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Momentos de Reflexão

Momentos de Reflexão

“Não se turbe o vosso coração” – Jesus (João, 14:1)

Turbar é o mesmo que turvar. E significa perturbar, revolver, agitar, inquietar.
Vivemos época de transição, de mudança nos costumes, de transformações sociais.
Tudo parece estar se agitando, em confusão. E muitos ficam preocupados, até um tanto
perturbados. Como sempre, os ensinos de Jesus nos fazem muito bem. Quando Ele recomendou
aos discípulos tranqüilidade, confiança, “não turbar o coração”, a
situação para Ele e os companheiros, não era fácil. Conchavos entre políticos e
religiosos, (os poderosos da Terra) buscavam um meio de destrui-Lo. Ele permanecia
sereno, firme na sabedoria e na fé, na confiança em Deus. Mas sabia que os discípulos
não contavam ainda, com os mesmos recursos de fortaleza íntima. E assim procurou
tranqüilizá-los, mostrando que tudo estava bem, sob controle, dentro do plano Divino.
Assim, também, nos devemos sentir, hoje e sempre. Nosso planeta, como todo o universo,
tem um Criador, sábio, justo e misericordioso. Todos somos seus filhos, estamos
subordinados às leis por Ele estabelecidas, e que visam o nosso bem, nosso progresso
espiritual, nossa felicidade.

Precisamos lembrar disso, para não perdermos a orientação, não nos perturbarmos,
nem “turbar o coração”, em época de confusão, de inversão de valores, de violência,
de terrorismo, de opressão dos fortes sobre os fracos e tantas coisas mais. É claro
que as organizações humanas, que visam organizar e disciplinar a vida das pessoas
são muito importantes no desempenho de suas funções; as leis humanas, as autoridades
constituídas, a justiça, a polícia, precisam cumprir o seu papel, e todos nós devemos
apoiar e prestigiar as autoridades e trabalhadores no melhor desempenho de suas
funções. Mas não nos esqueçamos de que, acima de tudo, está o poder Divino, que
nos ensina e corrige, da melhor maneira, para o nosso bem.

Na questão 634 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta: “O mal se encontra
na natureza das coisas? Falo do mal moral. Deus não poderia criar a Humanidade em
melhores condições?” Resposta: “Já te dissemos: Os Espíritos foram criados simples
e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele, se
seguir o mal. Sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não
poderia o homem compreender que se pode subir e descer, e se não existissem rochas,
não compreenderia que há corpos duros. É necessário que o Espírito adquira experiência,
e para isso é necessário que ele conheça o bem e o mal”. Portanto, Deus nos cria
sem desenvolvimento, sem conhecimento, mas com um potencial, com qualidades a serem
desenvolvidas. Aplica conosco o princípio da educação ativa: dá-nos as condições
e tarefas para realizarmos nosso aperfeiçoamento. Com o livre-arbítrio, e subordinado
a lei do progresso, o Espírito deverá desenvolver-se, crescer em conhecimentos e
virtudes. Se escolhe mal o caminho, se transgride a lei, deverá sofrer as conseqüências,
reparar o erro, e continuar a jornada evolutiva.

Compreenderemos melhor o processo, se considerarmos que a Terra não representa
o total da obra do Criador. Esclarece Allan Kardec, em o “Evangelho Segundo o Espiritismo”:
“Espanta-se em encontrar sobre a Terra tanta maldade e más paixões, tantas misérias
e enfermidades de toda sorte, e se conclui disso que a espécie humana é uma triste
coisa. Esse julgamento provém do ponto de vista limitado em que se está colocado,
e que dá uma idéia falsa do conjunto. É preciso considerar que, sobre a Terra, não
se vê a Humanidade, mas apenas uma pequena fração dela. Com efeito, a espécie humana
compreende todos os seres dotados de razão que povoam os inumeráveis mundos do Universo;
ora, o que é a população da Terra, perto da população total desses mundos?”
(1)
Considerando, pois, a posição do nosso planeta na hierarquia dos mundos,
e o grau evolutivo dos Espíritos que, aqui, nos encontramos realizando o nosso aprendizado,
podemos entender melhor o porque das dificuldades, do sofrimento, e do comportamento
humano.

Emmanuel afirma que “criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar
constantemente a céu sem nuvens. Cada berço é início de viagem laboriosa para a
alma necessitada de experiência. Ninguém se forrará aos obstáculos. O pretérito
ominoso para a grande maioria de nós outros, os viandantes da Terra, levantará no
território de nosso próprio íntimo os fantasmas que deixamos para trás, vagueantes
e insepultos, a se exprimirem  naqueles que ferimos e injuriamos nas existências
passadas  e que hoje se voltam para nós, à feição de credores inflexíveis,
solicitando reconsideração e resgate, serviço e pagamento. Não passarás, assim,
no mundo, sem tempestades e nevoeiros, sem o fel de provas ásperas ou sem o assédio
de tentações”. (2)

A subida requer esforço, como o aprendizado requer dedicação, empenho, em resolver
problemas, realizar tarefas, para conquistar estágios mais favoráveis na área do
conhecimento. Importante considerar a dificuldade como natural, normal, no processo
evolutivo e procurar fazer o melhor. Para assegurar uma situação futura melhor é
necessário fazer o bem, e não só evitar o mal (O Livro dos Espíritos, item 642).
Muitos perguntam o que fazer? Como posso participar? Gandhi afirmou certa vez: “Um
homem que desenvolveu o amor em si contribui para neutralizar, amenizar, o ódio
de milhares de outros homens”. Trabalhando para edificarmos o bem no nosso íntimo,
confiando em Deus, orando, e vibrando pela paz, pelo entendimento, entre as pessoas
e nações estaremos colaborando de algum modo. Concluímos com Emmanuel, ao nos afirmar:
“não se turbe o vosso coração”, porque o coração puro e intimorato é garantia da
consciência limpa e reta e quem dispõe da consciência limpa e reta vence toda perturbação
e toda treva, por trazer em si mesmo a luz irradiante para o caminho” (2)

(1) – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 3, item 6.

(2) – Palavras de Vida Eterna – Emmanuel, por Francisco C. Xavier,
item 36.

(Jornal Verdade e Luz Nº 190 de Novembro de 2001)

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