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O amor… não cansa, nem se cansa

Josina Rodrigues e Luís Almeida
«Revista de Espiritismo» nº. 34 – FEP
A palavra é uma exigência, para não dizermos, uma segregação, natural do pensamento. Se o homem não fosse um ser pensante, não seria um ser que fala. Conhecemos as coisas quando as nomeamos. A palavra evoca a ideia, e esta por sua vez, habita na palavra. Se quiséssemos resumir numa simples palavra – mas, a maior delas todas – as infinitas condicionantes da felicidade, diríamos a palavra AMOR.
Na verdade, o homem realiza-se em felicidade, simplesmente amando. João evangelista diz-nos que o que não ama permanece na “morte”. O amor é a essência da vida. Não admira que nenhum ser humano consciente possa furtar-se à fatalidade do amor. Criado à imagem de Deus, que é só e só amor, o homem é radicalmente amor, isto é, desejo de tudo o que ele julga torná-lo feliz. Assim não fica insensível a toda a beleza com que tropeça no seu percurso evolutivo, porque este é o catalisador da sua vida. Encarnação do Criador no homem, da eternidade no tempo, o Amor é surpreendente, sendo a arma mais potentosa, criadora e transformadora do Universo.

À medida que se vai desabrochando, vai-se revelando a ânsia mais profunda do ser humano, genialmente expressa neste soneto «AMAR» de Florbela Espanca(1):

«Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… Além…

Mais este e aquele, o outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida;
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E, se um dia, hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que se saiba perder… p´ra me encontrar…»

À medida que o tempo passa, vai tomando novas formas, dando a sensação que nasce em cada dia um amor novo. Aparecendo multifacetado, aberto à pluridimensionalidade de todos os seres.

Umas vezes terno como a noite, outras caloroso como o dia. Ora branco, intensamente brilhante, e quente como o astro-rei, ora azul, sereno e refrescante como as águas tranquilas de um lago. Umas vezes, exuberante como uma grande alegria, outras, silencioso como uma saudade gostosa. Tímido e pacífico como olhar de uma pomba, outras tão ousado, que supera todos os desafios e obstáculos.

Amor é vida! Amor é sonho, que tornar-se-á realidade! Amor é esperança, porque projecto de conquistas do passado, do presente com destino ao futuro mais sublime.

No entanto pode ser desespero, caso ainda não saibamos amar. Desta forma, o «Cristo Redivivo» tem um papel preponderante e fundamental na orientação do saber amar.

Amor é êxtase! Sintonia de almas e palpitar de corações! Amor é entrega, doação de todo o potencial! É deveras espantoso, quando descoberto. Umas vezes sorriso carinhoso; outras lágrimas silenciosas. Porque compreensão, transforma o mal recebido com o bem; perdoa, esquece, e desculpa incondicionalmente as ofensas alheias, com enorme ternura, afecto e confiança. Esquece-se de si próprio e sempre pronto a sacrificar-se pelo bem-estar e felicidade de seus irmãos que ainda desconhecem esta preciosidade, pois aspira arduamente, mas com enorme tranquilidade e confiança, a ser puro amor. Lembramo-nos de lord Byron, um poeta inglês do século passado, transmitindo-nos, “Só temos alegrias se as repartimos: a felicidade nasceu gémea“. Como o coração e o sangue, assim o amor e o sacrifício são indissociáveis. Quem não compreende, nem sente, nem exerce, ainda não chegou a conhecer o amor. Mas nada de pânicos, pois o Consolador prometido por Jesus aí está, para corroborar.

O grande encanto do amor é a fecundação de novos amores, que por indução, deste único e majestoso gerador do campo electromagnético. Como é contagiante…!

Devidamente orientado, o amor fará dos lares santuários das virtudes mais formosas, fontes de novas vidas, de novas gerações a ocuparem, amanhã, o posto deixado pelo “homem velho“.

Não é a técnica, nem a ciência, nem a riqueza por si só, que hão-de transformar o mundo, mas o amor aos filhos de Nosso Pai – nossos irmãos -, vivificado e personificado nos ensinamentos de nosso meigo rabi de Galileia, e seus emissários.

Quando o amor se generalizar, os corações humanos serão templos da felicidade humana.

Tudo nos diz que saber amar será o nosso “fim“.

Difícil? Custoso tudo isto? Sem dúvida alguma. Mas… como diz Fernando Pessoa, “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena“. E como é gostoso saber amar

Os apóstolos, Pedro, Tiago, e João saborearam o amor na transfiguração do Monte de Tabor em que o Divino Amigo lhes revelou sua divindade. Pedro transbordando de felicidade, exprimindo ao Mestre a vontade de eternizar aquele momento de amor, por estas palavras: “Como seria bom ficarmos sempre aqui!”. Paulo questionado pelos ouvintes, respondeu: “Nunca olhos humanos viram, nem ouvidos humanos ouviram a felicidade que o Senhor tem reservado para aqueles que, na terra O servem e o Amam”. Fascinado por esse amor, entrega-se de alma e coração, não obstante os sacrifícios que passou, que culminariam com o martírio, totalmente entregue a Cristo e à difusão da Sua mensagem transformadora e revolucionária, e serenamente, com a consciência do dever cumprido, dizendo antes de regressar à pátria espiritual: “Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora, receber a coroa de justiça, que o Senhor, justo Juiz , me dará, naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam, com amor, a sua Aparição“.

Terminaremos como é nosso hábito, deixando as sempres doces e restauradoras mensagens de Emmanuel (2) : O afecto, a confiança e a ternura devem ser tão espontâneos quanto as águas cristalinas de um manancial.(…) A nobreza de carácter, a confiança, a benevolência, a fé, a ciência, a penetração, os dons e as possibilidades são fios preciosos, mas o amor é o tear divino que os entrelaçará, tecendo a túnica da perfeição espiritual.”

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(1) – In «Sonetos Completos» Florbela Espanca, pg. 108 “AMAR”.

(2) – In «Palavras de Emmanuel» por Francisco Cândido Xavier.

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