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O Espiritismo, a reencarnação e a igreja

Esta matéria responde, em conjunto, às colocações do católico Sr. Carlos Ramalhete,
mostrando a coerência e as verdades da Doutrina Espírita, as quais se identificam
plenamente com a Bíblia, a razão e a Ciência.

Primeiramente, eis os questionamentos propostos pelo Sr Carlos Ramalhete, e,
em seguida, a nossa matéria em resposta ao missivista:

Reencarnação

Dos erros mais comuns hoje em dia é a crença na chamada “reencarnação”, um
mecanismo pelo qual uma pessoa teria várias “vidas” sucessivas, sendo uma pessoa
ou outra em uma vida ou outra, vidas essas passadas por toda parte. Esta crendice
é evidentemente incompatível com a Fé Cristã, com a Razão e com o próprio bom
senso.

A crença na reencarnação é incompatível com a Fé Cristã

Ela é incompatível com a Fé Cristã porque sabemos que “Para os homens está
estabelecido morrerem uma só vez e logo em seguida virá o juízo.” (Heb 9,27),
e a reencarnação pressupõe que cada homem teria várias mortes sucessivas, nascendo
depois com outro nome, filho de outros pais, em outro país… segundo as crenças
de alguns grupos reencarnacionistas , a pessoa poderia nascer com o sexo oposto
ou não, ou até, segundo alguns (como os de tendência hinduísta, oriental), poderia
nascer como animal ou como planta!

Ela é incompatível com a Fé Cristã porque nega o valor dos Sacramentos (uma
pessoa seria batizada novamente em cada “encarnação”) , nega Céu, Purgatório e
Inferno, nega a criação da alma humana, nega a união substancial entre corpo e
alma, nega a existência de anjos e demônios, nega os privilégios da Santíssima
Virgem Maria, nega o pecado original, nega a graça divina, nega toda a doutrina
do sobrenatural, nega o juízo particular depois da morte, a ressurreição da carne
e o juízo final.

Ela é incompatível com a Fé Cristã porque nega a Misericórdia divina e o perdão
dos pecados (segundo Allan Kardec, “Toda falta cometida, todo mal realizado é
uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á
na seguinte ou seguintes .” – o pecado, para um reencarnacionista , nunca é perdoado!)
e prega um deus que se existe não age, e se age não perdoa. Tudo seria um mecanismo
em que estariam presas as pessoas, pagando em uma “encarnação” os pecados cometidos
em “encarnações” anteriores, dos quais não têm lembrança ou conhecimento, sem
esperança alguma de perdão.

A crença na reencarnação é incompatível com a Razão

A crença na reencarnação é também incompatível com a Razão, com o raciocínio
lógico mais elementar. Afinal, para que seja possível aprender com um erro, é
necessário que lembremos do erro cometido. Isto ocorre não apenas com os seres
humanos, mas também com os animais. Um cachorro aprende a não satisfazer suas
necessidades fisiológicas no lugar errado sendo castigado quando o fez, ou sentindo
o cheiro do que fez para que se lembre de seu ato. Alguém que tentasse ensinar
um cachorro a controlar sua bexiga esperando a hora em que o animal não mais se
lembrasse do ato proibido para, de sopetão , castigá-lo, conseguirá na melhor
das hipóteses traumatizar o pobre animal, nunca ensiná-lo a segurar a bexiga.
Afinal, o pobre animalzinho não saberá porque terá sido castigado!

A crença na reencarnação pressupõe um deus punitivo e sem misericórdia, ou
melhor, um mecanismo que funciona por conta própria em que as pessoas são punidas
em uma vida por pecados de que não se lembram, por erros que não sabem que cometeram,
com o único objetivo de expiar uma falta que desconhecem totalmente ter cometido.
Assim, evidentemente, não pode haver aprendizado. Como poderia uma pessoa que
sofre com conseqüências de um suposto pecado em uma teórica vida passada aprender
a não mais cometer aquele pecado, se ela nunca soube tê-lo cometido?! Como poderia
ela saber que errou, que está sendo punida por aquele erro e que não mais deve
cometê-lo, se ela não tem lembrança alguma desta suposta vida anterior e só vê
as misérias que sofre e que lhe parecem absolutamente desprovidas de valor, já
que não tem como ligá-las com aquilo que teria sido a causa destes sofrimentos
e que teoricamente os faria justos?

A crença na reencarnação é também incompatível com a Razão pelo simples fato
de que não ajuda em nada uma pessoa por pecados que ela não sabe ter cometido,
como não faz sentido dizer ser a mesma pessoa (ou dar a ela uma punição!) quando
ela nasceu de outros pais, com outro nome, em outro lugar, sem lembrança alguma
de sua suposta vida anterior, de sua personalidade nesta “vida passada”, de seus
erros, acertos, ignorâncias e saberes.

Uma pessoa que não fala a mesma língua, não tem a mesma cultura, nasceu de
outros pais, em outro país, não se lembra da “encarnação ” anterior, não tem conhecimento
algum de nada do que agora o afetaria, não é nem pode ser considerada a mesma
pessoa que uma sua suposta “encarnação” anterior. Qual seria o ponto em comum
entre essas pessoas? Apenas uma espécie de “carnê” de pecados a pagar, que seria
passado de uma pessoa/ ” encarnação” para outra pessoa/”encarnação”, sem que seja
possível lembrar-se da origem daqueles sofrimentos, sem que seja levado nada de
uma “encarnação” a outra a não ser os pecados a pagar.

Assim, podemos dizer que a crença na reencarnação pressupõe na verdade que
os pecados cometidos por uma pessoa (João da Silva, nascido em Botucatu dia 25.I.65
e falecido em Belo Horizonte em 30.VIII. 97, teria por pura maldade quebrado a
perna de uma criança) são pagos por outra (José de Souza, nascido em 27.IX.97
em Belém do Pará, nascido com a perna aleijada). Ora, isso não apenas é injusto
como é absurdo! Não é a mesma pessoa, já que não há nada (paternidade, nome, personalidade,
naturalidade, cultura, conhecimentos…) em comum, e José de Souza não teria como
saber que sofre pelos pecados de João da Silva, que teria morrido e deixado assim
de ser punido pelos seus pecados, passados a José para que a pobre criança os
pagasse!

A crença na reencarnação, além disso, é incompatível com a Razão (ao menos
quando os reencarnacionistas afirmam que todas as “encarnações” ocorrem em seres
humanos e na Terra) porque a população de hoje no planeta é equivalente à soma
de todas as pessoas que cá já viveram até o século passado. Assim, cada pessoa
poderia no máximo estar na primeira ou segunda “encarnação”.

A crença na reencarnação é também incompatível com o bom senso mais elementar
e é facilmente perceptível como apenas um reflexo do eterno orgulho humano quando
percebemos que praticamente todas as pessoas que acreditam em reencarnação fazem
questão de citar imediatamente supostas “encarnações” anteriores como reis, rainhas,
pessoas famosas… conheço umas cinco ou seis Cleópatras!

Hoje em dia, com a queda dos padrões morais da sociedade, está também na moda
ter sido uma prostituta elegante de alguma corte em supostas vidas anteriores.
Isto reflete apenas as ânsias das pessoas, a sua incapacidade de enfrentar a realidade,
mas evidentemente não corresponde à realidade.

Os Espíritas e a Igreja

Em 1953 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reafirmou o que afirmara
em 1915 e em 1948:

“Os espíritas devem ser tratados, tanto no foro interno como no foro externo,
como verdadeiros hereges e fautores de heresias, e não podem ser admitidos à recepção
dos sacramentos, sem que antes reparem os escândalos dados, abjurem o espiritismo
e façam a profissão de fé.”

Segundo a Lei da Igreja, “chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção
do batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou
a dúvida pertinaz a respeito dela” (CDC cân . 751).

Ora, “o herege incorre automaticamente em excomunhão” (CDC cân . 1364 §1),
ou seja, deve ser excluído da recepção dos sacramentos (cân . 1331 §1), não pode
ser padrinho de batismo (cân . 874), nem de crisma (cân . 892) e não pode casar
na Igreja sem licença especial do bispo (cân . 1071) nem ser membro de associação
ou irmandade católica (cân . 316).

Autor: Carlos Ramalhete – Livre cópia e difusão do texto em sua íntegra com
menção do autor.

Contra-argumentos ao texto

O Cristianismo está dividido hoje em um grande número de igrejas ou correntes
cristãs. A própria Igreja Católica Apostólica Romana tem suas divisões. Há católicos
que assistem a uma missa todos os dia. E há católicos que passam anos sem assistir
a uma missa. Há aqueles que não crêem na reencarnação, e há aqueles (a maioria)
que a aceitam. Existem aqueles que não crêem no inferno e em outros dogmas católicos,
e outros que, cegamente, aceitam todas as doutrinas católicas e mais as superstições
católicas populares. Para os adversários do Espiritismo, é bom que se lembre aqui
que a maioria dos católicos freqüenta centros espíritas e centros de Umbanda, Candomblé
e Quimbanda. E uma prova de que é verdade o que estamos afirmando é que muitos padres,
xingando os seus fiéis católicos, têm dito que “quando a coisa aperta para os católicos,
eles correm para os centros espíritas”. E a própria Igreja afirma hoje que nela
reina a unidade na diversidade. A diversidade é as divergências internas dela.

A Igreja tem muita afinidade com o Espiritismo. O Brasil é a maior nação católica
do mundo, e é também a mais espírita do mundo. As Filipinas é a 2a nação católica
da Ásia, e é a 2a nação espírita do mundo. De fato, a comunicação com os santos
da Igreja não é com os cadáveres dos santos, mas com os espíritos dos santos. E
a proibição de Moisés da comunicação com os espíritos (Dt. 18,11) não é de Deus,
pois não está no Decálogo. Ademais, ela prova-nos que existe a comunicação com os
espíritos, senão Moisés não a iria proibir. Não seria ele louco de proibir uma coisa
que não existe. Mas Moisés mesmo se contradiz, com relação a esse assunto, permitindo
a Eldade e Medade que recebam espíritos (Nm 11,26-29). E, se fôssemos obedecer a
tudo determinado por Moisés, iríamos contra os Dez Mandamentos. Por exemplo, ele
manda assassinar a pedradas todos os que se comunicam com os espíritos (Levítico
20,27).

Sabemos que Jesus e os apóstolos médiuns Pedro, Tiago e João, na Transfiguração,
entraram em contato com os espíritos de Moisés e Elias. E para aqueles que dizem
que Elias foi para o céu vivo, com seu corpo de carne, lembro-os de que Elias continuou
na Terra depois do episódio de ter subido em uma carruagem de fogo, pois Jeorão,
rei de Judá, recebeu de Elias uma carta, alguns anos depois do citado episódio evolvendo
o desaparecimento de Elias numa carruagem de fogo (2 Crônicas 21,12).

Quanto à posição da Igreja em relação não só ao Espiritismo, mas também, a outras
religiões, estão caducas aquelas condenações dos bispos brasileiros, de 1915, 1948
e 1953, como estão caducas as leis canônicas que regiam a Inquisição. Valem para
hoje as decisões constantes da “Lumem Gentium” do Concílio Vaticano II. E ninguém
é mais excomungado porque participa de alguma cerimônia ou evento não católicos.

Alegam muitos religiosos cristãos fundamentalistas que o pagamento de pecados
pelas reencarnações é incompatível com a razão, porque o indivíduo não se lembra
do pecado que está pagando. A criança não sabe que a panela quente no fogão queima
seu dedo, e, no entanto, ela se queima assim mesmo sem saber o motivo e sem saber
sequer que ela está cometendo um erro. Incompatível com a razão é o indivíduo pagar
pelo pecado original de Adão e Eva, e que é também contra a Bíblia. “A alma que
pecar, essa morrerá: o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai a iniqüidade
do filho” (Ez 18,20). E Deus quis que nós ignorássemos nosso passado para o nosso
próprio bem. Se o indivíduo tem uma pessoa de sua família, vizinha ou colega de
trabalho ou de estudo, que, no passado, foi um seu desafeto ou grande inimigo seu,
ao saber disso, automaticamente se criaria uma barreira entre os dois. Como, pois,
haveria um relacionamento amistoso, de reconciliação e amizade entre eles? Seria
muito difícil acontecer a sua harmonização. E um outro tipo de problema poderia
haver com a lembrança de fatos do passado. Se surgir uma oportunidade para fazermos
o bem a uma pessoa, mas descobrimos que, numa vida anterior, ela foi um nosso grande
amigo ou irmão, avô, filha, esposa ou esposo, certamente lhe daríamos uma atenção
toda especial. Mas não teríamos mérito! E, sem dúvida, ficaríamos perplexos e mesmo
traumatizados, se soubéssemos o que já fizemos de errado no passado! Como se vê,
é bom, em todo sentido, nós ignorarmos o nosso passado, como é bom ignorarmos também
o nosso futuro. Aliás, tudo o que Deus faz é bom e mais do que certo. E, por isso,
temos no Velho Testamento um texto reencarnacionista sobre esse assunto específico
que acabamos de ver: “Somos de ontem e nada sabemos” (Jó 8,9). Esse ontem não é
um passado de 24 horas, mas um passado longínquo, como se pode ver pelo contexto
bíblico.

Mas há um outro texto bíblico, agora do Apóstolo Paulo, muito usado contra a
reencarnação. É quando Paulo fala que Jesus morreu uma vez só, como o homem morre
uma vez só (Hb 9,27). Esse texto Paulino nada tem a ver com a reencarnação nem a
favor dela nem contra ela. A palavra homem vem do Latim “humus”, água com terra
ou barro, da qual se originou a palavra, também latina, “homo”, homem em Português.
De fato o homem morre uma vez só “e bem morrido”. “Aquele que desce à sepultura,
jamais se levantará” (Jó 7,9). Além de esta afirmação do Livro de Jó nos mostrar
como o homem era visto pelos semitas, ou seja, pelo seu lado fenomênico, material,
mostra-nos também que a ressurreição não é do corpo, mas do espírito, pois jamais
subirá o que desce à sepultura, isto é, o corpo, a carne. Realmente, a ressurreição
do corpo é do Credo da Igreja. Mas a da Bíblia é do espírito. “Temos dois corpos,
um da natureza e outro espiritual; ressuscita o espiritual” (1 Co. 15,44). Para
um dos maiores teólogos católicos da Igreja da atualidade, o espanhol André Torres
Queiruga, a ressurreição, inclusive a de Jesus Cristo, é também do espírito (“Repensar
a Ressurreição”, Ed. Paulinas). Quando o espírito reencarna, ele ressuscita (ressurge)
na carne. Quando o homem morre, seu espírito ressuscita no mundo espiritual, até
que, um dia, o espírito fique por lá. “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário
do meu Deus, e daí jamais sairá” (Ap. 3,12)

Sobre a nossa personalidade, nós temos duas: uma geral do espírito, a que pertence
o inconsciente, e outra particular para cada vida do espírito na carne, da qual
é o consciente. E é o consciente que funciona, quando estamos em vigília ou estado
normal de consciência. O consciente não se lembra de vidas passadas. E é por isso
que só nos lembramos de episódios de outras vidas, quando estamos em estado alterado
de consciência, isto é, o estado em que funciona o nosso inconsciente. O estado
de consciência normal ou não alterado é o de Beta (vigília), quando estamos acordados
ou com o consciente em funcionamento. Já os estados alterados de consciência, em
que funciona o inconsciente, são o de Alfa, isto é, o de quando estamos quase dormindo
ou quase acordando (a pessoa fica meio grogue). O estado de Teta se dá quando temos
um sono leve. Delta é quando estamos em sono profundo. E como já foi dito, as lembranças
de episódios de encarnações passadas ocorrem nesses estados alterados de consciência,
muito raramente quando o indivíduo está em Beta (vigília).Neste estado de Beta,
as lembranças só acontecem de modo indireto ou em forma de tendências, inclinações,
talentos.

Os adversários fundamentalistas da reencarnação alegam que ela é contrária às
doutrinas da Igreja. Em outros termos, a Igreja não a aceita. Mas nem tudo que não
é aceito pela Igreja está errado. E, às vezes, acontece até o contrário, estando
errado o que foi aceito pela Igreja, de que são exemplos a Inquisição, as Cruzadas
e as guerras ou conflitos religiosos do passado, de que a Igreja pede hoje perdão.
E eu gostaria de dizer para os católicos e evangélicos contrários à reencarnação
que ela foi aceita pelo Cristianismo Primitivo, tendo sido só condenada no Concílio
Ecumênico (553), por influência do Imperador Justino e sua esposa Teodora. Como
o fenômeno da reencarnação nunca foi condenado por Jesus e a Bíblia, pelo contrário,
em Jesus e nela temos várias passagens que falam direta e indiretamente sobre a
reencarnação, não é, pois, estranho que ela tenha feito parte do Cristianismo dos
primeiros séculos. E a própria condenação dela no citado concílio demonstra que
ela era aceita por teólogos cristãos. E entre eles gostaríamos de destacar São Clemente
de Alexandria, Orígenes, São Cirilo, o Papa São Gregório Magno, São Justino, autor
de “Apologia da Religião Cristã”, São Gregório Nazianzeno etc.

E a reencarnação não é uma doutrina só dos espíritas. Ela é universal, tendo
hoje o respaldo de vários segmentos da ciência, como a Terapia de Vivências passadas
(TVP), exercida por milhares de médicos, psicólogos, parapsicólogos e até por físicos,
como o francês radicado nos Estados Unidos, Patrick Drouot. Pode haver falhas nessas
regressões. Por exemplo: interferências de entidades, as quais podem identificar-se
falsamente, trazendo confusão de identidade ao inconsciente da pessoa que regride
e ao seu terapeuta. Por isso, os terapeutas da TVP devem ser bem preparados nos
seus cursos de Pós-Graduação. Uma pesquisa feita pela Universidade de Oxford, encomendada
pela Igreja Anglicana (Inglaterra), com base em 2.000, 4.000.000.000 de pessoas,
isto é, 2/3 da população da Terra, crêem na reencarnação. E essa doutrina não é
incompatível com a Doutrina Cristã nem com a lógica e a razão. E o clero católico
e os pastores são contra ela, porque ela nos mostra que a salvação depende da vivência
do Evangelho do Cristo, enquanto que o clero católico e os pastores querem “vender”
para nós a salvação! “Os homens não perdoam as doutrinas que lhes fazem perigar
os interesses” (Salomon Reinach). Mais sobre a reencarnação no nosso livro “A Reencarnação
Segundo a Bíblia e a Ciência”.

Jesus Cristo é o nosso Redentor, no sentido de que Ele foi o Enviado do Pai para
nos trazer a mensagem do Evangelho. Mas, se fosse o sangue de Jesus que nos remisse,
não precisaríamos fazer nada. Poderíamos nos esbaldar! E o próprio Jesus disse:
“Ninguém deixará de pagar até o último centavo”. Se fosse, pois, o sangue Dele que
nos redimisse, não teríamos que pagar nem o primeiro nem o último centavo do preço
de nossas faltas! E esse ensino do Mestre nos deixa claro, também, que pago o último
centavo, estaremos quites com a Justiça Divina, não tendo nós que pagar mais nada,
porquanto, a justiça divina é perfeita. E isso derruba por completo as chamadas
penas eternas.

Quanto aos sacrifícios, Jesus disse: “Basta de sacrifícios!” Destarte, o sangue
derramado de um ser humano ou de um animal não acalma Deus, o Pai, nem faria despertar
em Deus sua misericórdia para nós, pois Deus é imutável. Aliás, a sua misericórdia
por ser infinita, não poderia ser aumentada nem diminuída com nenhuma espécie de
sacrifício, muito menos humano e de um homem justo e inocente como foi Jesus. E
Deus não é um espírito de baixo astral, que se compraz com sangue derramado.

Sabemos hoje, também, que não há inferno geográfico eterno, nem de fogo propriamente
dito, como o entendiam (uns fingiam entender), por ignorância os teólogos do passado
e muitos ainda de hoje o entendem. O fogo do inferno bíblico é figurado, é no sentido
esotérico e não exotérico. Muitos líderes religiosos de hoje fingem que crêem ainda
nessas coisas, para amedrontarem seus fiéis e, assim, poderem manipulá-los melhor.
Ademais, poucos sabem que o termo “eterno” vem de uma palavra grega, “aionios”,
que quer dizer um período longo, mas que tem fim! E hoje, 150 anos depois do ensino
espírita, a Igreja passou a ensinar também que o inferno não é um local geográfico,
mas um estado de consciência, ou seja, o contrário do reino de Deus, que está dentro
de nós, em forma ainda, às vezes, de semente ou em estado potencial, como diz a
filosofia. E, por conseqüência, o Paraíso ou Céus (no plural, tradução correta de
“Caeli”, como consta da Vulgata de São Jerônimo), está também em nós. “O reino de
Deus está dentro de vós mesmos”.

Jesus disse que não veio condenar o mundo, mas salvar o mundo. E, como vimos,
Ele salva o mundo com o seu Evangelho. Uns querem dizer que o Espiritismo e a reencarnação
anulam todo o sacrifício de Jesus. Na verdade, o Espiritismo não aceita o sangue
de Jesus como sendo resgate de nossos pecados, mas valoriza, sim, o sacrifício de
sua vinda ao nosso mundo e de sua morte, tudo para trazer para nós a mensagem do
Pai. E tanto é verdade isso, que o Espiritismo incentiva todos a porem em prática
essa mensagem do Pai. Realmente, é vivenciando o Evangelho do Mestre dos mestres,
que nós vamos nos aperfeiçoando em nossa caminhada em direção à perfeição do Pai.
“Fora da Caridade não há salvação” (Allan Kardec). “A fé sem obras é morta” (São
Tiago). “Posso ter uma fé que remove montanha, mas se eu não tiver caridade, não
sou nada” (São Paulo). E o Nazareno não ensinou que é crendo em determinados dogmas
criados pelos teólogos, quando eles nem conheciam ainda direito a Bíblia, que nós
nos tornamos seus discípulos e nos salvamos, mas por nos amarmos uns aos outros
como Ele nos amou.

O espírita é aquele, pois, que procura seguir o verdadeiro ensino de Jesus, já
que busca, como foi dito, a vivência do seu Evangelho. E o Espiritismo crê de fato
na misericórdia infinita de Deus, pois, para nós espíritas, essa misericórdia divina
é tão ampla, que Deus nos dá quantas chances (reencarnações) forem necessárias para
a nossa salvação. Em outras palavras, para o Espiritismo, a misericórdia divina
é infinita mesmo, ou seja, é incondicional e é para todo o sempre. É como nos mostra
a Parábola do Filho Pródigo, em que o Pai de Misericórdia está sempre com os braços
abertos para abraçar a qualquer filho seu, pois Deus não faz exceção de pessoas.
Basta que um filho seu “entre em si”, como diz a Parábola, e queira voltar para
Ele, pois o Pai, que é perfeito, respeita totalmente o nosso livre-arbítrio, para
quando quisermos, como quisermos e onde quisermos despertar para a verdade que liberta,
pois somos espíritos imortais e filhos de um Pai tão amorável, que nos ama mais
do que nós mesmos nos amamos!

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