além-túmulo e o das expressões físicas.

Prepara-se aprimorando-se interiormente, cada vez aprofundando-se na responsabilidade do labor abraçado, é dever impostergável, que nenhum trabalhador da seara espírita, no exercício da mediunidade, pode desconsiderar.

Liberar-se a pouco e pouco dos condicionamentos enfermiços e perturbadores; erguer-se acima das psicoses mediúnicas deprimentes e criar um clima natural, defluente da média aritmética dos estados emocionais, constituem serviço em regime de urgência, no exercício da mediunidade perante Jesus.

Médiuns e médiuns, pululam em toda à parte. No plano físico, variando desde os que estacionam em perturbações dolorosas, até os que alcançam o Médium-Nato sublimativo, e fora da matéria, padecendo vampirizações infelizes, quanto transformados em missionários da abnegação entre o mundo sublime e as esferas primitivas…

Médiuns outros há que sincronizam com outros encarnados ou desencarnados, mediante processos de sintonia indireta, automática, natural, graças às próprias, recíprocas afinidades.

Obviamente cada criatura encarnada sintoniza com o que e quem lhe apraz mantendo um intercâmbio nutriente ou depauperador para si, em cujo consórcio mergulha, invariavelmente, em subjugações lamentáveis.

Também há médiuns além do corpo físico atormentados pelas reminiscências a que se apegam, vinculados as ideoplastias das recordações cadavéricas, vitalizando falsas expressões em que se locupletam e se perturbam.

Jesus, o Médium por excelência, não obstante argüido pelas Entidades insensatas, perseguidas pelos fanazes da injúria e do preconceito, molestadas pelos perturbadores encarnados e desencarnados, manteve a sua perfeita vinculação com Deus, a fim de manter-se o ímpar servidor da verdade, por cujos filtros se corporificavam as idéias e a vontade do Supremo Senhor, na direção dos homens que se estão levantando, ainda hoje, da animalidade primitiva para a contemplação da luz.

Conscientizemo-nos, todos nós, candidatos ou não à mediunidade, das altas responsabilidades que nos cabe exercer, a fim de sairmos do primarismo em que nos perturbamos, no trânsito pela cortina de névoa e de paixões. Sediando-nos em definitivo no planalto dos registros superiores da vida, onde poderemos melhor servir a Deus, a Jesus, à Causa do Bem e da Caridade na terra, ora representada luminosamente através da Revelação Espiritista. (João Cléofas).

Quais as obras da Codificação Espírita que você já leu e estudou?

Quais as obras Suplementares que você já leu e estudou?

Já estudou algum livro específico sobre mediunidade?

XXIII – REGISTROS DE ALLAN KARDEC

No estado de desprendimento em que fica colocado, o Espírito do sonâmbulo entra em comunicação mais fácil com os outros Espíritos encarnados, ou não encarnados, comunicação que se estabelece pelo contacto dos fluidos, que compõem os perispíritos e servem de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico. “O Livro dos Espíritos, pg233. FEB, 27ªedição”.

Salvo algumas exceções, o médium exprime o pensamento dos Espíritos pelos meios mecânicos que lhes estão à disposição e a expressão desse pensamento pode e deve mesmo, as mais das vezes, ressentir-se da imperfeição de tais meios. O Livro dos Médiuns, pg229. FEB, 26ª Edição.

A mediunidade não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. O Evangelho Segundo o Espiritismo, pg 311. FEB, 48ª Edição.

Por toda à parte, a vida e o movimento: nenhum canto do Infinito despovoado, nenhuma região que não seja incessantemente percorrida por legiões inumeráveis de Espíritos radiantes, invisíveis aos sentidos grosseiros dos encarnados, mas cuja vista .34. FEB,18ª.Edição.

São extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias. Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. A Gênese, pg 279.FEB,13ª. Edição.

XXIV – EVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS

Em o Livro dos Médiuns, cap.XXV, item 269, Kardec diz preferir o apelo direto a determinado Espírito, a simplesmente aguardar uma comunicação espontânea, alegando que, com a evocação cria-se uma barreira de segurança para o médium aos intrusos. Complementa que as comunicações espontâneas, todavia, não apresentam inconvenientes, desde que se possa exercer um controle sobre os Espíritos, tendo a certeza de não deixar que os maus venham dominar as reuniões.

Na questão 369, de O Consolador, Emmanuel, Espírito, ensina: “não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum. Se essa evocação é passível de êxito, sua exeqüibilidade somente pode ser examinada no Plano Espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto, no complexo dos fenômenos espiríticos, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina”. Complementa, na mesma resposta, “podereis objetar que Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada a necessidades e méritos ainda distantes da esfera de atividades dos aprendizes comuns.

Quando se têm reuniões regulares, não é preciso fazer evocações, de vez que os Espíritos familiares ou participantes habituais acorrem a essas sessões naturalmente, sendo fácil reconhecê-los pela sua linguagem, pela sua escrita ou por certos hábitos peculiares.

Quando se pretende comunicar com um Espírito determinado, é absolutamente necessário evocá-lo.

Ao evocar um Espírito pela primeira vez, é conveniente designá-lo com alguma precisão. Perguntas formuladas da maneira imperativa podem afastá-lo e devem ser evitadas. Elas devem ser afetuosas ou respeitosas, conforme e Espírito; mas, em qualquer caso, devem revelar a benevolência do evocador.

Os médiuns são geralmente, muito mais procurados para as evocações de interesse particular do que geral. Há um desejo natural de conversar com os espíritos familiares ou com os Espíritos que foram importantes na Terra. Nestes casos devem os médiuns:

Estar seguros da sinceridade do pedido, para não caírem em armadilhas que lhes possam fazer pessoas malfazejas.

Acautelar-se de que tais evocações não se prestem a simples curiosidades, sem intenção séria da parte do evocador.

Repelir as que tenham caráter insidioso, porquanto os espíritos não gostam de estar sendo submetidos à prova. Insistir em questões desta natureza, é querer ser enganado.

“As perguntas devem ser feitas com clareza, nitidez e sem segundas intenções, para se obterem respostas positivas”.(LM, cap.XXV, itens 270 a 273).

Todos os Espíritos, desencarnados ou encarnados, seja qual for o grau da escala a que pertençam, podem ser evocados. Isso não quer dizer que eles sempre atendam o apelo. Na verdade, não há nenhum impedimento de ordem geral às comunicações. Os obstáculos à manifestação são quase sempre de ordem individual e, freqüentemente, decorrem das circunstâncias.

Entre as causas que se podem opor às manifestações dos Espíritos, umas lhes são pessoais e outras, estranhas. Entre as causas pessoais colocam-se:

As ocupações ou as missões que eles desempenham e das quais não podem afastar-se, para atenderem aos pedidos.

As próprias situações como encarnados, embora não seja um obstáculo absoluto.

Vivências em mundo inferior à Terra ou no mundo dos Espíritos Puros.

Entre as causas estranhas têm-se:

Causas ligadas à natureza do médium.

À condição da pessoa que evoca.

Ao meio em que se faz a evocação.

Ao objetivo a que se propõe. (LM,capXXV, itens 274 3 275).

Uma questão importante se apresenta: é inconveniente ou não, evocar Espíritos maus? Não há inconveniente, diz Kardec, quando se faz a evocação com um fim sério, instrutivo, e tendo-se em vista melhorá-los. Ao contrário, é muito grande o inconveniente, quando se faz por mera curiosidade ou divertimento, ou quando se coloca sob sua dependência, pedindo-lhes um serviço qualquer.

Diz, ainda, Kardec que esse mesmo serviço que se solicitou, por mínimo que seja, constitui um verdadeiro pacto firmado com o mau Espírito, e este não larga facilmente, a sua presa. (LM, cap.XXV, item 282 n1).

As comunicações dos Espíritos mais elevados, que sempre se apresentam com benevolência, sinceridade de sentimentos e sabedoria, trazem aos homens ensinamentos preciosos para a sua evolução. As dos Espíritos de ordem menos elevada, todavia, não são inúteis, pois delas se pode tirar proveito para instrução, bem como ser uma forma de conhecer como vivem os Espíritos. Comenta Kardec que “os Espíritos vulgares nos mostram o resultado prático das grandes e sublimes verdades de que os Espíritos Superiores nos dão a teoria”. (LM, cap.XXV, item 281).

Finalmente, a evocação dos Espíritos inferiores tem ainda a vantagem de por o homem em contato com os sofredores do mundo espiritual, aos quais se pode aliviar e cujo adiantamento se pode facilitar com bons conselhos.

No item 282, de O Livro dos Médiuns, cap. XXV, os bons Espíritos indicam alguns esclarecimentos, a respeito das evocações:

1° “Há também Espíritos que não podem jamais comunicar-se. São os que ainda pertencem, por sua natureza, a mundos inferiores à Terra. Os que se encontram em globos de punições também não podem comunicar-se, a menos que tenham permissão superior, só concedida em caso de utilidade geral”. “Não se dá o mesmo com os que são enviados em missão ou expiação aos mundos inferiores, pois esses possuem cultura necessária para responder ao chamado”.

2° Perguntou Kardec: “Como os Espíritos, dispersos no espaço ou em diversos mundos, podem ouvir as evocações que lhes são dirigidas de todos os pontos do Universo?” Responderam os Espíritos: “Freqüentemente, são prevenidos pelos Espíritos familiares que vos cercam e vão procura-los; o Espírito evocado, por mais distante que esteja, recebe, por assim dizer, o impulso do pensamento como uma espécie de choque elétrico, que chama a sua atenção para o lado de onde vem o pensamento a ele endereçado. Podemos dizer que o espírito entende o pensamento, como na Terra entendeis a voz.”

3° O Espírito evocado pode deixar de atender o chamado, “ porque ele julga se é conveniente atender e ainda nisso dispõe do livre-arbítrio. O Espírito Superior atende sempre que o chamam com uma finalidade útil”, recusando-se a responder, quando se trata de pessoas pouco sérias e da reunião fazem divertimento.

4° Não há dias e horas mais propícias às evocações, porquanto, “para os Espíritos, isso é completamente indiferente, como tudo o que é material, e seria superstição acreditar na influência dos dias e das horas”.

5° Entre os Espíritos, existem, também, os misantropos que não gostam de ser incomodados, cujas respostas se ressentem do seu mau humor, sobretudo, quando chamados por criaturas que lhes são indiferentes, pelas quais não se interessam”.

6° Um Espírito elevado pode responder, ao mesmo tempo, às perguntas que lhe são dirigidas de muitos lugares, simultaneamente, e “ quanto mais puro é o Espírito tanto mais o seu pensamento se irradia e se difunde como a luz. Os Espíritos inferiores são muito materiais; não podem responder senão a mais de uma pessoa de cada vez, não podem atender à evocação, se já foram chamado em outro lugar”.

7° Os Espíritos puros podem ser evocados, mas atenderão “muito raramente, pois só se comunicam com os de corações puros e sinceros, não com os orgulhosos e egoístas”.

Neste caso, cumpre observar a dificuldade que é a de saber o nome do Espírito a ser evocado, e se ele é realmente puro.

8°Perguntou Kardec: “Quanto tempo deve decorrer, depois da morte, para que se possa evocar um Espírito? Como resposta foi dito que: “pode-se evocá-lo no próprio instante da morte, mas, como ele ainda se encontra em perturbação, só imperfeitamente pode responder”.

9°O Espírito de uma criança, se evocado, pode responder: “não obstante, até que esteja completamente liberto, pode conservar na linguagem alguns traços do caráter de criança”.

A dinâmica espírita da atualidade desaconselha evocar Espíritos. Kardec evocava os Espíritos, porque tinha respaldo de sua autoridade moral e, demais, como Codificador, usando o método experimental em suas pesquisas, tinha a necessidade de evocar Espíritos das mais variadas categorias evolutivas e até mesmo pessoas encarnadas, para melhor comprovar a fenomenologia espírita, acompanhando todo o arcabouço do corpo doutrinário, como exemplo: reencarnação, provas , expiações, sobrevivência da alma, mediunidade, etc. Os Espíritas de hoje não estão com essa responsabilidade. Se a Kardec nos primórdios da Doutrina, se justificavam as evocações, hoje, elas são capítulos superados no estudo da Doutrina dos Espíritos.

XXV – MEDIUNIDADE COM JESUS

“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Daí gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido”.

Foi esta a recomendação de Jesus a seus discípulos e com isto querendo dizer “… que ninguém se faça pagar daquilo que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar doentes e de expulsar demônios, isto é, os maus espíritos. Esse dom Deus lhes dará gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé. Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizesse dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida”.

Estas orientações dadas por Jesus continuam mais atuais do que nunca, porque a mediunidade evangelizada jamais poderá ser transformada em profissão ou fonte de rendas. (…) sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo”.

Deve-se compreender que a mediunidade só existe pelo concurso dos espíritos. “Os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da Seara da verdade e do amor.

Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se sofrem o insulto do egoísmo, do orgulho, da vaidade ou da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos”.

“… Mediunidade não basta só por si. É imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção”.

“O médium moralizado, que encontra na vivência evangélica a conduta de vida, é uma pessoa de bem, que procura ser humilde, sincero, paciente, perseverante, bondoso, estudioso e trabalhador. Cumpre o mandato mediúnico com amor”.

“… Ao exercício da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a benefícios da criatura, em nome da caridade, é que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana, na Terra”.

Aí está, como a prática mediúnica exerce um papel de renovação social. “… o espírito humano segue em marcha conveniente, imagem da graduação que experimenta tudo o que povoa o Universo, visível e invisível. Todo progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a humanidade”. “E o médium evangelizado, exercendo o mandato com amor e espírito de serviço em benefício do próximo, contribui em grande escala para o progresso geral”.

No serviço da mediunidade, como traço de união entre o Céu e a Terra, o homem, sob a inspiração de Jesus, poderá apresentar as mais sublimes expressões de fraternidade, na prática de amar ao próximo como a si mesmo. Em síntese, diz Martins Peralva, em “Estudando a Mediunidade”, cap. XXIX, que os principais objetivos do exercício mediúnico com Jesus são. Para os encarnados:

Cooperação com os encarnados e desencarnados no serviço de reconforto e esclarecimento.

Auto-educação, pela renovação dos sentimentos, com aproveitamento das mensagens de elevado teor.

Construções de afeições preciosas no Plano Espiritual, ,consolidando, assim, as bases da cooperação e da amizade superior.

Para os desencarnados:

Preparação de facilidades para os que tiverem de reiniciar o aprendizado, pela reencarnação, mediante o auxilio aos atuais desencarnados.

Auxílio aos reencarnados e desencarnados no esforço de libertação das teias da ignorância e do sofrimento.

Transmissão, aos reencarnados, dos esclarecimentos edificantes dos grandes Instrutores que operam com Jesus na redenção da humanidade.

Estes objetivos sedimentarão, desta forma, a base para a multiplicação dos talentos recebidos e conquistados ao longo de multimilenar experiência. Não se pode esquecer, ainda, em termos de mediunidade, de que ela assume todas as características de exaltação divina, em Jesus. O Cristo cedo começou seu apostolado excelso, porquanto já aos doze anos estava entre os doutores d a lei, esclarecendo aos homens os valores da vida espiritual. Ao final da vida terrena deixou na Boa Nova a lição imortal do amor divino; entretanto, até hoje, os homens, em sua maioria, apenas se preocupam com os fenômenos e somente falam de sues “milagres”, sem se preocuparem em seguir os ensinamentos que deixou.

Quando os apóstolos não conseguiam os “milagres”, socorriam-se dele, e ele os incentivava a terem mais confiança em Deus, mais Fé do tamanho de um grão de mostarda.

Em Jesus como em seus continuadores encontram-se as mediunidades puras e espontâneas, como deve ser, distante de particularismos inferiores. Neles, estão os valores mediúnicos a serviço do Amor e da Sabedoria, exercidos com a mais elevada responsabilidade mora, segundo as propostas do Divino Mestre.

O Evangelho não é um livro de um povo, mas um CÓDIGO DE PRINCÍPIOS MORAIS, adaptável a todas as Pátrias, a todas as raças e a todas as criaturas, e representa a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade. Jesus empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem, a fim de que as leis humanas se purificassem, se engrandecessem, se santificassem e se elevassem para integração com as Leis de Deus.

XXVI – PERDA E SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE

A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e a suspensões momentâneas tanto para as manifestações físicas, quanto para a escrita(inteligentes). Causas:

Livre arbítrio dos Espíritos que se comunicam.

Impossibilidade dos Espíritos.

Uso que o médium faz de sua faculdade mediúnica influi sobre os bons espíritos; futilidades, ambição.

Provar o médium, a sua paciência , a sua perseverança.

Estimular o estudo, a prece e a meditação.

Vide n°220.Livro dos Médiuns de A Kardec.

Ainda a respeito da perda e suspensão da mediunidade.

Podem ser de três categorias as causas que determinam a perda ou suspensão da mediunidade:

1-Advertência: Quando os Espíritos que sempre se comunicam por um médium deixam de fazer, para provar ao médium e a todos, que eles são indispensáveis para que haja a comunicação e que o seu concurso simpático nada se obtém.

No mais das vezes, tal atitude se prenda à forma qual o médium vem se conduzindo, deixando a desejar sob o ponto de vista moral e doutrinário. “Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e ainda menos, para a satisfação de suas ambições, mas para dar a conhecer aos homens a verdade. Se os Espíritos verificam que o médium já não corresponde às suas visitas e, já não aproveita das instruções nem dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de protegido mais digno.”(Idem, 3ª questão.)

Geralmente este tipo de suspensão é por algum tempo, e a faculdade volta a funcionar, cessada a causa que a produziu.

2-Benevolência: Quando as forças do médium estão esgotadas e seu poder de defesa fica reduzido, para que não caia como presa fácil nas mãos dos obsessores, sua faculdade é suspensa, temporariamente, até que volte ao seu estado normal e a possa exercitar com eficiência. Assim, a interrupção da faculdade nem sempre é uma punição; demonstra às vezes a solicitude do Espírito para com o médium a quem consagra afeição, tendo por objetivo proporcionar-lhe um repouso material de que o julga necessitado, caso em que não permite que outros espíritos o substituam”. (Idem, 5ª questão).

“Por que sinal de pode reconhecer a censura nesta interrupção? – Interrogue o médium a sua consciência e inquira de si mesmo qual o uso que tem feito da sua faculdade, qual o bem que dela tem resultado para os outros, que proveito há tirado dos bons conselhos que se lhe têm dado e terá a resposta.” (Idem, 10 questão.).

Mas, quando os bons Espíritos se afastam por acharem que um médium não está agindo corretamente, isto não seria falta de caridade ? Inicialmente eles sempre advertem os médiuns com ensinos que estes nem sempre tomam para si mas sim, endereçam às pessoas de seu círculo de relações. Várias são as tentativas que lhes fazem no sentido de evitar que o médium caia, mas, desde que o mesmo se torne rebelde aos avisos de disciplina, estudo, preparo doutrinário e contudo deixarem de se interessar pela sua sorte. Velam à distância, ainda aqui continuam a amparar o decaído de longe, esperando a primeira oportunidade de reabilitação para incentivarem-no a aproveita-la. Fazem o papel do pai que diante de filho teimoso que por toda a lei quer por a mão no fogo, apesar dos conselhos e explicações, deixam que ele sofra as conseqüências para aprender.

Os mentores espirituais não abandonam o médium que tem a sua faculdade suspensa. “O médium se encontra então na situação de uma pessoa que perdesse temporariamente a vista, a qual, não deixaria de estar rodeada de seus amigos, embora impossibilitado de os ver.” (Idem, 8ª questão).

3-Provação: Quando o médium, apesar de se conduzir com acerto, ter merecimento por boa conduta moral e não necessitar de descanso, tem suas possibilidades mediúnicas diminuídas. Com que fim isto ocorre? “Servem para lhes pôr a paciência à prova e para lhes experimentar a perseverança. Por isso é que os Espíritos nenhum termo em geral, assinam à suspensão da faculdade mediúnica; é para verem se o médium descoroçoa. É também para lhe dar tempo de meditar as instruções recebidas. Por essa meditação dos nossos ensinos é que reconhecemos os espíritas verdadeiramente sérios. Não podemos dar esse nome aos que, na realidade, não passam de amadores de comunicações”. (Idem. 5ª questão) Vê-se, por esta resposta que a finalidade da comunicação é a de instruir as criaturas humanas de como devem se comportar na vida, a fim de evitar os seus percalços e deles saber tirar o bom resultado quando são inevitáveis.

Meditar, significa ler com atenção; procurar entender o verdadeiro significado do que lê, pensar cuidadosamente sobre o que aprendeu e buscar aplicar o aprendido. Eis os objetivos que o médium deve atingir.

No caso de não mais funcionar a faculdade mediúnica, isto jamais se deve ao fato de o médium ter encerrado a sua missão, como de costuma dizer, porque toda missão encerrada com sucesso, é prenuncio de nova tarefa que logo se lhe segue e assim sucessivamente. O que ocorre nestes casos é perda por abusos da mediunidade ou por doença grave.

XXVII – PAPEL E INFLUÊNCIA DO MÉDIUM NAS COMUNICAÇÕES

ASPECTOS GERAIS

Compreendendo como se opera a transmissão do pensamento dos espíritos é possível entender o papel dos Médiuns nas manifestações. O Espírito, possui um envoltório semimaterial ao qual chamamos de PERISPÍRITO. O fluido condensado, por assim dizer, em redor do espírito, para formar invólucro, é o intermediário pelo qual ele atua sobre os corpos. É o agente de seu poder material e é através dele que produz os fenômenos físicos. O Espírito exprime diretamente o seu pensamento pelo movimento de um objeto ao qual a mão do médium serve apenas de ponto de apoio. O Espírito pode fazê-lo mesmo sem que esse objeto esteja em contacto com o Médium. A transmissão do pensamento dá-se também por intermédio do espírito do Médium, ou melhor, de sua Alma, visto que designa-se sob éster nome o Espírito encarnado. O Espírito não atua sobre a mão do médium, como não atua sobre a cesta ou a prancheta, sim, atua sobre a alma sob esse impulso, dirige a mão por meio do fluído, que compõe seu próprio perispírito. Deve-se registrar que o espírito estranho ou comunicante, não substitui a alma, pois não pode desalojá-la; ele a controla a revelia dela, imprime-lhe sua vontade. Entende -se por “revelia dela”, a atuação exterior sobre os órgãos do corpo. A alma entretanto, pode perfeitamente, ter consciência Ada ação exercida sobre ela por um espírito estranho. O papel da alma nesta circunstância é, algumas vezes, inteiramente passivo e então o médium, se é de incorporação, não tem nenhuma consciência do que escreve ou do que diz. Ocasionalmente, entretanto, a passividade não é absoluta; então ele tem uma consciência mais ou menos vaga, embora a mão seja arrastada por um movimento maquinal, ao qual a vontade permanece alheia. Se for assim, dir-se-á nada prova que seja um espírito estranho que escreve e não o do Médium. Nós diremos pois, que pode acontecer que a alma do médium se comunica como o faria um espírito estranho.

E isso se concebe facilmente. Visto que podemos evocar o espírito de pessoas vivas ausentes e presentes, e como esse espírito encarnado no médium não se comunicaria igualmente? Os fatos provam que em certas circunstâncias, isso se dá, como no sonambulismo, por exemplo. Porém, não devemos deduzir daí, que todas comunicações provenham do espírito do Médium. Tal fato, pode ser melhor compreendido, por exemplo, quando uma pessoa que não sabe ler ou escreve uma língua que não conhece, quando enfim, o que é mais comum, ela não tem consciência alguma do que escreve, e os pensamentos que exprime são contrários ao seu próprio modo de ver, estão além de seus conhecimentos ou fora do alcance de sua inteligência. O Médium , quanto a execução, ,é apenas instrumento, ele exerce, sob outro p0nto de vista, uma influência muito grande. Ressalte-se que, para se comunicar o espírito se identifica com o do médium, essa identificação não pode dar-se se não há entre eles simpatia, e, por assim dizer afinidade. A alma exerce sobre o espírito estranho uma espécie de atração ou de repulsão, segundo o grau de sua similitude ou dessemelhança, ora, os bons espíritos têm afinidade com os bons e os maus, donde se segue que as qualidades morais do Médium têm uma influência capital sobre a natureza dos espíritos inferiores que vem se agrupar em torno do médium e se comunicam por ele e estão sempre prontos a tomarem o lugar dps Bons Espíritos que foram chamados.

As qualidades que atraem os bons Espíritos são: a bondade, benevolência, simplicidade de coração, o amor ao próximo e o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os repelem são: o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões pelas quais o homem se prende a matéria. Um médium por excelência seria, pois, aquele que, com facilidade de execução, reunisse no mais alto grau, as qualidades morais.

A influência do Espírito do Médium pode exercer-se de outra maneira. Se ele é hostil ao Espírito comunicante, pode ser-lhe um intérprete infiel, alterar-lhe ou disfarçar-lhe o pensamento ou transmiti-lo em termos impróprios. O mesmo se dá entre nós quando se encarrega u homem de má fé, de uma missão de confiança.

A faculdade mediúnica, levada embora a alto grau de deseanvolv8mento, não basta, pois para garantir boas comunicações, é necessário, antes de tudo e, como uma condição expressa, um Médium simpático aos bons Espíritos.

XXVIII – INFLUÊNCIA DO MEIO NAS COMUNICAÇÕES

Os Espíritos estão incessantemente ao redor de nós, interferindo em nossas ações, reuniões, seguindo-nos, evitando-nos conforme seja a afinidade fluídica, simpatia ou antipatia. O Médium é o interprete; o instrumento consciente dos Espíritos e sua faculdade mediúnica nada mais são do que um meio de comunicação.

Conseqüentemente, a ação do médium depende do meio em que se encontre, dos objetivos das reuniões, da elevação moral dos encarnados e desencarnados, da afinidade entre médium e o espírito comunicante, da boa ou má preparação do ambiente, etc.

A reuniões fúteis comparecem Espíritos levianos e brincalhões; reuniões sérias, Espíritos Elevados. Kardec perguntou se os Espíritos Superiores ´procuram encaminhar idéias sérias nas reuniões fúteis. Como resposta, foi-lhe dito que: “Os Espíritos Superiores não vão às reuniões onde sabem que a presença deles é inútil. Nos meios pouco instruídos, onde domina a ironia. Em tais meios, é necessário se fale aos ouvidos e aos olhos: esse papel é dos espíritos batedores e zombeteiros. Convém que aqueles que se orgulham da sua ciência sejam humilhados pelos Espíritos menos instruídos e menos adiantados. O meio exerce influência enorme sobre a natureza das manifestações inteligentes. Meio aqui não é o espaço, local, condição atmosférica ou ambiente, mas conjunto de qualidades morais e objetivos de Espíritos e encarnados interessados na reunião mediúnica. “Assim onde haja uma reunião de homens, há igualmente em torno deles uma assembléia oculta, que simpatiza com suas qualidades e seus defeitos”.(LM, ítem232). A ação do médium é de fundamental importância para a formação desse meio, que deverá influenciá-lo, porquanto “os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam”.(LM, item 227).

Em resumo diz Kardec: ”As condições do meio serão tanto melhores, quanto mais homogeneidade houver para o bem, mais sentimentos puros e elevados, mais desejo sincero de instrução, sem idéias preconcebidas”.(LM, cap.XXI, item 233).

XXIX – MOVIMENTO ESPÍRITA

Movimento Espírita “(…) é o conjunto de atividades desenvolvidas organizadamente pelos Espíritas, para por em prática a Doutrina Espírita, através de instituições, encontros fraternos, congressos, palestras, edições de livros, etc. O Movimento Espírita é, portanto, um meio para se aplicar a Doutrina Espírita em todos os sentidos, para se divulgar os seus princípios e se exercitar a vivência de suas máximas. (…)”. Atingiu o seu alto estágio pela Unificação no plano nacional através do Pacto Áureo celebrado em 5 de outubro de 1949.

O processo de divulgação doutrinária se afetiva através da tribuna, da imprensa espírita e das escolas de evangelização espírita infanto-juvenis e de estudos sistematizados da Doutrina.

Como veículo de maior penetração pública, o livro Espírita é o de maior alcance, levando a mensagem a todos os recantos do mundo. Com o advento da Informática o Movimento de divulgação doutrinária ganha de semeadura que não pode ser desconsiderado.

Não confundir Doutrina Espírita com Movimento Espírita.

Doutrina Espírita é o conjunto de princípios básicos codificados por Allan Kardec, que constituem o Espiritismo. Esses princípios estão contidos nas obras fundamentais, que são: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Todas as demais obras espíritas por mais preciosas que sejam ou venham a ser, são e serão obras complementares, ou acessórias, sem que isso lhes diminua o extraordinário valor de muitas delas, pois a Doutrina Espírita é, como a definiu o próprio Codificador, “essencialmente progressiva”.

Movimento Espírita é outra coisa, é o conjunto de atividades desenvolvidas organizadamente pelos espíritas, para pôr em prática a Doutrina Espírita, através de instituições, encontros fraternos, congressos, palestras, edições de livros, etc. O Movimento Espírita é, portanto, um meio para se aplicar a Doutrina Espírita, em todos os sentidos, para se divulgar os seus princípios e se exercitar a vivência de suas máximas.

A Doutrina Espírita está imune a deturpações; porque qualquer idéia ou conceito que se mostre incompatível com os princípios consagrados nas obras da Codificação, poderá ser tudo, menos Espiritismo.

Já o Movimento Espírita, por ser movimento livre de pessoas e instituições humanas, sem obrigações de obediência compulsórias hierarquias religiosas que não possuímos, não goza da mesma imunidade, exigindo, em razão disso, de cada espírita em particular, e de todo grupo ou instituição espírita, uma vigilância permanente, no mais alto sentido, para que nenhuma deturpação comprometa a pureza dos ideais que abraçamos.

A força da Doutrina Espírita está em seus princípios e na sua permanente possibilidade de comprovação. São eles: a existência, a unicidade, a justiça e a onipotente e paternal bondade de Deus; a imortalidade da alma, a reencarnação e a comunicabilidade dos Espíritos; a evolução universal e infinita.

A razão de ser do Movimento Espírita só pode ser a divulgação e a prática da Doutrina Espírita. É nesse sentido que todas as potencialidades dos espíritas devem ser canalizadas, isto, para a difusão do evangelho Redivivo, à luz da imortalidade e da reencarnação, da justiça perfeita e do inesgotável Amor Divino. Cada página de livro, jornal ou revista espírita, cada programa espírita de rádio e TV, cada palestra ou conferência espírita constituem sagrada oportunidade para a divulgação dos princípios e dos esclarecimentos da doutrina dos espíritos, levando à alma do povo as sementes da consolação e da esperança, do entendimento superior da vida e de uma nova conceituação da verdadeira fraternidade, com base nas sublimes verdades reveladas pelo Consolador Prometido e Enviadas por Jesus.

Todo aquele a quem a luz da Doutrina Espírita já iluminou tem o indeclinável dever de aproveitar integralmente as possibilidades que o Senhor da Vinha lhe concede, para estender a luz do conhecimento e do amor, com simplicidade e eficiência, desprendimento e sinceridade. Para falar ao povo simples, o exemplo de Jesus não deve ser esquecido: – a linguagem deve ser singela e direta, franca e fácil como a própria verdade.

Importante é levar a mensagem do espiritismo ao povo, na linguagem do povo com correção e nobreza, elevação e dignidade.

XXX – BIBLIOGRAFIA

  • O Livro dos Espíritos. Allan Kardec. Ed FEB*
  • O Livro dos Médiuns. Allan Kardec. Ed FEB
  • O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Ed FEB
  • O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina. Allan Kardec. Ed FEB
  • A Gênese. Allan Kardec. Ed FEB
  • O Que é o Espiritismo. Allan Kardec. Ed FEB
  • No Invisível. Léon Denis. Ed FEB
  • O Grande Enigma. Léon Denis. Ed FEB
  • Deus na Natureza. Camille Flammarion. Ed FEB
  • Depois da Morte. Léon Denis. Ed FEB
  • The Occult Glossary. G. Purucker
  • O Problema do Ser do Destino e da Dor. Léon Denis. Ed FEB
  • As Leis Morais. Rodolfo Calligaris.Ed FEB
  • Justiça Divina. Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, Cap Corrigir e pagar. Ed FEB
  • A Prece.Allan Kardec.Ed FEB
  • Páginas de Espiritismo Cristão. Rodolfo Calligaris. Ed FEB
  • Nos Domínios da Mediunidade. Francisco Cândido Xavier. Ed FEB
  • Levítico, l9:31, Bíblia
  • Levítico, 20:27, Bíblia
  • Deutoronômio, 18:10 e 12, Bíblia
  • Estudos Espíritas, Cap Mediunidade. Divaldo Pereira Franco. Ed FEB
  • O Consolador. Francisco Cândido Xavier/Emmanuel. Ed FEB
  • Mediunidade, Cap 2. Edgard Armond
  • Estude e Viva. Chico Xavier/Emmanuel Ed FEB
  • Evolução em Dois Mundos. Chico Xavier/André Luis. Ed FEB
  • Mecanismos da Mediunidade/André Luis.Ed FEB
  • Estudando a Mediunidade, Cap 29, Martins Peralva. Ed FEB
  • Seara dos Médiuns, lição 62. Chico Xavier/Emmanuel. Ed FEB
  • Viagens e Entrevistas, item 78.Divaldo P Franco Ed
  • Emmanuel. Francisco Cândido Xavier. Ed
  • Entre a Terra e o Céu. Chico Xavier/André Luis. Ed FEB
  • Missionários da Luz. Chico Xavier/André Luis.Ed FEB
  • Revista Espirita. Allan Kardec. Ed EDICEL:
    • 1 A pluralidade dos mundos, Júpiter e alguns outros mundos (março de 1858).
    • 2 Descrição de Júpiter (Abril de 1858).
    • 3 Habitações em Júpiter (Agosto de 1858).
    • 4 Júpiter e Marte (Outubro de 1860).
    • 5 O Planeta Vênus (Agosto de 1862).
    • 6 A Pluralidade dos Mundos Habitados (Janeiro de 1863).
  • Iniciação Espírita. Allan Kardec, cap. VI e VII Ed FEB.

*Ed FEB (Editora – FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA).

ANEXOS

Obsessão – Causas – Meios de combatê-la

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL

Síntese de uma reunião de Dirigentes do Centro Espírita O Consolador, da Casa de Ismael, em 07 dez 91.

Interferência dos Espíritos em nossos pensamentos

Comunicabilidade dos Espíritos

Mediunidade com Jesus