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O Tesouro Difícil

O Tesouro Difícil

A Paciência é uma das virtudes mais difíceis de serem alcançadas. Ela
consiste em suportar dores, infortúnios, infelicidades, insatisfações, com
resignação.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, um Espírito amigo, em Havre, 1862 nos
esclarece que “a dor é uma benção que Deus envia aos seus eleitos. Não vos
aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo
poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória do céu.

Sede pacientes, pois a paciência é também caridade e deveis praticar a lei da
caridade, ensinada por Cristo e enviada por Deus. A caridade que consiste em dar
esmolas aos pobres é a mais fácil de todas. Mas há uma bem mais penosa, e
consequentemente bem mais meritória, que é a de perdoar os que Deus colocou em
nosso caminho, para serem os instrumentos de nossos sofrimentos e submeterem à
prova a nossa paciência.”

Com esta mensagem de um Espírito amigo podemos alertar-nos para o bem da
paciência como um subgrupo da caridade que de todas é a mais dignificante das
leis a serem cumpridas. Não podemos jamais nos esquecer que a Caridade é sempre
uma bênção de Deus mas jamais devemos nos ater de que o exercício desta virtude
se restringe ao agasalho e ao pão que distribuamos. Podemos entender a caridade
como todo ato a serviço dos outros, em qualquer parte, lembrando sempre de
respeitar “o que a mão esquerda não veja o que faz a direita” para que esta
caridade produza o nosso crescimento pois, não interessa a divulgação de um bom
ato mas sim a sua efetivação . A Caridade será tolerar com paciência o parente
necessitado, respeitar com a mesma paciência as dificuldades dos vizinhos; a
criança largada aos azares da sorte que perambula pelas ruas ou mesmo um
animalzinho doente.

É necessário que nos abasteçamos de muita paciência, dia a dia, minuto a
minuto para sempre, com resignação, termos um sorriso amigo, a mão estendida o
coração aberto para ajudar e amar o próximo.

Ela é exercida pela compreensão, paciência, bondade e sorriso de simpatia.

Sempre é tempo de se pensar em exerce-la. Este exercício deve começar em
nossa própria casa, com os que nos são próximos. Nosso conhecimento do
verdadeiro Eu e a manutenção da calma e serenidade ao receber uma ofensa, ou
mesmo suposta ofensa, pelo mal que os outros nos fazem, faz mal aos outros pois,
é claro o que se compreende pelas palavras de Jesus “O que entra pela boca não
torna o homem impuro, mas sim o que sai da boca”. O mal que sofro não me atinge
na essência mas o mal que eu faço, este sim me vulnera e me atinge porque é
produto meu.

O amor e a caridade entende-se como amar ao próximo sempre procurando
fazer-lhe o bem em tudo que estiver ao nosso alcance da mesma forma que
gostaríamos que se nos fizessem. E a paciência? é sempre bom lembrar , que a
todo tempo estamos fazendo com que os outros a tenham conosco, sejam nossos
iguais, inferiores ou superiores. O homem verdadeiramente bom faz de suas
atitudes o espelho da alma com amor, caridade, bondade e paciência. Ele consegue
assistir à criança sem se impacientar ou mesmo ao idoso que já, cansado dos
azares da vida, por muitas vezes não é capaz de exercer este Dom inerente da
caridade. A caridade, é sempre bom lembrar, ela está muito mais presente nos
gestos pois, o homem de bem antecede-se, antecipa-se ao infeliz, sem esperar que
este lhe estenda a mão.

Em resumo podemos dizer que todas as virtudes são meritórias pois todas nos
levam ao progresso no caminho do bem. Faz-se entretanto necessário o exercício
da paciência e da caridade mesmo que no sacrifício dos interesses pessoais pois
aí está o mérito maior e a superação de si mesmo. A paciência é o melhor bem que
fazemos ao nosso EU maior em favor do nosso crescimento espiritual. Entretanto é
claro e límpido que o exercício destas virtudes com desinteresse pessoal é tão
raro aqui na terra que sempre é admirado como um fenômeno surpreendente o que a
torna uma virtude necessária ao cumprimento da missão que nos cabe pois ela é
inerente ao aperfeiçoamento, sendo preciso alijar da própria alma todos os
sentimentos de desentendimento, inalienação, desunião, desarmonia, pois quando
chegarmos a atingir este grau de entendimento a caridade se nos apresenta mais
fluente e a paciência espelhando mais amor.

Para bem ilustrar o que se nos propusemos alertar neste pequeno estudo,
finalizaremos transcrevendo uma mensagem belíssima quanto esclarecedora do
Espírito de nossa irmã MEMEI que nos faz um relato elucidador a cerca do Tesouro
Difícil:

“Certo homem interessado no aprimoramento próprio, rogou a Deus lhe
permitisse a busca de qualidades nobres que os sábios nomeiam como sendo as que
fazem jorrar fontes de luz nas profundezas da lama e, aprovado na solicitação,
iniciou o seu longo itinerário no Espaço e no Tempo.

De começo, pediu a compreensão da beneficência, nasceu abastado, e, sem
dificuldade, repartiu bens e valores diversos, transformando-se em benfeitor da
comunidade.

Regressou à Vida Maior e solicitou a luz do discernimento; corporificou-se em
família generosa que lhe facultou as melhores oportunidades de estudo e
adquiriu, sem sacrifício, a faculdade de penetrar o sentido das pessoas e das
situações.

Em seguida, almejou a aquisição de poderes artísticos e , sem maiores
esforços, converteu-se em artista famoso.

Logo após, quis o Dom da simplicidade; retornou a experiência humana, num lar
modesto e aprendeu facilmente a manter-se em paz e alegria com o mínimo de
recursos.

Sem delonga, pediu o carisma da autoridade e renasceu numa casa que lhe
amparou o ideal, auxiliando-a se fazer respeitável e atenciosos juiz.

Desejou depois explicar as leis da vida e retornou ao Plano Físico nas
condições necessárias e, em curta faixa de tempo, transfigurou-se em nobre
orador, elucidando a indagação do mundo sobre as realidades do espírito.

Mas, realizadas tantas aspirações, rogou a Deus o tesouro da paciência e, com
a Permissão Divina, segundo afirmam delicados Instrutores Espirituais, até hoje,
esse mesmo homem já voltou à Terra através de reencarnação a reencarnação,
durante oitocentos anos ,e , quanto ao tesouro da paciência nada conseguiu.”

(Publicado no Boletim GEAE Número 306 de 18 de agosto de 1998)

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