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A Preparação do Homem no Centro Espírita

A Preparação do Homem no Centro Espírita

1º – O centro espírita prepara o homem para a vida.

Se isso não ocorre hoje, certamente ocorrerá no futuro, posto que o progresso
é lei inexorável.

O ideal contido nas obras básicas da doutrina, não encontra, por hora,
identificação com a nossa realidade. E isso tem uma explicação muito simples, em
relação ao desenvolvimento do Espiritismo aqui no Brasil. É que na prática, a
atividade espírita ressentiu-se da enorme influência dos cultos religiosos da
Igreja Católica e das manifestações mediúnicas trazidas da África pelos
escravos.

Desse sincretismo, surgiu uma realidade, em termos de prática mediúnica,
sendo a atividade espírita mesclada no culto religioso do catolicismo e nos
ritos africanos, mais tarde caracterizadas pela atividade formalística da
umbanda.

Historicamente, nas primeiras décadas deste século, esse era o panorama dos
centros espíritas, misturado em toda a sua essência com os ritos católicos e
africanos (das tribos dos bantôs). Mas isso também tem uma explicação
sociológica bem evidente: o Brasil reflete, por herança, a cultura e a religião
dos países colonizadores. Recebemos e assimilamos a forte influência da Europa.

2º – No início deste século, poucos eram os centros espíritas que não se
ressentiam dos ritos, aparatos e práticas essencialmente religiosas. Como
pretender, então, que não fosse dado um caráter excessivamente seitista ao
momento mediúnico no centro espírita?

Essa mistura exótica, deturpadora dos reais objetivos do Espiritismo (surgido
para libertar o homem das correntes religiosas que escravizam o pensamento
humano, impedindo-o de raciocinar e dirigir por conta própria a sua vida),
acabou por apresentar, em sua organização, o centro espírita sob as condições
próprias de um povo místico e a quem foi ensinado que o homem necessita de
pertencer a uma religião, caso contrário não encontrará salvação, mas cujas
características espirituais já se delineavam como propícias para recepcionar a
semente da Doutrina dos Espíritos.

Nesse tempo a que estamos nos referindo, os centros espíritas, em sua
maioria, mantinham práticas ritualísticas, que eram facilmente identificadas;
casamentos, velórios, batizados, crismas, adivinhações, apadrinhamentos.

A maioria dos centros introduziria em suas dependências, o altar e as
imagens, além de outros aparatos para a prática de suas atividades: uso de
incenso, roupas brancas, símbolos e sinais especiais.

O motivo específico disso tudo era o grande desconhecimento que os chamados
adeptos tinham de todo o conteúdo da obra doutrinária de Kardec. Por esse fato,
não lhe emprestavam quase nenhuma seriedade.

A ausência do estudo da doutrina, foi o grande responsável pela manutenção do
“continuum mediúnico”, divorciado do verdadeiro conteúdo filosófico do
Espiritismo.

Vencida essa fase em que pouco a pouco as coisas foram sendo colocadas em
seus devidos lugares – o problema ainda não foi resolvido, mas foi diminuído –
com as campanhas dirigidas, de caráter esclarecedor do público (dentro e fora do
meio espírita), mostrando à sociedade as práticas verdadeiramente espíritas
daquelas misturas ritualísticas.

3º – Porém, se de um lado, pela inteligência, providências e ações de
espíritas lídimos, esse perfil sócio-doutrinário foi sendo alterado, por outro
lado, a atividade espírita ressentiu-se em seu interior, no miolo do próprio
movimento, de um outro fenômeno tão grave quanto aquele do fenômeno sincrético:
a introdução de teorias estranhas às bases doutrinárias e que estão sendo
assimiladas e introduzidas nas práticas dos centros.

4º – Não será o caso, neste artigo, de comentar cada um desses movimentos
estranhos à doutrina e que se encontram infiltrados nos centros espíritas. Basta
dizer que são atividades que envolvem conceitos não espíritas e que se
apresentam apenas para satisfazer o culto à personalidade de seus iniciadores –
parecem espíritas mas não o são. E por que os que dirigem os centros
ainda aceitam essas teorias
não espíritas? Porque
ainda não conhecem profundamente as bases da doutrina que abraçaram, e tampouco
compreendem o importante papel do centro espírita na atualidade.

Entretanto, esses espíritas passarão e a doutrina permanecerá.

Novos espíritas surgirão. Novos dirigentes assumirão a direção das casas
espíritas, o que, ao contrário do que alguns supõem, não é reduto apenas do
Homem encarnado: é o ponto de encontro entre os homens e os Espíritos com vistas
ao aprimoramento de ambos os planos da vida. Os dirigentes do futuro terão que
pensar seriamente nisso para colocar os centros no lugar em que precisam estar,
a fim de que atendam às finalidades essenciais de educação espiritual do homem.

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