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Natália: A Cura de Uma Obsessão

Natália: A Cura de Uma Obsessão

Uma senhora de nome Natália, que até então nunca tínhamos visto, nos procurou
na sala de entrevistas, pedindo que a ajudássemos. Segundo nos contou, vinha
tendo freqüentes momentos de tristeza, que vez por outra acabavam causando-lhe
intensas crises de choro. Em busca da solução de seus problemas, havia feito uma
verdadeira romaria a alguns centros espíritas kardecistas, não tendo mesmo
faltado a tradicional visita ao terreiro de Umbanda. Nenhuma solução!
Propomo-nos ajudá-la. Iniciamos a investigação sondando sua vida, em busca de
indícios para chegarmos … raiz de seus males. Ao que nos pareceu, tudo havia
começado com um triste acontecimento há dois anos. Seu filho mais moço havia
falecido num acidente de moto. Depois de todos os transtornos que uma passagem
desta natureza traz, a paciente jamais conseguira se restabelecer
emocionalmente. Aquele acontecimento havia marcado profundamente sua alma e
parecia estar presente em todos os instantes de sua vida. Perguntamos a Dona
Natália, o que até então havia sido feito nas associações espiritistas por onde
havia passado. Narrou-nos sua história. Na metade das casas espíritas em que
havia ido, disseram que poderia se tranqüilizar, pois seu filho estava muito bem
no mundo espiritual. Assistido, segundo lhe informaram, ora por avozinhas, ora
por tios ou médicos, não faltando mesmo quem lhe afirmasse que o rapaz estivesse
sob os cuidados de alguns destes nomes que marcaram a história espírita do
Brasil. Após tê-la ouvido contar sua peregrinação, pensamos cá com nossa
intimidade: se não for influência de seu falecido filho, uma outra causa de
ordem psíquica ou obsessiva, deve haver para que esteja acontecendo este
transtorno emocional. Nela ou no mundo espiritual que a rodeia haverá uma
explicação lógica para o que está ocorrendo.

O exame

Enviamos a paciente para ser examinada pelo grupo mediúnico. Neste setor,
trabalhamos com três médiuns de sensibilidade comprovada, adestrada e de vida
religiosa. Pessoas sérias que se dedicam … mediunidade com Jesus. Recolhem-se
numa sala sem terem qualquer tipo de informação sobre os casos que por lá irão
passar. Tal procedimento tem a finalidade de evitar o máximo possível a
influência anímica. O exame espiritual consiste no passe, acompanhado de um
pequeno copo de água fluidificada que é servido ao paciente. Tudo na forma como
habitualmente conhecemos nos centros espíritas. Durante o momento em que a
pessoa necessitada está recebendo a imposição de mãos, vêm aos médiuns, do Plano
Espiritual as informações sobre as condições psíquicas, morais e espirituais do
examinado. Não se permite ali a manifestação de Espíritos na presença do
paciente, nem ele fica sabendo, de forma direta, o que foi visto.

Comparando os apontamentos feitos na sala de entrevistas com os recebidos da
sala mediúnica, podemos, com boa margem de acerto, saber se as informações que
nos vêm do Plano Espiritual são reais, ou se trazem influências anímicas, e
neste último caso, qual a intensidade delas. O animismo, como sabemos, é
companheiro inseparável do trabalho mediúnico. Conhecendo nossos sensitivos,
poderemos discernir com relativa facilidade, quando tais processos estão
presentes, seja na comunicação oral, escrita ou mesmo vidência. Dona Natália
passou por aquela sala, sendo examinada. De lá, pelas mãos de um dos nossos
colaboradores, veio um papel escrito: Há um moço chorando junto da paciente.
Deve ser parente dela.

Definindo rumos

Depois, ao retornar … nossa sala de entrevistas, para receber a resposta do
exame, conversamos com a sra. Natália, procurando incutir-lhe ânimo:

– Observamos mediunicamente seu caso, e nossos companheiros da
Espiritualidade informaram que é portadora de um pequeno problema espiritual.
Se quiser, cremos que será possível ajudá-la. Pedimos que fique conosco por
trinta dias, que acreditamos serem suficientes para termos uma definição para o
caso.

– É o meu filho? perguntou-nos.

– Depois veremos isso. Por ora trabalhemos para restabelecer a sua paz. Ela
acenou com a cabeça, como se concordasse, mas, antes de sair, indagou:

– Eu não vou ter que trabalhar aqui no centro para o senhor me ajudar?

– Não, respondi. Se quiser trabalhar em alguma de nossas frentes de
assistência, será bem vinda; mas não é o serviço que trará a solução dos males
que lhe afligem. Faça o bem sempre que for possível, onde e quanto puder, Jesus
a amparará.

Despediu-se e foi embora. Comprometeu-se a visitar nossa casa espírita nos
dias de palestras e a manter uma atitude positiva perante a vida. Combinamos que
após aquele período voltaríamos a avaliar material e espiritualmente a situação.
Quando Dona Natália deixou a sala, um dos nossos auxiliares, o Juvenildo,
perguntou:

– Por que você não lhe disse que o desequilíbrio emocional que sofre é
causado pela sintonia do pensamento dela com o espírito do seu filho, que ainda
sofre? Não é o filho que está com ela?

– É bem possível, respondi. Ponderemos, no entanto: há três considerações que
devemos levar em conta. A primeira é que pode não se tratar do filho de Natália,
pois uma entidade sofredora poderia ter sido atraída pela condição mental
mantida por ela. A segunda, se houvesse certeza que fosse seu filho, e nós lhe
disséssemos que ele sofre, ela ficaria mais desesperada ainda, com graves
conseqüências sobre o espírito do rapaz. A terceira e última consideração é o
fato de não podermos dizer que seu filho está bem, pois se ele estiver mal ao
lado da mãe, ele é que ficaria desesperado, o que acarretaria graves
conseqüências ao psiquismo dela. Convém, então, mantermos as notícias do jovem
em suspenso, até que nos seja possível ter uma visão mais clara do que é que
está se passando.

Contato mediúnico

Na semana seguinte, numa de nossas reuniões mediúnicas, fizemos uma evocação
usando o nome do jovem. Prontamente, um dos nossos médiuns recebeu a comunicação
de um espírito que se encontrava em completa desarmonia. Portava-se como se
estivesse prisioneiro de alguém que o amasse. Oramos ao Mestre Jesus,
rogando-lhe que o amparasse, já que a entidade estava entregue ao desespero.
Dirigimo-nos ao Espírito, pedindo que se acalmasse, pois o socorro havia
chegado. Evitamos, nesta primeira vez, de dizer-lhe da realidade de sua
situação. Ao afastar-se do médium, comunicou-se um dos instrutores, dizendo que
ainda deveríamos evocar a entidade por duas vezes, quando então seria possível
restabelecer o equilíbrio definitivo. Terminada a sessão, Juvenildo não deixou
por menos. Veio logo com suas perguntas. Primeiro queria saber o porquê da
evocação. Dizia ele que, atualmente, algumas teorias aconselham no meio espírita
a não evocação dos Espíritos.

Respondi-lhe que o conselho valia, principalmente, aos grupos novatos, ainda
sem preparo, que evocando seres perturbados ou perturbadores do mundo invisível,
poderiam ver-se em dificuldades para atendê-los. No entanto, para os
agrupamentos sérios e com certa maturidade, não haveria impedimento algum.
Depois, perguntou ainda o motivo pelo qual não havíamos revelado ao desencarnado
desesperado sua atual condição. Dizia que em muitas casas espíritas, acredita-se
que basta contar … entidade que ela está do lado de lá, para que sua situação
melhore. Expliquei-lhe que quando atraímos um Espírito naquela condição a um
médium, convém que sejamos cautelosos. Primeiro, permitamos que receba a
influência benéfica do contato harmonioso com as vibrações do médium que lhe dá
passagem. Como primeiros socorros, deve-se ofertar-lhe a prece, e nossas
primeiras palavras serão no sentido de exortar-lhe … calma e … paciência.
Digamos-lhe que o atendimento chegou. É como um bálsamo que cai sobre as suas
feridas. Daí a alguns dias, observemos suas condições psíquicas numa nova
evocação. Estando mais tranqüilo, se é que na Espiritualidade ainda não lhe
disseram, passemos a ele a informação de que é um Espírito livre. Na semana
seguinte, tornamos a evocar o rapaz. Estava mais equilibrado e sereno. Falamos
de sua nova situação e sua reação foi positiva. Na terceira evocação pudemos
dialogar perfeitamente com ele. Tratava-se, em verdade, do filho de Dona
Natália. Agora, já liberto da influência do amor materno em desequilíbrio.

Fim do tratamento

Durante quatro semanas em que cuidamos do caso, através das palestras,
ministramos instruções indiretas … paciente, que, atenta, parecia absorver os
ensinamentos. Após os trinta dias marcados, Natália retornou … sala de
entrevistas, para que examinássemos de novo sua situação. Segundo nos disse, as
crises de tristeza e choro haviam desaparecido. Estava bem mais aliviada e
tranqüila. Ficara apenas uma leve sensação de melancolia!

Pedi novo exame. No papel, veio escrito a mensagem: Não observamos nenhuma
influência junto da paciente. Disse-lhe então:

– A senhora vai ficar boa, os problemas já passaram.

– Preciso ficar ainda em tratamento?

– Não, não é necessário. Fique conosco apenas mais um mês, para que nosso
trabalho fique consolidado. Depois, vá em paz! Freqüente uma casa espírita
próxima de sua moradia e pratique sempre que puder o bem, segundo o Cristo.

Antes de nos deixar, ela perguntou-nos:

– E meu filho, o senhor tem notícias dele?

– Tenho sim. Ele está bem na Espiritualidade. Juvenildo, o curioso, mal
deixou que a porta se fechasse e disparou:

– Por que não contou tudo a ela?

– Porque era desnecessário.

– Mas você deu-lhe as mesmas respostas que lhe deram nos outros centros!

– Certo, só que com uma diferença fundamental: estudamos o caso, achamos a
causa e trabalhamos para restabelecer a harmonia nos dois lados da vida. Tanto
agimos certo, que deu resultado. Usamos o método kardequiano, nada mais:
pesquisa, identificação e tratamento sério. Não há mistérios.

Ávido de conhecimento, nosso auxiliar ficou por um instante quieto, como a
recapitular tudo o que aquela senhora havia escutado naqueles dois anos de
romarias. Juvenildo, olhar distante, balançou a cabeça e disse:

– É preciso Kardequizar o movimento espírita, não é mesmo?!!

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