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Geração espontânea

Geração espontânea

 

Um dos assuntos mais polêmicos, sem dúvida, a respeito do aparecimento da vida
em nosso planeta refere-se à forma pela qual a biota possa ter surgido.

Várias são as hipóteses, inclusive a de se admitir que algum bólido tenha conseguido
romper a atmosfera sem se incandescer ou, quando muito, permitir que a vida biológica
nele existente pudesse chegar até sua superfície, tendo mergulhado n’água onde pode
se reproduzir.

Hipótese fantástica, sem dúvida, e deveras ilusória, contudo , admissível, em
última análise.

Há, ainda, a esperança de que vidas sob forma de espórulos, que pairam sobre
nossa atmosfera possam ter-se nela penetrado e, gradativamente, irem-se deixando
atrair por sua gravidade até chegar lentamente ao solo.

Todas as hipóteses aventadas afastam qualquer condição de se admitir a geração
espontânea.

Todavia, o cientista Murray Gell Mann, que descobriu o quark, ao realizar diversos
experimentos no acelerador de partículas da Stanford University (EUA) onde trabalha,
conseguiu equacionar o choque entre uma partícula material, o elétron e sua anti-matéria
correspondente, o pósitron.

Em princípio, a hipótese era a de que, ao se colidirem, por tratarem-se de partículas
correspondentes, uma neutralizaria a outra e ambas se tornariam na energia fundamental
de que se compuseram.

Só que não foi isso o que ocorreu- as duas continuaram ativas e, equacionando
o fenômeno, o grande físico norte americano, chegou à conclusão de que elas deveriam
ser comandadas por um agente externo ao universo ao qual denominou de agente estruturador
(frameworker).

Isto corroborava a hipótese de Werner Heisenberg que, ao anunciar o seu famoso
Princípio da Incerteza garantiu que as partículas que se desviavam da sua trajetória
tinham vontade própria, como ovelhas desgarradas. Palavras que definiam algo estranho
nas mesmas. Elas não obedeciam, como as demais, ao comando do impulso para atingirem
a um alvo pré-determinado.

Com a teoria dos agentes estruturadores pode-se admitir, ainda que vagamente,
a hipótese de que também haviam agentes biológicos capazes de interagir nas moléculas
orgânicas existentes na Terra fazendo- as se transformarem em vidas primitivas,
no caso, os plânctons.

Não seria geração espontânea, senão geração sob comando externo.

A hipótese toma corpo com a descoberta do observatório Heck II do Haway que garante
que a estrela Alfa Centauro está estruturando um sistema planetário sob ação de
agentes desconhecidos que atuam na poeira cósmica do seu entorno, condensando-a
sob forma de planetas solares.

Serão esses agentes as formas espirituais que a própria Religião ignora? Teriam
eles a dimensão de se estender, além da vida humana, até as partículas elementares
de matéria?

O grande problema é conciliar as hipóteses religiosas com as descobertas científicas.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 370 de Novembro de 2001)

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