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Mediunidade: teoria e prática

“Como intérpretes das comunicações espíritas, os médiuns tem um papel de
extrema importância e nunca seria demasiada a atenção dada ao estudo de todas as
causas que os podem influenciar; e isto não só em seu próprio interesse, como
também no daqueles que, não sendo médiuns, deles se servem como intermediários.
Podemos assim julgar o grau de confiança que merecem as comunicações por eles
recebidas.

Todos, já o dissemos, são mais ou menos médiuns. Mas, convencionou-se dar
este nome aos que apresentam manifestações patentes e, por assim dizer,
facultativas. Ora, entre estes, as aptidões são muito diversas: pode-se dizer
que cada um tem sua especialidade. Ao primeiro exame, duas categorias se
desenham muito nitidamente: os médiuns de efeitos físicos e os médiuns de
efeitos inteligentes”.

Segundo Kardec, vemos que uma pessoa pode ter mediunidade e, no entanto, não
ser médium, pelo menos no sentido de servir de intermediária entre os homens e
os Espíritos.

Dai já se pode concluir que nem todos que aparecem nos Centros Espíritas
precisam desenvolver a mediunidade.

Identificando o médium

O primeiro passo é sabermos distinguir quem deve ou não fazer a tentativa da
prática mediúnica. Para isso, é preciso deixar de aceitar alguns conceitos
populares sobre a mediunidade:

  1. Que todos são médiuns;
  2. que praticar mediunidade é fazer caridade;
  3. que as perturbações são produto de mediunidade a ser desenvolvida;
  4. que a pessoa tem uma missão mediúnica;
  5. que há um guia querendo trabalhar com ela etc.

Allan Kardec afirmava que a mediunidade não apresenta sinais exteriores e que
só se pode identificá-la através de experiências. Convém, pois, observarmos
algumas procedimentos administrativos, junto aos companheiros de trabalho:

  1. Oferecer aos membros já dotados de algum conhecimento teórico sobre
    mediunidade, a oportunidade de participarem de sessões práticas. Que esta
    freqüência seja por um período experimental, algo em torno de três meses.

Aqueles que possuem mediunidade ostensiva, logo apresentam sinais de
manifestação. Nestes casos, antes de se definir pelo exercício da mediunidade,
convém manter o médium sob observação por algumas reuniões, para se ter certos
que não está sendo influenciado por obsessores.

  1. Considerar como médiuns somente aquelas pessoas em que a faculdade
    mediúnica se manifestar de forma patente, intensa ou ostensiva.
  2. Considerar aqueles que chegam perturbados ao Centro Espírita como
    necessitados de tratamento e submetê-los à desobsessão por um período entre 30
    e 90 dias. As manifestações observadas podem ser produto de um processo
    obsessivo.

Depois do tratamento, se houver interesse por parte desses pacientes,
prepará-los para o ingresso no quadro de trabalhadores do Centro Espírita.
Começará pelo estudo teórico e depois as experiências práticas.

  1. Aqueles trabalhadores nos quais o nível de influência é baixo, ou quase
    ausente, não devem ser colocados no desenvolvimento mediúnico. Deverão se
    ocupar de outras atividades, mesmo na sala mediúnica, pois há casos em que a
    faculdade só despertará mais tarde.
  2. Não encaminhar pessoas estranhas para a mesa de trabalhos mediúnicos.
    Submetê-las a um período de observação e, se possível, de estudos.

As obsessões espiríticas

Como dissemos no item “C”, dentre os que sentem de modo ostensivo a presença
dos Espíritos, existem aqueles que estão perturbados por obsessão. Estes não
devem ser orientados para o desenvolvimento da mediunidade, e sim encaminhados
para a desobsessão.

Quando se submete um paciente obsedado ao desenvolvimento da mediunidade,
corre-se o risco de vê-lo mergulhar num estado de profundo desequilíbrio. O
exercício da mediunidade poderá levar o médium enfermo a sofrer uma maior
agressão do obsessor, principalmente se a obsessão apresentar um caráter grave.

Allan Kardec diz que a mediunidade obsedada não merece qualquer confiança.
Portanto, não há motivo para colocarmos o obsedado na mesa mediúnica.

“A obsessão, como já dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade. É
também um dos mais frequentes. Assim, nunca serão demais as providências para
combatê-la. Mesmo porque, além dos prejuízos pessoais que dela resultam,
constitui-se um obstáculo absoluto à pureza das comunicações. A obsessão, em
qualquer dos seus graus, sendo sempre o resultado de um constrangimento, não
podendo jamais este constrangimento ser exercido por um Espírito bom, segue-se
que toda comunicação dada por um médium obsedado é de origem suspeita e não
merece nenhuma confiança “
– (Allan Kardec em “O Livro dos Médiuns”, Capitulo
X»II, item 242).

Deve-se oferecer ao obsediado a assistência espírita, acompanhada de
tratamento médico, quando for necessário. Depois, liberto do condicionamento
medicamentoso, se a sensibilidade permanecer num nível elevado, o paciente
poderá ser encaminhado para a educação mediúnica, se tiver disposição para isso.

Atenção: Não se deve induzir ninguém a desenvolver mediunidade contra
sua vontade.

“Não se deve jamais provocar ou encorajar o desenvolvimento das faculdade
mediúnicas de pessoas fracas (ou de crianças). Deve-se afastar da prática
mediúnica, por todos os meios possíveis, as que apresentem os menores sinais de
excentricidade nas idéias ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porque
são evidentemente predispostas à loucura, que qualquer motivo de superexcitação
pode desenvolver”
(Allan Kardec em “O Livro dos Médiuns”, Capítulo XIIIV,
item 222).

Estudos

Uma das dificuldades da prática do Espiritismo na atualidade é a falta de
estudos da Doutrina. Se de um lado há Centros Espíritas que desenvolvem cursos
complexos, parecidos com os de uma escola, dificultando o ingresso dos
iniciantes, por outro há casas que se abstêm completamente de qualquer esforço
nesse sentido. Em resumo: uns estudam demais, outros de menos.

Quando Allan Kardec foi perguntado se o exercício da mediunidade poderia
provocar a invasão de maus Espíritos numa pessoa e quais seriam as consequências,
assim respondeu demonstrando a importância dos estudos:

“Jamais dissimulamos os escolhos (obstáculos) encontradiços na
mediunidade, razão por que multiplicamos, em “O Livro dos Médiuns “, as
instruções a tal respeito e não temos cessado de recomendar o seu estudo prévio,
antes de se entregarem à prática. Assim, desde a publicação daquele livro, o
número de obsediados diminuiu sensível e notoriamente, porque poupa uma
experiência que os noviços muitas vezes só adquirem às próprias custas.
Dizemo-lo ainda, sim, sem experiência a mediunidade tem inconvenientes, dos
quais o menor seria ser mistificado pelos Espíritos enganadores e levianos.
Fazer Espiritismo experimental sem estudo é fazer manipulações químicas sem
saber química”
– (Allan Kardec na “Revista Espírita”, número de janeiro de
1863, no “Estudo sobre os possessos de Morzine”).

Eis o motivo pelo qual devemos ter um plano de estudos na Casa Espírita. A
melhor maneira de iniciar alguém na prática mediúnica é encaminhá-la primeiro ao
estudo da teoria de “O Livro dos Médiuns”. Caso contrário, ela poderá se
transformar num joguete nas mãos de Espíritos trapaceiros.

Inicio dos exercícios mediúnicos

Uma das fases mais delicadas para o iniciante é aquela em que vai exercitar
sua mediunidade. A maioria dos que se dedicam ao intercâmbio com os Espíritos
possuem grande ansiedade para “receber” as manifestações. Porém, as coisas não
são tão simples quanto parecem. Este desejo incontido de produzir depressa pode
causar-lhes problemas e precisa ser dominado.

O exercício da mediunidade é uma fase de aperfeiçoamento psíquico onde o
indivíduo se submete à disciplina de certas características de sua
personalidade.

Os Espíritos inferiores funcionam como excitadores das paixões dos médiuns,
mostrando-lhes vários defeitos de sua personalidade que poderão ser corrigidos.

As mesas mediúnicas devem contar com pessoas maduras, responsáveis e
experientes, capazes de orientarem os novatos com segurança.

A prática mediúnica

Animismo – O animismo é a influência que a alma do médium exerce sobre
as comunicações dos Espíritos. Em todas as comunicações mediúnicas é necessário
levar em consideração o fator anímico. Deve-se considerar ainda, que a alma do
médium também pode comunicar-se, comportando-se como se fosse uma outra
entidade.

“O médium, tendo consciência do que escreve, é naturalmente levado a
duvidar da sua faculdade: não sabe se a escrita é dele mesmo ou de outro
Espirito. Mas ele não deve absolutamente inquietar-se com isso e deve prosseguir
apesar da dúvida. Observando com cuidado a si mesmo, facilmente reconhecerá nos
escritos muitas coisas que não lhe pertencem, que são mesmo contrárias aos seus
pensamentos, prova evidente de que não procedem de sua mente. Que continue,
pois, e a dúvida se dissipará com a experiência”
– (Allan Kardec em “O Livro
dos Médiuns”, Capítulo XVII, item 214).

  1. O animismo se apresenta intenso em quase todos os principiantes. Depois,
    cai para níveis mais baixos.
  2. Nos médiuns onde a faculdade é mais intuitiva, o animismo é bem elevado,
    chegando a tornar improdutivos alguns deles.
  3. A presença ostensiva dos pensamentos do médium nas comunicações é uma
    coisa natural. Com o tempo a influência diminuirá.
  4. Todos os médiuns possuem problemas anímicos, ou seja, dificuldades
    provenientes do seu próprio Espirito. É comum que essas anormalidades
    emocionais ou psicológicas aflorem durante o transe mediúnico. Precisamos
    orientá-los como em qualquer situação de desarmonia.

Espíritos inferiores – Em “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec afirma
que o maior obstáculo das práticas mediúnicas é a obsessão, ou seja, o domínio
que alguns Espíritos inferiores podem adquirir sobre certas pessoas.

Nenhum médium está livre desta influência perniciosa, principalmente quando
inicia seu mandato mediúnico. Nesta fase, suas imperfeições morais mais
grosseiras são verdadeiros atrativos para as entidades atrasadas e, por esta
razão, deve-se estar alerta com a conduta de toda a equipe que trabalha no
intercâmbio.

“A dificuldade encontrada pela maioria dos médiuns iniciantes é a de ter
que tratar com os Espíritos inferiores, e eles devam considerar-se felizes
quando se trata de Espíritos levianos Toda a sua atenção deve ser empregada para
não os deixar tomar pé, porque uma vez firmados nem sempre é fácil afastá-los.
Esta é uma questão capital, sobretudo no inicio, quando, sem as precauções
necessárias, se poderá por a perder as mais belas faculdades”
– (Allan
Kardec em “O Livro dos Médiuns”, Capitulo XVII, item 211).

Conselhos práticos

  1. O medianeiro deve cuidar-se com uma disciplina 0 mais sadia possível para
    que não seja vitima dos Espíritos malévolos do mundo invisível. Toda alteração
    emocional ou psíquica considerada estranha e persistente deve ser comunicada
    ao orientador da mesa.
  2. Se houver suspeita de obsessão o principiante deve ser afastado dos
    trabalhos práticos, submetido a um tratamento e depois reconduzido às
    atividades mediúnicas.
  3. Nos casos em que se observar pessoas impressionáveis, de raciocínio
    confuso, sistemático ou excêntrico, elas devem ser afastadas definitivamente
    das atividades práticas, conforme recomenda o Codificador.
  4. Aos médiuns já desenvolvidos, recomenda-se a meditação em torno desta
    citação:

“Suponhamos agora a faculdade medianímica completamente desenvolvida. Que
o médium escreva com facilidade, que seja o que se chama um médium feito. Seria
um grande erro de sua parte considerar-se dispensado de novas instruções. Ele só
teria vencido uma resistência material, e é então, que começam as verdadeiras
dificuldades. Mais do que nunca necessitará dos conselhos da prudência e da
experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe serão preparadas. Se
quiser voar muito cedo com suas próprias asas, não tardará a ser enganado por
Espíritos mentirosos que procurarão explorar-lhe a presunção”
– (Allan
Kardec em “O Livro dos Médiuns”, Capítulo X, II, item 216).

e) Os novatos devem ser assistidos por alguém habituado às relações com o
invisível. Deverão instruir-se num estudo metódico de “O Livro dos Médiuns”,
principalmente dos capítulos que tratam diretamente das relações com o mundo
invisível. Só após este procedimento, poderá entregar-se às práticas com
relativa segurança.

A vida moral do médium Espírita

As faculdades mediúnicas, como disseram os Espíritos, estão ligadas a uma
disposição orgânica. O mesmo já não se dá quanto ao seu uso, que depende da
condição moral do médium. Se tudo depende da moral, nossos grupos necessitam
tê-la como farol orientador da caminhada.

  1. Muitas decepções advindas da prática mediúnica são frutos da má orientação
    moral e prática dadas aos iniciantes pelos que administram as mesas de
    desenvolvimento.
  2. Na atualidade, há uma complacência excessiva com os vícios das pessoas.
    Médiuns, passistas e membros dos grupos alimentam vícios grosseiros como o
    fumo, a bebida alcóolica e, nos casos mais graves, o adultério, a
    desonestidade, a sensualidade exagerada e orgulho.
  3. Se estamos dispostos a reformar as práticas do Centro Espírita que
    participamos, temos que levar em alta conta os aspectos morais dos componentes
    da casa, pois são eles que sustentam as atividades em todos os sentidos,
    mormente as mediúnicas.
  4. Recomendamos o estudo regular, nas sessões e fora delas, de “O Evangelho
    Segundo o Espiritismo”. Com isso, se conseguirá elementos morais destinados à
    auto-reflexão.
  5. O trabalhador Espírita estuda sempre. Lê livros teóricos e práticos,
    porém, deve-se evitar a confusão mental por obras Espíritas. Há médiuns que
    não conseguem trabalhar em face de sobrecarregarem suas mentes com leituras,
    gerando dúvidas e falsas interpretações.
  6. Não se deve conceber a atividade mediúnica sem o trabalho material. O
    serviço com os sofredores do mundo terreno auxilia o médium a compreender a
    dor e lhe dá suporte para os embates com a ignorância espiritual. Todo médium
    deve prestar serviços de assistência material regularmente.

A Disciplina – O domínio das nossas más inclinações é uma tarefa
bastante difícil de ser realizada. No entanto, aqueles que vão lidar com os
Espíritos precisam ter um certo domínio sobre si, pelo menos sobre as atitudes
mais grosseiras.

O médium deve estabelecer uma certa ordem em sua vida pessoal. Precisa
aprender a dividir seu tempo entre o trabalho profissional, as atividades no
Centro Espírita e a convivência com sua família. Se tiver uma vida muito
irregular, a atividade mediúnica vai perturbá-lo mais ainda.

Fazemos algumas sugestões: deixar o hábito de fumar; a bebida; a freqüência
em ambientes mundanos; melhorar sua vida familiar, profissional e adquirir uma
conduta regular frente à prece. Tudo isso é disciplinar-se.

Conhecer a si mesmo e trabalhar para dominar as próprias imperfeições é o
caminho para uma prática mediúnica sadia e o próprio progresso espiritual.

“Antes de nos dirigirmos aos Espíritos, convém, pois, encouraçarmo-nos
contra o assalto dos maus, assim como se marchássemos em terreno onde tememos
picadas de cobras. Isto se consegue, inicialmente, pelo estudo prévio, que
indica a rota e as precauções a tomar; a seguir, a prece. Mas é necessário bem
nos compenetrarmos da verdade que o único preservativo está em nós, na própria
força, e nunca nas coisas exteriores; que nem há talismãs, nem amuletos, nem
palavras sacramentais, nem fórmulas sagradas ou profanas que tenham a menor
eficácia se não tivermos em nós mesmos as qualidades necessárias. Assim, essas
qualidades é que devem ser adquiridas”
– (Allan Kardec na “Revista
Espírita”, número de janeiro de 1863, no “Estudo sobre os possessos de Morzine”).

Como reconhecer os Espíritos comunicantes – (Questão 267 de “O Livro dos
Médiuns”)

Podemos resumir os meios de reconhecer a qualidade dos Espíritos nos
seguintes princípios:

1º) Não há outro critério para se discernir o valor dos Espíritos senão o bom
senso. Qualquer fórmula dada pelos próprios Espíritos, com esse fim, é absurda e
não pode provir de Espíritos superiores.

2º) Julgamos os Espíritos pela sua linguagem e as suas ações. As ações dos
Espíritos são os sentimentos que eles inspiram e os conselhos que dão.

3º) Os Espíritos bons só podem dizer e fazer o bem, tudo o que é mau não pode
provir de um Espírito bom.

4º) A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem
qualquer mistura de trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia,
nunca se vangloriam, não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição
entre os demais. A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum
reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza,
auto-suficiência, arrogância, fanfarronice ou mordacidade é sinal característico
de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome
respeitável e venerado.

5º) Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu
estilo, mas sondar-lhes o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente,
maduramente e sem prevenção. Toda falta de lógica, de razão e de prudência não
pode deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome de que o
Espírito se enfeite. (Ver questão nº 224 de O Livro dos Médiuns).

6º) A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à
forma, pelo menos quanto à substância. As idéias são as mesmas, sejam quais
forem o tempo e o lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidas segundo as
circunstâncias, as dificuldades ou a facilidade de se comunicar, mas não serão
contraditórias. Se duas comunicações com o mesmo nome se contradizem, uma das
duas é devidamente apócrifa. A verdadeira será aquela em que nada desminta o
caráter conhecido do personagem. Entre duas comunicações assinadas, por exemplo,
por São Vicente de Paulo, uma pregando a união e a caridade e outra tendendo a
semear a discórdia, não há pessoa sensata que possa enganar-se.

7º) Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua
ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se
importar com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que
choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido.

8º) Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que
predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos
conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando
esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de
acontecimento para uma época certa é indício de mistificação.

9º) Os Espíritos superiores se exprimem de maneira simples, sem prolixidade.
Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das idéias e das expressões. É claro,
inteligível a todos, não exigindo esforço para a compreensão. Eles possuem a
arte de dizer muito em poucas palavras, porque cada palavra tem o seu justo
emprego. Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empoladas
o vazio das idéias. Sua linguagem é freqüentemente pretensiosa, ridícula ou
ainda obscura, a pretexto de parecer profunda.

10º) Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas
aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão
ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se
impõe trai a sua condição. São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e
pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam
para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara.

11º) Os Espíritos bons não fazem lisonjas. Aprovam o bem que se faz, mas
sempre de maneira prudente. Os maus exageram nos elogios, excitam o orgulho e a
vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal
daqueles que desejam conquistar.

12º) Os Espíritos superiores mantêm-se, em todas as coisas, acima das
puerilidades formais. Os Espíritos vulgares são os únicos que podem dar
importância a detalhes mesquinhos, incompatíveis com as idéias verdadeiramente
elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e
mistificação de parte de um Espírito que toma um nome pomposo.

13º) Devemos desconfiar dos nomes bizarros e ridículos usados por certos
Espíritos que desejam impor-se à credulidade. Seria extremamente absurdo tomar
esses nomes a sério.

14º) Devemos igualmente desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita
facilidade usando nomes venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem.
Nesses casos, sobretudo, é que um controle severo se torna indispensável. Porque
é freqüentemente a máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações
íntimas com Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do
médium e se aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.

15º) Os Espíritos bons são muito escrupulosos no tocante às providências que
podem aconselhar. Em todos os casos têm apenas em vista um fim sério e
eminentemente útil. Devemos pois encarar como suspeitas todas aquelas que não
tenham esse caráter ou sejam condenáveis pela razão, refletindo maduramente
antes de adotá-las, pois do contrário nos exporemos a mistificações
desagradáveis.

16º) Os Espíritos bons são também reconhecíveis pela sua prudente reserva no
tocante às coisas que possam comprometer-nos. Repugna-lhes desvendar o mal. Os
Espíritos levianos ou malfazejos gostam de expô-lo. Enquanto os bons procuram
abrandar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a
discórdia por meio de pérfidas insinuações.

17º) Os Espíritos bons só ensinam o bem. Toda máxima, todo conselho que não
for estritamente conforme a mais pura caridade evangélica não pode provir de
Espíritos bons.

18º) Os Espíritos bons só dão conselhos perfeitamente racionais. Toda
recomendação que se afaste da linha reta do bom senso ou das leis imutáveis da
Natureza acusa a presença de um Espírito estreito e portanto pouco digno de
confiança.

19º) Os Espíritos maus ou simplesmente imperfeitos ainda se revelam por
sinais materiais que a ninguém poderão enganar. A ação que exercem sobre o
médium é às vezes violenta, provocando movimentos bruscos e sacudidos, uma
agitação febril e convulsiva que contrasta com a calma e a suavidade dos
Espíritos bons.

20º) Os Espíritos imperfeitos aproveitam-se freqüentemente dos meios de
comunicação de que dispõem para dar maus conselhos. Excitam a desconfiança e a
animosidade entre os que lhes são antipáticos. Principalmente as pessoas que
podem desmascarar a sua impostura são visados pela sua maldade.

As criaturas fracas, impressionáveis, tornam-se alvo do seu esforço para
levá-las ao mal. Usam sucessivamente os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e
até as provas materiais do seu poder oculto para melhor convencê-las,
empenhando-se em desviá-las do caminho da verdade.

21º) Os Espíritos dos que tiveram, na Terra, uma preocupação exclusiva,
material ou moral, se ainda não conseguiram libertar-se da influência da matéria
continuam dominados pelas ideias terrenas. Carregam parte dos preconceitos, das
predileções e até mesmo das manias que tiveram aqui. Isso é fácil de se
reconhecer pela sua linguagem.

22º) Os conhecimentos com que certos Espíritos muitas vezes se enfeitam, com
uma espécie de ostentação, não são nenhum sinal de superioridade. A verdadeira
pedra de toque para se verificar essa superioridade é a pureza inalterável dos
sentimentos morais.

23º) Não basta interrogar um Espírito para se conhecer a verdade. Devemos,
antes de tudo, saber a quem nos dirigimos. Porque os Espíritos inferiores, pela
sua própria ignorância, tratam com leviandade as mais sérias questões. Também
não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem para possuir no
mundo espírita a soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo
de Deus e ampliar os seus conhecimentos.

24º) Os gracejos dos Espíritos superiores são muitas vezes sutis e picantes,
mas nunca banais. Entre os Espíritos zombeteiros, mas que não são grosseiros, a
sátira mordaz e feita quase sempre muito a propósito.

25º) Estudando-se com atenção o caráter dos Espíritos que se manifestam,
sobretudo sob o aspecto moral, reconhece-se a sua condição e o grau de confiança
que devem merecer. O bom senso não se enganará.

26º) Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é necessário antes
saber julgar-se a si mesmo. Há infelizmente muita gente que toma a sua própria
opinião por medida exclusiva do bem e do mal, do verdadeiro e do falso. Tudo o
que contradiz a sua maneira de ver, as suas idéias, o sistema que inventaram ou
adotaram é mau aos seus olhos. Falta a essas criaturas evidentemente, a primeira
condição para uma reta apreciação: a retidão de juízo. Mas elas nem o percebem.
Esse o defeito que mais enganos produz.

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