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Psicografia, Controle Universal e Doutrinação dos Espíritos

Psicografia, Controle Universal e Doutrinação dos Espíritos

Definição e origem – A psicografia é a técnica utilizada pelos
médiuns para escreverem um texto sob a influência de um Espírito desencarnado.
Todos nós sabemos que no tempo em que Allan Kardec teve contato com as
manifestações espíritas, o meio utilizado para a comunicação entre os dois
planos eram as mesas girantes. Esse mecanismo constituía-se de uma pequena mesa
de três pés, sobre a qual se colocavam as pontas dos dedos de duas ou mais
pessoas. Sob o efeito de um agente até então desconhecido, influenciado pela
ação energética dos manipuladores, a mesa saltitava dando pancadas no assoalho.
Por meio dessas batidas convencionou-se um alfabeto e foi possível obter as
primeiras mensagens entre o mundo invisível e o visível.

Algum tempo depois, a imaginação dos adeptos dessa metodologia criou outros
mecanismos que facilitavam a comunicação dos Espíritos através dos médiuns.
Dentre eles se destacavam a cesta-pião, a mesa miniatura, as pranchetas e a
cesta de bico.

A escrita obtida por esses instrumentos primários foi chamada mais tarde de
“psicografia indireta”.

Após a fase primitiva, alguns experimentadores tiveram a idéia de substituir
as cestinhas pela mão do próprio médium, o que deu origem à “psicografia direta”
ou “psicografia manual”, utilizada até os dias de hoje.

O valor da Psicografia – De todas as formas de comunicações
mediúnicas, a psicografia é a mais precisa, cômoda e completa. Allan Kardec
afirma em O Livro dos Médiuns, que todos os esforços devem ser feitos no sentido
de desenvolvê-la nos centros espíritas. Além disso, trata-se da mediunidade mais
fácil de ser desenvolvida, pois que seu mecanismo de sintonia é facilitado pelo
automatismo proveniente do processo de escrita.

Quando uma pessoa está escrevendo, a mente consciente busca as idéias no
inconsciente, para ordená-las no fluxo criativo. Como a influência espiritual se
dá na camada inconsciente, isso facilita a sintonia com o Espírito comunicante.
Quando se trata de dar vida lógica e racional a um texto, é muito mais
confortável escrever do que falar. Por este motivo, os homens de destaque em
nosso mundo preferem fazer seus discursos públicos por escrito.

A mensagem escrita tem maior valor do que a falada, pois ela pode ter seu
conteúdo examinado de modo mais abrangente. Por ela é possível sondar a
intimidade dos pensamentos da entidade que se comunica, dando a eles um justo
valor pelo conteúdo que encerram.

Os médiuns psicógrafos podem ser “Mecânicos”, os “Intuitivos”, os
“Semi-mecânicos” e os “Inspirados”.

Os médiuns mecânicos se caracterizam pelo fato de movimentar as mãos
escrevendo sob a influência direta dos Espíritos, sem interferência da própria
vontade. Agem como máquinas a transmitir do invisível para o mundo material. São
raros. No Brasil, destaca-se o trabalho de Francisco Cândido Xavier, em Uberaba,
MG.

Os médiuns intuitivos recebem as mensagens dos Espíritos desencarnados por
meio da sintonia psíquica direta entre sua mente e a do comunicante. Eles
precisam compreender o pensamento sugerido, assimilá-lo, para depois
transmiti-lo revestido com suas próprias idéias. São muito comuns.

Os médiuns semi-mecânicos são aqueles que sentem a mão ser movimentada, mas
ao mesmo tempo têm consciência do que escrevem.

No primeiro caso, o pensamento vêm após a escrita; no segundo, antes da
escrita, e no terceiro, junto com ela.

Os médiuns semi-mecânicos são os mais numerosos.

A última variedade de médiuns é a dos inspirados. O Livro dos Médiuns nos
informa que esse tipo de médium é uma variação dos médiuns intuitivos, com a
diferença de que nos inspirados é muito mais difícil distinguirmos o pensamento
do Espírito, daquele que é do médium.

A mediunidade inspirada é proveniente da mediunidade generalizada ou natural,
que todas as pessoas possuem em maior ou menor grau.

Quem pode ser médium psicógrafo? – Não há nenhum meio de
diagnosticarmos a faculdade mediúnica a não ser o experimento. Algumas pessoas
confundem certos movimentos involuntários de braços e mãos, provocados por
Espíritos obsessores, como sendo indícios de mediunidade psicográfica, o que têm
levado algumas delas a sofrer graves decepções, escrevendo obras apócrifas.

A melhor maneira de sabermos se uma pessoa tem ou não capacidade para
escrever sob a influência ostensiva dos Espíritos é submetê-la à experiência.

Antes, porém, de iniciarmos alguém no exercício da psicografia ou de qualquer
outra mediunidade, convém que ele seja colocado no curso básico de iniciação
espírita. É importante que o candidato a médium já tenha noções fundamentais
acerca do que é o Espiritismo.

No Brasil, nos acostumamos em demasia à mediunidade de psicofonia. Talvez o
motivo disso esteja ligado ao natural comodismo que cerca as atividades
mediúnicas. Entre nós não existe o salutar e necessário hábito de avaliar as
comunicações, conforme instruía Kardec. Os Espíritos manifestam-se e quase
sempre não portam qualquer mensagem de significativo conteúdo filosófico ou
doutrinário. Comunicam-se, às vezes, simplesmente para dizer: “Boa noite. Estou
aqui para trazer paz e conforto!”.

Este tipo de mensagem se repete por sessões seguidas, sem que o Espírito
comunicante apresente qualquer idéia mais elevada. Mas as pessoas se habituaram
a isso e continuaram batendo na mesma tecla durante anos. É cômodo e dá a
impressão de que o médium está participando do trabalho mediúnico, quando na
verdade não está produzindo nada de útil.

Allan Kardec recomendou que se desse preferência ao desenvolvimento da
psicografia, mas infelizmente não foi ouvido. No programa do Movimento de
Reformas temos dado ênfase à volta da mediunidade psicográfica, principalmente
porque estamos envidando esforços para recriarmos o Controle Universal dos
Espíritos, única forma de aceitarmos com boa margem de segurança, os
ensinamentos provenientes do mundo invisível.

Como começar – Não há qualquer mistério para se dar início ao
trabalho de psicografia. Basta que se tome um lápis e se coloque na posição de
escrever. De preferência, que este trabalho seja desenvolvido no centro espírita
onde a pessoa freqüenta. O ambiente residencial nem sempre oferece as condições
de recolhimento suficientes para esse tipo de trabalho. Essas atividades
mediúnicas devem ter uma regularidade, pois de outro modo não haverá o processo
de aprendizado, seguido do aperfeiçoamento.

A seguir, vamos comentar algumas recomendações do Codificador, quanto ao
exercício da psicografia. Elas precisam ser observadas pelos grupos mediúnicos,
mormente quando estão iniciando.

Em primeiro lugar, é preciso se desembaraçar de tudo o que se constitua em
impedimento para a movimentação das mãos. Blusas de mangas compridas, pulseiras,
relógios e anéis são objetos que devem ser retirados para facilitar a
movimentação do braço. A ponta do lápis deve manter-se apoiada no papel, mas sem
oferecer resistência aos movimentos. Mesmo a mão não deve se apoiar inteiramente
no papel.

Para a escrita mediúnica é indiferente que se use caneta ou lápis, sendo
livre a escolha. Kardec recomenda que no início o treinamento seja realizado
diariamente. Porém, como temos hoje uma vida muito atribulada, convém que a
frequência seja diminuída para um período de três vezes na semana.

O tempo de tentativa para se obter a escrita mediúnica psicográfica não
deverá ultrapassar seis meses. Depois dessa fase de experimentos, se a pessoa
nada conseguir, convém abandonar o exercício da escrita e dedicar-se a outras
tarefas na casa espírita.

Todo médium novato tem um desejo muito natural de conversar com algum parente
ou amigo falecido. Mas devem evitar evocá-los, enquanto não possuírem a
experiência necessária para tanto. No começo, é melhor que as comunicações sejam
espontâneas. Que a prece de abertura seja sempre feita em nome de Deus e dos
bons Espíritos.

Que o médium em exercício comece seu trabalho dessa forma: “Rogo a Deus todo
poderoso permitir a um bom Espírito vir comunicar-se comigo, fazendo-me
escrever. Rogo também a meu anjo guardião que me assista e que afaste de mim os
Espíritos maus”.

A partir desse momento, aguarda-se que um Espírito se manifeste. Nos médiuns
intuitivos, surgem idéias bruscamente, que podem ser passadas para o papel com
facilidade. Nos semi-mecânicos, observa-se alguns pequenos movimentos
involuntários das mãos, acompanhados ou não das idéias a serem transcritas. Há
casos em que o Espírito desenha rabiscos sem sentido, ou escrevem palavras sem
qualquer significado porém, tais coisas costumam cessar com o desenvolvimento
progressivo da faculdade.

Quando formular as primeiras perguntas aos Espíritos, que elas sejam feitas
de forma simples, de modo que a entidade comunicante possa respondê-las com um
Sim ou Não. É importante que as perguntas sejam objetivas e respeitosas,
demonstrando carinho ao Espírito que vem cuidar do exercício da faculdade.

Quando o desenvolvimento mediúnico for realizado por um grupo de pessoas,
convém que se reunam regularmente numa mesma sala, para realizar o treinamento
da psicografia. O recolhimento deverá ser religioso e os apelos citados acima
feitos de forma coletiva. Normalmente, entre dez pessoas, três escrevem
facilmente sob a influência espiritual. O desenvolvimento em grupo é muito mais
rápido do que o individual. Isso acontece porque a corrente magnética formada
pelas individualidades facilita as atividades mediúnicas e oferece aos Espíritos
comunicantes uma grande variedade de elementos, apropriados ao sucesso do
intento.

Que o iniciante seja informado que deve desenvolver o texto como se fosse uma
outra pessoa; que vai fazer uma espécie de redação sobre um assunto que julgar
útil e que lhe surgir na mente naquele momento. Que ele não se preocupe tanto
com a forma, nem com o que está escrevendo. O conteúdo dos trabalhos será
examinado e revisado mais tarde pelo médium e pelo responsável da sessão.

A publicação de mensagens precisa de cuidados extras. Só se publicará textos,
seja em forma de mensagens ou livros, quando eles forem considerados idôneos e
úteis às pessoas em geral. A ortografia deverá ser corrigida, de modo que fique
inteligível, cuidando-se, no entanto, para que não sejam modificados os
pensamentos do Espírito.

É importante recordar que na fase primária de exercícios, os Espíritos
comunicantes são de uma ordem menos elevada. Portanto, não se deve pedir a eles
que dêem qualquer tipo de informação que não esteja a seu alcance. Todo Espírito
que nas comunicações de iniciantes se enfeite com nome venerado é de origem
suspeita. O capítulo XVII de O Livro dos Médiuns deverá ser estudado
minuciosamente para se evitar o domínio dos maus Espíritos nas sessões de
iniciação.

Conselhos kardequianos

1 – Nos casos de mediunidade semi-mecânica ou intuitiva, o médium tem
consciência do que escreve. A princípio, é levado naturalmente a duvidar de sua
faculdade. Não sabe se a escrita é dele ou do Espírito que comunica. Mas ele não
deve absolutamente inquietar-se com isso e deve prosseguir, apesar da dúvida.
Observando seus escritos, vai notar que muitas idéias que estão neles, não são
suas. Com o tempo, ganhará confiança e a mediunidade triunfará.

2 – Nas primeiras sessões, quando o médium hesitar frente a um pensamento,
sem saber se é dele ou do Espírito, ele deverá escrevê-lo. A experiência mais
tarde lhe ensinará a fazer a distinção. Há situações em que é desnecessário
saber se o pensamento é do médium ou do Espírito. Desde que produza boas obras,
que é o que importa, deve agradecer seu guia oculto, que lhe sugerirá outras
idéias.

3 – Os médiuns novatos, durante sua fase de aprendizado, não podem dispensar
a assistência de dirigentes ou médiuns mais experientes. Espíritos inferiores
costumam armar ciladas para prejudicar o desenvolvimento das faculdades
mediúnicas dos interessados. Um médium presunçoso não demorará muito a ser
enganado por entidades mentirosas que, no começo da tarefa mediúnica, costumam
ficar à sua volta.

4 – Uma vez desenvolvida a faculdade mediúnica, aconselha-se que o médium não
abuse dela. Que discipline seu trabalho e que ele seja sustentado pela ação no
serviço ao próximo, pelo estudo, pela meditação e por preces constantes. A
psicografia, assim como outras formas de prática mediúnica, deve ser utilizada
somente em momentos oportunos e nunca por simples curiosidade ou interesse
particular. O entusiasmo que toma conta de alguns novatos pode levá-los a ficar
sob a influência de Espíritos mistificadores.

5 – É conveniente que o médium ou a equipe de médiuns tenham dias e horários
especificados para realizar seus trabalhos mediúnicos. Isso facilitará o
recolhimento e proporcionará aos Espíritos comunicantes melhores disposições
para as manifestações.

6 – As mensagens destinadas ao grupo ou que sejam de interesse geral devem
ser divulgadas para que os ensinamentos dos Espíritos tornem-se conhecidos. Os
Espíritos amigos costumam afastar-se dos médiuns que não revelam as lições por
eles transmitidas e os deixam entregues a entidades mistificadoras.

7 – Quando possível, os médiuns devem participar de esforços no sentido de
colocar em funcionamento o Controle Universal dos Espíritos, instrumento de
aferição de erros e das novas idéias a serem introduzidas na Doutrina Espírita.

O Controle Universal dos Espíritos

A revelação da Doutrina Espírita deu-se com o lançamento de O Livro dos
Espíritos, a 18 de abril de 1857. Sua característica universalista
fundamentava-se no trabalho de uma plêiade de Espíritos que se comunicaram em
várias partes do planeta, falando das mesmas coisas.

Allan Kardec fundamentou a autoridade da Doutrina sobre esse aspecto. Com o
estabelecimento das bases do Espiritismo, definiu-se que o trabalho doutrinário
futuro não ficaria restrito a um médium, um grupo ou instituição. Tudo o que no
futuro fosse feito, deveria ser submetido a um sistema de controle que ele
denominou Controle Universal dos Espíritos.

No seu tempo, o Codificador era o coordenador do Controle Universal. Depois
de sua morte, não houve quem desse seguimento ao seu trabalho. Quando o
Espiritismo se transferiu para o Brasil, os primeiros agrupamentos nascentes não
se preocuparam em dar seguimento às instruções preciosas deixadas pelo mestre.
Não se sabe o motivo pelo qual isso aconteceu.

Os grupos e pessoas que deram origem à Federação Espírita Brasileira – FEB,
criaram um sistema espírita muito diferente daquele idealizado por Allan Kardec
e nele nunca esteve presente o Controle Universal dos Espíritos, o que se
constituiu numa grave falha daquela casa espírita.

O Controle Universal dos Espírito é o mecanismo que deveria garantir a
unidade doutrinária e evitar cismas dentro do movimento espírita. Sem ele, o
sistema tornou-se vulnerável e várias teorias estranhas foram introduzidas nas
práticas, sem que houvesse tido a sua chancela.

Houvesse um órgão centralizador, que pudesse avaliar as mensagens que lhe
fossem enviadas regularmente pelos centros espíritas adesos do Controle, ele
poderia saber sobre as novas revelações e auxiliar a fazer as correções
doutrinárias necessárias às teorias.

Evidente que tudo isso seria feito conforme as instruções deixadas por Allan
Kardec, que previu a revisão doutrinária em espaços de vinte e cinco anos. Hoje,
depois de quase cento e cinqüenta anos do início da Codificação, nenhuma dessas
revisões foi feita e nem se possui os mecanismos necessários a tais aferições.

Como funcionaria o Controle? Simples. Nos casos do aparecimento de doutrinas
e práticas estranhas ao Espiritismo, ou que pelo menos tivessem pontos obscuros
em suas teorias, por exemplo, o Controle seria acionado. O órgão controlador
enviaria as mesmas perguntas a todos os centros ligados a ele, para que estes o
ajudassem a resolver a questão. Pelas respostas dadas pelos médiuns dessas casas
espíritas seria possível separar com relativa facilidade a verdade da impostura.

Allan Kardec usava esse sistema e correspondia-se com cerca de mil
agrupamentos espíritas em seu tempo. Recebia mensagens de boa parte deles, por
meio das quais desenvolveu seguramente todo o mecanismo que governa a Doutrina
Espírita.

Falando da universalidade da Doutrina o Codificador assim se manifesta:

Revista Espírita, ano 1864, número de abril, no artigo “Autoridade da
Doutrina Espírita”.

“Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais rápida e
mais autêntica. Eis porque encarregou os Espíritos de a levar de um a outro
pólo, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo
de ouvir a sua palavra. Um homem pode ser enganado; pode mesmo enganar-se; assim
não poderia ser quando um milhão de homens vêem e ouvem a mesma coisa: é a
garantia para cada um e para todos”.

“O Espiritismo encontra aí (no Controle Universal) uma onipotente garantia
contra os cismas que poderia suscitar, pela ambição de uns, ou pelas
contradições de certos espíritas. Seguramente essas contradições são como
escolho, mas que leva em si o remédio ao lado do mal.

“Sabe-se que os Espíritos, por força da diferença existente em suas
capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade;
que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à
sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até
menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e
pseudo-sábios, que crêem saber o que não sabem, sistemáticos que tomam suas
idéias como verdades; enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, os que
estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das idéias e
preconceitos terrenos. Mas sabe-se, também, que os Espíritos enganadores não têm
escrúpulos em esconder-se sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas suas
utopias.

Disso resulta que, para tudo o quanto esteja fora do ensino exclusivamente
moral, as revelações que cada um pode obter têm um caráter individual, sem
autenticidade; que devem ser consideradas como opiniões pessoais de tal ou qual
Espírito, e que seria imprudente aceitá-las e promulgá-las levianamente como
verdades absolutas.

“O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário
submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição
manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que
possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser
rejeitada. Mas esse controle é incompleto para muitos casos, em virtude da
insuficiência de conhecimentos de certas pessoas e da tendência de muitos, de
tomarem seu próprio juízo por único árbitro da verdade.

“Em tais casos, que fazem os homens que não confiam absolutamente em si
mesmos? Aconselham-se com os outros, e a opinião da maioria lhes serve de guia.
Assim deve ser no tocante ao ensino dos Espíritos, que nos fornecem por si
mesmos os meios de controle.

“A concordância no ensino dos Espíritos é portanto o seu melhor controle, mas
ainda é necessário que ela se verifique em certas condições. A menos segura de
todas é quando um médium interroga por si mesmo numerosos Espíritos, sobre uma
questão duvidosa. É claro que, se ele está sob o império de uma obsessão, ou se
tem relação com um Espírito embusteiro, este Espírito pode dizer-lhe a mesma
coisa sob nomes diferentes. Não há garantia suficiente, da mesma maneira, na
concordância que se possa obter pelos médiuns de um mesmo centro, porque eles
podem sofre a mesma influência.

“A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das
revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns,
estranhos uns aos outros, em diversos lugares”.

“…Na nossa posição, recebendo as comunicações de cerca de mil centros
espíritas sérios, espalhados pelos mais diversos pontos do globo, estamos em
condições de ver quais os princípios sobre que essa concordância se estabelece.
É esta observação que nos tem guiado até hoje, e é igualmente ela que nos
guiará, através dos novos campos que o Espiritismo está convocado a explorar. É
assim que, estudando as comunicações recebidas nos diversos lugares, tanto na
França quanto do exterior, reconhecemos, pela natureza toda especial das
revelações, que há uma tendência para entrar numa nova via, e que se chegou o
momento de se dar um passo à frente…”.

“Esse controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo,
e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se procurará
um criterium da verdade”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, item II, da Introdução.

“…E resulta mais, que as instruções dadas pelos Espíritos, sobre os pontos
da doutrina ainda não esclarecidos, não teriam força de lei, enquanto
permanecessem isoladas, só devendo, por conseguinte, ser aceitas sob todas as
reservas, a título de informações”.

Após essas considerações, chega-se à questão: temos o direito de buscar a
progressão da Doutrina Espírita, modificando-a em algum ponto ou
acrescentando-lhe coisas novas? Sim, não apenas temos o direito, como temos o
dever de fazê-lo. Se não o temos, qual é o argumento para a negativa? Se temos,
por que nada fizemos após mais de um século? Houve falhas na condução do
processo? Sim, é bem possível que isso tenha acontecido.

Em que o Controle Universal dos Espíritos poderia nos ajudar? Em muitas
coisas. Atualmente, há controvérsias e desentendimentos em termos doutrinários.
São várias questões que precisam ser esclarecidas pois estão tomando vulto no
movimento espírita, influenciando sobremaneira as práticas e o futuro do
sistema.

Teorias como a Transcomunicação (TCI), Terapia Regressiva a Vivências
Passadas – TRVP, o Roustainguismo, a Cromoterapia, o Armondismo, o Ubaldismo
etc, merecem uma opinião geral dos Espíritos. E não só através de um médium.
Opiniões que precisam ser dadas por Espíritos, em vários lugares, através de
diversos médiuns, que não se conheçam entre si.

Podemos continuar admirando Allan Kardec como um homem diferente e distante
do comum dos mortais, como estamos acostumados a adorar os santos de outras
religiões. Mas podemos ir além, e realmente segui-lo, colocando em prática suas
instruções, com a certeza de que somos capazes de continuar a sua obra.

Neste ano de 1996, fala-se que temos no Brasil uma rede de mais de seis mil
centros espíritas, quase todos contando com médiuns para realizarem seus
trabalhos mais comuns de atendimento aos sofredores. Os meios de comunicação são
superiores aos do final do século passado. Só nos falta a boa vontade para
criarmos o Controle Universal dos Espíritos. O Grupo Espírita Bezerra de
Menezes, de São José do Rio Preto, SP, convida você para participar do Controle
Universal. Se sua casa espírita possui médiuns que fazem um trabalho regular de
psicografia ou psicofonia, inscreva-se.

Veja como seu grupo pode participar:

1 – O Controle Universal dos Espíritos é um posicionamento doutrinário que se
assumirá em torno de questões de interesse geral. Ele será conseguido por meio
das comunicações obtidas através de diversos médiuns que não se conheçam entre
si. Este trabalho será feito por meio de comunicações espontâneas e também
através do envio de questões a serem respondidas pelos Espíritos. As respostas
serão comparadas pelos coordenadores e os resultados divulgados posteriormente.
Um conceito verdadeiro sempre é comunicado simultaneamente pelos bons Espíritos,
em diversos centros espíritas que possuam médiuns sérios.

2 – O Grupo Espírita Bezerra de Menezes está fazendo uma campanha com a
finalidade de fazer renascer o Controle Universal e fará a coordenação dos
trabalhos mediúnicos experimentais junto aos centros espíritas interessados.

3 – A equipe que quiser participar deverá se inscrever na recepção do Entrade.

4 – Dentro de alguns dias, uma ficha de inscrição será enviada pelo Correio
ao centro espírita interessado junto com as informações complementares.

5 – Alguns testes serão feitos para avaliar as condições mediúnicas dos
trabalhadores interessados.

A Doutrinação dos Espíritos

A técnica de doutrinação dos Espíritos difere muito de grupo para grupo.
Pode-se mesmo afirmar, que cada doutrinador tem uma maneira própria de realizar
este tipo de atividade. Entre nós, espíritas, ainda existe muita confusão em
torno de como se deve conversar com os desencarnados, quando se pretende
instruí-los.

Poucos estudos foram desenvolvidos em torno desse tema e alguns deles,
incompletos, acabaram sendo tomados como um elemento de referência para as
atividades mediúnicas de muitas pessoas.

Produzidos em grupos familiares, que lidavam com sessões experimentais,
atendendo Espíritos sofredores, deixam muito a desejar quando o assunto é o
dia-a-dia da casa espírita.

Foram experiências válidas, não há dúvidas, mas ainda distantes da realidade
do que se passa na intimidade do centro espírita, onde normalmente se lida com
uma grande variedade de Espíritos desencarnados.

No Movimento de Reformas temos aconselhado que as pessoas deixem um pouco de
lado os autores contemporâneos, para examinarem e orientarem-se pela metodologia
kardequiana. Nos trabalhos de Allan Kardec existem preciosas instruções que
facilitam o desempenho dessas atividades com real aproveitamento.

Doutrinações esfuziantes, ou com excessiva mansidão; discursos maravilhosos,
que mais servem aos brios do doutrinador do que para atender as verdadeiras
necessidades do comunicante, pouco significam em termos espirituais.

O trabalho mediúnico da casa espírita precisa ser avaliado quanto à sua
produtividade. Para isso, basta que se coloquem pessoas obsediadas sob os
cuidados da equipe mediúnica, que se utilizando dos métodos de doutrinação,
tentará realizar o processo desobsessivo.

Se estiver trabalhando corretamente, a equipe conseguirá uma redução entre 50
e 60% dos sintomas presentes, sem dizer que em muitos desses casos, os pacientes
ficarão totalmente curados.

Se os perturbados continuarem na mesma situação em que se encontravam antes,
o trabalho de doutrinação e orientação está sendo mal conduzido.

Métodos, sejam de doutrinação, de desenvolvimento mediúnico ou desobsessão
devem ser regularmente provados com resultados. Tudo deve ser anotado em papel e
comparado racionalmente.

Allan Kardec tinha sua própria metodologia para lidar com os Espíritos
desencarnados. Por que nós, que somos seus discípulos, não podemos nos conduzir
pela mesma linha de ação?

O Livro dos Médiuns e alguns estudos do Codificador existentes na Revista
Espírita oferecem subsídios importantes na arte de dialogar e instruir os
Espíritos. Nesse estudo, vamos relembrar alguns desses pontos e comentá-los como
forma de estímulo à melhoria das práticas.

Alguns trabalhadores espíritas costumam afirmar que o termo “doutrinar” não é
correto, pois transmite a idéia de se violentar consciências. Este tipo de
preocupação não tem qualquer sentido. O termo “doutrinação” é legitimamente
kardequiano e não há nada que o desabone.

Os homens de bem exercem uma influência salutar sobre os Espíritos
sofredores, ignorantes ou maus.

Através de preces e instruções convenientes ministradas, pode-se contribuir
muito para melhorá-los espiritualmente. A técnica de interrogar, dialogar e
instruir um Espírito imperfeito chama-se “doutrinação”.

Condições para a doutrinação – Um das condições fundamentais
para o doutrinador ser bem sucedido no seu intento é que tenha razoável condição
moral. Isso lhe dará condições para exercer certo domínio sobre o Espírito
comunicante. Precisará ainda ter conhecimento da Doutrina, para saber discernir
a verdade da impostura. Quanto maior for este conhecimento, menos sujeito ficará
à ação de Espíritos enganadores, que pululam por toda parte.

O dirigente das sessões mediúnicas ou doutrinador precisa ser uma pessoa
dotada de razoável bom senso e que tenha sua mente livre de muitas fantasias
existentes no movimento. Assim, ele terá condições para melhor analisar a
produtividade dos trabalhos.

Deverá evitar comparações entre as situações de sofrimento observadas em
sessões práticas, com aquelas narradas na literatura mediúnica, dita
complementar. Tais posicionamentos produzem confusões e estimulam nos médiuns o
animismo.

A disciplina interna de funcionamento será condição imprescindível ao
equilíbrio da reunião. Alguns acertos deverão ser feitos entre dirigente e
médiuns para que não ocorram situações desagradáveis, tal como a interrupção da
conversa com os Espíritos comunicantes por ação de algum participante encarnado
ou não.

Como se deve falar com os Espíritos? – Allan Kardec, em O Livro
dos Médiuns, aconselha-nos que utilizemos de uma linguagem que esteja em relação
com a situação moral do Espírito comunicante. Se for um Espírito bom ou de uma
ordem superior, devemos nos dirigir a ele com respeito e consideração. No
entanto, não é necessário nos colocarmos na situação de submissão total aos
desencarnados, como se vê frequentemente.

Os Espíritos já desmaterializados, não se importam com cargos ou deferências
que se lhes possam fazer os doutrinadores. Portanto, não devemos nos dirigir aos
Benfeitores com os títulos pomposos de “doutor”, “excelência”, “eminente”,
“inesquecível”, “inolvidável”, “querido” etc. Só Espíritos pouco adiantados se
prendem a esse tipo de referência.

Vale recordarmos a passagem existente em O Livro dos Médiuns, onde se evocou
um sacerdote pelo título de Monsenhor. A resposta do Espírito foi a seguinte:
“Devias pelo menos dizer ex-monsenhor, pois aqui só há um Senhor que é Deus. É
bom saberes que vejo aqui os que se ajoelhavam diante de mim na Terra e diante
deles me inclino”.

Quando nas aberturas das sessões práticas, houver dificuldades para as
manifestações dos amigos espirituais, o dirigente deverá provocá-las,
estimulando os médiuns ao trabalho. Recordo-me de uma reunião mediúnica, onde
presenciei uma equipe de médiuns que se manteve em silêncio por cerca de vinte
minutos. Quando vi que não aconteceria nada, perguntei ao dirigente o que
estávamos fazendo ali, parados. Ele disse que estávamos aguardando os mentores
se comunicarem. Pensei comigo: mas será que eles estão atrasados para os
trabalhos ou coisa parecida? Claro que não! Certamente os médiuns foram
condicionados àquela atitude e os costumes daquela casa os colocavam naquela
constrangedora condição.

Pedi licença e fiz uma evocação fervorosa aos bons Espíritos e as
comunicações começaram a acontecer, sem qualquer problema.

É importante compreender que a direção da sessão está nas mãos dos encarnados
e o dirigente da mesa é quem deve conduzir as manifestações, solicitando-as,
impedindo-as e ordenando-as quando necessário.

A abertura, por exemplo, pode ser feita desse modo: “Gostaria de pedir aos
Benfeitores que nos assistem, que escolhessem um dos médiuns em condições de
passividade, para nos transmitir algumas palavras instrutivas, ou destinadas a
orientar as atividades”.

Os Espíritos amigos manifestam-se com a maior satisfação, pois querem nos
ajudar com a instrução e desejam que seus pensamentos tornem-se conhecidos.

Na relação com os Espíritos inferiores, alguns cuidados precisam ser tomados.
O próprio caráter de cada manifestante e a situação em que estiver envolvido
determinará a linguagem a ser utilizada. Kardec diz que entre os Espíritos há
aqueles que, embora sejam inofensivos e até mesmo benévolos, são levianos,
estouvados e ignorantes. Seria uma falta de senso tratá-los como se faz aos
Espíritos realmente superiores.

Que sejam tratados com a mesma naturalidade e educação com a qual trataríamos
uma pessoa encarnada com essas características de personalidade.

Devemos evitar utilizar para com os Espíritos inferiores um tom muito
familiar, pois isso faz com que os laços vibratórios entre eles e nós se
estreitem, abrindo caminho para estar sempre nos trabalhos.

Seria o mesmo que deixarmos uma pessoa qualquer que conhecemos a pouco,
tornar-se íntima de nossa casa. Pouco sabemos de sua intimidade e acolhê-la como
se fosse um amigo, seria correr riscos imprevisíveis. O bom senso manda que
tenhamos cuidado para os que, embora não sejam maus, também não possuam
qualificativos que os destaquem.

Entre os Espíritos inferiores existem aqueles que são infelizes e que sofrem
desgraçadamente por causa do gênero de vida que levaram na Terra. Devemos
recebê-los nas sessões mediúnicas com sentimentos de piedade e benevolência,
compadecendo-nos dos seus sofrimentos. A prece e os bons conselhos os confortam,
mas nem sempre os tiram instantaneamente dos sofrimentos.

Há Espíritos maus que se apresentam com linguagem cínica e seus diálogos
apresentam-se marcados por contradições e mentiras. Dão conselhos pérfidos aos
que lhes dão ouvidos. Esses certamente são menos dignos de interesse, do que
aqueles que se apresentam arrependidos, mas nem por isso, devemos abandoná-los à
própria sorte. Kardec diz que devemos tratá-lo com a piedade que nos inspira os
grandes criminosos.

Ao contrário de alguns dirigentes que acham correto deixá-los falar
indefinidamente, o Codificador aconselha reduzi-los ao silêncio, mostrando que
não nos podem enganar. Este tipo de entidade desencarnada só estabelece
intimidade com pessoas das quais nada tem a temer.

É Kardec quem resume a metodologia de diálogo com os Espíritos de forma clara
e objetiva: “Seria irreverente tratarmos os Espíritos superiores de igual para
igual, como seria ridículo dispensarmos a todos, sem exceção, a mesma
deferência. Tenhamos veneração pelos que a merecem, reconhecimento pelos que nos
protegem e assistem, e para todos os outros a benevolência de que talvez nós
mesmos necessitemos um dia. Descobrindo o mundo incorpóreo aprendemos a
conhecê-los e esses conhecimentos devem regular as nossas relações com os seus
habitantes.

“Os antigos, na sua ignorância, levantaram altares a eles. Para nós, os
Espíritos não passam de criaturas mais ou menos perfeitas e só elevamos altares
a Deus” – (O Livro dos Médiuns, questão 280, Linguagem a usar com os Espíritos).

Alguns agrupamentos espíritas não efetuam evocações de desencarnados porque,
segundo eles, tais práticas seriam perigosas e colocariam os evocadores à mercê
de entidades galhofeiras. Ainda aqui, o que se observa é o desconhecimento das
lições deixadas por Allan Kardec. Vejamos o que diz o texto do mestre:

“Temos visto médiuns, justamente ciosos de conservar suas boas relações com o
além-túmulo, recusar-se a servir de intérpretes dos Espíritos inferiores que
podem ser chamados. É de sua parte uma susceptibilidade mal entendida. Pelo fato
de evocarmos um Espírito vulgar, e mesmo mau, não ficaremos sob a dependência
deste. Longe disso, e ao contrário, nós é que dominaremos: não é ele que vem
impor-se, contra a nossa vontade, como nas obsessões; somos nós que nos impomos;
ele não ordena, obedece; nós somos o seu juiz e não a sua presa. Além disso,
podemos ser-lhes úteis por nossos conselhos e por nossas preces e eles nos ficam
reconhecidos pelo interesse que demonstramos. Estender a mão em socorro é
praticar uma boa ação; recusá-la é falta de caridade; ainda mais, é orgulho e
egoísmo. Esses seres inferiores são para nós um grande ensinamento. Foi por seu
intermédio que pudemos conhecer as camadas inferiores do mundo espírita e a
sorte que aguarda aqueles que aqui fazem mau emprego de sua vida.

“Notemos, além do mais, que é quase sempre tremendo que eles vêm às reuniões
sérias, onde dominam os bons Espíritos; ficam envergonhados e se mantêm à
distância, ouvindo a fim de instruir-se. Muitas vezes vêm com esse objetivo, sem
terem sido chamados.

“Por que, pois, recusaríamos a ouvi-los, quando muitas vezes seu
arrependimento e seu sofrimento constituem motivo de edificação ou, pelo menos,
de instrução?

“Nada há que temer destas comunicações, desde que visem o bem. Que seriam dos
pobres feridos se os médicos se recusassem tocar em suas chagas?” – (Allan
Kardec, Revista Espírita, ano 1859, número de Dezembro).

Não há qualquer dúvida: se a equipe mediúnica for constituída de pessoas
sérias, não há qualquer motivo para temer a relação com os Espíritos
imperfeitos. Se um Espírito inconveniente se manifestar e resolver falar
asneiras, o dirigente da mesa deve obrigá-lo a afastar-se. Se não se mostra
acessível aos bons conselhos, convém que se afaste do grupo. De outro modo, pode
tornar-se íntimo dos médiuns e passar a obsediá-los com diálogos banais e
inúteis.

O diálogo com os Espíritos – O diálogo que vamos ter com os
Espíritos também depende das circunstâncias que envolvem a situação. Se estamos
trabalhando numa sessão de atendimento a sofredores, o diálogo será o mesmo que
se daria num pronto-socorro. Suponhamos que estivéssemos trabalhando na
emergência de um hospital e que num dado momento ali chegasse um acidentado todo
quebrado e em risco de morte. Qual seria o diálogo que teríamos com ele? Iríamos
indagá-lo sobre sua vida pessoal ou profissão; se é feliz ou infeliz; se é jovem
ou velho? Certamente que não! A primeira providência a tomar será a de
ministrar-lhe os primeiros socorros.

Na sessão espírita, o socorro constitui-se na prece e em algumas palavras que
expressam sentimentos de comiseração. Falemos ao Espírito desesperado que
procure acalmar-se, pois encontra-se num ambiente em que lhe será ministrado
socorro. Digamos-lhe, em alto e bom som: “Acalme-se meu irmão, você está num
lugar onde vamos ampará-lo. Acalme-se!”.

A seguir, que seja feita uma prece acompanhada em pensamento por todos, de
modo a envolver o Espírito em vibrações harmoniosas. Depois, se a condição da
entidade permitir, façamos algumas perguntas preliminares, tais como, o sexo,
idade aproximada, gênero de vida, percepção do ambiente etc. Se isso não for
possível, façamos um pedido aos Benfeitores da casa, que o encaminhe para uma
colônia de assistência. Em sessão próxima, poderemos dialogar com ele, caso haja
esse desejo.

Suponhamos agora, a sessão de desobsessão. Imaginemos que estamos trabalhando
numa instituição, onde vão nos trazer algumas pessoas violentas, outras
enlouquecidas e até criaturas malvadas para diálogos. É evidente que os cuidados
serão outros e a linguagem a ser utilizada, bem diferente daquela utilizada no
pronto-socorro. Teremos mesmo que ter cautela, pois nossa integridade poderá ser
ferida pela agressividade e desequilíbrio das mentes enfermiças que vão passar
por ali. Uma sessão assim demanda cuidados especiais e pede do dirigente
espírita a energia suficiente para controlar os desajustados que se manifestarão
de modos diversos. Energia, amparada na benevolência, evidentemente.

As sessões onde se doutrinam Espíritos obsessores são mais investigativas,
pois nelas procura-se sondar os motivos que levaram o desencarnado a
embrenhar-se pela via obsessiva. Não é necessário saber detalhes muito
minuciosos sobre a obsessão. Se há um caso de vingança, por exemplo, não é
preciso se conhecer a história dramática na íntegra, para solucionar o drama.

Basta que a orientação seja ministrada partindo do princípio de que todo
desentendimento é fruto da ignorância frente às leis de Deus. O dirigente
demonstrará racionalmente a inutilidade da vingança e explicará que só o Criador
tem o direito de corrigir malvadezas.

Casos obsessivos, onde os detalhes são esclarecidos, e que servirão de
instrução aos estudiosos da alma, normalmente não saem das mesas de desobsessão,
mas sim do trabalho de médiuns desenvolvidos o suficiente para tanto e que
possuem a tarefa de transmitir essas informações para a Terra. Cada coisa, pois,
tem o seu lugar.

Nas sessões em que se pretende interrogar os bons Espíritos sobre
determinados assuntos ou dúvidas, os participantes terão toda a liberdade para
fazê-lo, no que os Benfeitores responderão de bom grado.

Mas isso não dispensa que se coloque uma certa ordem nas questões e nos
assuntos que vão ser tratados. No caso das perguntas serem respondidas por
médiuns psicofônicos, convém que a sessão seja gravada, e depois transcritas
para o papel.

Conselhos úteis – Daremos a seguir alguns conselhos que achamos
ser de utilidade aos que lidam com as sessões práticas de Espiritismo. São
regras já conhecidas e já foram citadas por autores diversos. No entanto, nunca
será demais recordarmos algumas delas, para facilitar o bom andamento dos
trabalhos.

a) Nenhuma pessoa deve se colocar como dirigente de sessão prática de
Espiritismo ou mesmo se posicionar como doutrinador, sem que tenha o
conhecimento doutrinário suficiente para isso. Aos que postularem esse posto,
será indispensável o estudo regular de O Evangelho Segundo o Espiritismo, O
Livro dos Médiuns e O Livro dos Espíritos.

b) O dirigente da mesa mediúnica e os doutrinadores de modo geral devem
portar-se com humildade e simplicidade seja nas sessões mediúnicas ou fora
delas. Devem lembrar-se que a verdadeira humildade nada tem a ver com as
aparências, nem com o tom de voz que se usa nas conversas empreendidas com os
Espíritos.

c) A reunião mediúnica sempre deverá ser precedida de uma explanação de uma
lição de O Evangelho Segundo o Espiritismo ou de um trecho de O Livro dos
Espíritos, necessários à instrução filosófica-moral e à formação do ambiente
psíquico, propício ao bom andamento das atividades de intercâmbio.

d) Na organização da sessão prática, o dirigente deverá fazer o possível para
dirigi-la com critérios racionais. Que o tempo disponível às comunicações seja
dividido em períodos distintos. O período instrutivo, será destinado às
comunicações dos Benfeitores. O período de manifestações espontâneas servirá às
comunicações livres, seja de Espíritos sofredores, ignorantes ou maus. Por
último, haverá o chamado período das evocações. É nele que serão evocados
nominalmente Espíritos desencarnados diversos, para fins investigativos ou de
instrução.

e) No trato com os Espíritos manifestantes, o doutrinador procurará deduzir o
sexo a que pertença o comunicante, simplesmente perguntando-lhe: És um irmão ou
irmã?”. A partir daí, seguirá a linha psicológica ideal para a conversação.

f) Quando o doutrinador souber o tipo de Espírito que vai evocar, ele deverá
escolher um médium mais apropriado àquele tipo de comunicação. Para isso, deverá
ter um bom conhecimento das potencialidades de todos os seareiros que compõem
sua equipe.

g) O doutrinador evitará discutir com Espíritos maldosos, que freqüentemente
procuram perturbar as sessões fazendo insinuações malévolas. Quando algum
Espírito maldoso se apresentar com essas características, ele será afastado dos
trabalhos, assim que possível.

h) Se forem observadas fixações mentais que dificultem o esclarecimento do
Espírito manifestante, o doutrinador poderá solicitar aos amigos do Plano
Espiritual que utilizem do fenômeno de retrospecção mental, para ajudá-lo a
lembrar-se de fatos ocorridos no passado.

i) As instruções dadas a um determinado Espírito sofredor deverão, sempre que
possível, ser ministradas de modo coletivo. Normalmente, existem outras
entidades portando os mesmos problemas do comunicante, que poderão se beneficiar
dos ensinamentos, mesmo sem se manifestarem. Lembremo-nos que o fenômeno de
esclarecimento não precisa obrigatoriamente ocorrer por meio de médiuns.

j) O doutrinador sondará a intimidade do Espírito comunicante e conversará
com ele utilizando de linguagem objetiva, evitando discursos doutrinários
desnecessários. Muitas vezes um bom pensamento dirigido ao Espírito manifestante
vale mais do que mil palavras.

k) O doutrinador deverá dirigir-se aos Espíritos inferiores e maléficos com
autoridade moral e firmeza, evitando-se, porém, o azedume. Nesses casos, a
benevolência deverá servir de elemento moderador à energia utilizada. Lembre-se
de que a autoridade moral é dada acima de tudo pelo exemplo da vida sadia.

l) Sempre que necessário, o doutrinador poderá solicitar que um dos
Benfeitores esclareça pontos obscuros do assunto tratado na sessão. Quando
alguma dúvida persistir em certa comunicação deste ou daquele Espírito, o
doutrinador ou dirigente da mesa solicitará na sessão seguinte, que ele
esclareça aquilo que não ficou a contento.

m) O doutrinador evitará que ocorram manifestações simultâneas de Espíritos
perturbados ou perturbadores, pois que são desnecessárias e colocam em risco a
ordem moral vibratória do ambiente.

n) A única pessoa da mesa que está autorizada a dialogar com os Espíritos é o
doutrinador, salvo situações em que ele ou o dirigente da mesa autorize um
outro.

Conclusão: queremos concluir esse pequeno estudo sobre doutrinação de
Espíritos, lembrando que a Codificação nos fornece seguras bases para a
instrução proveitosa e o diálogo com os Espíritos, seja de que natureza forem.
Instruções dadas em sentido contrário ao que está exposto nas obras básicas,
devem ser consideradas somente como opinião pessoal de médiuns ou de Espíritos.

As obras ditadas por reconhecidos instrutores desencarnados, vindas ao plano
material pelas mãos de médiuns conhecidos, tais como Francisco Cândido Xavier,
Divaldo Pereira Franco, José Raul Teixeira e outros, merecem especial atenção
dos estudiosos do Espiritismo. No entanto, nos pontos em que elas divergirem das
instruções da Codificação, não deverão servir de elemento orientador para os
trabalhos práticos.

No mais, é estudar e instruir-nos, utilizando o manancial de conhecimentos
que nos deixou o Codificador, tendo a certeza de que, dessa forma, teremos menor
probabilidade de nos envolver com Espíritos embusteiros.

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