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Poltergeist ainda um mistério?

Não deu outra, dai a instantes todos ouviram um tremendo barulho que assustou
as pessoas ali presentes! Saíram munidos de lanterna. Atônitos, verificaram que
o enorme jipe havia sido transportado e batera violentamente contra a tulha, vencendo
os 40 (quarenta) metros que o separava daquele deposito. O trajeto era em aclive,
e o jipe estava lotado, pesando cerca de 2.500 kg! O mais surpreendente foi o fato
de não ter deixado no solo as marcas dos pneus! Como teria transposto aquele caminho
em ascensão ate a tulha? O impacto foi tão violento que uma das pontas do forte
pára-choque de aço do veiculo chegou a entortar!

De onde teria sido extraída a energia para produzir tamanho trabalho?! O jipe
estava brecado e com a primeira marcha engatada! Ninguém ouvira qualquer ruído do
motor, facilmente perceptível no silencioso ermo daquele sitio e tão próximo como
se encontrava o veiculo. Ter-se-ia dado um “apport” semelhante ao ocorrido com os
demais objetos transladados de um para outro lugar no barracão? Mistério…

Como começou…

Segundo informações fornecidas por pessoas do local, o sr. Katsumi Okabe teria
comprado as terras nos idos de 1962, formando seu sitio a partir dai.

Aproximadamente em 1969, um paraguaio comprou uma dúzia de bananas e sentou-se
a beira da estrada para comê-las. Depois de haver comido uma das bananas da penca,
notou que haviam desaparecido dali duas delas. Apos ter comido duas bananas, verificou
que haviam desaparecido mais quatro. Acreditando que alguém estivesse escondido
e roubado-lhe as frutas, o paraguaio tratou de esconder consigo o resto das bananas.
Ao tomar esta providencia, sentiu que lhe davam um tremendo soco nas costas, que
o fez cair sem sentidos.

Na ocasião em que tal fato ocorrera, uma família paraguaia instalada aproximadamente
a meio quilometro da casa do sr. Okabe passou a ser palco de fenômenos inusitados:
as camas em que as pessoas estavam dormindo eram levitadas e balançavam de um lado
para outro! Temerosos de serem atirados de cima de seus leitos para o solo, os habitantes
daquela casa passaram a dormir no chão sob as camas! Mas assim mesmo não tiveram
sossego, pois, a noite, enquanto dormiam, eram empurrados para longe dos colchões.
Logo mais, os objetos da casa passaram a ser movimentados e atirados para fora,
atraindo inúmeros curiosos que vinham assistir aos estranhos fenômenos ali em atividade.

A família paraguaia resolveu mudar-se daquela casa. Porem, lá ficou apenas uma
senhora de idade. Esta não quis – não se sabe o porque – deixar a casa. Ao que parece,
ela não devia estar se sentindo incomodada. Ela trabalhava na lavoura de tomates
do sr. Okabe. Entretanto, aconteceu que ela também recebeu uma saraivada de tomates
numa ocasião em que ali se achava trabalhando. A velha ficou brava, pensando que
estava sendo vitima de uma brincadeira de mau gosto. Logo apos alguns dias. o filho
e a filha do sr. Okabe também foram atingidos por tomates e pepinos, enquanto lá
se achavam trabalhando.

A referida horta de tomates distava da casa da velha paraguaia, tanto quanto
da casa do sr. Okabe. Os três pontos formam um triângulo quase eqüilátero com cerca
de 400m de lado. Era nessa região que ocorriam os fenômenos do poltergeist. Fora
desse triangulo, não se observava nenhum fenômeno paranormal.

A mais ou menos 250m distante da casa do sr. Okabe, havia outra construção onde
residia outra família paraguaia. Ali jamais se deram fenômenos semelhantes.

Inúmeros outros fenômenos foram registrados durante a atividade desse poltergeist.
Mas ficaremos por aqui devido as naturais limitações de espaço disponível nestas
colunas.

Há alguma explicação?

Sim, há explicações, mas não são unânimes, pois nem todas conseguem satisfazer
as exigências do bom senso.

A teoria mais em voga, adotada atualmente pelos parapsicólogos considerados ortodoxos,
e aceita hodiernamente como a mais correta pela maioria dos especialistas, e aquela
que atribuía um agente humano a causa de tais fenômenos. Segundo este ponto de vista,
o poltergeist e um fenômeno provocado por vivos e não por seres desencarnados, tais
sejam: espíritos de mortos, duendes, demônios ou algo semelhante. Portanto, no poltergeist,
apenas o agente humano denominado epicentro e o causador dos distúrbios, ruídos,
movimento de objetos (“apports”), vozes humanas, levitações, sumiços de objetos
etc.

Vejamos as hipóteses ” adhoc ” necessárias para apoiar a teoria em questão:

  1. O epicentro provoca os fenômenos inconscientemente. Portanto, mesmo no caso
    em que o epicentro se sinta apavorado com algumas das ocorrências, ou desejando
    conscientemente que elas não ocorram (casos preocupantes de parapirogenia, em
    que há perigo de incêndios catastróficos, ou riscos de vida para pessoas amadas
    etc.), o inconsciente da “pessoa foco” a contraria de maneira insólita e ate desumana,
    agindo contra suas crenças, seus sentimentos, seus desejos e mesmo contra seu
    instinto de conservação ou de defesa de si e de sua prole. Por exemplo: nos temos
    ocorrências em que o marido do epicentro (uma senhora casada) sofreu vários cortes
    no rosto, provocados pelo poltergeist. Nesse mesmo caso, houve o episodio de uma
    garotinha golpeada profundamente na perna. (Andrade, 1988, pp. 147-153).
  2. O epicentro fornece ou desenvolve uma energia psicocinética capaz de atuar
    sobre os objetos materiais ou controlar forcas como a eletricidade, o calor, o
    magnetismo, a gravidade etc. e, desse modo, provocar os fenômenos observados nos
    poltergeists. Vai alem, sendo capaz, inconscientemente, de produzir o “apport”,
    com manifestações de transposição – pelo menos assim parece – da matéria através
    da matéria.

Mencionamos como exemplo o episodio do jipão Toyota de 2.500 kg, no poltergeist
do Paraguai que ora relatamos e que teria sido aportado a distancia de 40 metros
em aclive as custas da energia do epicentro. Todavia não se observou nenhuma reação
em qualquer das pessoas presentes no local, como deveria ocorrer em virtude do tremendo
dispêndio de energia ocorrido nesse fenômeno! Onde estaria o epicentro? Ou, se ele
existia entre aquelas pessoas – o que parece lógico -, tal agente psicocinético
deveria ter tido alguma reação. Será que o principio universal da conservação da
energia pode ser derrogado em um caso desses? Ou, então, o epicentro saberia, inconscientemente,
produzir a transformação de matéria em energia? Isto e, obter reação nuclear a frio?
E, depois disso, aplicá-la no jipão da forma como ocorreu?

Poderíamos estender-nos muito mais, citando outros fatos muito estranhos observados
na nossa coleção de poltergeists, porem pedimos licença para ficarmos por aqui.

Infelizmente, somos obrigados a confessar que, pessoalmente, ainda não conhecemos
nenhuma explicação satisfatória para os fenômenos poltergeist.

Conclusão

Por mais atraente e mesmo erudita ou “cientifica” que possa parecer uma hipótese
explicativa para os casos de poltergeist, não basta que ela ofereça uma formula
infalível para fazê-los cessar. E preciso que ela ensine também como produzi-los
a vontade, pois há casos de poltergeist que costumam cessar espontaneamente, tão
misteriosamente como começaram a ocorrer.

Referencias bibliográficas

  • AKAKI, Kazunari (1972) – “Pedras, bicicletas e jipe ‘voam’ no sitio de Katsumi
    Okabe”, Jornal Paulista, 28 de julho de 1972, São Paulo.
  • ANDRADE, H.G. (1988) – Poltergeist, Algumas de Suas Ocorrências no Brasil;
    São Paulo; Pensamento.

Leituras sugeridas

  • FLAMMARION, Camille (1923) – Les Maisons Hantees; Paris: Editions Jai Lu.
  • GAULD, Alan & CORNELL, A.D. (1979) – Poltergeist; London: Routledge & Kegan
    Paul.
  • OSIS, Karlis & Mc CORMICK, Donna (1982) – “A Poltergeist Case Without an Identifiable
    Living Agent” – Journal ASPR, Vol.76, no1, January, 1982.
  • PLAYFAIR, Guy Lyon (1976) – This House is Haunted – An Investigation of the
    Enfield Poltergeist; London: Souvenir Press.
  • ROLL, Willian G. (1974) – The Poltergeist; New York: New American Library.
  • TIZANE, Emile (1962 e 1977) – L’Hote Inconnu dans le Crime Sans Cause; Paris:
    1ª edicao, Omnium Litteraire, 2ª edicao, Tchou.
  • TIZANE, Emile (1977) – Le Mystere des Maisons Hantees; Paris: Tchou.
  • TIZANE, Emile (1980) – Les Agressions de L’Invisible; Monaco: du Rocher.
  • VERGNES, Georges (1980) – Quand le Diable Habitait Seron; Paris: Revue du
    Tarn.

(Artigo de Karl W.Goldstein; Maio de 1997; São Paulo: Jornal FE, enviado ao GEAE
por Ogi Mini)

(Retirado do Boletim GEAE Número 267 de 18 de novembro de 1997)

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